sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A taxa de desemprego está a cair

Hoje foi anunciada a taxa de desemprego de Setembro de 2014.
E as notícias não podiam ser melhores: depois do máximo de 17,5% de Janeiro e Fevereiro de 2013, a taxa de desemprego começou a cair e atingiu em Setembro de 2014 os 13,6% da população activa.
Tem sido uma queda média de duas décimas de ponto percentual por mês, o que é muito.
Sabendo que a população activa são 4,5 milhões de pessoas, cada mês 9000 pessoas têm deixado a situação de desemprego.

E como tem evoluído o emprego?
Dizem os esquerdistas que o desemprego está a diminuir à custa da imigração e dos trabalhadores desanimarem de procurar emprego.
Mas pegando nos dados do emprego, no primeiro trimestre de 2013 havia 4,3546 milhões de pessoas a trabalhar e no segundo trimestre de 2014 havia 4,5146 milhões (dados do EuroStat) o que traduz que, cada mês que passa, mais 10700 têm arranjado emprego.
Mas isto é incrível, cada mês não só as 9000 pessoas que deixam o desemprego arranjam um emprego como ainda 1700 pessoas deixam a inactividade porque arranjam emprego.

Fig. 1 - Evolução da taxa de desemprego em Portugal (dados mensais, EuroStat)

Mas não tem havido crescimento económico!
O que têm repetido vezes sem conta os comentadores (esquerdistas) da praça é que, sem crescimento económico, não há redução no desemprego. Que só com taxas de crescimento acima de 3%/ano é que o desemprego cai. Concluem então que, para o desemprego cair, são precisas "politicas de crescimento", mais investimento público, mais subsídios e subvenções.
Mas os dados mostram que, com o crescimento débil que temos tido, a taxa de desemprego está a cair rapidamente.
Será que os economistas assumem estar enganados?
O que será que eles têm a dizer relativamente aos dados?
Que estão errados.

Mas há a questão dos estágios.
Bem sei que muitos dos empregos são estágios pagos pela Segurança Social com 180€ por mês.
Mas isto sempre foi utilizado pelo que o desemprego estar a reduzir tão rapidamente e o emprego a subir são, mesmo com os estágios, boas notícias.

A evolução histórica do nosso desemprego.
Olhando para os dados, a taxa de desemprego que traduz o "desemprego zero" (taxa denominada por  NAIRU - Non-Accelerating Inflation Rate of Unemployment) é de 6,25%. Depois, o valor oscila entre os 4% (períodos das vacas gordas) e os 8,5% (períodos de crise).
As taxas de desemprego dos diversos países oscilam como a nossa mas o valor médio é ligeiramente diferente. Os países onde a "protecção social" é maior, tem uma taxa média superior.
Por exemplo, relativamente aos USA, nós temos +1,7pp, a Itália +2,9pp, a Grécia +6,9pp e a Espanha +10,3pp (dados, EuroStat).

Qual foi o nosso problema em 2013?
Segundo o meu colega OF, grande conhecedor destas coisas, o problema é que, quando surgiu a rise do Sub-prime (meados de 2008) nós estávamos numa taxa de desemprego já muito elevada.
Bem sei que nesse tempo já levávamos 3 anos de "políticas de emprego e crescimento" do Eng. Sócrates. Mas o facto é que nem a taxa de desemprego diminuiu nem a economia cresceu e, quando apareceu a crise do sub-prime, no fim destes 3 anos de socratismo, tínhamos uma taxa de desemprego de 8,5%.
Como uma crise faz a taxa de desemprego aumentar em 4,5 pontos percentuais (normalmente, seria de 4% para 8,5%), quando veio a crise do sub-prime, o normal aconteceu, a taxa passou de 8,5% para os 13,0%.
Foi mais ou menos este o valor que o Pedro Passos Coelho recebeu no dia da tomada de posse.

E depois?
Veio nova crise, a crise da bancarrota, a Crise das Dívidas Soberanas em cima disto.
Os 13,0% mais 4,5% dá 17,5%.
E nós, realmente, atingimos um máximo de 17,5% de taxa de desemprego.
Afinal estava tudo dentro do previsto.
Eu na altura discordei do OF mas agora tenho que dar o braço a torcer, tenho que concluir que o "azar" foi termos uma crise em cima de outra crise quando o socratismo ainda não tinha resolvido a crise que tinha herdado.
Foi somar 9pp de desemprego aos 8,5% que existiam.

O governo só muda em tempos de crise.
Normalmente, os governos só mudam quando vêm os tempos das vacas magras, os tempos em que o desemprego está elevado.
Aconteceu isso com o Mário Soares (1985), com o Cavaco Silva (1995), com o Guterres (2002), com o Durão Barroso / Santanete (2005), com o Sócrates (2011) e continuará a acontecer.
Por isso, quando o Sócrates entrou no governo, a taxa de desemprego era elevada mas ele nunca a conseguiu reduzir.
Todas as suas "políticas de crescimento e emprego" foram um flop que só nos endividaram.

O Passos Coelho vai ser reeleito.
É que a taxa de desemprego está a diminuir rapidamente.
Mantendo-se a tendência de descida, vamos chegar a Setembro de 2015 com uma taxa de 11,5% o que traduz que a crise da bancarrota já está resolvida bastando agora resolver a crise do sub-prime..
Afinal a "política de austeridade" consegue pôr a economia a funcionar.

O interessante é o Japão.
O Japão entrou em euforia com um governo esquerditas, com o Shinzō Abe, que defendia que a economia cresceria de volta como cresceu antes de 1992.
Até lhe chamaram uma nova era, o Abenomics.
Quando eu digo esquerdista quero dizer keynesiano em que o governo faz investimento público para tentar fazer crescer a economia.
Agora vê-se: é um total fracasso. Depois de uns trimestres onde a economia parecia estar a crescer, no último trimestre, a economia contraiu, em termos anualizados, 7,1%.
É obra se eu vos disser que o máximo que nós caímos foi 3,8%.

Mas pode acontecer uma tragédia.
E o Passos não ser reeleito.
Vamos pensar que não, vamos pensar que as coisas vão evoluir como têm evoluído.
Vamos pensar que a queda do preço do petróleo é uma coisa boa (que não sei se será pois, normalmente, precede uma crise mundial). 

Fig. 2 - Nos últimos 4 meses, o petróleo caiu 20%

Porque será que o petróleo está a descer tanto?
Segundo os analistas, a queda dos preços do petróleo tem a ver, muito estranhamente, com os problemas nos países produtores de petróleo.
Estranho?
É estranho mas tem a ver com o mercado de petróleo ser um monopólio.
Não é bem um monopólio mas é um cartel. Os países produtores de petróleo, através da OPEP, controlam a quantidade de petróleo que cada país pode produzir.
Assim, havendo problemas como os da Síria, Iraque, Irão, Rússia, os países começam a produzir mais do que o acordado e o cartel entra em colapso.

Também é uma guerra sunitas/shiitas, americanos/russos.
A Arábia Saudita, sunita, aumentou a produção para fazer cair as receitas do Irão (shiita).
Desta forma, torna difícil que o Irão financie o regime sírio.
Também a queda dos preços do petróleo tem um impacto muito negativo na Rússia e na Venezuela.
Pelo caminho, apanha o Brasil e de forma muito forte.
E nós ficamos a ganhar em importações que se reduzem em 1000 milhões por ano.

O que pode correr mal? o Ébola.
Depois de os novos casos estarem a cair rapidamente de um valor próximo de 3,3%/dia para menos de 2%/dia, desde meados de Outubro, os casos estão outra vez a acelerar.
É um sinal de perigo.

Fig. 3 - Novos casos de ébola por dia, média dos últimos 30 dias, relativamente aos casos vivos.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Onde pára o PS?

Dizia o Costa que o Seguro ladrava pouco.
Dizia, há um ano e tal, que o Seguro era muito meigo para com o governo, que não tinha poder de combate, que, assim, o governo tinha carta branca para fazer as asneiras que bem entendesse.
Depois, o Seguro, pensando ainda que isso o iria levar a algum lado, começou a ladrar, ladrar, ladrar mesmo que não soubesse porquê. Pensava ele que assim ainda iria chegar a Primeiro Ministro.
 
Como estavas enganado.
Eu avisei-te repetidamente para seguires o teu caminho e, se então te pusessem fora, saias e cabeça levantada. Agora, foste um joguete na mão dos outros e, no final, achaste estranho que te dessem um pontapé.
Isso está no Maquiavel, devias tê-lo lido.
 
Devias ter carregado no Sócrates à força toda.
Em política temos que ser acertivos. Claro que temos que captar os votos dos eleitores mas as pessoas têm que ver em nós firmesa. Não podemos dizer amem com A e Amém com B.

Fig 1 - Se não ladrares, a gente põe-se fora (mas se ladrares, também)
 
Esta faz-me lembrar o Vice de Lisboa.
Eu já disse muito mal do Fernando Medina pelo que não vou dizer mais nada que não seja a sua ideia para a "mutualização da dívida".
A ideia dos esquerdistas é que, apesar de haver um tratado que assinamos em 1992 onde nos obrigamos a manter a dívida pública abaixo dos 60% o PIB, como não respeitamos o tratado, os outros, os que respeitaram, têm que assumir a nossa dívida que está acima dos 60% do PIB.
Seria tal e qual como, no nosso emprego, termos todos assinado um contrato de trabalho onde nos obrigamos a trabalhar 40h por semana. Depois, metade não ia trabalhar. No final da semana, vendo-se que ainda havia muito para fazer, mutualizava-se aquilo tudo e, nós que tínhamos trabalhado, ainda íamos trabalhar mais compensar as faltas dos outros. Mas ganhávamos todos o mesmo.
Agora a coisa chegou ao bolso dele, o Passos, vendo que a maioria das câmaras é esquerdista então, pensou que a maioria das câmaras é a favor da mutualização a dívida das câmaras. Assim pensou e assim a fez, as câmaras que ultrapassaram o endividamento são auxiliadas pelas câmaras que não ultrapassarem.
Mas agora espantemo-nos, a âmara de Lisboa, a arauto da esquerditude, o arauto da mutualização com a Alemanha, é contra a mutualização com as câmaras falidas.
 
Afinal é só para os burros.
Contava o meu pai que, um dia, um agricultor  chegou a casa de outro e disse-lhe "Vizinho, tens dois burros e eu nenhum. Como vivemos em socialismo, tens que me dar um burro."
O desgraçado lá lhe deu o burro mas, à noite, vendo a mulher que ele estava triste, perguntou o que se tinha passado "Tive que dar um burro dos nossos ao vizinho porque ele não tem nenhum e vivemos em socialismo."
A mulher ficou indignada "Vai lá que ele tem duas vacas, vai lá que temos direito a uma vaca."
Ele foi mas voltou ainda mais triste "Mulher, afinal o socialismo é só para os burros!"
 
Mas o Costa não ladra mesmo nada.
Está calado.
As sondagens do outro dia disseram que, calado, pode vir a ter maioria absoluta e, por isso, continuará calado até ao dia das eleições legislativas.
Será que vai conseguir enganar o povinho durante um ano?
Tenho esperança que não, penso que não, acredito que não.

Fig. 2 - O António Costa está algures por aqui, atrás de uma árvore.
 
O IRS e o fazer das criancinhas.
A comissão de reforma do IRS propôs e foi aceite que cada filho passasse a contar no cálculo do coeficiente familiar. Quer isto dizer que, no cálculo dos escalões do IRS, as pessoas com filhos será beneficiadas. Por exemplo, dois pais com 4 filhos que ganhem 80000€, em vez de a taxa ser determinada fazendo 80000/2 será fazendo 80000/3,2.
Isto causa uma redução nos impostos a pagar mas o corte não é tão grande assim por duas razões:
 
1) São as famílias pobres as que têm mais filhos e estas já não pagam IRS;
2) A generalidade das famílias já só tem 1 filho a cargo.
 
Esta medida é errada.
Porque é cara, só beneficia os ricos e não existe nenhum estudo que indique que uma redução fiscal faz com que as famílias tenham mais filhos. Faz-me lembrar o que diziam os amigos quando tinham um filho: "A televisão estava avariada".
Mas eu vou indicar medidas que teriam mais efeito.
Medida 1 =>  O incentivo a existir deveria ser em termos absolutos, abater 1800€ ao rendimento tributável.
Medida 2 => Não deveria ser aplicado aos 2 primeiros filhos e deveria ser crescente. O 3.º filho abatia 1800€ ao rendimento, o quarto filho 2400€ e, acima do 4.º, abatia 3600€ ao rendimento.

Com o mesmo dinheiro, podia-se fazer melhor.
Mas para isso é preciso mudar as mentalidades. As pessoas têm que ser vistas como uma necessidade e, por isso, um objecto económico que tem um custo mas que dá um benefício.
Rapidamente,
Media 3 => Existência de "contratos programa" com as família mais pobres em que o Estado pagava 150€/mês.
Seria uma espécie de Rendimento Mínimo. Mas se cada criança gasta em educação pública 500€/mês, 150€ acima ou abaixo não faria grane diferença para o Orçamento do Estado.
Para conseguir mais 30000 crianças por ano, seriam precisos 1000 milhões de euros.
Medida 4 => A pensão de reforma das pessoas estar ligada aos descontos que os filhos fazem para a Segurança Social. Acima da pensão normal, os pais deveriam receber 20% do que os filhos descontam. Esta medida faria com que os pais quisessem ter mais filhos e que os educassem bem e forma a que tivessem bons rendimentos.
 
E onde se iria buscar o dinheiro?
Aos que não têm filhos. Isto tem que funcionar como um leilão.
Se a sociedade decide que é preciso haver mais, por exemplo, 30000 crianças por ano, se os contratos programa gastam 1000 milhões € por ano, quem não tem filhos tem que pagar isso numa sobretaxa qualquer do IRS. Deixem lá a sobretaxa dos 3,5% para pagar isto.
Eu não tenho filhos e penso que não existe alternativa.
Mas isto tem que ser feito de forma transparente: ou fazem filhos ou pagam a quem os faça.

Sem qualquer condição de salvaguarda
Para que as pessoas tenham filhos é preciso não só beneficiar quem os tem como castigar quem não os tem.
Deixar de castigar quem não os tem é deitar fora metade da medida. 

Fig. 3 - Enquanto a tecnologia não muda, qualquer português sabe como fazer filhos. É só porem-nos a trabalhar.

E a "reforma verde"?
Aquilo dos sacos plásticos é uma loucura. O preço de um daqueles sacos que dão nos supermercados anda nos 0,02€ já com IVA. E meter-lhe em cima 0,10€ de imposto é uma total aberração da natureza.
É uma maneira de tornar o seu uso proibido sem o proibirem porque não existe nenhuma razão suficientemente forte para que o seu uso seja proibido.

Vamos supor que era por causa da poluição.
Vamos supor que o problema é a água levar os sacos para os rios, dos rios para o Mar causando poluição marítima.
Então, as pessoas devolvendo os sacos para reciclagem (no sítio de compra), recebiam de volta os 0,10€ por saco.
É uma falta total de tino, são medidas avançadas por pessoas que têm a cabeça cheia de azoto.

Fig. 4 - Esses ecologistas de trazer-por-casa, em vez de mioleira, têm ar.

Mas vão reforçar a nossa ligação eléctrica à Europa.
Eu já defendi isso muitas vezes porque temos excesso de capacidade nos vira-ventos e a produção é ainda mais excessiva porque é maioritariamente no Inverno quando já tínhamos excesso de produção nas barragens. Por isso, como o Sócrates fez contratos em que somos obrigados a comprar a electricidade mesmo que não a queiramos, isto só podem ser boas notícias para que a nossa conta da electricidade possa diminuir um pouco.

Fig. 5 - Mas isto não é para fazer mais vira-ventos, pois já temos a mais. É para que se dê  uso aos que temos.

Estará o Passos condenado?
Quando as últimas sondagens indicaram uma vitória do PS com 40% dos votos (ver), pensei que houvesse movimentos dentro do PSD mas não, ficou tudo sossegado.
Se as sondagens dissessem que o Passos ganhava, ficava tudo sossegado mas dizendo que perde também ficam sossegados porque eles próprios não consegueriam ganhar. Talvez o meio termo e que fosse capaz de causar movimentações.

Faz-me lembrar a minha campanha eleitoral.
À partida havia dois potenciais candidatos, o A e o B. Como agora o A tem 99% de probabilidade vai ganhar ao B, entra o C, eu, para explorar o facto de o B que não querer levar a marretada da derrota.
Vamos supor que as minhas hipóteses são os mesmos 1% (são mais). Estranhamente, esse 1% é maior do que seria se coisa estivesse mais empatada porque o A e o B lutariam até ao último segundo não me dando hipóteses de entrar na corrida.
Claro que eu apenas tenho espaço para entrar porque o B sabe que está derrotado.
Nos partidos é igual, o Rio não se quer sujeitar a fazer uma guerra para substituir o Passos e, chegando a 2015, levar um banho nas eleições.
O Passos será o cabeça de lista nas próximas legislativas e, se ganhar, como espero, governará, mas se perder, só um "seguro do PSD" é que vai meter a cabeça no cepo.
Se calha eu sou o "seguro da minha faculdade".
Ou serei, como o Passos que, em 26 de Fevereiro 2010, o Rio nem ninguém imaginava capaz de derrotar o Sócrates que ainda tinha mais 3 anos de mandato? O certo é que o Sócrates caiu e o Passos ganhou.
E a História só fala das vitórias impossíveis.

Fig 6 - É que ninguém sabe como vai ser o futuro.

Bom fim de semana e não se arreliem que a morte é certa.
Deixem fluir as energias negativas.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O Orçamento de Estado de 2015

Poderia dizer que o OE2015 está bem. 
Se me centrasse no meu umbigo, na minha conta bancária, no meu egoísmo então, o Orçamento de Estado para 2015 estaria muito bem. De facto, vou ser aumentado em 1,9% quando a inflação se antecipa vir a ser de zero. Desta forma, num ano que continua a ser de forte consolidação orçamental, pelo menos em teoria, o meu rendimento (e o de muitos mais funcionários públicos) vai aumentar. 

Mas isto é negativo.
Como o Tribunal Constitucional, por ter sido proposto pelo governo socialista do Sócrates, aceita o corte até 10% dos salários como constitucional então, o Passos deveria mantê-lo até que houvesse novamente um governo socialista que o cortasse. 
Se eles o fizeram, eles que o desfizessem. 

Reparemos nas dificuldades de 2015.
Em 2009-2010 o défice foi na rodem dos 10% do PIB.
Em 2014 o défice vai ficar, depois de muita maquilhagem, nos 4,8% do PIB. De de facto vai ser novamente de 10% porque há muitas dívidas que é preciso reconhecer e os 4900M€ do BES. Mas o governo fala, mesmo assim, de que atingiu os 4,0% porque existem despesas que a troika aceita como não fazendo parte do "défice económico".
Mas fiquemos nos 4% do PIB. Então, entre 2010 e 2014 houve uma consolidação anual de 1,5% do PIB, qualquer coisa como 2500 milhões€ por ano (por ano).
E, como se lembram, essa consolidação obrigou a um grande esforço de austeridade pública.

O que é isso de milhões de euros por ano por ano?
Normalmente, olhamos para o PIB, a despesa pública, a receita fiscal, o défice como se fossem em euros mas não são.
O PIB português não é 171210956  (2013) mas sim 171210956 por ano
Igualmente, o nosso PIB é de 19545€ por hora e de 375,24€ por minuto.
Dito assim, que o nosso PIB é de 375,24€ por minuto, não parece nada comparável com 171210956€ por ano mas é exactamente a mesma coisa.
O défice público, porque é uma percentagem do PIB, também é em euros por ano pelo que, para o reduzir, é preciso uma austeridade também em euros por ano, uma austeridade para sempre, e não apenas milhares de milhões de euros como dizem os esquerdistas.

Fig. 1 - Tenho um bom curriculum mas aviso já que o meu forte não é fazer as contas do orçamento. 


Reduzir um défice (em € por ano) e a austeridade (em €).
Para eu reduzir o défice em um euro para sempre so nos próximos 100 anos vai-me obrigar a uma austeridade de 100€. 
Se o défice em 2010 era de 17 mil milhões € (por ano) e em 2014 vai ser de 6800€ (por ano), para reduzir a défice em 10 mil milhões € (por ano) obriga, ao longo de 4 anos, a uma austeridade de 25 mil milhões € e não de 10 mil milhões €.
E, manter o défice nos 2,5% do PIB vai obrigar apenas nos próximos 10 anos (e relativamente a 2010), uma austeridade de 230 mil milhões €. 
A comparação que os esquedistas fazem é comparável à comparação entre a velocidade do nosso carro (em km por h) e o espaço percorrido (em km).
Se um carro viaja a 200 km por hora e outro a 5 km por hora, será que conseguem dizer qual dos veículos percorreu maior disntância em km?
Claro que não pois precisamos do tempo. Se o rápido andou um minuto, percorreu 3,33km enquanto que o lento se andou uma hora, percorreu 5,00km, mais que o rápido.

Sendo o défice uma velocidade, a redução do défice é uma (des)aceleração.
Então, as unidades de redução do défice são euros por ano por ano.
Euros por ano ao quadrado.

Mas a meta para 2015 deslizou para os 3,7% do PIB.
Exactamente 3,7%. Diz claramente no quadro III.1.1 do relatório do OE2015 que o défice vai ser de 3,7% mas também haverá despesas de 1 % do PIB que a troika acha que não são despesas relevantes pelo que o "défice para efeitos da troika será de 2,7% do PIB"
Portugal acordou com a Troika o deslizar das metas acordadas pelo PS de Sócrates no Memorando de Entendimento e esse deslizar apontava para que, em 2015, o défice fosse de 2,5% do PIB. Então, entre 2014 e 2015 também seria preciso reduzir um esforço de consolidação comparavel ao que vivemos entre 2011 e 2014, 1,5% do PIB.
Mas o governo, precisando abriu os cordões à bolsa por causa das eleições, deslizou as metas para 3,7% do PIB.
Será, relativamente aos 4,8%, uma consolidação de 1,1% do PIB.

Temos o crescimento.
O que dizem os especialistas é que o crescimento económico de 1,5% do PIB vai fazer com que o défice reduza automaticamente de 4,8% do PIB para qualquer coisa próxima dos 4,0% do PIB. Com mais PIB há mais receita pública (impostos, taxas, etc.) e menos despesa pública (subsídio de desemprego, etc.). Somando os dois efeitos, um crescimento de 1,5% do PIB melhora as contas públicas em 0,8% do PIB.
Este efeito jogou contra o Passos em 2011, 2012 e 2013 mas já começou a jogar a favor em 2014, razão proque em 2014 não houve aumento das taxas de imposto.
Somando o efeito do crescimento com o "deslize", a consolidação para 2015 ficou reduzida a apenas 0,3% do PIB, uma quinta parte do que, à partida, seria obrigatório fazer. 

Mas não deveria ter havido deslizamento sem autorização. 
Uma coisa era a Troika dizer que "podem deslizar para 3,7% porque o défice primário (sem juros) já está positivo, em 0,9% do PIB, permitindo assim uma redução na dívida pública de 3,5 pontos percentuais".
Notar que, para reduzir a nossa dívida pública de volta aos 60% do PIB em 20 anos (como prevê o Tratado Orçamental) teremos que reduzir a cada ano a dívida pública em 3,36 % do PIB e em 2015 está prevista uma redução de 3,50% do PIB!

E que falta faz o acordo com a troika?
As taxas de juro dispararam como já não se via há muito tempo.
Depois de estarem nos 2,95%/ano (dívida a 10 anos), ontem saltou quase para os 3,80%/ano.
Para vermos a enormidade deste aumento, se se aplicasse a toda a nossa dívida pública implicaria um aumento da despesa em juros em 1800 milhões € por ano.
Este aumento implicaria a revisão em alta do défice em 1,0% do PIB.
Mas, no entretanto, a troika não disse nada de negativo pelo que os investidores acalmaram um pouco e o aumento caiu de 0,85 pontos para 0,35 ponto que, mesmo assim, terá (a manter-se) um impacto no orçamento de 0,45% do PIB, o dobro do deslize não acordado.

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro implícita na dívida pública portuguesa depois do anúncio do OE2015

As cheias em Lisboa.
Este nervosismo indica que, se viermos a ter um governo que diga "acabou a austeridade", voltamos rapidamente às taxas proibitivas de 2011.
Eu acho interessante o António Costa, depois de dizer que o Passos Coelho é um incompetente, vir também dizer que precisa da sua ajuda para resolver os problemas das inundações em Lisboa.
Por este andar, ainda vamos ver o Passos a presidente da câmara de Lisboa.

Fig. 3 - Até é mais agradável passear na Lisboa pós-Costa.

São eleições e é preciso ganhá-las.
Eu agora sou um político no activo. Ando em campanha eleitoral. Umas pessoas tratam-me mal e outras  pedem-nos coisas.
Ambas as coisas são boas porque revelam que as pessoas atribuem probabilidade à possibilidade de eu vir a ser eleito. Como as pessoas não são estúpidas, quanto mais uns se zangarem e outros me pedirem coisas, mais provável é que eu ganhe. 
Mas o político que quer ganhar eleições tem que prometer coisas. Tem que ser prudente "não posso aumentar os vossos salários" mas tem que se ver o que se pode fazer. 
Claro que eu penso "Prometer isto vai, depois, causar problemas" mas tem que ser, é guerra é guerra, bombardear e depois ver se há feridos.

Aquela da devolução da sobretaxa.
Foi uma forma de acomodar a descida da sobretaxa exigida pelo Portas e a necessidade de controlar o défice.
Mesmo o deslize foi para dar margem ao Portas.
É a política. É assim aqui, em Angola, na Serra Leoa mas também na Alemanha, no Luxemburgo e na Suécia.

E o Ébola?
Existem cada vez mais notícias nas notícias mas a coisa está a caminho de estar controlada.
Em meados de Setembro, todos os dias o número de novos casos aumentava 3%. Passado um mês, cada dia o número de novos casos "só" aumentava 2%.
Se a diminuição continuar a esta velocidade, daqui a 2 meses a doença acaba com "apenas" mais 4000 doentes relativamente aos que existem actualmente.
Mas a pressão não pode abrandar e. por isso, é que é importante que a comunicação social não pare a pressão.
Se não for assim, de um momento para o outro, a doença torna a explodir.

Fig. 4 - Evolução da taxa de crescimento dos novos casos de Ébola (dados, WHO)

Pedro Cosme Vieira

sábado, 11 de outubro de 2014

Cada um tem o que quer

A acção. 
Ontem, estava eu em acesa discussão com o meu amigo PM que é esquerdistas, altas criticas contra o Passos Coelho e, no geral, contra tudo e contra todos e eu disse-lhe apenas.
- Eu sou contra a crítica porque defendo a acção. Ser velho é criticar tudo sem avançar com ideias nem nos disponibilizarmos para a acção. Se o mundo está mal, temos que pegar nas nossas forças e mudá-lo.
- Ai mas é impossível mudar o que está mal.
- Eu tenho o meu blog que me dá trabalho mas que é a minha acção para que o mundo possa melhorar. Se achas que é impossível mudares o mundo com as tuas ideias e acção é porque não lhes reconheces valor. 
- Tens razão.
E eu pensei, a minha ideia venceu, a partir de agora, talvez o meu amigo se torne mais construtivo e veja que o "outro caminho" não passa de uma miragem enganadora. 

A democracia em acção.
No meu emprego andam em eleições para director. Em todo o sítio existem facções, umas mais à esquerda e outras mais à direita, umas do FC do Porto e outras do Benfica, umas admiradoras do bagaço e outras do copo de leite. Por isso, no meu emprego surgiram duas listas, a A e a B. 
Todos têm as suas qualidades e os seus defeitos. Uns são mais conversadores outros menos; vestem melhor e outros pior, uns são altos e outros baixos mas todos têm muito valor. 
Acontece que a coisa está muito dividida, tudo muito empatado e, por causa disso, o combate tem, de dia para dia, subido de tom. Se a princípio éramos todos companheiros, ao longo do tempo, cada vez mais uns são de uns e outros são de outros.  Lentamente, estamos todos a tornarmo-nos inimigos dos outros.
Mas eu sou um desalinhado e penso que isso é errado, cada pessoa tem as ideias que tem e isso não pode por em causa o relacionamento entre as pessoas.
Por causa da forma como eu vejo o mundo, decidi que era preciso avançar. Mesmo sem ter, à vista dos meus colegas, uma competência especial, decidi que ia abandonar o conforto do meu sofá e lançar-me para dentro da jaula das feras.

A força da democracia é que cada qual tem os governantes que quer.
Agora, o meu nome está em discussão. Estou em campanha mostrando-me exactamente como sou, bem disposto, brincalhão e gozão. Mas sou mesmo assim e, se não mudei até agora, não vou mudar mais.
Depois, haverá eleições e será escolhido um director que, tenho quase a certeza, serei eu.

É o equilíbrio de Hotelling.
Vamos imaginar que eu tenho um território onde existem diversas lojas e clientes espalhados pelo território. O que provou Hotelling (1929) é que o equilíbrio em que cada lojista maximiza o seu lucro consiste em todos se localizarem no centro do território.
Isto não parece ter lógica pois, aparentemente, se um se afastar consegue captar mais clientes mas isso não acontece porque os outros vão atrás dele.
No meu caso, com as posições estremadas como estão, aparecendo eu no meio, no ponto de equilíbrio de Hotelling, venço.
Para ser director de uma faculdade de economia, tenho que por em prática o que diz a teoria económica.

As pessoas têm o que gostam.
Mas vamos imaginar que, por hipótese académica, é outro o eleito.
Então, nesse tempo, as pessoas não poderei dizer "este fulano é um mau director" porque tiveram a oportunidade de escolher outro e não o fizeram.
Um povo pode gostar de governantes gordos e outro de governantes magros mas é assim que funciona a democracia: cada um é que sabe o que é melhor para si. Nas Filipinas até há aqueles que se fazem pregar numa cruz. É assim que querem, é assim que se faz.
Não é Deus, o papa ou o Pinto da Costa que vai escolher o futuro director mas as pessoas.
Vamos ver no que dá.

Fig. 1 - Eu fui eleito com 61,09% dos votos e a Rainha de Inglaterra nunca foi eleita.

Ontem a minha futura vice-directora lançou um livro.
A minha colega de gabinete é de uma das listas, é da A, e eu, mesmo não sendo de lista nenhuma, ao candidatar-me acabo por ser seu opositor. Mas quero-a como minha vice-presidente porque é uma pessoa extraordinária em termos de competência e humanos. É que eu gosto pouco de trabalhar.
E ontem lançou um livro onde estava a minha colega e deputada europeia Elisa Ferreira.
Como sabem, é esquerdista, e eu "ataquei-a" com uma pergunta.
"Sou Pedro Cosme da Faculdade de Economia do Porto"

Depois, passei ao ataque.
É que um director de uma faculdade de economia de referência tem que ser capaz de confundir o mais resistente dos esquerdistas. Tem que intervir para apresentar a verdade.
"Existem zonas monetárias maiores que a Zona Euro como, por exemplo, os USA, a China, a Índia, a Indonésia mas nessas zonas monetárias existem muito maior flexibilidade do mercado de trabalho. Se os nossos políticos e os nossos povos não estiverem preparados para tornar o nosso mercado de trabalho idêntico ao dessas xona monetária. Se a esquerda continuar com a ilusão de que o ajustamento nominal viola o princípio da confiança mas a desvalorização cambial não, se continuarem a batalhar nos ´direitos adquiridos´ nominais, a Zona Euro não tem futuro."

Nem queiram imaginar a resposta.
Foi de uma dureza inimaginável, o verniz estalou todo, diria mesmo que a chapa rebentou, os meus opositores até se riram à gargalhada.
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"
"Porque isso dos salários baixos"
Eu levantei o dedinho
"Desculpe interromper mas, tanto quanto eu sei, nos USA os salários são bastante superiores aos portugueses".
"Bem, bem, bem, bem, retomando a cassete, os baixos salários ...."
E ficou-se pela cassete, não veio nenhuma ideia, nenhum estudo, nada, apenas que eu não estava preparado.
Ah, veio o do costume, o Krugman, que aparece sempre que um esquerdista não sabe o que dizer.
Faz-me lembrar a minha falecida tia Clara: se não fizeres o que eu te mando, Deus vai-te castigar.

Mas como é que ela sabe o que Deus fazer? 
Pensava eu, se Deus é omnisciente, isto é, sabe tudo, é um sabichão, e a minha tia sabe o que Ele vai fazer então, sabe tanto ou mais do que Ele.
Será que a minha tia é o próprio Deus em figura de vaca?

Fig. 2 - Desiste disso de director, olha que vais sofrer, olha que Deus castiga-te!

O que será uma ideia perigosa?
Vamos supor que eu dizia que "nessas zonas monetárias as pessoas andam de pernas para o ar e que, por isso, também temos que passar a andar de pernas para o ar."
Isto não me parece que tivesse perigo algum.
Uma ideia é perigosa se conseguir mudar o mundo.
Eu sou perigoso porque tenho ideias capazes de mudar o mundo.
Eu, avançando no instante em que o diabo esfregou o olho, com a ideia do Hotelling na cabeça, vou ser  capaz de derrotar quem tem um grande exército há meses no terreno e que já julgava ter a vitória no papo.
A ideia do liberalismo, no mercado de trabalho, no mercado de bens e serviços, no mercado de capitais, no mercado externo é o motor de arranque, em meados dos anos 1970, do crescimento da China.
Em 1977 o PIB per capita chinês estava em 10€ por mês e em 2014 está em 322€/mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 8,7% por ano.
E não teve ajudas de ninguém, da UNICEF, Cruz Vermelha, nada.
Por oposição, em 1977 o PIBpc da Guiné Bissau era de 23€/mês e em 2014 está nos 23€ por mês. Foi um crescimento no rendimento das pessoas de 0,0% por ano.

Então, apresentei uma ideia que é mesmo perigosa.
A Etiópia adoptou, há pouco mais de 10 anos, o modelo de liberalismo chinês. Desde então, tem crescido quase 10%/ano.
A Índia, Indonésia, Bangladesh e até o comunistíssimo Vietname estão a adoptar o liberalismo e a Europa esquerdista quer continuar a marretar na tecla de que os direitos adquiridos são uma conquista da humanidade.
Que é preciso voltar aos investimentos públicos, aos salários mínimos alucinantes, à conversa do "outro caminho, o caminho do crescimento e do emprego, o caminho do leite e do mel, o caminho do Maná".

Calou!
Mais interessante foi que as tropas da minha colega, em peso na segunda fila, atrás de mim, iminentes e reputados economistas (esquerdista), ouviram e calaram. Penso que, quando chegaram a casa, esvaziaram o frasco de sais de frutos ou, como, desde que o Passos fez o preço descer de 56€ por caisa para 2,6€ por caixa, se usa, esvaziaram a caixa do Omeprazol.

O Passos Coelho e o Costa.
O Passos Coelho foi eleito pelo povo português. Eu e outras pessoas saímos de casa, fizemos o sacrifício de ir ao local de voto para que o Sócrates e a sua corja fossem atirados borda fora e para que o Passos Coelho pudesse começar a governar o nosso querido país.
Confesso que, nesse dia, fui votar mais para me ver livre do Sócrates (em quem tinha votado havia uns tempos) do que para meter lá o Passos pois não o via com estaleca para governar Portugal na difícil situação em que o socratismo nos tinha metido.

Acontece que a coisa até está a correr bem.
A nossa discussão pública anda em volta do défice público e da dívida pública e esses números não estão, em termos absolutos, bem. Mesmo que este ano consigamos 4%, é muito défice.
Mas não podemos olhar só para o valor actual de 4% (ou 4,8%) per si mas temos que ver a tendência e para antes a tenacidade do governo.

Vejamos a febre.
A nossa temperatura deve estar nos 37.ºc. Imaginem que vamos à loja de um africano qualquer e que, no dia seguinte, a nossa temperatura sobe para os 40.ºc (o equivalente a 4% de défice de 2014). Pensam logo "Meu Deus, devo estar com Ébola".
Agora vamos imaginar que a temperatura vai subindo, subindo até que atinge os 50.ºC e que se mantém nessa temperatura durante 3 dias (o equivalente ao défice de 10% de 2009-2011). Pensamos que vamos mesmo morrer antes de o Costa dizer qual é o "outro caminho".
Mas, vem um novo doutor, o Passos, e passados apenas 3 dias, a temperatura volta aos 40.ºc.
O que pensam? "Já estou safo desta."
O interessante é que a temperatura está nos mesmo 40.ºc que, dias antes, nos tinham levado a pensar que a morte estava perto mas agora já achamos que estamos safos.

Estaremos mesmo safos?
Totalmente safos.
Claro que há aqueles casos do cão e da enfermeira espanhóis que foram contaminados com Ébola.
Se fosse eu a mandar, metia aqueles todos que amavam o cão, e obrigava-os a serem lambidos pelo bichinho. Não lhes deveria fazer mal nenhum ou será que fazia? Penso que o matavam com as próprias mãos.
Voltemos ao que interessa.
Desde 15 de Setembro, de dia para dia, o número de casos de Ébola em termos percentuais e mesmo em termos absolutos está a diminuir.
O problema é que ainda muitas mais pessoas vão morrer antes da epidemia acabar.
A dinâmica das epidemias é mesmo assim mas a coisa está controlada.

Fig. 3 - Número de novos casos de Ébola em termos percentuais (dados, WHO)

E a dívida pública?
É exactamente o mesmo fenómeno que o Ébola.
O Passos está a conseguir controlar as contas públicas mas o dinamismo da despesa, as contas escondidas nas empresas públicas, nas autarquias e nos serviços autónomos, têm feito com que a dívida reconhecida tenha continuado a crescer e já esteja nos 130% do PIB.
Mas esta dívida já existia só que não estava reconhecida.

Será que conseguimos pagar uma dívida de 130% do PIB?
Diz o Pacto de Estabilidade que precisamos reduzir a nossa dívida em 2% do PIB por ano pelo que teremos 33 anos para voltar a uma dívida de 60% do PIB. E, para um crescimento de 1,2%/ano, conseguimos atingir essa meta se tivermos um défice de 0,5% do PIB.

Será possível ter, com uma dívida massiva, um défice de 0,5% do PIB?
 É possível porque vamos pagar de juros pela actual dívida pública de 130% do PIB menos do que pagávamos, há uns anos, pelos  60% de dívida.
Reparemos os dados de mercado.
Para um prazo de 5 anos, a taxa de juro está nos 1,6%/ano e, entre 2006 e 2009, estava nos 3,7%/ano.
Então, 60% de dívida custavam 2,2% do PIB em juros enquanto que agora, os 130% custam 2,1% do PIB em juros.
Como podem os xuxas dizer que, no tempo deles, nos podíamos endividar à força toda porque a dívida pública era sustentável se pagávamos em serviço da dívida do que pagamos agora?
Se colocarem esta questão a um xuxa vão ouvir:
"Isso é uma ideia muito perigosa"
"Devia estar melhor preparado quando faz perguntas"

Agora é só continuar.
Continuar o combate ao Ébola.
Continuar a política de consolidação orçamental.
Continuar com a minha campanha para director.
Ainda há muitos espinhos pelo caminho, ainda muitas pessoas vão morrer de Ébola, ainda muitos sacrifícios teremos que passar, anda muito vou ter que ouvir sem o querer mas o caminho está a ser percorrido.

Fig. 4 - O gordo ainda vai ter que fazer muita dieta mas as gajas já estão boas.

As sondagens são impressionantes.
A única coisa do Sócrates que valeu a pena foi o dinheiro que se gastou a aumentar a escolaridade da nossa população.
Não é que, "depois de 3 anos da mais dura austeridade de que temos memória" (palavras do Costa) as sondagem colocam empatados o PS liderado pelo salvador da humanidade e o PSD+PP liderados pelo diabo e pela peste?
34,6 para o PS e 34,2 para o PSD+PP com uma margem de erro de 3 pontos percentuais.
O nosso povo sabe mesmo separar a verdade da intrugisse do "outro caminho".

Até pr'á semana.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Missão Impossível

Ok, o António Costa ganhou o PS. 
O Seguro bateu-se com valentia mas não foi capaz de resistir ao regresso do D. Sebastião. 
No final das contas, por cada voto que o Seguro teve, o Costa teve 2. 
Foi bom para o Costa. 
Foi bom para a velha guardar, onde se inclui o desaparecido Ferro Rodrigues, sair da naftalina. 

Mas aguarda-o uma missão impossível. 
A jornalista pediu-se para comentar a vida futura do Costa e. depois, escreveu um material que pode ser visto aqui => ("Missão impossível" de Costa vai ser compatibilizar expectativas com realidade). 
É que o homem diz que não se compromete com nada mas anuncia aos ventos que vai por "outro caminho" o que me traz à lembrar um famoso discurso do Samora Machel (alegadamente): 
Meus Camarada, quando Frelimo tomou o poder, Moçambique estava na borda do precipício, agora, com Samora, já deu três passo na frente. 

Fig . 1 - O Passos meteu-nos à beira do precipício e, com o Costa, Portugal vai dar um passo em frente.

Será o "outro caminho" o voltar ao caminho do Sócrates? 
O Costa, no início da sua caminhada, disse que temos que continuar a obra do Sócrates, continuar a sua "política de crescimento". 
Nos 6 anos que durou o reinado do Sócrates, cada português (famílias, empresas e estado) endividou-se (a preços de 2005) 13500€ face ao exterior. 

Endividamo-nos 187€/mês, que se juntou ao nosso rendimento.
Seis anos em que, além do que produzimos, no fim do mês tivemos mais 187€ para gastar. Naturalmente que vivíamos melhor que agora que estamos sem esses 187€ por mês
Interessante que até 2008 estivemos taco a taco com a Irlanda e a Espanha mas, em 2009, a Irlanda começou uma politica de austeridade. Nós continuamos. 
O nosso socialista Sócrates manteve-nos taco-a-taco com o seu camarada Zapateiro da Espanha. 
Foi, como se diz agora, copy e paste do princípio ao fim.

Fig. 2 - Endividamento do tempo do Sócrates (dados: Banco Munidal)

Agora, quanto crescemos no tempo do Sócrates?
Se estivemos um endividamento externo massivo, nós mais a Espanha e a Irlanda devemos ter tido um crescimento colossal. O caminho do Sócrates e o do seu camarada Zapatero (e daquele camarada grego muito gordo e que se endividou ainda mais) deve ter atirado o nosso PIB per capita para valores astronómicos. 
O PIB per capita deve ter aumentado googles de € por pessoa.
Vou então confirmar isso nos dados, esperem um pouco, estou a ver, a ver, já fiz o download, agora fazer o gráfico, mau isto tem um erro qualquer, não pode ser, eu estou a ver mal.
Fazer outra vez a query, fazer o download dos dados, meter no Excel, fazer novamente o gráfico, eu devo estar a ver mal. Não pode ser.
Os dados do Banco Mundial dizem que, em 2011 relativamente a 2004, o nosso PIB per capita ficou praticamente na mesma.
Isto não pode ser, os dados do Banco Mundial foram martelados pelo desaparecido gasparzinho a partir do FMI. 

Fig. 3 - Crescimento económico (PIBpc) do tempo do Sócrates (dados: Banco Mundial)

O caminho do Sócrates não é o "outro caminho".
Definitivamente, voltar atrás não vai ser o "outro caminho" sobre o qual o Costa tem prometido a salvação do nosso povo.
E como eu preciso desesperadamente desse "outro caminho" porque já me habituei a estes últimos 4 mesitos sem cortes.

Será o "outro caminho" o caminho do Passos?
Não pode ser porque é exactamente esse "caminho de austeridade" que o Costa, juntamente com o seu camarada Holland, dá a entender que vai combater.
Não promete nada mas, quando diz que é contra os aumentos dos impostos, dos cortes de salários e das pensões, se chegar ao poder, vai anular essas coisas.
Eu rezo todos os dias para que o homem consiga fazer isso.

O Costa vai ser Prémio Nobel da Economia.
O problema do Costa, ou a sua oportunidade, é que o "outro caminho" não existe (ainda!) na ciência económica.
Há o "caminho" keynesiano que diz que a despesa pública e o investimento público são os motores do crescimento económico. Este caminho faz parte da ideologia esquerdistas e foi este o "caminho de crescimento" que o Sócrates, a Grécia e a Espanha seguiram entre 2005-2011. O problema é que este caminho não só não trouxe crescimento mas também nos endividou até ao tutano.
Há o "caminho" clássico/liberal que diz que a flexibilização dos mercados e a diminuição do Estado fazem com que os privados se tornem o motor do crescimento económico. É este o caminho adoptado pelo Passos Coelho e que o Costa não quer seguir. Este caminho liberal deu grandes resultados, por exemplo, no Chile que se tornou o país mais rico da América do Sul.
Não há mais caminho nenhum.

Então qual vai ser o caminho do Costa? 
Vai ser um caminho que ainda ninguém conhece, vai propor um novo quadro para o pensamento da ciência económica que o vai levar, de certeza absoluta, a ser prémio Nobel da economia.
Esse "caminho Costa" vai ser uma lufada de ar fresco que vai salvar os esquerdistas que ainda existem por esse mundo fora, como seja o camarada Holland.
Coitado do short, é short, short, mas chega para a viola. O moço é danado para o mulherio.

Fig. 4 - Lá vai o Holland na moto com a sua gaja

Eu vou a Fátima a pé.
Para verem como eu não tenho uma mente fechada, todas as noites, nas minhas rezas, penso sempre ao Espírito Santo (ao verdadeiro) que ilumine o camarada Costa a ponto de ele conseguir ver o "outro caminho". Já prometi mesmo que irei a Fátima a pé, ir e vir 100 vezes seguidas e sem beber água nem comer, se o Costa encontrar o seu "outro caminho". 
Um caminho em que o Salário Mínimo Nacional vá para pelo menos os 600€/mês, que o IRS volte aos níveis de 2009, que as regras de aposentação, de acesso ao rendimento mínimo e os salários dos funcionários públicos voltem ao que eram em 2010 e que sejam actualizados, já não peço muito, à taxa de inflação.
Se o homem encontrar este caminho, vou mesmo fazer um pedido ao Papa Xico para que passe a ser, enquanto vivo, cardeal patriarca de Lisboa e, mal morra, daqui a 100 anos, santo milagreiro.

Aquilo de Hong Kong vem da Crimeia.
Se as pessoas de um território podem declarar independência, o mundo entra em convolução porque as regiões mais ricas vão querer declarar a independência. 
O argumento na Escócia e na Catalunha para se tornarem independentes é que pagam mais impostos ao país do que recebem. Mas isso acontece a todas as regiões ricas e chama-se solidariedade territorial. 
Se for legal a Crimeia ou a Catalunha declarar a independência com base num referendo local, também será legal a independência de Hong Kong, de Macau, de Taiwan, de Cabinda, do Algarve ou do arquipélago das Berlengas (só é preciso o voto do faroleiro).

Fig. 5 - Quero a independência das minhas montanhas (são falsas mas são boas)

Mas não há só más notícias. Também temos o Ébola.
Há uns dias apareceu um caso nos USA o que pode ter criado nas pessoas um certo receio de que a epidemia do Ébola esteja descontrolada.
Mas não.
Acreditando nos dados da OMS - Organização Mundial de Saúde, a batalha está a ser ganha pois, desde meados de Setembro, de dia para dia a taxa de aumento do número de infectados tem estado a diminuir.
Estamos com 8 mil contaminados e ainda vamos ter muitos mais contaminados e mortos. Mas, continuando na tendência actual, lá para finais de Março a batalha estará ganha com apenas 60 mil mortos o que, para África, não é nada. 
Recordo que na África Sub-sariana, morrem anualmente  mais de 500 mil de malária (400 mil crianças abaixo dos 5 anos, ver). 60 mil acima ou abaixo não é nada.

Fig. 6 - Desde o dia 15 de Setembro que a taxa de aparecimento de novos casos de Ébola está a diminuir (dados, OMS)

Pedro Cosme Costa Vieira

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code