sexta-feira, 26 de julho de 2013

O que diz mesmo a carta do Gaparzinho?

No dia 1 de Julho o Gasparzinho demitiu-se.
O Passos Coelho não queria que o Gaspar saísse mas, como o homem queria mesmo sair, teve que tornar a carta de demissão pública.
A carta não tem nada que ponha em crise a "politica de austeridade" mas o nosso povinho (e da nossa comunicação social) quer acreditar em miragens. 
Se dois ou três comentadores dizem com convicção que o documento diz alguma coisa, perde importância o que de facto lá diz porque mais ninguém o vai ler e os comentários tomam o lugar da verdade.

Fig. 1 - Como o incêndio é muito grave, foi preciso trocar o bombeiro que segura a agulheta

Dou-vos dar um exemplo bíblico.
Todas sabemos que, algures na Bíblia, aconteceu o Pecado Original. Toda a gente diz que tal se refere a termos nascido em resultado de uma prática sexual mas ninguém vai de facto ver o que diabo é o Pecado Original.
De facto, Deus disse ao Homem "da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás" (Gen 2:17) mas Adão e Eva comeram (Gen 3:6).
É este o Pecado Original: o Homem não quer viver na ignorância. No texto bíblico a infelicidade humana resulta de o homem ter adquirido consciência de que é mortal. A sabedoria libertou o Homem da ilusão de que o Futuro será um paraíso.
Decorridos milhares de anos, a maior parte do povo português ainda quer viver na ilusão de que, saindo de lá o Passos Coelho, Portugal vai ser o paraíso na Terra.

Fig. 2 - Naturalmente que o Adão, passando a ver a Eva com olhos de ver, cometeu logo o segundo pecado, o terceiro, o quarto ... durante 930 anos e gerou filhos e filhas (Gen 5:4-5).

A carta de demissão.
Os comentadores começaram a dizer que o Gasparzinho assumiu na sua carta de demissão que a politica de austeridade falhou. Mas, apesar de absolutamente nada disso ser lá dito, toda a gente já o diz que diz.
Para analisar a carta, vou primeiro fazer um resumo do que diz cada um dos 10 parágrafos da carta.

Sobre a demissão de Outubro de 2012.
1. Em 22 de Outubro de 2012 pedi a demissão.
2. Por causa do chumbo do Tribunal Constitucional aos cortes dos subsídios dos pensionistas e funcionários públicos e pela degradação do apoio popular às medidas de consolidação orçamental.
3. Conseguimos, com custos económicos e sociais, recuperar a confiança dos credores quanto à nossa capacidade de pagamento da divida pública que agora é preciso manter. Mas para isso é preciso um entendimento de governação estável, que não existe.

Sobre a demissão de Maio de 2013.
4. Em Abril de 2013 repetiram-se os problemas institucionais de Outubro de 2012. Apesar de eu querer novamente sair, pediram-me que continuasse até ao fecho da 7.a avaliação que aceitei.
5. Cumprida a minha parte do acordo, pensei que a minha demissão se efectivaria a 15 de Maio, o que não aconteceu. 
6. Tenho que sair porque continua sem existir um entendimento de governação estável que me permita negociar com a Troika.


 Fig. 3 - Passo, sou eu. Liberta-nos que estamos a apanhar muita pancada. Já estamos cansados e sem força animica.

Sobre as limitações e responsabilidades. 
7. Os desvios relativamente às metas do memorando foram causados por uma queda substancial da receita fiscal. Estes desvios minaram a minha credibilidade enquanto ministro das finanças.
8. Os custos de ajustamento traduzem-se num desemprego muito grande o que exige uma resposta urgente a nível nacional e europeu. Essa resposta requer credibilidade e confiança que não me encontro em condições de assegurar. Não tenho outra alternativa senão assumir as responsabilidades que me cabem.

Os finalmentes.
9. Liderar é um fardo que inclui assegurar as condições internas para que o ajustamento possa ser levado a bom porto, i.e., compete-lhe manter a coesão do governo. Penso que a minha saída lhe vai facilitar a vida.
10. Resta-me agradecer-lhe o enorme e inestimável apoio dos últimos 2 anos.

Vamos esmiuçar o texto
Os parágrafos 1 a 6 não falam de qualquer falha pessoal ou da politica de consolidação orçamental. Aponta apenas falhas institucionais (os chumbos do TC, a erosão da vontade popular e a falta de coesão do governo).

7 - Houve desvios nas receitas ficais.
No parágrafo 7, o Gasparzinho reconhece que repetidos  desvios entre as receitas fiscais orçamentadas e as efectivas minaram a sua credibilidade. Leva estes desvios à redução da procura interna e da alteração da estrutura do cabaz de consumo.

Mas o Gaspar não diz que foi um erro seu.
Aqui a comunicação social fez uma leitura aligeirada e errada do conteúdo do parágrafo 7.
Era por demais evidente que no OE2012 e OE2013 a receita fiscal e a despesa pública estavam "mal" calculadas.
Por exemplo, no Memorando original assinado pelo Sócrates está previsto que a receita do IVA aumente 410 M€ (ponto 1.23) e do imposto automóvel aumente 250 M€(ponto 1.24). Como era certo haver uma queda do consumo em favor dos bens de taxa reduzida, para haver este aumento, seria preciso aumentar a taxa de IVA pelo menos para 25%.
Eu defendi em 2011 que o IVA teria que aumentar para 27%. Mas nada foi feito.

O desvio não foi um erro de previsão.
O Governo, logo em meados de 2011, re-negociou  com a Troika uma alteração das metas orçamentais. Mas essas alterações ficaram no segredo. Não seriam reconhecidas aquando da aprovação dos Orçamentos de Estado mas apenas depois da sua execução.
Com esse fim, a Troika aceitou  que os OE de 2012 e 2013 fossem construídos com base em cenários macro-económicos que toda a gente afirmou serem optimistas. Não houve uma única pessoa que dissesse que fosse provável que aqueles cenários se concretizassem. Ninguém, logo o Gasparzinho também sabia que não se iriam materializar.

O Gasparzinho não foi defendido.
Os desvios aconteceram e deveria ter logo surgido alguém a dizer que esses desvios tinham sido pré-negociados com a Troika. Deveria ter havido uma "fuga de informação" que o Marcelo aproveitaria para dar essa novidade ao povinho. 
Mas não saiu ninguém a terreiro  (excepto eu mas sem impacto) e o Gasparzinho ficou a grelhar em fogo brando.

8 - Falta de credibilidade e confiança.
O Gasparzinho diz que, para combater o desemprego, é preciso investimento o que exige credibilidade e confiança que não se encontra capaz de assegurar.

Mas o Gaspar não diz que a falha é dele.
Aqui a comunicação social fez mais uma leitura aligeirada e errada do conteúdo do parágrafo.
Não é a credibilidade e confiança no Gasparzinho que está em causa pois não é o homem que vai fazer com que os agentes económicos passem a confiar de que os investimentos em Portugal são lucrativos.
O que leva ao investimento é a credibilidade e confiança dos investidores em Portugal.
O Gaspar diz ter dúvidas porque o ajustamento tem custos económicos e sociais e o Governo está dividido, o TC torpedeia as medidas de consolidação orçamentais e o Povo não está convencido da necessidade de haver contas públicas equilibradas.
O Gasparzinho apenas diz não estar em condições de avalizar pessoalmente que Portugal é capaz de cumprir o acordado com os nossos credores. Não é capaz de assegurar, afirmar aos investidores com segurança, que Portugal não vai entrar, a médio prazo, em incumprimento de pagamento.

Quais serão as responsabilidades do Gasparzinho?
É o sacrifício.
"O Sucesso do programa de ajustamento" reporta-se ao futuro e "assumir plenamente as responsabilidades que me cabem" nesse sucesso é retirar-se da corrida porque rebentou dando lugar a outro mais fresco.
O ajustamento sendo uma maratona, o Gaspar assumiu a responsabilidade de ser a lebre da primeira metade da corrida. Apesar de ter rebentado aos 15 km (em Out 2012), foi responsável ao ponto de ainda ter aguentado mais 5 km porque a outra estafeta (a Maria Luiz) e o chefe de corrida (o Passos Coelho) ainda não estavam preparada para prosseguir.

9 - A alegada falta de liderança de Passos Coelho 
A comunicação social diz que neste parágrafo o Gasparzinho dá um derrote no Passos Coelho mas não é bem assim.
O Gasparzinho reconhece que Passos Coelho lidera num momento muito difícil. Tenta governar num momento de grande crise económica e social e em que o povo, apesar de inteligente, não compreende bem as medidas. Agora que já aparou os raios maiores, sai para abrir espaço de manobra ao Passos Coelho.

10 - Gaspar e Coelho foram Adão e Eva.
Mas no último parágrafo fica claro que a falta de união dentro do governo não é culpa do Passos Coelho mas das dificuldades em gerar apoios dentro da maioria que apoia (mas pouco) o governo.
"enorme e inestimável apoio ... excelente cooperação"
Ambos comeram o fruto da árvore da sabedoria.
Sendo que cavalo (Gaspar) e cavaleiro (Passos Coelho) não podem continuar a peleia porque o chão pedregoso cansou o cavalo, há que mudar de montada para a peleia sair vencedora.

Haverá alguém que consiga ver no texto que o Gaspar reconhece que a austeridade falhou?
Não vejo como tal será possível.
Mas toda a gente diz isso.

O Governo não me dá grande confiança.
O Passos teve que chamar a máquina dos partidos, os grupos de interesses que vivem à volta do orçamento de estado.
Voltaram os homens que fizeram carreira à custa do Estado. Não nos podemos esquecer que o  Pires de Lima entrou na Somol porque a CGD lhe emprestou 400 milhões de euros. Foi a mão da Celeste Cardona, no governo do Santana Lopes + Paulo Portas. A coisa correu bem mas, se corresse mal, ficava mais um buraco para pagarmos.
E aquele outro dos "impostos sobre actividades mais poluidoras" é o lobbi das eólicas e das rendas da co-geração no seu ponto mais alto.
Não prestam mas é o que é possivel ter, por agora.

Fig. 4 - A taxa de juro está 1.225 pp acima do resultado do Gasparzinho. O homem, apesar de pequenino, valia para a nossa economia bastantes milhares de milhões de euros.

Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 23 de julho de 2013

O que saiu da crise

O tempo nunca volta para trás.
No dia da demissão do Gasparzinho (15 de Maio de 2013) a taxa de juros da divida pública a 10 anos estava nos 5.3%/ano. Entretanto, passou por um máximo de 8.2%/ano e está hoje estável nos 6.4%/ano. Os nossos credores assustaram-se com a perspectiva e o PS voltar a (des)governar o nosso país mas, como com a comunicação do Cavaco esse risco foi adiado, os credores ficaram mais confiantes. Aparentemente voltamos ao pré-demissão-do-gasparzinho mas ainda com 1 ponto percentual acima da situação que vivíamos em 15 de Maio.
 
Quanto valerá 1 PP?
Não interessa muito calcular o impacto junto da divida pública porque parte é nacional (os juros ficam cá dentro). Interessa antes ver o impacto no total da divida ao exterior.
Portugal deve ao exterior cerca de 380 MM€. Supondo que o aumento do ponto percentual é persistente e se transmite à globalidade da divida externa (pública e privada), estamos a falar de um aumento de 3.8MM€ por ano de pagamentos de juros ao exterior. Se esse risco se transmitir à economia, o investimento estrangeiro também exigirá uma remuneração superior.
Então, um PP a mais (ou a menos) traduz-se em qualquer coisa acima dos 4MM€/ano, 2.4% do PIB, que nossa economia tem que enviar a mais para o exterior, 400€ por cada pessoa.

Fig. 1 - Nunca ouvi falar da operação "Portas Seguro". Isso é pura invenção dos bloguistas desmiolados.

Mas a crise era inevitável.
A explicação está naquele programa da TV de adestramento de cães.
A semente da crise foi plantada no dia da manifestação contra a transferência da TSU do empregador para o empregado (15 de Setembro de 2012). Estando nessa altura as sondagens a mostrar, pela primeira vez, o PS acima do PSD, o Portas viu uma oportunidade para tirar um pé do governo: "eu avisei".
Foi um pequeno rosnar mas que lhe deu muitos minutos de televisão. Como o Passos recuou, o Portas ficou com a sensação de que, de facto, era ele que mandava nos destinos da governação. Animado por este número de circo e pensando que o Passos era outro Durão Barroso, entrou em modo "destruidor de coligações" a ver se arranjava outro Santana Lopes (que seria o Rui Rio).
Quando o bicho ganha o sofá, passamos a ser subalternos da matilha.
 
O Passos ficou sem margem de manobra.
Eu estou convencido a 100% de que o Passos quer reduzir o défice público a zero, quer privatizar as empresas que são um sorvedouro de recursos, quer aligeirar toda a máquina do Estado, quer diminuir o desemprego, quer tornar a nossa economia mais dinâmica e competitiva, capaz de enfrentar os desafios que a Globalização nos tem colocado. E tenho a certeza a 100% que esse é o caminho certo para, em 2021, estarmos melhor do que estávamos em Junho de 2011, no dia em que o Sócrates foi despedido pelo povo português.
Tenho eu a certeza e têm os nossos parceiros da Zona Euro.
O problema é que isso é muito difícil de ser feito porque há quem vá perder benefícios. No caso, são os milhões de portugueses que vivem à sombra do Estado, desde funcionários públicos a fornecedores de bens e serviços. Por esta razão é que as greves gerais apenas têm impacto no que é público.
Desanimado pelas sondagens e combatido pelo Portas e pelos barões do PSD, o Passos precisou vestir a pele de cordeiro para ganhar momento e ferrar forte.
 
Vejamos como deveria funcionar a contratação dos professores.
Candidataram-se 45 mil para 3 lugares porque o concurso está completamente errado.
Todos que estudaram economia, mesmo naquela escola onde o Sócrates diz que aprendeu economia mas que nunca disse qual era, sabemos que não é eficiente ter um concurso pela quantidade (com desemprego) mas que deveria ser pelo preço, em leilão (com ajustamento nominal).
 
1 - Os contractos deveriam ter a duração de um ano lectivo.
 
2 - Deveria haver uma plataforma de negociação em que as escolas colocassem as necessidades docentes futuras (local e grupo de disciplinas) e os docentes a sua disponibilidade para as ocupar dizendo o salário pretendido. Em tempo contínuo.
 
3 - Nos finais de Julho de cada ano, seriam escolhidos os professores que propusessem o salário mais baixo para cada local e grupo de disciplinas. Em cada local e grupo de disciplinas seria pago a todos os professores o salário mais baixo de todas as propostas recusadas (leilão de segundo preço).
Se, por exemplo, fossem propostos A->1450€; B->1375€; C->1693€; D->1273€ e E->350€ para 3 lugares, seriam escolhidos os professores E, D e B que receberiam um salário de 1450€/mês.
 
4  - A plataforma de negociação publicitaria em tempo continuo a evolução do potencial salário (calculado pela regra 3) de cada local e grupo de disciplinas.
 
5 - A plataforma aceitaria a negociação de contratos para os próximos 10 anos, sendo fechados a cada ano 10% do total de contractos necessários. Por exemplo, para o próximo ano já só seriam negociadas 10% das vagas necessárias porque 90% já teriam sido negociadas nos anos anteriores.
Desta forma, seria possível um professor construir um contrato com uma duração até 10 anos e prorrogável com antecedência e as escolas manteriam a capacidade de responder a alterações no número dos alunos.
 
6 - Poderia haver um mecanismo de ponderação dos anos de experiência e da avaliação de desempenho. Por exemplo, cada ano de serviço, cada valor de média de curso acima de 10 valores e cada ponto de desempenho (numa escala de 1 a 10) majorava o salário em 2% (e.g., 15 anos de serviço, 15 valores de média e 8 de avaliação traduzia-se numa majoração de 56% do salário que resulta do leilão).
 
Fig. 2 - Uma professora assim receberia uma majoração pela motivação dos alunos.
 
Quando implementarem este mecanismo, não ficará um único professor no desemprego.
Nem um único para amostra.
Vamos supor um jovem com 18 anos que se pretende candidatar a um curso para o ensino. Mesmo antes de se inscrever, poderá licitar contractos de trabalho para depois de acabar o seu curso. Assim, querendo, no dia em que começa o seu curso já tem um contracto como professor para vários anos.
 
Mas os salários vão diminuir muito.
Diminuem o que tiverem que diminuir até deixar de haver quem queira tirar um curso para o qual é remota a probabilidade de encontrar emprego ao salário actual.
Depois, os actuais 45 mil sem emprego deixam de viver com a ilusão de que para o ano farão parte do grupo dos 3 eleitos e fazem-se à vida.
E haverá flexibilidade para as escolas localizadas em locais menos atractivos poderem pagar salários mais elevados.
 
Eu penso que a crise não passou de uma encenação.
Na noite do dia 6 de Abril de 2013 o Passos, o Gasparzinho e o Cavaco reuniram-se sem pré-aviso em Belém. Nunca ninguém perguntou o que se passou nessa noite mas sei que esse momento serviu para lançar a operação a que deram o nome de código "Portas Seguro".
A ideia seria dar corda ao Portas (e ao Seguro) aguardando pelo momento em que a situação ficasse  totalmente podre. Aí, o Cavaco puxava a corda abrindo concorrência entre o Portas e o Seguro por uma solução governativa.
Como se o PS desse o seu apoio ao Governo, o CDS ficava vazio de poder, o CDS teve que se comprometer firmemente com o governo acabando assim com a politica do pé-dentro-pé-fora.
O Seguro acobardou-se com a ideia de ter que dar pelo menos uma ideia para governar o nosso país mas, no entretanto, o Portas ficou amarrado pelo evoluir dos acontecimentos.
Como poderia sair de tal cabeça uma ideia que não fosse já muito batido do tipo:

-Subir as peñsões dos mais desgraçadinhos (i.e., de todos);
- Subir os salário minimo;
- Acabar com a austeridade;
-Alguém que fale grosso à senhora Merkel que o Holland não consegue.

A melhor forma de nos fazerem ver que o nosso emprego é bom é porem um estagiário ao nosso lado que se oferece para nos substituir por metade do salário.  
 
"Não chegaram nenhumas notícias desagradáveis de Lisboa"
Se o Cavaco quisesse de facto um acordo PSD+PS+CDS, esta frase não faria sentido pois as noticias eram de que não haveria acordo. Também não faria sentido afirmar na comunicação ao país que a semana de negociações tinha sido um sucesso.
Correu tudo bem porque o Cavaco+Passos+Gaspar não queriam o acordo PSD+PS+CDS mas apenas queriam que o Portas se compromete-se na governação deixando a constante campanha eleitoral e a ilusão de que é um grande estratega politico.
 
Fig. 3 - Que linda cagarra. Estou a imaginar quando meter a anilha no Portas.
 
No final, como ficou a coisa?
No curto-prazo ficou pior do que estava no dia 15 de Maio mas, no longo-prazo, ficou melhor.
Como as coisas estavam no dia 15 de Maio, o Gaspar ia ser o bombo da festa do congresso do CDS e não havia a menor hipótese dos cortes acordados no memorando de entendimento (os 8.3MM€ assinados pelo Sócrates e que agora estão reduzidos a 4.7MM€) não poderiam avançar pelo que, em finais de Agosto, teríamos um chumbo certo no 8.º exame.
Como estão hoje as coisas, o Portas tem que trabalhar nos cortes e não pode mais vir dizer que discorda pois o Cavaco meteu-o a vice-primeiro-ministro com a condição de haver coesão governativa.
Vamos aguardar pelos desenvolvimentos.
 
Fig. 4 - Fiquei entalado.
 
Pedro Cosme Costa Vieira

quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que teria Cavaco no sótão quando pediu o acordo a 3?

Estará o Cavaco doente?
Ouvi muitos comentários nos media mas nenhum conseguiu encontrar lógica à decisão do Cavaco de pedir um acordo entre PSD, PS e CDS com a condição de haver eleições "depois de Julho de 2014". 
Falam muito da instabilidade que resultou da demissão do Portas e de haver dúvida de que isso não volte a acontecer. Mas se, de forma unânime (na comunicação social), o governo está a fazer um péssimo trabalho então, o governo estar em crise deveria ser muito positivo para a economia.
A única hipótese parece ser o Cavaco estar em perda. O caminhar hirto e robótico, a  manteiga nos cantos da boca (desidratação), o olhar morto e a expressão facial exagerada permitem-se avançar com a teoria de que o Cavaco está alzheimado.

Fig. 1 - O Cavaco vai fundir antes do fim do mandato

Mas haverá alguma lógica no pedido?
Primeiro, temos que ver o que o governo estava obrigado a fazer.

Em 2011 Portugal bancarrotou.
Desde o tempo do Guterres que a estratégia de governação foi o endividamento massivo. Esse endividamento foi o que manteve o Sócrates no poder mas, em princípios de 2011, deixou de haver quem emprestasse mais dinheiro ao nosso país. Em 6 meses (entre Agosto2010 e Março 2011) a taxa de juro a 10 anos subiu de 5%/ano para 7.5%/ano o que fez a divida pública tornar-se insustentável (A esta taxa, os encargos reais da divida pública aumentariam de 6MM€/ano para 11MM€/ano).

A Zona Euro e o FMI vieram em nosso socorro.
Se fossemos um país normal, teríamos que ajustar rapidamente a despesa pública às receitas do Estado o que implicaria um mix de redução de despesa e aumento de impostos. Como em 2009/2010 a despesa pública foi 20% superior à receita pública (17 MM€), por causa do multiplicador do défice no PIB, seria preciso aumentar as receitas (dos impostos) em 15% e reduzir a despesa pública em 15% (uma divisão 50:50). 
Como as pessoas de menores rendimentos não podem ser carregadas com impostos e cortes como as pessoas mais favorecidas, seria preciso cortar 30% nos salários públicos e pensões acima da média e aumentar efectivamente os impostos (e não apenas as taxas de imposto).

Mas o Sócrates assinou o Memorando de Entendimento.
Para acedermos a mais de 110 MM€ a taxa de juro muito baixa, Portugal teve que se comprometer a tomar certas medidas. Portugal foi representado nessa negociação pelo Sócrates que assinou um Memorando de Entendimento em que comprometeu Portugal a cortar o défice público de 17000 M€ para 4521MM€ no período 2011-2014 (ponto 1.33).
Foi o Sócrates que assinou isso apesar, sabe-se hoje, não ter lido porque o texto estava em inglês e ele fez essa cadeira num Domingo, numa conversa no Bar.

O que o Sócrates assinou.
Que a redução do défice de 17000 M€ para 4521MM€ seria 2/3 do lado da redução da despesa e 1/3 do lado do aumento dos impostos. Então, o corte na despesa pública terá que ser de 8300M€.
Foi o Sócrates que assinou isso mas sabe que o nosso povinho, por ser ignorante, não vai ler o que ele assinou.

Em particular, o Sócrates assinou que
Em 2012.
Entre os pontos 1.7 e 1.17 o Sócrates comprometeu-se a cortar 3190 M€ na despesa pública e, entre os pontos 1.19 e 1.25, aumentar os impostos em 1535M€.
Em 2013
Entre os pontos 1.29 e 1.30 o Sócrates comprometeu-se a cortar mais 2200 M€ na despesa pública e, entre os pontos 1.31 e 1.32, aumentar os impostos em mais 775M€

Como os do PS conseguem ter lata.
De fazer de conta que não foram eles que assinaram o Memorando de Entendimento.
Sabendo que ninguém o lê, repetem sem descanso que os cortes são da responsabilidade do Passos Coelho.
É a demagogia politica no seu mais alto grau.

Vamos ao Gasparzinho.
O Gasparzinho entrou no governo pela mão do Cavaco. Lentamente lá foi fazendo o que podia mas, dos 8300 M€ de cortes assumidos pelo Sócrates, ainda é precisava cortar 4700M€.
Mas o Gasparzinho chegou à conclusão que o Passos estava a entrar em campanha eleitoral pelo que tal missão era impossível. Como não era pessoa para fazer figura de zombi, demitiu-se.

Qual o impacto da sua demissão?
Foi a tradução de que não temos povo para cumprir o Memorando pelo que o ajustamento vai ser à bruta.
Se atendermos ao dia da demissão do Gasparzinho (15 de Maio), a taxa de juro começou logo a subir rapidamente.


Fig. 2 - Evolução das taxas de juros a 10Y desde que o Gasparzinho se demitiu (fonte: investing.com)

Os media fazem as contas do impacto da demissão a partir do dia em que o comum dos mortais ficou a sabe (1/7) mas o seu impacto começou-se a sentir quase imediato (fugas de informação, boatos e inside trading).

O Cavaco ficou preocupado.
O Cavaco quando foi primeiro ministro quis endireitar o país avançando contra tudo e contra todos ("Deixem-me trabalhar"). Então, quer que o Passos Coelho avance contra as sondagens.
Quando o Gasparzinho disse que não conseguia fazer mais nada porque o governo entrou em modo "santana lopes", o Cavaco teve que desempatar a coisa.
Agora o passos tem duas hipóteses.
H1. Compromete-se e  faz alguma coisa que se veja.
H2. Vai borda fora e o PS avança para dar cumprimento ao Memorando que assinou.


Fig. 3 - O governo está a precisar de uma vitaminazinha


E se não houver acordo?
Naturalmente que há as duas hipóteses se matêm na mesa.
O Cavaco vai falar ao país começando o seu discurso com

Portugueses.
Em 2011 Portugal ficou sem acesso aos mercados. Para conseguirmos financiamento para as funções básicas do Estado, Sócrates assumiu  no Memorando de Entendimento que Portugal iria cortar 8300M€ na despesa pública e aumentar os impostos em 4150M€. Se isto não fosse feito, Portugal entraria em bancarrota o que teria um tremendo impacto negativo no bem-estar das pessoas.
Acontece que decorridos apenas 2 anos, o PS vendo o desencanto da população, nega demagogicamente que tenha assinado tal documento o que está degradar o apoio da população às medidas previstas no Memorando.

H1 - O Cavaco reforça o apoio ao governo.
Portugueses.
O Governo de Passos Coelho atravessou um momento de desânimo mas, nos últimos dias, comprometeu-se comigo a avançar com os cortes de 4700M€ que faltam para implementar o acordado pelo PS no Memorando. Por isso, o governo vai avançar com toda a sua energia e terá o meu apoio sem reservas.
Apesar dos cortes na despesa pública e o aumento dos impostos ter um impacto negativo na vida das pessoas, peço ao povo português que as aceite com estoicismo pois, olhando para a Grécia que já teve uma contração do PIB de mais de 25%, garanto que a alternativa, a bancarrota descontrolada, terá um impacto muito mais negativo.

H2 - O Cavaco marca eleições.
Portugueses.
O Governo de Passos Coelho não tem apoio politico dentro e fora da maioria que o apoia para avançar com os cortes necessários para dar cumprimento ao acordado no Memorando. Como a inercia nos vai atirar para a bancarrota descontrolada, é necessário dar a voz ao povo para saber se queremos a bancarrota descontrolada ou continuar a dar cumprimento ao Memorando de Entendimento negociado em 2011 pelo PS.
Apesar de dar todo o meu apoio à decisão que o povo português tomar, olhando para a Grécia que já teve uma contracção do PIB de mais de 25%, garanto que a alternativa ao cumprimento do Memorando (a bancarrota descontrolada), terá um impacto muito mais negativo nas nossas vidas.
Nossa Senhora de Fátima vos ajude a tomar a melhor decisão.


Fig. 4 - Entretanto, o Gasparzinho foi fotografado a fazer uma praiazinha! Está mais gordinho e deixou crescer o cabelo.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 12 de julho de 2013

A crise, o Cavaco e o Resgate II

Quem será responsável pela actual crise política?
As principais apostas vão para o Gasparzinho, o Portas, o Passos Coelho e o Cavaco Silva mas não é nada disso.
A verdadeira culpa da crise vai para as sondagens que dizem que, se hoje houvesse eleições legislativas, o PS ganhava.
Para quê o Gasparzinho esforçar-se, o Portas perder votos ou o Passos ficar sem cabelo a fazer coisas que, havendo eleições, o Seguro vai anular?
Se o povinho quer seguir "outro caminho", o melhor é tirar férias e engonhar até ao fim do mandato.
O governo deve prometer tudo e, como fez o da Educação, adiar tudo para 2015 que logo o PS resolve como o povinho quer.

Que susto!
Reparemos num pormenor.
A crise politica implicou uma subida muito pronunciada das taxas de juro. Assim que o risco de o governo do Passos Coelho cair aumentou, a taxa de juro que estava nuns razoáveis 5.2%/ano (do dia 21 de Maio), explodiu para uns proibitivos 8.2%/ano.
A queda do governo do Passos, dizem as sondagens, levará o PS ao poder e à implementação do "outro caminho". Mas não é esse "outro caminho" o caminho do crescimento e da prosperidade? Então porque sobem as taxas de juro se vem aí esse governo formidável?
Mau.
Afinal quem nos empresta dinheiro apenas acredita que o tal "outro caminho" do PS é o mesmo caminho que foi traçado entre 2005 e 2011 e que nos levou à bancarrota de 2011.

O povinho quer continuar a acreditar na NS de Fátima.
Não se recorda o povinho que entre 2005 e 2011 o crescimento da nossa economia foi ZERO?

Antes de o Passos Coelho tomar posse
Eu previa que Portugal nunca mais conseguiria financiar-se no mercado liberalizado (ver, por exemplo, um poste de há 2 anos).
Nos primeiros meses de Passos Coelho a nossa situação financeira degradou-se muito parecendo em Jan2012 que o nosso colapso estava iminente (taxa de juro a 10 anos ultrapassou os 18%/ano) mas, como por milagre da NS de Fátima, a taxa de juro começou a cair cerca de 2 pontos base por dia (0.02 pp por dia).
Da mesma forma que tinha subido, o nosso spread relativamente à divida pública alemã foi caindo rapidamente até que, nos princípios de 2013, estabilizou num spread de 4.67 pontos percentuais.
Fig. 1- Spread da divida pública a 10Y portuguesa relativamente à alemã (Fonte: contryeconomy)

Será a actual taxa de juro sustentável?
A taxa de juro a 10 anos está nos 7.5%/ano.
Em termos históricos não é uma taxa de juro muito elevada. Por exemplo, na década de 1990 a Alemanha pagou taxas de juro acima dos 6.0%/ano (com inflação média de 2.4%/ano).
Se compararmos com o endividamento do tempo do Guterres, no seu primeiro mandato a taxa de juro chegou a mais de 10%/ano.
O problema é que agora a nossa divida pública é massiva, acima do 205 mil milhões € e tem que ser reduzida.
Para reduzirmos (com prestação fixa em termos nominais como se amortizam as casas) a divida pública a metade em 50 anos, à taxa 7.5%/ano precisamos de 15 mil milhões € por ano.
Cada português tem que pagar mais 150€/mês em impostos para amortizar a divida pública.
Em termos teóricos, é possível mas não é fácil .

O que irá acontecer nos próximos meses?
O Cavaco disse que, provavelmente, haverá eleições em meados de 2014. Se as sondagens mantiverem o PS à frente, a taxa de juro terá tendência a subir.
Chegaremos ao fim do actual resgate e não nos poderemos financiar a uma taxa de juro de 7.5%/ano.
O Cavaco pode ter prometido ao PS que 2014 poderia ser ano de eleições mas vai ter que mudar de opinião. Com o aproximar do fim do resgate ficará cada vez mais claro que quando o PS chegar ao poder quem vai governar o nosso país e com rédea curta vão ser as instituições internacionais.
Nunca, jamais poderemos ter um novo Sócrates.

Será preciso o 2.º resgate?
Não será preciso um segundo resgate quando ainda quase nada foi feito do que nos obrigamos no primeiro resgate.
O que será preciso é cumprir o primeiro memorando de entendimento, aquele assinado pelo Sócrates.
O PS quando entrar vai ter que, finalmente, dar cumprimento ao que se comprometeu

=> 4521M€, 2.8% do PIB, de défice público (previsto para 2014). Como pode o PS ter assinado no ponto 1.33 do memorando que o défice em 2014 seria de 2.8% do PIB e, depois de o Passos ter conseguido rever este números para o dobro (5.5% e a crescer), dizerem que o governo está a fazer mais austeridade que o que estávamos obrigados?.
Os do PS sabem mesmo que estão a lidar com um eleitorado verdadeiramente estúpido

=> Privatizar a TAP.
Está no memorando assinado pelo Sócrates que a TAP seria privatizada até ao fim de 2011. (ponto 3.30)

Mas há coisas que estão a ajustar.
O mercado de trabalho está a ajustar
Os dados da EUROSTAT indicam que os custos do trabalho estão, desde princípios de 2011, a descer 5% por ano (ver, fig.2). Eu não me acredito muito mas se a EuroStat diz, tenho mesmo que aceitar como verdade pois a Economia não depende da minha impressão.
Estando os custos do trabalho a diminuir então, o mercado de trabalho está numa dinâmica de ajustamento pelo que, a prazo, observaremos uma redução da taxa de desemprego.

Fig. 2 - Evolução dos custos do trabalho portugueses relativamente à ZE17 (dados: EUROSTAT)

Haverá necessidade de fazer alguma coisa no Mercado de Trabalho?
O Salário Mínimo Nacional está muito elevado.
Apesar de estar congelado há alguns anos nos 485€/mês, como o PIB tem caído, o seu valor tem subido relativamente ao PIB per capita. Os dados internacionais indicam que o SMN deve estar abaixo dos 40% do PIB pc o que implica uma redução do SMN para 400€/mês sob pena de uma percentagem grande de trabalhadores ser excluída do mercado de trabalho por conta de outrem.
Tem que haver alguma maneira de diminuir o SMN nem que seja pela subsidiação dos empregos com salários mais baixos (perdoar parte da TSU dos empregadores).

O mercados com o exterior está a ajustar
A balança corrente equilibrou estando em 2013 no nível mais elevado dos últimos 25 anos.
Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, 2013 será um dos 3 anos com um maior superávite da balanço corrente.
Isto é positivo.

Nota final: O discurso do Cavaco é um plágio do discurso do Jorge Sampaio quando, em 2004, deu posse ao governo do Pedros Santana Lopes + Paulo Porta
- Atenção que eu vou estar atento e, de um momento para o outro, dou-vos uma marretada que não se endireitam mais.
Só espero que o Paulo Portas tenha aprendido alguma coisa em 2004.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Foi a maior derrota politica da vida do Portas

O Passos vai-se aguentar.
Se olharmos de forma analítica para a actual crise politica e financeira, não estamos diferentes da noite do dia 5 de Junho de 2011, quando o PSD ganhou as legilativas com 108 deputados e precisava de 116 para ter maioria absoluta.
Nesse dia, e ainda hoje, faltaram 8 deputados para o Passos ter maioria absoluta pelo que iniciou conversações com o CDS (que tinha e tem 24 deputados) para formar governo. A taxa de juro da divida pública a 10 anos estava nos 10%/ano e hoje está nos 7.2%/ano.
Se no dia 6 de Junho de 2011 ninguém falava em eleições antecipadas. Mantendo-se hoje exactamente a mesma situação politica, é uma imbecilidade dizer que as eleições antecipadas são inevitáveis.
Estou hoje, dia 5 de Julho de 2013, mais convencido que o governo vai acabar a legislatura do que estava no dia 5 de Junho de 2011.
 
O Passos não é como parece.
Sempre estranhei como o Passos Coelho conseguiu chegar a líder do PSD. Perguntava-me como era possível um bonacheirão que nunca levanta a voz e que está sempre sorridente sobreviver à máquina trituradora do PSD e derrotar as facas afiadas do Rui Rio, Alberto João Jardim, Ferreira Leite, Capucho, etc., etc., etc.
A questão é que o Passos não é o que parece. Nós estamos habituados a que uma pessoa dura na acção tenha um comportamento duro no dia a dia, tipo Sócrates que parece um cão enraivecido. Mas a fibra do Passos é diferente, mais do tipo  da Sr.a Merkel: fofinho por fora mas com uma fiada de dentes que, quando morde, até ossos corta.

Fig. 1 - A hiena parece um cachorrinho ternurento mas, quando crava os dentes, vai até ao osso.

Longos dias têm 100 anos.
Eu acompanho, enquanto bloguista, a carreira politica do Passos que sempre me pareceu estar à beira do fracasso total. A vida do moço parece um aqueles dias de mar bravo em que estamos a observar os banhistas. Vem a onda e as cabecinhas desaparecem mas, passados uns 5 segundos, reaparecerem todas à tona da água.

Fig. 2 - Quando vier a onda, tudo isto desaparece para logo reaparecer. Estas gajas boas devem ser caras como tudo. Nem com a reposição do subsídio de férias vou lá.

Quando em 2008 se candidatou contra a Ferreira Leite e o Santana Lopes para a liderança do PSD, ninguém deu um tostão por ele. Toda a gente o tratou como um bebé birrento, sem ideias e que caminhava a passo largo para se estatelar contra uma parede. Mas o homem andou, andou, andou e, na noite da contagem dos resultados, ficou em segundo lugar a apenas 6.8 pontos da lista vencedora. A Ferreira Leite ficou tão danada que lhe fez uma guerra total (que continua).
Qualquer um teria desaparecido, mas o bicho susteve a respiração, mergulhou e ficou à espera que a onda passasse.

Depois da derrota do PSD de 2009, a Ferreira Leite saiu e, de entre os candidatos putativos, o Rui Rio aparecia com 90% das intenções de votos. Mas o Rio penso, pensou, pensou e imaginou-se a ser trucidado por um Sócrates com o freio nos dentes. A estratégia do Rio era meter alguém a aguentar 4 anos de desgaste de um super-Sócrates para, em 2013, aparecer como o salvador da pátria.
Mas o Passos Coelho avançou num partido desanimado e derrotado e ganhou porque os graúdos não quiseram ir a jogo porque pensaram que era a fajões.
O coitado, por ter sido excluído pela Ferreira Leite do Parlamento, penou. Quem o safou nesta fase foi o Relvas que tinha uns contactos na comunicação social e conseguia que ele aparecesse uns segundos de vez em quando para dizer umas banalidades.
Foi uma verdadeira travessia do deserto que até dava pena mas o bicho susteve a respiração, mergulhou e ficou à espera que a onda passasse.

A crise rebenta e o Sócrates demite-se.
Em Fevereiro de 2010, altura das eleições internas no PSD, eu excrevi que o Sócrates nos estava a encaminhar para o fracasso (O  endividamento de Portugal à luz da New Macroeconomics).
Eu vi que o Sócrates caminhava a grande velocidade em direcção a um muro de betão mas o Rio não viu. Se tivesse lido este meu texto (e acreditado), via que, se queria ser primeiro ministro, estava na hora de se candidatar a lider do PSD. Mas, por essa altura, eu ouvi o Rio na Antena 1 dizer "não aprendi nada enquanto fui aluno da FEP". Perdeste a oportunidade.
Aconselho vivamente que leiam este meu pequeno texto porque prova que a teoria económica tem capacidade de previsão. E não havia Gasparzinho nem Passos Coelho.
Na altura, os meus colegas universitários, muitos deles no governo do Sócrates, fizeram-me uma guerra sem quartel. Chegaram a pressionar a editora dos Working Papers para que retirasse esse meu texto de circulação.
O problema é que, infelizmente, o Futuro veio-me a dar razão. Não há maior prova da pertinência da aplicação da economia "nova clássica" ao caso português (o tal neo-liberalismo dos esquerdistas) que o facto das suas previsões feitas em 2010 (quando os "sábios" diziam que estava tudo a correr bem)  se terem concretizado.
O Passo Coelho chegou a primeiro ministro porque muita gente que se pensa sábia fez cálculos errados. O Passos perseverou contra ventos e marés e calhou estar no sitio certo à hora certa.

As sondagens foram-lhe sempre negativas.
Apesar de o Sócrates se ter demitido porque o país entrou em bancarrota, durante a campanha recuperou. Até ao fecho das urnas, as sondagens mostraram um PS em  empate técnico com o PSD.
O principio de este blog teve por objectivo combater o Sócrates. Não acreditava que o nosso povinho fosse tão burrinho que fosse dar uma nova vitória aos que nos tinham levado à bancarrota. 
Por fim, o Passos ganhou à ultima da hora.


Fig. 3 - Apesar de faltarem ao PSD apenas 8 deputados para a maioria absoluta, o Governo tem estado sempre no fio da navalha

Os 2 anos de governo.
O governo tem estado sempre no fio da navalha. Volta e meia eu tenho antecipado que está breve o desmoronar do Governo.
O Portas é vaidoso, frio e calculista aparecendo sempre com o corpo hirto e a cara enjoada como quem tem uma gravíssima prisão de ventre. Parece um pavão com o papo cheio de pedras.
Os cortes dos subsídios, os aumentos dos transportes e das taxas moderadoras, o fecho dos centros de saúde, o corte dos subsídios, a aplicação da CES aos pensionistas, etc., etc., etc. foram um treme treme porque o Portas aparecia sempre a discordar.
Vinha a Troika, o Gasparzinho negociava uma coisa para logo o Portas dizer "eu avisei que era contra, que é uma linha vermelha que eu não posso permitir".


Mas o Passos não estava  a dormir.
Para governar, o Passos tem que continuamente esvaziar as oposições dentro do PSD e do CDS. Tem que anular aquelas facas todas que apenas querem dinheiro para gastar.
Cada vez que o Portas aparecia a torpediar uma medida de controle orçamental e o Passos recuava, inchava em volta do seu umbigo. Mas o Passos estava-lhe a dar corda para ele próprio se enforcar. Lentamente, toda a gente começou a ver que o Portas estava num delírio pessoal.

Fig. 4- Está com essa cara de pavão mas já te fiz a cama. Vem aí uma marretada para essa careca que nunca mais te endireitas.

Para onde quer o CDS levar Portugal?
Afinal o que move o Portas? O interesse de Portugal? O interesse do CDS?
Apesar de a comunicação social querer transmitir a ideia de que o CDS é o Portas, de facto, os bastidores é que têm o poder e o Passos foi-lhes colocando exactamente estas perguntas.

Terá sido a demissão do Gasparzinho estratégica?
Não.
O Gasparzinho chegou mesmo ao esgotamento físico.
O Gasparzinho é uma pessoa como eu, nada habituado a que as pessoas discordem dele.
A gente ensina qualquer coisa e os alunos não estão na aula com o objectivo de saber se isso está certo ou errado mas apenas pretendem responder no exame tal e qual o que dizemos.
No mundo da política ninguém quer saber se o Gasparzinho está certo mas afirma sempre que está errado. As pessoas gritam, insultam, tratam mal com o único objectivo de captar para o si os recursos escassos da nossa sociedade.
Cada um acha-se com o direito de ter coisas sendo que não quer saber se, para isso, outros têm que viver privações.

Como é possível que um aluno custe ao Estado 400€ por mês?
Um aluno que termina o 12.º ano custou ao Estado 60000€ e 80% deste custo foram salários dos professores.
Como é possível o Estado gastar tamanha fortuna?
São 500 milhões€ por mês que o Gasparzinho tinha que arranjar só para financiar os custos dos alunos do primário e secundário e mais 170 milhões € por mês para o superior. 2/3 de todo o IRS vai directo para a educação.
Os professores, os país, os alunos estão-se borrifando, o Gasparzinho que se arranje.
A politica é uma guerra sem regras e o Gasparzinho não aguentou mais.

Mas meter a Maria Luís foi uma rasteira.
A segunda parte do mandato do Passos Coelho vai ser muito pior que o primeiro pois vai ser preciso cortar verdadeiramente o défice do Estado.
Como mostrei no último poste, a divida pública está, desde 2005, a crescer 1100 milhões€ por mês (um défice de 7.8% do PIB) e é preciso descer isso para, no máximo, 2.5% do PIB. Estamos a falar de qualquer coisa como um corte na despesa e aumento nos impostos de 9000M€, 4700 M€ a aplicar já em 2013/14 e esperar que a retoma económica anule os restantes 4300M€.

O Portas dizia que queria cumprir o Memorando.
Mas quando se fala da necessidade de aumentar os impostos, o Portas diz que não e que é preciso cortas genericamente na despesa pública.
Quando se fala concretamente em cortes na despesa, o Portas fala de outra coisa e ameaça com uma crise política.
Então, como vamos dar cumprimento ao Memorando se o Governo não pode aumentar os impostos nem cortar na despesa?

Agora, o Cavaco quer dar a machadada final.
O CDS já disse que mantém o apoio ao Governo mas o Cavaco não quer o Portas a passear por aí. Quer a destruição total ao estilo dos editoriais que o Portas escrevia no Independente.
Como o Portas escreve que a sua demissão "é irrevogável", o Cavaco ao dizer que dissolve o Parlamento se o líder do CDS não estiver no governo está a forçar a que o CDS substitua a sua cabeça.

Ainda há outra hipótese.
Pelo menos 15 dos 24 deputados do CDS comprometerem-se com o Presidente da República a absterem-se sempre e sem condições. Ficarão 108 votos do PSD contra 107 votos da oposição. Não é preciso mais.

É o fim do Portas.
Mas pode ser que ele sustenha a respiração, mergulhe e aguarde que a onda passe.

Tenho que falar um bocadinho no Snowden.
O que o homem disse era verdade. Realmente os USA escutam tudo e todos.
Se, como disse o Jhon Biden, toda a gente sabe disso e faz isso então, qual o crime que o Snowden cometeu para estar a ser perseguido como o mais criminoso dos criminosos?
Alguém dizer o que toda a gente sabe é algum crime?
Eu dizer que no próximo 25 de Dezembro haverá Natal será algum crime?
O homem está inocente e não só deve ter toda a liberdade para viver a sua vida como o Obama tem que pedir desculpa às instituições europeias que mandou escutar.

Finalmente, fiz exame de Judo.
Foi ontem, num dia de calor isuportável e eu estava bastante nervoso porque tenho dificuldade no japonês (os nomes das técnicas).
Mas lá fui fazendo e gostei porque usei uma técnica que o Mestre disse "tenho que ensinar isso que nunca me lembrei". No Jujitsu é conhecida por Kimura mas em japonês é Ude Garami com posição invertida (da guarda).
Passei para 3.º kyu (cinto verde). Nada mal para um azelha.


Fig. 5 - A Ude Garami da posição invertida é surpreendentemente poderosa.


Pedro Cosme Costa Vieira

terça-feira, 2 de julho de 2013

As verdadeiras causas da saída do Gaspar e do Portas

As baratas tontas.
Quando uma pessoa não tem ideias claras, o nosso povinho compara-a a uma barata tonta. E o nosso governo, desde a revolta contra a TSU, vive desse problema.  Nesse dia o governo do Passos Coelho passou de reformador (do tipo "Cavaco Silva") para eleitoralista (do tipo "Santana Lopes").
Essa transformação foi ficando cada vez mais clara com 1) a entrada para o governo de pessoas que tinham publicamente defendido que era preciso mudar de caminho (por exemplo, a Berta Cabral), 2) a não reacção ao chumbo do Tribunal de Contas do corte do subsídio de férias (falaram de medidas muito vagas, como, por exemplo, renegociar as PPPs), 3) com o esvaziamento na negociação com os professores da última medida de controle da despesa pública (o aumento do horário de trabalho para 40h/s).
 
A transferencia da TSU para o empregado.
Sabe-se hoje, pela carta de demissão, que a ideia de transferir a TSU do empregador para o empregado foi do Gasparzinho.
O desemprego que existe actualmente não resulta da austeridade do Gasparzinho nem de qualquer maldade do governo mas da necessária re-estruturação do nosso tecido produtivo.
Mesmo que não tivéssemos governo, porque já não existe necessidade de mais casas, auto-estradas, SCUTs, estádios de futebol ou comboios, os postos de trabalho na construção civil e em tudo o que lhe está ligado (louças sanitárias, torneiras, alcatifas, chão de madeira, estores, tubos galvanizados, cimento, tijolos, móveis, tintas, etc.) tinham naturalmente que desaparecer.
E porque essas pessoas têm, na sua maioria, níveis de escolaridade muito baixas, é muito difícil a re-afectação dos excluidas da construção civil a novas profissões.
Porque a re-afectação de pessoas de baixa escolaridade obriga a um longo período de aprendizagem (com produtividade abaixo da média do sector) e os custos financeiros das empresas (a taxa de juro) aumentou extraordinariamente, a única forma de agilizar a re-estruturação do nosso mercado de trabalho seria baixando rapidamente os custos do trabalho (aumentando o horário de trabalho ou diminuindo os salários nominais).
 
Imaginemos esta situação.
Uma pessoa de 50 anos trabalhava na construção civil como trolha e foi despedida. Quanto tempo precisará para se tornar um trabalhador competente numa fábrica de sapatos? Vai demorar pelo menos um anito a aprender a nova profissão.
Assim que o Passos Coelho anunciou que nenhuma das medidas de redução dos custos do trabalho iria avançar, o Gasparzinho antecipou logo que o desemprego não iria parar de crescer e, com o desemprego, viria o falhanço de todas as suas previsões.
Nos dias que se seguiram ao 22 de Setembro de 2012, o Gasparzinho tomou consciência de que o Governo tinha deixado de ter condições para cumprir o Memorando de Entendimento.
Em Outubro apresentou a sua demissão.
 
O Passos Coelho foi mau.
Fez juras de que estava arrependido e que tudo iria continuar como antes.
O Gasparzinho lá fez o OE2013 mas em princípios de Abril de 2013 o Constitucional acabou com o corte do Subsídio de Férias dos funcionários públicos e o Passos nada fez. Anunciou medidas vagas que dariam não sei quantos milhões de poupança mas que, até à data, não deram em absolutamente nada. Nem um cêntimo.
E no dia 22 de Abril de 2013 o Passos meteu no governo dois elementos que tinham combatido o Gasparzinho com todas as suas forças. Foi a Berta Cabral que na campanha dos Açores o derreteu e o Fernando Alexandre que, mesmo sem tino, atacou a toda a força a transferência da TSU do empregador para o empregado.
Para piorar as coisas, a 7.ª avaliação da Troika estava a decorrer e o Gasparzinho estava sem mandato para negociar medidas alternativas de corte na despesa.
Em meados de Maio, o Gasparzinho apresentou a demissão pela segunda vez mas o Passos fez a maldade de o continuar a grelhar em fogo brando.
O Gasparzinho apresentava previsões (valores de trabalho aceites pela Troika) que estavam dependentes de certas medidas que iriam ser implementadas. Depois, o Passos sabotava-lhe as medidas mas queria que o desgraçado continuasse lá para, no final, anunciar que quem tinha falhado era o Gasparzinho.
 
O Crato foi a marretado final.
Já que o principio da igualdade não podia cortar subsídios aos funcionários públicos e aos pensionistas, o Gasparzinho pensou fazer os cortes pela aproximação da função pública ao privado.
Pensou que uma solução seria aplicar a TSU (de 11%) também aos pensionistas e aumentar o horário de trabalho do público das 35h/s para as 40h/s (do privado).
Primeiro, veio o Portas dizer que a TSU dos pensionistas não poderia avançar. Depois, em resposta a um diazito de greve, o Crato permitiu que o horário de trabalho dos professores ficasse na mesma.
 
O Gasparzinho demitiu-se pela terceira vez.
O Gasparzinho viu como o Passos grelhou o Relvas que, mesmo depois de se ter demitido, só foi substituido quando deixar de lá aparecer. Como não queria fazer aquele papel de zombie (defunto mas ainda em pé) que o Teixeira dos Santos fez nos últimos meses do governo Sócrates, o Gasparzinho apresentou a demissão ao país.
Para não dar hipóteses ao bicho, tornou a carta pública no momento em que a apresentou para não voltar o choradinho do "aguenta que, sem ti a aparente timoneiro, os credores não acreditam em mim".

Fig. 1 - A cor de cabelo do Passos é o Castanho Barata


O Portas demitiu-se.
Não foi por ter amor ao Gasparzinho ou ódio à Maria Luís.
Foi que tinha que apresentar onde iam ser os cortes de 4.7MM€ da despreza pública e não tem nada para apresentar.
Apesar de os direitistas defenderem o emagrecimento do Estado, quando chega a hora de cortar, não têm estaleca para cortar. Por a gordura do estado dar votos é que o peso do Estado foi crescendo até ter ultrapassado os 50% do PIB. É exactamente por isto que o Alberto João se mantém desde 1974 à frente da Madeira.

O que virá por aí?
Não vem nada de bom porque o governo não tem sido capaz de controlar as finanças públicas.
A Troika (e eu) tem feito de conta que o governo tem feito muita austeridade e que tudo vai no bom caminho mas não é bem verdade.
O défice público traduz-se em mais divida pública e, como mostrei num outro poste, a divida pública não tem parado de crescer.
Durante os 6 anos de governação Sócrates, a divida pública aumentou 1000 milhões € por mês, um total de quase 80 mil milhões €. O problema é que nos 24 meses de governo do Passos Coelho, a divida pública tem aumentado 1500 milhões € por mês. Mesmo pensando que no primeiro ano uma grande parte da nova dívida pública era dívida que estava escondida nas empresas públicas, autarquias, Madeira e PPPs, no segundo ano de governo do Passos, a divida pública tem aumentado exactamente à mesma velocidade que aumentou durante o governo despesista do Sócrates (ver, Fig. 2).
 
Fig. 2 - Aumento do endividamento público anual homólogo a preços de 2013 (Dados: INE)
 
Não pode ser.
Afinal, o discurso da Austeridade tem sido falso.
Entre finais de 2010 e finais de 2011, em apenas um ano o estado português aumentou o endividamento em 32 mil milhões de euros, qualquer coisa como 18.5% do PIB.
No espaço de um ano o Estado reconheceu mais 32 mil milhões de euros de divida pública.
Para estarmos na Zona Euro comprometemo-nos a um défice inferior a 3% do PIB (5.1 MM€/ano) mas, desde princípios de 2005, temos um défice médio de 7.8% do PIB (13.3 MM€).
O resto tem sido apenas contabilidade criativa. 
Temos necessidade de cortar despesa e aumentar impostos que permitam, de forma permanente, anular em cada ano um défice excessivo de 8.2MM€.
Onde é que se vai fazer isso?

Fig. 3 - Eu disse à Troika, hiiiiii, que o défice de 2013 ia ser de 5.5%, hiiiiii

Então os sacrifícios não resultam da politica do Gasparzinho?
Nem pensar nisso.
Resultam do fim do endividamento externo.
Se no tempo do Sócrates cada português se endividava 150€/mês face ao exterior, durante o mandato do Passos Coelho esse endividamento teve que parar e, nos primeiro 4 meses de 2013, cada português já conseguiu pagar juros e amortizar 30€/mês face ao exterior.
Quer isto dizer que, apenas por causa do fim do endividamento, cada português tem menos 180€/mês. Numa família média de 4 pessoas, são menos 720€/mês.
Naturalmente que isto tem um enorme impacto (negativo) na nossa qualidade de vida.
Mas isto não tem nada a ver com a politica do governo. Tem apenas a ver com as pessoas terem deixado de se (poderem) endividar.
 
Fig. 4 - Endividamento mensal de cada português face ao exterior (dados: Banco de Portugal)
 
E qual vai ser agora o nosso futuro?
Em Abril eu antecipava que o governo iria cair "O governo do Passos Coelho está por dias" mas, entretanto, pensei que se iria aguentar até às autárquicas.
Disse na altura que a politica mole do Passos coelho o iria levar ao fracasso total. Um estadista apenas o é se tomar medidas com forte impacto.
Penso que o Passos deve fazer o seguinte:
 
1. Não precisa demitir-se. Fala ao CDS para ver novas formas de cooperação. Manter ministros sem o Portas ou apenas um acordo parlamentar. Pode ainda avançar para um governo minoritário com apoio parlamentar quer do CDS quer do PS (abstenção).
2. Retoma o Gasparzinho como Ministro das Finanças mas agora com carta branca.
3. Substitui o Crato e demais membros do governo que são contrários ao caminho gaspariano.

Quais a politicas a implementar já?
1) Acabar com os subsídidos de férias de toda a gente.
A Constituição diz que o trabalhador tem direito a férias pagas (Art. 59.º - 1. Todos os trabalhadores ... têm direito d) ... a férias periódicas pagas) pelo que o subsídio de férias ou de Natal podem ser cortadas. Os empregadores que quiserem pagar, classificam isso como um bónus.
 
2) O aumento do horário de trabalho tem que ser acompanhado por um corte dos salários (em vez da complexa mobilidade especial e dos despedimentos).
O aumento do horário de trabalho (de 35h/s para 40h/s) de cada pessoa fica dependente das necessidades de cada serviço e quem mantiver as 35h/s terá uma redução proporcional no salário (que poderá ir até aos 12.5%). 
A passagem a mais horas também fica dependente do bom desempenho.
 
3) Os professores têm que cumprir um horário lectivo aumentado. 
No caso de o professor aumentar o seu horário (das 35h para as 40h), o tempo de aulas tem que aumentar proporcionalmente.
De 25 para 28.6 (primário)
De 22 para 25.1 (secundário)
De 12 para 13.7 (superior)
 
4) Re-atacar o problema das empresas públicas.
Eu identifiquei como indicador da capacidade do governo a forma como iria tratar os estaleiros navais de Viana do Castelo. Decorridos 2 anos, nada foi feito para resolver esse cancro.
Tenho que dar o braço a torcer pois o Sócrates tinha um plano. Não sei se veria a luz do dia, mas tinha um plano de re-estruturação desse problema.
 
Mas assim, o governo não se aguenta.
De qualquer modo é muito difícil que se aguente e cai com honra como o Cavaco Silva caiu em 1985  às mãos do PRD (O jama chamou-me à atenção de que 1995 era um erro).
Vamos lá ver quem é o primeiro a fazer uma moção de censura ao governo.
Agora estar lá só por estar, não é do que Portugal precisa.
 
Pedro Cosme Costa Vieira

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