quarta-feira, 29 de junho de 2016

Grexit, livre comércio, camiões e racismo

OK, vou tentar ligar estas coisas todas! 
No rescaldo da votação do povo britanico para sair da UE, têm surgido nos comentários questões sobre eu conseguir (ou não) dar racionalidade à decisão de sair. Como as minhas respostas foram num comentário, não ficou claro aquilo que a Ciência Económica e a evidência empírica mostram.

A) A movimentação de bens, serviços, capitais e trabalhadores é um factor chave no desenvolvimento dos povos.
Sobre esta questão não pode ficar a mais pequena das dúvidas.
E este ganho de bem estar vem de vários caminhos.

Os escoceses são tão diferentes dos ingleses que o Mel Colm-Cille Gerard Gibson fez de escocês e é de origem galesa, Colm, holandês, Cille, inglês, Gibson e nasceu em NY.
O Mel Gibson está para os escoceses como os brancos com a cara pintada de preto para os africanos.

Primeiro, as descobertas de novos produtos como, por exemplo, medicamentos, software ou processadores, têm um custo fixo de I&D muito elevado e um posterior custo de produção muito mais baixo. Assim, quanto maior for o mercado, mais os custos de I&D vão ser diluidos o que leva a preços mais baixos e a lucro mais elevados para quem faz I&D o que leva ao seu aumento.
Vamos supor que uma farmacêutica precisa investir 1000 milhões € na descoberta de um novo antibiótico cuja produção custa 1€ por caixa. Vamos ainda supor que a farmacêutica precisa de um lucro de 50% para fazer face ao risco e que a patente se mantém por 20 anos.
Num mercado em que se vendam 1 milhão de caixas por ano, o preço de venda ficará em 76,5€ por embalagem, =(1000E6/(1E6*20)+1)*1,5 e o lucro da farmacêutica será de 510M€.
Num mercado global onde se vendam 100 milhões de caixas por ano, o preço médio de venda ficará reduzido a 2,25€/embalagem, =1000E6/(100E6*20)+1, e o lucro da farmacêitica aumentado para 1050M€.

Segundo, as economias de escala permitem produzir a um custo mais baixo.
Uma fábrica de automóveis, um estaleiro de contrução naval, uma siderurgia, conseguem custos de produção mais baixos se produzirem volumes maiores. Então, havendo mercados maiores, é possível conseguir preços mais baixos para os consumidores, lucros maiores para os produtores e mais diversidade para os consumidores.

Terceiro, as regiões podem-se especializar nas actividades em que têm vantagens competitivas.
Por exemplo, Portugal tem um clima agradável durante a maior parte do ano enquanto que o RU tem frio, chuva e vento. Então, será de nos especializarmos na produção de turismo e o RU na produção de outra coisa qualquer para pagar as estadias dos turistas britâncos aqui.

Falei apenas de bens mas podemos aplicar os mesmos princípios ás pessoas. Por exemplo, uma equipa de cirurgiões que se especializou depois de milhares de horas de investigação e estudo no tratamento das roturas do tendão cruzado do joelho, porque se trata de uma lesão bastante rara, obriga a ter acesso a um "mercado" muito grande para poder ser rentabilizada.

B) Existe racionalidade na saída do RU da UE.
Vamos imaginar que, separados, o PIB do RU era 800€ e o da UE 9000€ e que, unidos, o PIB do RU passa a ser 1000€ e o da UE é 10000€.
Olhando para esta situação, não há qualquer dúvida que o RU deve fica na UE mas também que a UE deve ficar com o RU. 
O problema é a guerra pela divisão do ganho do comérico (um total de 1200€). É que o RU acha que o justo é receber 500€, metade do ganho da UE, e a UE acha que o justo é o RU ainda lhe pagar 100€.
Como nas guerras nunca há cavalheiros, esta negociação tem que passar pelo esticar da corda que, agora, partiu do lado do RU.

Será que a separação vai durar para todo o sempre?
Depois de a Alemanha ter bombardeado Londres dia e noite durante 5 anos e de Dresden ter sido reduzida a um monte de escombros, seria de prever que a separação seria para sempre e não foi.
Agora, o RU apenas tem que mostrar que a UE vai perder muito e ele pouco e a UE mostrar o inverso.
O RU vai avançar com negociações com países terceiros e retaliar com tarifas onde a opinião pública seja mais sensível como, por exemplo, nos vinhos e queijos franceses e a UE vai atacar noutro sítio qualquer.
Mas estas coisas todas não passam de fases do processo negocial da divisão dos ganhos do comércio.



Porque não permitimos a entrada de trabalhadores sazonais?
Em Marrocos, a jorna agrícola de 8 horas anda na casa dos 5€, cerca de 0,60€/hora. No Bangladesh é na casa de 1€ por dia.
Incluindo salário, viagem e alojamento, conseguem-se trabalhadores a um custo de 2,50€/h para trabalhar na agricultura, sem limite de número, 100 milhões se forem precisos.
Se a nossa nossa agricultura tivesse trabalhadores a 2,50€/hora, poderíamos produzir e exportar muitos mais produtos, frutas e hortícolas, para o Norte da Europa.
Num ano, um agricultor marroquino trabalha 2400 para ganhar 1500/ano.
Como um visto de 3 meses / 936h (12h/dia, 6 dias por semana), esse trabalhador conseguiria, a 2€/h líquidos, levar para casa 1872€, mais 20% que o seu salário anual trabalhando menos de metade das horas.
Nós ficaríamos melhor, os marroquinos ficariam melhor e os países do norte da Europa também pois teriam acesso a produtos hortículas e frutas melhores e mais baratos.
Não faltam pessoas válidas desde vietnamitas até nigerianos passando por bangladeshianos e moçambicanos que estão a passar necessidade grave e que nos poderiam ajudar.

Tudo isto seriam liberalizações que promoveriam o aumento do nosso PIB.
Porque não existe liberdade para que os sazonais possam vir trabalhar para Portugal ao salário que for?
Porque não acabamos com a regulação do mercado de trabalho?
Porque não acabamos com os alvarás dos transportes públicos?
Porque não pode a UBER operar livremente?
Porque não acabamos com o Salário Mínimo?
Porque não privatizamos os portos e acabamos com a chupeta dos estivadores?
Porque não privatizamos o subsídio de desemprego?
Porque não acabamos com as empresas públicas que são ineficientes?
Porque não paga o Estado aos seus funcionários o salário de mercado?(ups, enganei-me pois esta ia doer forte no meu bolso).

Imagine razões várias e serão essas mesmas razões as que levaram os britâncios a votar pela saida da UE.
Até chegará a pensar que "é proibido essas pessoas virem para cá para o bem delas" e que "o melhor era mesmo acabarmos de vez com o seu sofrimento."

C) Para haver livre comércio, o custo de movimentar mercadorias é importantíssimo.
Se eu quiser mandar um camião TIR carregado de Guimarães para Frankfurt (2130km), consigo um preço próximo dos 2200€ que dá cerca de 0,10€/kg. Se pensarmos que uma carga leva 33 europaletes, teremos 67€/palete com um peso na ordem dos 750kg.
Haver um preço baixo para as mercadorias permite que as empresas possam vender no mercado global e, assim, aproveitarem vantagens comparativas locais.
Mas o problema não está nas grandes cargas mas nas pequenas encomendas, um fabriqueta qualquer de sapatos que tem a possibildaide de enviar uma palete com 200 pares de sapatos de Guimarães para uma loja em Frankfurt, outra palete para Milão e ainda outra apra outro sítio qualquer. Sendo que os CTT levam 25,30€ mais 3,20€/kg (ver, CTT), para 300kg, estamos a falar de um valor próximo de 1000€ ( semelhante ao preço da DHL ver, DHL), 5 € por par de sapatos, o que é um entrave a que as chafaricas possam exportar.

Mas a Mercedes já tem um camião que anda sem condutor!
A evidência dos últimos 50 anos mostra que para haver uma redução significativa do preço de um bem ou serviço é preciso robotizar o processo produtivo.
No caso dos transportes, é preciso robotizar os camiões, o processo de bundling / debundling - empacotamento / desempacotamento e de endereçamento e encaminhamento.
A questão é que a Mercedes já tem no mercado um camião sem condutor, o Freightliner Inspiration Truck, que até já tem licença para operar nas auto-estradas do Estado do Nevada / USA (ver) mas, estranhamente, não tem licença na UE que, alegadamente, existe para promover a liberdade de movimentação de bens e pessoas.  Mais estranho ainda quando a Mercedes é europeia.
Na minha previsão, a robotização de que o camião robotizado é um elo importante, vai permitir que o custo de transportar uma  palete individual desça dos actuais 1000€ para qualquer coisa próxima dos 50€.

Vejamos como vai funcionar a tecnologia dos transportes.
Haverá terminais de paletes nas autoestradas que será um grande armazém coberto onde as pessoas vão  levar e buscar carga. 
Eu já pedi repetidamente que se construam terminais de passageiros nas autoestradas mas as entidades não querem porque isso iria permitir liberalizar os transportes colectivos de passageiros (chamam eles, desregulamentar o sector)! 

Primeiro passo, o leilão.
Ainda na chafarica e talvez uma ou duas semanas antes da partida, o empresário introduz no sistema as características da carga, imaginemos que tem 4 paletes com 300kg cada em que uma vai para Frankfurt, outra para París, outra para Milão e a quarta para Barcelona.
Uma vez no sistema, os diversos transportadores vão propôr o preço, local de carga e de descarga e horário para o transporte de cada palete numa espécie de leilão.
Uma viagem pode ser dividida por diversos transportadores, por exemplo, um desde Guimarães até à Guarda, outro da Guarda até Madrid, um terceiro de Madrid até Paris e o final desde París até Frankfurt. Este tipo de fatiação da viagem já é normal nas viagens aéreas com ligações.
Os transportadores terão programas informáticos que vão propôr preços e desenhar trajectos e o site vai reunindo propostas para que o cliente possa escolher o que achar mais conveninente.

Segundo passo, a carga.
No dia em que vai levar as paletes, o empresário imprime uma folha com um código de barras que cola na parte lateral de cada palete.

Mete as 4 paletes na forgoneta e dirige-se ao terminal de cargas seleccionado.
Chegando lá, encosta a forgoneta e vem um monta-cargas robotizado que descarrega as palettes que armazena à espera de ordens do transportador.

Terceiro passo, o transporte + bundling/debundling + endereçamento.
O transportador chega ao terminal de carga, deixa algumas paletes que vão ser carregadas por outros transportadores (cada terminal de carga é também um ponto ligação) ou por clientes finais e vai meter paletes para transportar até outra zona de carga. Toda a movimentação das cargas será feita pelos monta-cargas robotizados.
Em todo o espaço europeu haverá milhares de terminais de carga / pontos de ligação por onde as paletes viajarão passando de uns camiões para outros camiões, operações empre realizadas por monta-cargas robotizados.

Quarto passo, a descarga.
Chegado ao ponto de destino, a palete é descarregada à espera que vá lá o cliente buscás-la com uma carrinha.

Porque os custos serão significativamente reduzidos.
Primeiro, porque 1/3 do custo do transporte é devido ao motorista que se evitará.
Segundo, porque o camião vai poder viajar dia e noite o que aumenta o aproveitamento do equipamento e permite poupar combustível reduzindo a velocidade.
Terceiro, porque, se for conveniente, o camião pode ficar parado à espera de cargas pois não há o custo da espera do motorista.
Quarto, porque a distância entre dois camiões normais é de 50 metros e entre dois camiões robotizados é de apenas 7,5m o que i) reduz os custos em combustível e ii) ocupa metade do espaço de auto-estrada o que levará à diminuição das portagens.


Os custos vão ficar reduzidos mas não estou a ver a UE a permitir a circulação de camiões robotizados nas nossas auto-estradas. Vão levantar mil e um problemas para evitar ao máximo que leite da Polónia seja vendido em Portugal ou carne de porco português seja vendido na França.

D) O racismo.
Vou aqui chamar racismo quando os cidadãos de um país não querem lá pessoas de outros países a trabalhar e a viver. Neste sentido, não querermos aqui os marroquinos a trabalhar a 2,5€/h é racismo.
Vou então mostrar porque as pessoas são racistas.
Imaginemos que o nosso país tem um recurso natural, seja gás natural, petróleo ou apenas sol, praias e bom tempo.
Imaginemos que a produção, o PIB, é dependente desse recurso natural, de trabalho e de capital segundo uma função produção igual nos dois países (a mesma tecnologia):
      Y = RN^0.1 * N^0.6 * K^0.3.
 
Imaginemos ainda que o país A tem 1000 unidades de RN, 1000 trabalhadores e 1000 unidades de capital e que o país B tem apenas 100 de RN, também 1000 trabalhadores e, porque há liberdade de movimentação de capitais, 720 unidades de capital (de forma a que a rentabilidade do capital seja igual nos 2 países).
Imaginemos que as pessoas do país A são exactamente iguais às pessoas do país B, só diferentes porque nasceram uns em A e outros em B.
Nestas circunstâncias, o PIB per capita no país A é 100% e no país B é de 72%. Na média dos 2 países, o PIB per capita é de 86%.

E se as fronteiras se abrirem?
Neste modelo não haverá comércio porque existe apenas um bem mas as pessoas do país B vão migrar para o país A porque o PIB per capita é superior (porque há mais RN).
No equilíbrio, o país A vai ficar com 1818 pessoas e o país B com apenas 182 pessoas, grande parte do capital vai migrar do país B para o país A e o PIB per capita vai ficar igual nos 2 países. 
A abertura vai fazer com que a economia do país A se desenvolvesse muito e a do país B entre em grave crise. Globalmente, a abertura é boa porque o nível de vida sobe de 86% para 92%.
O problema é que os "nativos" do país A ficam com um nível de vida reduzido de 100% para 92% e o país B fica quase sem população.

A movimentação das pessoas é, globalmente, é positivo.
O problema é que desenvolve o país A mas a população "nativa" fica mais pobre e enriquece as pessoas do país B mas causa desertificação e desinvestimento.
É a diminuição do nível de vida dos nativos de A que leva a que não queiram lá estrangeiros e a desertificação do país mais pobre que faz o António Costa criticar quem emigra.

Vejamos os escoceses.
São brancos, falam inglês e são protestantes como os ingleses mas acham-se diferentes porque têm gás natural e petróleo (no Mar do Norte).
E, por isso, querem-se independentes do RU, dizendo que querem continuar na UE como argumento.
Mas, quando tiverem que pagar as cotas que agora são pagas pelo RU sem receberem nada em troca (porque têm um PIBper capita muito elevado) e tiverem que receber os estrangeiros que o RU vai deixar de receber, rapidamente, vão ver que é má ideia.
Lembram-se de Cabinda que queria a descolonização para, logo depois, gritar que queria pertencer a Portugal?

Veja se consegue separar as escocesas das inglesas (digo apenas que as mais morenas são inglesas).
A Escócia tem 4% de minorias (ver) enquanto que Londres tem 40%.



Maria Clara (Sr. Reitor, é este o nome que agora a minha mãe me chama.Se lhe quiser meter um processo disciplinar ou uma queixa qualquer, aviso que a senhora morreu em 2004)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O BREXIT ganhou e depois?

Mas, o mais certo, é nada acontecer.
Isto já aconteceu há um ano quando a Grécia votou um referendo contra a Austeridade (ver) e já antes, em 2005, quando a França e os países baixos recusaram o tratado orçamental.
Nessa altura, o Tony Blair (e não um populista de direita) anunciou que o tratado orçamental seria referendado.

A causa da saída é a extrema-esquerda e a esquerda demagógica.
A UE iniciou-se em 1952, chamando-se então CECA, na procura de resolver os desacordos históricos entre a Alemanha e a França e que já tinham levado a variadas guerras de que as de 1914-1918 e 1939-1945 foram as mais terríveis. Mas também serviu para  amarrar a Itália que estava sob ameaça do avanço soviético (em 1953, o PCI foi o segundo partido mais votado com 22,6% dos votos). Assim, foi formada pelos noivos (Alemanha e França), o padrinho (a Itália) e as damas de honor (Bélgica, Luxemburgo e Holanda). 
Nessa altura altura, a França era o país mais rico e a Alemanha estava nos 80% e a Itália nos 65% do PIB per capita francês.
Depois, em 1958, veio a CEE (Tratado de Roma) e, em 2007, a UE (Tratado de Lisboa).

Esquerda ou direita, radicais e demagógicas, são duas faces da mesma moeda


A CECA servia para liberalizar o comércio e acabar com os subsídios do Estado.
O comércio entre os países é muito importante para o crescimento económico mas, pensando cada país que as exportações eram fundamentais para o desenvolvimento das suas economias, em particular, da indústria do carvão e do aço, começou-se a instalar uma guerra de subsídios e de barreiras às importações que fez surgir novamente as tensões entre estes tradicionais inimigos. Com o importante é o comércio e não apenas as exportações, a UE surgiu para diminuir as barreiras às importações e os subsídios às exportações. 

A Holanda, Bélgica e o Luxemburgo serviam para diminuir tensões.
Inicialmente, as decisões eram tomadas por unanimidade, servindo os países do Benelux como mediadores dos conflitos. Imaginando que havia apenas a França, a Alemanha (Ocidental) e a Itália, o processo de decisão quase certamente ficaria bloqueado pelos interesses individuais.


Nos primeiros 30 anos, a CEE cresceu pouco.
Com a entrada em 1973 do Reino Unido, da Dinamarca, da Irlanda aconteceu um aumento de 20% na população. Com o alargamento de 1981, da Grécia e 1986, da Espanha e Portugal, houve um novo aumento de novos 20% da população. 
Quando caiu o Muro de Berlim, o CEE tinha 12 países e 330 milhões de habitantes, sendo que 2/3 residiam nos 6 países originais. 
As 12 estrelas na bandeira azul são colocadas então para assinalar os 12 países.

Mas, um dia, o Muro de Berlim caiu ...
A União Europeia aumentou de 12 países para 28 países e foi-se aprofundando, tendo cada vez mais poderes.
Gerir os interesses de 28 países não é a mesma coisa de gerir os interesses dos 6 países originais ou dos 12 pré queda do Muro.

Não se prevendo o fim da influência soviética na Europa de Leste, em 1986 imaginava-se a CEE eternamente com 12 países.

Vamos aos populistas.
A comunicação social tem grande asco aos partidos de direita, apelidando-os de radicais de direita, extrema direita e populistas de direita. Mas, quem alimenta esses extremos e populismo de direita são os extremos e populismo da esquerda que fazem crer aos eleitores dos seus países que vão bater o pé à Alemanha e a Bruxelas. Esses esquerdistas do Sul da Europa usam o chavão da legitimidade democrática para extorquir vantagens junto dos países do Norte da Europa.
Esta tentativa que os esquerdistas têm feito para chupar nos países anglosaxónicos é que tem levado a que, nesses países, os eleitores queriam a saída da UE.

Mas o interessante é os Esquerdistas radicais e populistas não defenderem a saída!
Não querem sair porque a sua plataforma política passa por extorquir dinheiro aos países cumpridores.
O Reino Unido ao votar pela saída não tem nada de radical, é apenas a legitimidade democrática que o Bloco de Esquerda e o Siriza invocam para não cumprirem o Tratado Orçamental.
E não são os partidos britânicos, sejam de direita ou de esquerda, que fizeram o RU querer sair da UE mas o votos dos eleitores, nada de mais democrático poderia ser feito ou defendido.

As instituições europeias...
Ameaçaram o Reino Unido com retaliações, prejuízos e a independência da Escócia e da Irlanda do Norte.
Mas essas pessoas não passam de funcionários, o importante é o que diz a Sr. Merkel.
Normalmente, os esquerdistas do BE berrariam muito mas, no caso, ficaram calados.
Penso ser a preparação para votarem a favor de 3000 despedimentos na Caixa Geral de Depósitos a que vão chamar "oportunidades para mudarem de vida".


E, agora, qual será o futuro?
Não vai acontecer nada de relevante.
Tecnicamente, o Tratado da União Europeia tem previsto no Art. 50.º (p. 54) que "Qualquer Estado-Membro pode decidir (...) retirar-se da União" e que essa saída é um processo negocial de que resulta um Acordo de Saída.
Mas, apesar de o Reino Unido ir sair do UE, em termos práticos, apenas será criado, um  novo estatuto que encaixe as exigências do UK (e de outros países reticentes como a Holanda e a Dinamarca).
Continuará a haver livre movimentação de bens, serviços e capitais pois é uma regra que se está a instalar entre todos os países. Mas a liberdade de movimentação de pessoas com o objetivo de irem viver da segurança social e de peditórios vai ter cortes e os benefícios sociais terão também ajustamentos para baixo.


Irá ter o RU sofrer prejuízos?
A esquerda radical e populista quer que o RU seja castigado de forma a que outros países não se arrisquem a sair. Em particular, estão a olhar para a Alemanha.
Digamos que a esquerda europeia é como a carraça que, uma vez arrancada, morre mas deixa lá a cabeça para causar o máximo de dano possível à vítima de forma a servir de aviso para as outras vítima onde as suas irmãs chupam sangue.

Até já falam, sem serem de lá, que a Escócia e a Irlanda do Norte vão abandonar o RU.

Se ele se emburracha e te bate, dá-lhe carinho que ele deixará o alcool e a violência e responderá com carinho.
(Mas não é exactamente este o ensinamento de Jesus Cristo?)

Mas que é que isso interessa para a Inglaterra e Gales?
A Escócia fica muito longe de tudo e a Irlanda do Norte não é um país viável (vai Bruxelas aguentar os terroristas católicos!). Irá que a Escócia e a Irlanda do Norte vão fazer um união?
Isto não tem pés nem cabeça e, mesmo que tenha, em termos de importancia relativa, a Escócia (5,4M) mais a Irlanda do Norte (1,8M), só têm 10% da população do RU, o que não conta para nada do que se vive no Sul da Grã-bretanha.
E irá a Espanha votar a favor da entrada de um paiséco que sai de outro país?

A Escócia e a Irlanda do Norte vão ficar dentro da UE com um estatuto especial.
Da mesma forma que o Kosovo faz parte da Zona Euro sem nunca ter entrado, também estes dois territórios vão continuar a pertencer ao RU e também continuar a pertencer á UE como sendo uma espécie de Zona Franca da Madeira.

E quais as vantagens para o RU?
Primeiro, é uma decisão dos votantes. Mesmo que isso lhes cause prejuizo económico, a vida não é só economia.
Segundo, apesar de o RU deixar de ter voto na condução dos assuntos da UE, será tratado como igual na relação bilateral com a UE.
Terceiro, o UK passará a ter total liberdade para fazer acordos bilaterias de livre comércio com os grandes países tradicionalmente seus parceiros como as suas antigas colónias (USA, Índia, Austrália, PAquistão, etc.) e com a China.




A estabilidade da UE vai aumentar.
Já vários políticos pediram referendos nos seus países quanto á saída  mas, o que irá acontecer é a diminuição da retórica dos países do Sul da Europa de culparem a Alemanha pelos problemas que vivem (pois, a partir de hoje, torna-se possível a própria Alemanha sair do projecto europeu).
Também será possível acomudar a Turquia, a Ucrânia ou a Geórgia com um estatuto semelhante ao futuro tratado com o RU.

Não poderá a permanencia na UE ser diferenciada?
Eu não compreendo, nem ninguém, porque a pertença à UE não possa ser personalizada para cada Estado quando à liberdade de movimentação de bens, serviços, pessoas e capitais, quanto à eprteça ou não ao Euro, quanto à aplicabilidade dos benefícios sociais diferenciados entre nacionais e estrangeiros.
No futuro, a UE vai evoluir neste sentido.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

A Estrada da Beira e a Estrada da Beira

Mas os Esquerdistas pensam que podem vender duas coisas iguais como diferentes.
Esta semana estalou a polémica da emigração. 

Em Outubro de 2011, um jornalista perguntou ao Passos Coelho:
Por exemplo, os professores excedentários que temos e temos muitos O sr. Primeiro Ministros aconselhar-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutro...

A que o Passos respondeu:
Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra e de professores. Nós sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos, nós estamos com uma demografia decrescente como todos sabem, portanto, nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que, das duas uma, ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou, querendo-se manter como sobretudo professores, podem olhar para todo o mercado de lingua portuguesa e encontrar ai uma alternativa. Isso é verdadeiramente possível.
Em Junho de 2016, o António Costa disse sobre um acordo com o Holland:
“É muito importante para a difusão da nossa língua. É também uma oportunidade de trabalho para muitos professores de português que, por via das alterações demográficas, não têm trabalho em Portugal e podem encontrar trabalho aqui.”

Para mim, o que disse o Passos Coelho em 2011 é exactamente igual ao que disse o Antóniuo Costa em 2016 com a pequena diferente de o Passos se referir aos países de língua portuguesa e o Costa aos de língua portuguesa a viver em França.

Mas a análise feita na comunicação social foi muito diferente.
Os esquerdistas fizeram um arraial minhota quando ouviram as palavras do Passos Coelho e remeteram-se ao silêncio com as palavras do Costa. E a comunicação social foi atrás.

É a famosa "austeridade inteligente."
O que seria o outro caminho, o caminho da crescimento do emprego, o fim da austeridade, do fim dos salários chorudos nas empresa públicas (leia-se CGD), transformou-se na mesma coisa mas "inteligente".
Digamos que o Povo tem razão quando diz que "Quem feio ama, bonito lhe parece."
A coisa é cada vez mais a mesma coisa e ainda pior (mais desemprego, menos crescimento) mas agora é um caminho uma austeridade sustentável e inteligente.

Reparem nesta resposta.
Uma colega minha (RM) que, em tempos, até andei a pensar em transformá-la em minha amante perguntou ao marido "Preferias uma mulher bonita ou inteligente" a que ele respondeu "Nem uma coisa, nem outra porque amo é a ti."!
Se perguntarem a um esquerdista "Preferias um governo que acabasse com a austeridade ou que fizesse a economia e o emprego crescer?", ouvirão "Nem uma coisa nem outra pois o que eu amo é a Geringonça."!

Insanidade: fazer as mesmas coisas repetidamente e esperar resultados diferentes (Einstein).
Não foi Einstein quem escreveu esta frase mas aparecer Einstein faz parte da mensagem da frase.
Passo então a explicar.


Fig. 1 - Causas iguais levam a resultados diferentes

Para causas iguais, resultados diferentes.
A Física de Newton funciona bem com corpos da nossa dimensão mas não funciona com copos muito grandes como planetas, estrelas, galáxias e buracos negros. Acontece que Einstein, com a sua Teoria da Relatividade, consegue explicar o que Newton já não conseguia explicar (a trajetória de Mercúrio).
Mas persistiram problemas ao nível da física das partículas sub-atómicas (constituintes dos átomos) que foram resolvidos com a Mecânica Quântica.
Ao nível da Teoria da Relatividade (que se aplica aos corpos grandes), as trajetórias são linhas, a velocidade é finita, a energia varia de forma contínua e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos diferentes, os seus comportamentos serão iguais.
Mas ao nível quântico, nada disto acontece, os objetos desaparecem num sítio e aparecem noutro instantaneamente (velocidade infinita!), a energia varia em saltos (quantas) e, se aplicarmos as mesmas forças a dois corpos semelhantes, o comportamento poderá ser radicalmente diferente.

Vejamos a fissão nuclear.
Um átomo quando é atingido por um neutrão tanto pode rebentar libertando uma quantidade de energia E como deitar o neutrão fora e continuar direitinho. Acontece que, se tivermos 2 átomos iguais que são igualmente atingidos por um neutrão, um pode rebentar e o outro ficar igualzinho. O mais grave é que existe uma regularidade estatística, se hoje 100 milhões de átomos forem atingidos, 10 milhões rebentam e 90 milhões ficam igualzinhos daqui a um ano, outros átomos sendo atingidos, mantém-se esta proporção.
Então, o comportamento dos "corpos" ao nível sub-atómico é aleatório, uma vez aplicada a ação, existe uma probabilidade p de acontecer A e uma probabilidade 1-p de acontecer B.

O Einstein nunca aceitou a física probabilística.
Existe a ideia de que o Einstein foi o homem mais inteligente de todo o sempre mas não compreendeu (não aceitou) a Mecânica Quântica mesmo que esta fosse cada vez mais apoiada pela evidência empírica.

Deus não joga aos dados.
É esta a frase que, fraseada, deu "Causas iguais não podem dar efeitos diferentes".
Mas a frase traduz exatamente o contrário, foi a derrota da ideia de que o universo era determinístico, i.e., onde causas iguais levarão sempre a resultados iguais.
Einstein trabalhou os últimos 40 anos da sua vida a tentar acabar com a Física Quântica, queria aplicar a sua física determinística (da escala grande) à física probabilística (da escala pequena) mas falhou. E, quando viu o aproximar da morte e porque mais e mais evidência apoiava a física probabilística, Einstein demonstrou que estava vencido apresentando a "prova" religiosa: Se Deus é omnisciente, na hora em que criou o Universo já sabia tudo o que lhe iria acontecer para todo o Futuro. Então, se, o Universo se rege por leis probabilísticas, Deus não é omnisciente.

Einstein morreu há 61 anos e a Física Quântica mantém-se!
Desta forma, o António Costa fazendo e dizendo as mesmas coisas que fez e disse o Passos Coelho, pode obter resultados diferentes e estes são 1) o abraçar destas medidas pelos esquerdistas que os dizem feitos com otimismo e inteligência 2) um crescimento ainda mais débil que o do Passos.

Até ao fim do ano, vamos entrar em recessão.
Claro que a culpa vai ser, tal como disse o Sócrates em 2008 e em 2011, da crise internacional mas as coisas estão a caminhar para o negativo (ver o Indicador coincidente da actividade económica).
Claro que os brojessos da Geringonça vão dizer "isso são previsões e nós só trabalhamos com dados reais" (como se os dados reais fossem melhores) mas, para desmontar essa questão, mostro como o ICAE se assemelha à taxa de crescimento do PIB.
Se está a cair em terreno negativo, não tarda nada, o PIB também entra em terreno negativo.

  Fig. 2 - Relação entre o ICAE de um mês e o crescimento económico homólogo desse mês (dados, Banco de Portugal).

Os juros da dívida pública portugueses estão altíssimos e os alemães negativos.
Isto traduz risco de a Zona Euro rebentar.
Quando rebentar o Marco Alemão (e a dívida pública alemã) vai valorizar enquanto que o nosso escudinho (e a nossa dívida pública) vai desvalorizar.

Fig. 3 - A geringonça até pode funcionar, mas deita fumaça tóxica.

O jacinto de água e os herbicidas.
Nestes últimos tempos a questão fraturante das esquerdas é o uso do herbicidas glifosato.
É uma parvoíce que não faz sentido nenhum.
O glifosato é um herbicida muito utilizado porque é barato de produzir, potente, praticamente não é tóxico e a patente já expirou. Estudos mostram que uma pessoa não morre se beber até 0,1 litros deste herbicida.
Uma característica importante do glisofato é que existe um gene que torna as plantas resistentes à sua acção, gene que existe, por exemplo, naquela erva cortante que está a encher as beiras das autoestradas (juntamente com as acácias) e que dá um pluma branca ou cor de rosa (erva das pampas).
Por haver esse gene em muitas plantas, a Monsanto meteu-o numa variedade de Soja o que foi o maior contributo individual para o fim da fome principalmente na China, 85% da soja é produzida nos Estados Unidos, Brasil, Argentina e Paraguai e 60% é consumida na China.

Fig. 5 - A produção por hectare de soja duplicou entre 1960 e 2016 e cresce continuamente 1%/ano


O glifosato é biodegrável.
Quando o glifosato é aplicado num terreno, em média, a sua concentração reduz-se a metade no espaço de 47 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos uma dose de 1300g de glifosato por hectare, ao fim de 1 anos já só restam 6,00g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 0,03g de glifosato.
Quando o glifosato é aplicado sobre água, em média, a concentração reduz-se a metade no espaço de 91 dias. Isto que dizer que, se aplicarmos a dose normal de 1300 g de glifosato por hectare numa albufeira,  ao fim de 1 anos restam 80,0g de glifosato e, ao fim de 2 anos, 5,0g de glifosato.

Vamos imaginar que, anualmente, 1% da albufeira é pulverizada.
Os jacintos de água é uma planta originária do Amazonas que flutua na água. É uma das piores espécies aquáticas invasoras porque, além de se reproduzir rapidamente em águas lentas como albufeiras e canais de irrigação, evita que a luz entre na água matando todas as algas e, consequentemente, os bichos aquáticos e peixes. Também é perniciosa porque entope as captações de água e os canais de irrigação. No Alqueva e na Pateira de Fermentelos é um problema gravíssimo que consome milhares de euros todos os anos e com resultados fracos.

Fig. 6 - O Jacinto de Água veio para Portugal como uma planta ornamental (parece um orquídea).


Como o Jacinto é arrastado pelo vento, concentra-se em algumas zonas o que faz com que possa ser controlado pulverizando uma pequena parte da superfície. Assim, pode ser controlado pulverizando apenas 0,0833%/mês da albufeira (1% da área total por ano) com uma dose de 1300g/ha. o que resultaria numa dose média de 5,3g/ha.
Como a albufeira tem uma profundidade média de 16m, teríamos um teor de 5,3g/16000kg = 0,3 mg/kg = 0,3 ppm, um nível 50 mil vezes abaixo do limiar de toxicidade (testado em ratos).
Por mim, aconselhava a fazer-se um teste a ver até que ponto o glifosato é útil no caso do jacinto de água.

O problema em Portugal é que o povo exagera na dose.
Todos nós estamos contaminados com quantidades vestigiais de glifosato e de milhares de outras moléculas de síntese. Mas isso não resulta de este herbicida ser usado no controle de ervas nas beiras da estrada ou em meio urbano. Resulta antes de bebermos água dos rios e de o povinho exagerar na dose.
Em tempos utilizei este herbicida que diluía, conforme as instruções da embalagem, em 300 litros de água. Metia em silvas que começavam a ficar amareladas, perder volume e a definhar ao longo dos meses. Mas o povinho quer morte imediata, aplicar e no prazo de uma semana, já estar tudo seco e, por causa disso, a senhora onde eu comprei o produto não se calava de repetir "diz ai 300litros mas meta só 50 litros pois só assim é que as plantas morrem."
O povinho português não tem paciência (e por isso é que temos lá o Costa).
E com uma dose 6x a recomendável, parte vai parar aos rios que, depois, bebemos.
Não estamos a ser contaminados por aquelas pessoas que vemos aplicar o herbicida mas pelas que não vemos, lá longe, de onde vem a água que bebemos. 


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Será Trump o futuro presidente dos USA?

Toda a gente diz que o Trump é maluco. 
Por isso, a minha missão de provar que o Trump diz coisas com sentido económico e que tem fortes probabilidades de vir a ser o futuro presidente dos USA parece votada ao fracasso.
Mas não há como tentar.

Vamos ao que diz o Trump.
Diz que vai rever os termos do comercio com o exterior, sendo a China e o México os bobos da festa.
Diz ele que todos os anos os estrangeiros estão a sugar milhares de milhões de dólares aos americanos.
Será que isto faz sentido?

O comércio é bom para todos.
Os países ou regiões ao estarem abertos ao comércio ganham porque os seus agentes económicos podem-se especializar a produzir bens e serviços para os quais têm vantagens comparativas que, depois, exportam para pagar a importação dos bens e serviços que deixaram de produzir.
Por exemplo, transformamos um campo agrícola (que produzia bens agrícolas) num campo de golf que capta turistas  do Norte da Europa e, depois, importamos desses países os bens agrícolas que deixamos de produzir com ganho para ambos pois nós vamos receber do golf mais do que produzíamos e os turistas do Norte da Europa dão mais valor ao Golf que aos bens agrícolas que nos vendem em troca.

Fig. 1 - I'll fuck Chinese people, fuck, fuck, fuck them and they will even pay my time and the condom


O modelo de desenvolvimento da China baseia-se no comércio internacional.
 A China decidiu em meados de 1970 que o seu desenvolvimento passava pela exportação de bens industriais de baixa tecnologia e a importação de energia, matérias primas e bens de elevada tecnologia onde se incluiam as máquinas e ferramentas.
Naturalmente, os EUA, por serem um país com muito menos barreiras ao comérico que os países europeus, foi eleito pelo partido comunista chinês como o mercado de eleição.

O problema está na repartição do ganho do comérico.
Vamos supor que dois país, A e B, têm cada um PIB de 1T€/ano,  2T€/ano no total, e que, por causa do comércio, o PIB total vai aumentar para 3T€/ano. O problema é que tanto pode ser à custa de o país A passar a ter 1,9T€/ano e o país B passar ter 1,1T€/ano ou o simétrico.
Esta repartição do ganho tem que ser negociada entre os países sendo que apenas a ameaça de imposição ao comérico é capaz de moderar a outra parte. Por exemplo, no curto prazo não é lucrativo o país B levantar barreiras ao comércio porque o PIB diminuirá de 1,1T€/ano para 1,0T€/ano mas tem que o fazer para, no longo prazo, poder ficar 1,5T€/ano (a divisão do ganho do comérico em duas partes iguais).

É o que se passa com os países do Sul da Europa.
A Zona Euro trás ganhos para a globalidade dos países mas os países do Sul da Europa querem-se apropriar de todo esse ganho.

Vejamos os números do PIB em T€/ano
Em termos de aumento do PIB, os números do México estão semelhantes aos dos USA mas os da China são muito mais impressionantes e, nos últimos 10 anos, os ganhos absolutos da China foram maiores que os dos USA. Assim, há a necessidade de fazer pressão nos termos de troca dos USA com a China o que tem que passar, obrigatóriamente, por falar grosso e fazer ameaças credíveis. 
Nada melhor para ser credível que um louco que nada perceber do assunto. Pensarão os chineses que, como é maluco, talvez vá mesmo levantar barreiras alfandegárias às suas exportações.

                 1980     1990    2000    2010/2014      Ganho
China       0,35       0,90      2,30        4,57            + 4,22 (+ 469%)
México    0,50       0.65      0,86        1,02           + 0,52 (+ 79%)
USA         6,85       9.38    12,77      14,16           + 7,31 (+ 78%)
Quadro 1 - PIB a preços de 2005 em E12USD (dados, WB)

Fig. 2 - Se não ganhar as presidenciais, compro a Playboy Mansion West e substituio o Hefner que, com 90 anos, já não pode.

Não é fácil mas o Trump pode ganhar.
A eleição do presidente americano é indirecta no sentido que são, primeiro, eleitos Representantes de cada estado da união e, depois, os representantes elegem o "presidente da união". Por comparação com a nossa política, seria como se a Assembleia da República (cujos deputados são eleitos nos distritos) elegesse o Marcelo.
A diferença maior é que na América os representantes de cada estado são todos do partido que tiver mais vottos, nem que seja por apenas um. Isso faz com que a maioria dos estados nunca mudem de partido.
e também é por esta razão que só há 2 partidos com representantes eleitos.

Vejamos os estados fixos.
Que são os estados que nas últimas 4 eleições não mudaram de partido e que elegem cerca de 80% dos representantes. São maioritariamente a favor dos democratas, 179 para o Trump e 242 para a Clinton.

Vejamos os estados "do meio" que mudam.
Dos 10 estados que mudaram nas últimas 4 eleições, 6 estão mais ou menos fixos.
Nevada, Iowa, New Hampshire e New Mexico é muito provável que votem Clinton enquanto que Indiana e North Carolina é muito provável que votem Trump, ficando 203 para Trump e 261 para Clinton, uma diferença de 28 a favor da Clinton.

Vai ser tudo decidido em 4 estados.
Vamos esquecer o resto da América porque a eleição presidencial vai-se decidir na Florida (29 representantes) e em mais 3 estado que são  Virginia (13), Colorado (9) e Ohio (18).
Estes 4 estados deram duas votórias para cada lado nos últimos 16 anos. Já foram fundamentais nas vitórias de Bush em 2000 e 2004 e nas vitorias do Obama em 2008 e 2012.
O Trump tem que investir tudo para ganhar na Florida (que é o estado mais fácil porque o Obama ganhou lá em 2012 com uma margem de apenas 0,9 pp) e, depois, tem ainda que ganhar mais 2 estados. 
 
Não vai ser fácil o Trump ganhar mas não seria fácil para nenhum candidato republicano.
É que, em termos socio-políticos, as minorias afro-americanos e os latino-americanos são maioritariamente a favor dos democratas e, em termos de dinâmica populacional, estão em crescimento.
Até diria que o Trump é o candidato republicano perfeito porque é muito à esquerda. Recordo para os mais desatentos que o Trump foi filiado do partido democrata até 2009, sim, há apenas 7 anos era democrata, e que apenas é republicano (desde 2009 com uma interrupção em 2011 porque se esqueceu de pagar as cotas!) porque, depois da eleição do Obama em 2008 e a Clinton a vice, viu que não tinha hipoteses de em 2016 ser candidato pelos democratas.
Até há quem diga que o Trump é uma toupeira democrática mandada para facilitar a eleição da Clinton e, pelo meio, destruir mesmo os republicanos (ver que não sou eu quem o diz mas a BBC).

Fig. 3 - A parte mais dificil de ser professor é quando queremos que as notas sejam justas.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

O veto presidencial das barrigas de aluguer

O Presidente Marcelo vetou mas foi construtivo.
Confessa que é contra este avanço tecnológico ("um juízo sobre a matéria versada não pode nem deve ser formulado na estrita base de convicções ou posições pessoais do titular do órgão Presidente da República") mas a sua decisão nada tem a ver com isso mas apenas quer que a lei inclua algumas dúvidas do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (ver o parecer).

Fig. 1 - Eu queria engravidar mas descobri que não tenho útero.

O Presidente pede que a Lei explicite alguns pontos (ver texto do veto).

As questões levantadas pelo Presidente são sobre omissões na Lei que, como já expliquei no poste anterior, estão já resolvidas pela aplicação da lei geral. No entanto, o Presidente pensa que estes pontos devem estar claramente incluídos na Lei.
Pessoalmente, concordo com a inclusão de todas estas questões e até incluiria uma referente ao seguro obrigatório.

1) Tem que ser reconhecido à futura criança o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada.

2) O casal beneficiário e a gestante de substituição têm que ser informados "sobre o significado e consequências da influência da gestante no desenvolvimento embrionário e fetal" e que "a futura criança tem o pleno direito a conhecer as condições em que foi gerada."

3) Tem que ficar explícito quais os "termos da revogação do consentimento, e as suas consequências."

4) A lei tem que obrigar a que no contrato estejam explícitas as disposições "para o caso da ocorrência de malformações ou doenças fetais e de eventual interrupção da gravidez"

5) A lei tem que manter na gestante de substituição a "decisão sobre quaisquer intercorrências de saúde ocorridas na gestação, quer a nível fetal, quer a nível materno" como seja o aborto em caso de malformação do feto ou de risco de vida para a gestante de substituição.

6) A lei tem que proibir a imposição de "restrições de comportamentos à gestante de substituição".

Eu pedia ainda que houvesse um seguro obrigatório.
Nos anos 2000-2013, em média morreu uma mulher em cada 18 000 gravidezes (fonte: PorData) que é equiparado ao risco de morte de um trabalhador da construção civil e da industria transformadora durante um ano de trabalho.
O Sr. Presidente esqueceu-se que é preciso acautelar o caso em que a mulher gestante morre ou fica incapacitada. Este risco tem que ficar com alguém e sendo uma relação baseada num contrato quase de trabalho, se nada for dito, a lei geral vai meter o risco do lado da mulher mandante.
Para não haver o risco do projeto de maternidade se transformar num pesadelo, este ponto pode ficar acautelado com um seguro obrigatório de 1 milhão de euros que corresponderá a uma mensalidade de 1500€/mês durante 50 anos mais 100 mil € para despesas médicas.
Este seguro não terá um preço maior que 100€ (1000000/18000), o que é irrisório face ao custo total do procedimento da barriga de aluguer.
Estive a ver clínicas que promete fazer o procedimento de fertilização in vitro. Uma fala em 3400€ (ver, Ferticentro) enquanto que outra garante um preço, "tudo incluído", de 5000€ (ver, IVI). Para uma taxa de sucesso de 50%, traduz um custo médico e medicamentoso por criança na ordem dos 10000€.

Qual o custo da barriga de aluguer?
Apesar de a lei dizer que é gratuito, tem sempre um custo pelo menos humano pelo qual a mãe mandante ficará eternamente devedora. Se  calcularmos para a mãe de substituição um custo 1,5 Salários Mínimos, estamos a falar noutros 10000€.

Ninguém se preocupe porque, em termos estatísticos, a lei vai ter pouca expressão.
Apesar de passar a haver a possibilidade de  um casal investir 250 mil€ para ter 23 filhos com a mesma idade para fazerem uma equipa de futebol (11 jogadores titulares + 12 suplentes), aposto a minha cabeça em como isso nunca irá acontecer pois o máximo que as pessoas quererão ter é um filhito.
É que mesmo os que pensam ter filhos para receber o Rendimento Mínimo e o Abono, só se levarem as crianças para o Luxemburgo (265€/mês) pois, com o nosso RSI de 90,50€/mês mais o abono de 36,42€/mês, desanimam logo, só se as meterem a guardar carros e a pedir esmola à porta dos supermercados.


Fig. 2 - Todos estes 14 jogadores são meus filhos e ainda tenho as 12 raparigas da claque.
 
Vou fazer uma previsão sobre o número de nascimentos em barrigas de substituição.
Para isso, vou buscar algumas estatísticas.
Relativamente aos casamentos de pessoas do mesmo sexo, entre 2010 e 2015, houve uma média de 310 casamentos por ano, 0,9% do total, o que quantifica que, em cada 110 casamentos, um foi entre pessoas do mesmo sexo.
Relativamente PMA,  os casais com infertilidade são cerca de 10% do total, 1/3 devido a problemas da mulher, 1/3 a problemas do homem e 1/3 a problemas de ambos e causas desconhecidas.
Os nascimentos usando Procriação Medicamente Assistida são cerca de 700 por ano, 0,9% do total.
Nas mulheres com problemas  de fertilidade, cerca de 15% têm problemas ao nível físico do útero.
Juntando estes números todos, talvez seja de vermos qualquer coisa como 700 / 3 *15% = 35 nascimentos por ano em barrigas de aluguer.
A minha previsão é que vamos ter abaixo de 50 crianças/ano a nascer em barriga de aluguer.

E isto compara com 21 mil abortos por ano por decisão da mulher, 600 vezes mais.

Fig. 3 - Se uma dessas crianças for outro Fernando Pessoa ou Cristiano Ronaldo ...

As pessoas não querem ter filhos.
Se fosse no antigamente, quando ter filhos era a prova do abençoamento de Deus, era possível vermos pessoas ricas a ter dezenas ou mesmo centenas de filhos. Mas Deus, ao revelar ao Homem a tecnologia da barriga de substituição, retirou-lhe a vontade de ter filhos.





domingo, 5 de junho de 2016

As dúvidas (do Marcelo) às barrigas de aluguer

A regra geral deve ser a liberdade individual.
As acções e relações entre as pessoas devem ser livres e não reguladas pela lei a menos que exista uma razão sólida para que essa liberdade seja limitada.
E a razão sólida para limitar a liberdade das pessoas tem que passar por haver um prejuízo à sociedade que não seja possível de reparar com uma taxa paga pela pessoa que causa o prejuízo. Mesmo que não seja possível compensar o prejuízo, os custos necessários para limitar a liberdade do individuo não podem ser superiores a esse prejuízo.
Só assim, com liberdade, é que podemos ter uma sociedade criativa e onde as pessoas, independentemente das suas ideias, credos ou religião, possam conviver pacificamente e viver uma vida agradável.

Fig. 1 - Se a senhora acha bonito ter dentes de ouro, deixa-a lá ter dentes de ouro


Porque razão sou contra as Barrigas de Aluguer?
Há pessoas que são a favor e pessoas que são contra. Sendo que a liberdade individual deve ser a regra, quem está contra é que tem o dever de procurar razões válidas para que essa liberdade seja limitada nos demais humanos.
Além disso, se procurarmos razões racionais talvez nos convençamos de que estamos errados no sentido de que não se justifica proibir as barrigas de aluguer.

Eu, sou contra as raspadinhas porque os mais pobres, desconhecedores das leis das probabilidades, derretem o pouco dinheiro nestas coisas à procura da fortuna que nunca aparece. Sou contra e incomoda-me ver alguém entrar na papelaria para comprar uma raspadinha. Sou contra mas não acho que deva ser proibido. Se o Zé, o Eugénio ou o Paulo querem andar a pedir moedas para as "investir" nessa ilusão, que o façam à vontade mas moeda minha, nunca verão nenhuma.
As pessoas sabem que não podem dizer "sou contra porque são contra" e, por isso, é que têm aparecido na comunicação social justificações para que esta inovação tecnológica não possa ser utilizada.
Vamos então discutir essas razões. 

1 - A Natureza não quer que essas crianças nasçam.
Na literatura mais fechada da religião cristã, começa a circular a ideia de que o nascimento de um filho é uma decisão de Deus. Se uma mulher engravida e, depois, aborta, é um crime porque a criança desde o momento da concepção é um ser humano completo (não vou discutir isto).
Mas então porque será imoral a barriga de aluguer?
 E que, se uma mulher, por questões biológicas, não pode gerar um filho, então, isso traduz que a Natureza (que é o outro nome de Deus) não quer que essa criança nasça.
Se uma mulher não tem útero, é porque a Natureza não quer que essa criança nasça. Se nascer será então um crime contra a Natureza.

Mas a tecnologia humana recusa à Natureza muitas mais coisas. 
Também é contra a Natureza aplicar antibióticos e vacinas para evitar que os micróbios sigam o seu caminho natural e matem as pessoas.
Quando uma pessoa parte uma perna, tem uma hemorragia ou uma infecção, a Natureza mais não quer que essa pessoa morra, o que tentamos combater com tecnologia.
Não era o Papa João Paulo II que tanto usou a tecnologia não só na tentativa de não morrer (tiveram que o abafar) como até para andar (no papa móvel)?
 Não será contra a Natureza vestirmos roupa? Se não temos pelo farto como os cães do Alasca é porque a Natureza não quer que vivamos em climas frios.
Se as nossas pernas não nos permitem andar a 120km/h e os braços não nos permitem voar não será igualmente contra a Natureza andarmos de carro ou de avião?

Mas foi Deus quem criou todas as tecnologias.
Segundo os cabalistas, logo nos 6 dias da Criação, Deus criou não só todas as tecnologias que existem hoje como também as que irão ser descobertas em todo o futuro que há-de existir mas, da mesma forma que nos Jardins Zoológicos escondem a comida para o macaco se distrair a pesquisar, Deus escondeu a tecnologia dentro dos frutos da Árvore da Sabedoria para que a Humanidade, ao descobri-la, se sentir senhora do seu destino. Exactamente no mesmo dia em que Deus criou Adão e Eva, Deus criou a tecnologia das "barrigas de aluguer" mas teve-a milhares de anos escondida à espera que fosse descoberta. 
Vamos supor que Deus não queria que essa tecnologia fosse usada, neste caso, tal como confundiu as pessoas na Torre de Babel, também confundiria as mentes humanas que a descobriram.

E o Homem faz parte da Natureza.
Ou acreditamos em Deus ou acreditamos que o Homem é mais um animal que faz parte da Natureza.
E sendo que o Homem faz parte da Natureza, todo o que fazemos também faz parte da Natureza.
Assim, a nossa tecnologia é tão natural como a tecnologia dos corais que cria recifes nos mares tropicais ou a tecnologia dos castores que cria açudes e represas.

2 - É a transformação das pessoas em coisas.
Vamos supor um mundo em que uma elite minoritária, 1000 pessoas, gera outras pessoas em barrigas de aluguer, 100 mil pessoas, apenas para que sejam escravos do processo produtivo. Vamos mesmo supor que os escravos, tal como se passa com os nossos automóveis, são mesmo "terminados" assim que a sua produtividade desce abaixo de um limiar.

Este processo não seria muito diferente do que se passa nos aviário onde os ovos vão para a incubadora apenas porque, algumas semanas mais tarde, os frangos são precisos no talho e aconteceu na maior parte da humanidade quando se criavam (e caçavam) homens para serem escravos.

Mas será que o escravo ou os seus descendentes se consideram coisas?
Esta é a questão principal. Será que eu tenho legitimidade para julgar a vida de outro a ponto de dizer que essa pessoa está coisificada porque a sua concepção teve por fim uma vida que eu considero indigna?
Sempre eu, eu julgo, eu considero indigna mas sem nunca perguntar à outra pessoa o que ela acha.
É que todos nós temos antepassados que foram escravos e, se essas pessoas não tivessem sido dadas a uma "vida indigna", nós não existiríamos.
Vejamos eu próprio. A mãe da mãe da minha mãe (de nome Clara Borges segundo a minha tia Clara pois na certidão de nascimento da minha avó diz "filha de mãe incógnita"), não é assim há tantas gerações, era apenas a minha bisavó, nasceu escrava e viveu escrava até ao dia 13 de Maio de 1888. Naturalmente, os pais dela, avós, bisavós e sabe Deus quantas gerações nasceram apenas porque os seus senhores precisavam de escravos para amanhar a terra. E não é por isso que, penso, se julgavam coisas e muito menos eu, apenas três gerações depois, penso ser uma coisa. Sou, pelo menos, um "animal sensível".

Porque não perguntam às pessoas geradas em barrigas de aluguer?
No mundo já nasceram centenas de pessoas pelo recurso a barrigas de aluguer. Será que já alguém perguntou a essas pessoas se se acham coisas ou se se acham pessoas diminuídas por terem sido geradas com recurso à tecnologia?
Não perguntaram nem querem perguntar pois já todos sabemos qual seria a resposta: acham-se pessoas totalmente normais.


3 - Há muitas crianças abandonadas nas instituições.
Ouvi este argumento da minha colega AT, "Uma mulher que não possa ter filhos, pode ir a uma instituição e adoptar uma das crianças que ficaram órfãos ou que foram abandonadas pelos pais." mas deve ter ouvido este argumento na missa pois é a visão oficial do Cardeal Patriarca.
Claro que, pensei eu, e porque não mandar vir de África uma das milhares de crianças que há por lá a morrer de fome e de miséria?
E já agora, podemos aplicar este argumento a todas as mulheres. Porque não proibir haver um filho novo enquanto houver uma única crianças em África a passa miséria?

Faz-me lembrar uma história.
Um casal, uma mulher muito feia que casou com um homem igualmente muito feio, planeando ter um filho, foram ao médico para "a consulta de rotina".
- Sr. Doutor, eu e o meu marido estivemos a conversar e decidimos ter um filho e, querendo garantir que o nosso filho nasce saudável e bonito, estamos cá para fazermos as análises e exames necessários.
 - Não estou a perceber! - disse o médico admirado enquanto olhava para aos dois - Bonito! Parece que me estão a pedir que esse vosso filho não seja vosso!

Fig. 2 - Queremos que os nossos filhos sejam bonitos como nós!


É isso mesmo.
Os pais querem que os filhos sejam parecidos com eles, que a criança vá a um sítio qualquer e logo digam "Tu és filho do fulano, tira-se logo pela pinta" e que outros digam "Esta menina é uma fotocópia da mamã."
Também os avós querem dizer "Olha para esta fotografia de quando o teu pai era pequenino, olhando para ti até parece que o estou a ver de novo pequenino pois és igualzinho a ele."
Mesmo os pais com orelhas grandes, nariz pequeno ou batatudo, dentes tortos ou com seis dedos nos pés dão-se ao prejuízo de ter e criar um filho pelo egoísmo de ver um ser pequenino igualzinho a eles.

Além do mais, há a esperança.
Sim, os pais são egoístas pois quando têm um filho esperam que lhes seja um apoio quando forem velhinhos e incapazes. E a evidência empírica talvez diga que os filhos adoptados não tenham tanta ligação aos pais adoptivos que os filhos genéticos aos pais verdadeiros.
Nenhuma mãe (nenhuma é capaz de ser forte de mais) podendo ter um filho genético, o trocaria por um filho adoptivo.

O que separa os nossos parentes dos nossos amigos?
É que os nossos parentes têm uma relação genética connosco. Há genes que têm que são os mesmo que nós temos e isso coloca-os num nível especial. Claro que também temos os nossos amigos e muitas vezes não gostamos nossos parentes mas é inegável que existe uma ligação física com eles.

4 - Está-se a explorar a mulher que vai alugar a sua barriga.
Todos nós vivemos melhor por podermos trocar as nossas capacidades pelas nossas necessidades.
Se eu só tenho o meu corpo, posso vender o meu trabalho e, com isso, ganhar dinheiro para comprar bens e serviços.
É por demais evidente que a troca que todos nós fazemos das nossas capacidades pelas nossas necessidades é o motor da nossa qualidade de vida e do progresso da humanidade.
Já imaginaram como seria se não vendêssemos o nosso corpo na forma de trabalho tendo que produzir tudo o que consumimos?
Alguém sabe como se constrói um automóvel, telemóvel, ou computador?
E como iríamos fazer um filme? Faríamos nós o papel de todos os actores?
Já estão a ver que passaríamos a viver uma miséria pior que a que se vive em África.
Agora, a tecnologia permitir que alguém trabalhe em Vieira do Minho num Call Center que responde a pessoas em França, não é diferente de a tecnologia permitir a uma mulher alugar a sua barriga durante 9 meses para dar vida a um ser humano por encomenda de outra mulher.
Isso mais não deve ser visto como mais uma liberdade individual, mais uma conquista do 25-de-abril.

Fig. 3 - Isto é apenas a prova do amor que a mulher tem pelo seu homem.


E as dúvidas do Presidente Marcelo?
Parecem dúvidas pertinentes que resultam de a lei estar mal escrita. Mas também poderá ser apenas uma reserva moral, um estar contra por estar contra e querer arranjar desculpas para vetar a lei.
Vejamos se as suas dúvidas fazem sentido.

O que acontece se a gestante de substituição se arrepender?
Como nada foi escrito, mantém-se válida a Lei N.º 16/2007 que dá o direito à mulher grávida para abortar.
"1 - Não é punível a interrupção da gravidez efectuada por médico, ou sob a sua direcção, em estabelecimento de saúde oficial ou oficialmente reconhecido e com o consentimento da mulher grávida, quando: 
...
e) For realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas de gravidez.
"

É o risco do negócio.
A mãe promotora vai gastar entre 10000€ e 20000€ e este investimento tem o risco de a mãe substituta poder-se arrepender e abortar.
Para diminuir o risco, a mãe promotora terá que procurar uma mãe substituta que lhe dê alguma confiança, por exemplo, uma irmã, a sua mãe ou uma mulher que já tenha levado outras gravidezes de substituição até ao fim.
Por aqui não vejo qualquer dúvida.

O que acontece se a mandante se arrepender?
Sendo que o filho é, em termos legais, seus, trata-se de um normal abandono de recém nascido.
Será encaminhado para a adopção pensando eu que qualquer tribunal dará prioridade à mãe gestante, aos avós e aos parentes mais chegados que queiram adoptar a criança.
Também, por aqui não vejo nenhum problema.

O que acontece se a criança tiver uma deficiência grave e a mandante quiser abortar?
Neste caso, continua-se a aplicar a Lei N.º 16/2007, i.e., o direito de optar está do lado da mulher grávida.
Pensando que a mãe de substituição não é religiosa já que a Igreja condena a barriga de aluguer, o mais provável é que a mãe substituta aceite abortar.
Em 2014, por cada 1000 crianças que nasceram, foram realizado 5,2 aborto por potencial deficiência grave da crianças que viesse a nascer (ver), sendo que uma parte destes fetos abortados morreria antes do nascimento da criança.
Acrescentando que são realizados testes genéticos ao pré-embrião antes da implantação, a probabilidade de isto acontecer numa gravidez de substituição será ainda menor, talvez apenas 1 caso em cada 1000.
Juntando as duas probabilidades (a pequena probabilidade de o feto ter problemas mais a probabilidade de a mandante querer abortar e a substituta não) mais que poucas pessoas usarão barrigas de substituição, este problema não tem qualquer relevância estatística.

Parece-me que as dúvidas do Presidente Marcelo são exageradas.
São problemas menores numa abertura maior que é a possibilidade de se usar uma tecnologia avançada de procriação medicamente assistida.
Penso que o melhor seria deixar a coisa andar e avaliar como a concretização da tecnologia funciona na prática.

Será que a mãe substituta tem direito a licença de parentalidade?
Esta dúvida era minha mas, estive a ler o Código do Trabalho, e tem direito pois basta uma testado médico a atestar que é puérpura (não é obrigatório que o filho seja registado em seu nome).

"Artigo 36.º - Conceitos em matéria de proteção da parentalidade
1 - No âmbito do regime de proteção da parentalidade, entende-se por:
a) Trabalhadora grávida, a trabalhadora em estado de gestação que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico; 

b) Trabalhadora puérpera, a trabalhadora parturiente e durante um período de 120 dias subsequentes ao parto que informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico ou certidão de nascimento do filho; 

c) Trabalhadora lactante, a trabalhadora que amamenta o filho e informe o empregador do seu estado, por escrito, com apresentação de atestado médico."

Fig. 4 - Calma que a minha mãe de aluguer tem direito a uma horita para me dar de mamar.

Será preciso criminalizar o não cumprimento do contrato?
Não vejo necessidade haver qualquer aditamento à lei da subtracção de menores (art. 249 do CP).
Se a mãe de substituição subtrair a criança, vai lá a polícia, retira-lha e entrega-a à mãe genética (mandante) da mesma forma que acontece se no infantário quiserem ficar com as criancinhas ou quando um dos progenitores foge com a criança.
Penso não ser preciso escrever mais leis por causa disto.

Fig. 5 - Sou contra as barrigas de aluguer mas vou usar uma desculpa qualquer para continuar a ser visto como um gajo porreiraço

Sou contra o visto prévia do contrato de parentalidade.
As pessoas deveriam ser livres de escrever no contrato de parentalidade aquilo que bem entendessem.
A lei deveria apenas dizer que "por contrato particular realizado antes da implantação dos pré-embriões a gestante pode abdicar da criança a favor da mãe mandante."
Repito que, havendo uma decisão médica de que se verificam as condições de aplicabilidade da lei, a decisão deveria ficar dentro da questão técnica/médica e não haver visto prévio de organismos que, por serem permeáveis a questões religiosas e políticas, podem bloquear a aplicabilidade da nova lei.



Fig. 6 - É o voltar do visto prévio a um contrato que deveria ser particular

Se o aborto não precisa de parecer de ninguém ...
Acho, e muitas pessoas acham, o direito ao aborto muito pior que o direito a recorrer a uma barriga de aluguer. E se uma mulher pode fazer um aborto até às 10 semanas de gestação sem dar cavaco a ninguém e está exenta de taxa moderadora (por estar grávida), não faz sentido exisgir parecer prévio a quem quizer usar uma barrega de aluguer.
Sou terminantemente contra isto.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O problema do monopolio dos portos maritimos

Os portos são recursos naturais muito raros. 
Existe muito mar por onde um navio pode navegar sem limitações mas, quando se aproxima de terra, há que ter cuidado para não encalhar. Isto porque cada tonelada de peso bruto de um navio tem que ser compensado pela "deslocação" de um m3 água. Assim, se um navio tem um peso bruto de 100000 toneladas, só flutua se tiver debaixo de água um volume de exactamente 100000 m3.
Como regra, 36% do volume do navio está escondido de baixo de água (por cada 1,8 m3 acima da linha de água, há 1 m3 abaixo)
O mais económico em termos de contrução naval e de estabilidade é ter um navio que se afunda muito na água, por exemplo, com 300 m de comprimento, 30 metros de largura e 20 metros de calado (profundidade máxima), poderá deslocar mais ou menos 120 mil toneladas (300*30*20*70%, os 70% são porque o casco é arredondado para diminuir o atrito).
O problema é que para carregar e descarregar um navio com 20m de calado, seria preciso um porto com 22 metros de profundidade que não existe.

Fig. 1 - O volume que não se vê (está debaixo de água) é igual ao peso bruto total do navio

Junto a terra, não há locais com 22 m de água.
Por exemplo, os barcos para poderem ir da Europa para a Ásia só podem navegar se tiverem um calado menor que 20 m por causa do Estreito de Malaca (Malacamax = 20,5 m) e do Canal do Suez (Suexmax = 20 m de calado e que, até 2010, era de penas 15 m).
Outro exemplo da raridade de águas profundas junto a terra é que nos 5 mil quilometros da costa sul/ocidental de África que vão do Gabão à cidade do Cabo, só existem 3 locais propícios para haver um porto com calado na ordem dos 10m (Portos de Luanda = 9.5m; Lobito = 10,5m e de Walvis Bay = 9.5 m).
Em Portugal temos 6 portos que permitem um calado acima de 10m dos quais, 3 portos permitem mais de 12 m (Leixões, Lisboa e Sines).
     Leixões => 14 m
     Aveiro => 10 m
     Peniche => 12m
     Lisboa => 14 m
     Setúbal => 12 m
     Sines => 17 m

Os portos são "monopólios naturais".
Como são um recurso natural raro, em termos práticos um porto não tem concorrência. A distância de Leixões a Peniche é de 230km (230€ para transportar um contentor por terra), de Peniche a  Lisboa é de 110km (130€ para transportar um contentor por terra) e de Sines a Lisboa é de 150km (160€ para transportar um contentor por terra).

Assim, são um monopólio natural no sentido de que, por questões físicas, numa região só existe um "produtor" de cargas/descargas de navios.

Como o monopolista se pode aproveitar de não haver concorrência, acaba por ter um lucro elevado relativamente ao normal à custa dos compradores (das pessoas que precisam utilizar o porto) que vão pagar um preço superior ao que seria normal.
Ser explorado como um monopólio, causa prejuizo à esconomia como um todo porque a quantidade movimentada vai ser menor do que seria óptimo.

Fig. 2 - Neste caso, é um duopólio (a atenção fixa-se na menina ou no king kong)
Vamos imaginar a seguinte tecnologia (que não estará muito longe da verdade):
i) Não existe limitação de capacidade do porto;
ii) O custo eficiente para o porto movimentar um contentor, C, é de 50€/contentor; 
iii) O ganho para as economia de ser movimentado um contentor (ganho marginal) é decrescente com a quantidade movimentada (primeiro, movimentam-se as cargas mais rentáveis).
O preço máximo que os importadores /exportadores podem pagar é dado pela curva da procura:
    P = 250 - Q/250 
Esta curva traduz que o ganho para a economia da existênca do porto é G = (250-C)Q - Q^2/500 em que Q é o número de contentores movimentados.

Havendo concorrência total.
O porto não consegue cobrar mais do que o seu custo de produção pois, caso contrário, perde o cliente (para um porto alternativo). Então, o porto vai cobrar 50€/contentor e movimentar 50000 contentores/ano:
    P = C <=> 250  - Q/250 = 50 <=> Q = 200 * 250 = 50000 contentores/ano
    P = 150€/contentor

O porto vai facturar 2,5 milhões €/ano (mas o seu lucro vai ser zero porque este é o custo. O lucro zero traduz o lucro normal de uma empresa com risco semelhante).
A economia vai ganhar G = (250-C)Q - Q^2/500 = (250-50)*50E3 - 50E3^2/500 = 5 milhões €/ano.
Assim, o ganho economico total será o ganho da economia mais o lucro do porto
     Ganho da economia = 5M€ + 0M€ = 5M€

Sendo monopolista, 
O porto vai poder maximizar o seu lucro porque os clientes não têm alternativa.
Vai escolher Q que maximiza o lucro sabendo quanto os clientes estão disponíveis para pagar no máximo:
Q: Max((P-C)*Q) => ((250 - Q/250-50)*Q)' = 0 =>  (200  - 2Q/250) = 0
=>  Q = 25000 contentores/ano e P= 150€ / contentor

O ser monopolista faz o preço aumenta de 50€/contentor para 150€/contentor e a carga movimentada reduzir para metade.

O porto vai ter um lucro de 25000*(150-50) = 2,5 milhões €/ano.
A economia vai ganhar G =  (250-150)*25000 - 25000^2/500 = 1,25 milhões €/ano
O ganho total reduz-se para 1,25 + 2,5 = 3,75 milhões €/ano

O monopólio implica perdas económicas para a sociedade.
Para o porto monopolista poder aumentar o seu lucro, causará um prejuizo à economia muito maior. Assim, apesar de o lucro do porto aumentar, globalmente há uma redução de 5M€ para 3,75M€, uma perda para a sociedade de 25% do benefício que o porto poderia causar.
Por cada 1€ de lucro a mais do porto, a economia perde 1,25€.

Devem então os portos ser propriedade do Estado?
Os esquerdistas defendem que tudo deve ser do Estado, os portos, as fábricas, os campos e até as escolas. Em particular, acrescentam aos portos o argumento do "monopolio natural": devem ser propriedade do Estado "para que seja usado a favor do povo sem a exploração do capitalista monopólista".
Em teoria, tudo certo mas, não havendo concorrência, o poder de monopólio vai acabar por ser exercido seja por quem for, se não é pelo privado, será pelo Estado na procura do aumento da receita ou pelos estivadores.
Isto acontece porque tudo é comandado por pessoas e os interesses das pessoas são sempre privados.

Os trabalhadores do porto vão apropriarem-se do monopólio.
Sendo que a nossa Lei não permite que os trabalhadores em greve sejam substituidos, os que lá estão vão fazer greve até que o seu salário aumente a ponto de o custo de operação ficar nos 150€/contentor correspondente ao preço de monopólio.
O porto não vai ter prejuizo pelo que não há o argumento de que "o porto dá prejuizo que temos que pagar com os nossos impostos" e os importadores/exportadores privados não têm poder político para fazer ver aos votantes de que um porto competitivo é bom para toda sociedade (e mau para os estivadores que lá estão agora).
Assim, ao nacionalizar-se o porto, criam-se "empregos de qualidade e com direitos" mas à custa de explorar a posição monopolista do proto junto da sociedade a quem prometeram livrar pela nacionalização.

Tem que ser "inventada" concorrência.
A única forma de ultrapassar o risco certo de alguém se aproveitar do monopólio natural que o porto representa, sejam privados, políticos para meterem lá os filhos como fizeram na PT ou estivadores, tem que se criar concorrência. E isso, apesar de parecer difícil, é possível e de várias formas.
Vamos supor a situação mais adversa, em que existe apenas um cais.

Hipotese 1) Dividir o porto em 3 turnos fixos.
O dia em 3 partes de 8 horas, 4h até 12h + 12h até 16h + 16h até 4h. 
Existem 3 operadores fixos e cada um arrenda um turno.



Hipotese 2) Dividir o porto em turnos variáveis, "slots".
Não haverá turnos fixos mas qualquer operador, que podem ser muitos, pode solicitar o arrendamento do cais durante um determinado período de tempo. Por exemplo, o Operador 5 pode solicitar o arrendamento do cais entre as 0h do dia 12/junho/2016 e as 24h do dia 15/junho/2016.

H3) Desintegração vertical.
Juntamente com a divisão dos turnos, pode haver a desintegração vertical das infra-estruturas do porto.
Por exemplo, existem 3 empresas de fornecimento de estivadores, 3 empresas de arrendamento de gruas, um leilão de slots do cais.
Quando um operador pretende movimentar a carga de um navio, vai comprar uma slot no cais, contratar um emprega de gruas e um empresa que forneça os estivadores.

H4) Preço comparável.
Além de introduzir concorrência local, também pode ser feita uma comparação com o preço que cobtram outros portos onde existe concorrência. Por exemplo, o preço de movimentação de um contentor terá que ser, no máximo, o preço médio praticado nos 3 portos mais baratos da União Europeia.

Quanto mais concorrência, melhor.
Os esquerdistas só são esquerdistas porque são pessoas limitadas intelectualmente e, por isso, confrontados com o facto dos portos serem um monopólio natural, mas não conseguem imaginar que não seja o "grande capital" a explorar o povinho. Mas, sendo que há pessoas inteligentes e imaginativas, temos que dar oportunidade a essas pessoas para que se criem portos concorrenciais e criadores de valor para a sociedade.
O problema é que a Geringonça está a sanear a grande velocidade para meter lá mentecaptos.

Fig. 3 - O Zika contribui, mais do que qualquer outro vírus, para a criação da futura geração de esquerdistas
 
Mas porque falo em 3 operadores?
É sempre melhor que haja mais concorrentes mas, com 3 operadores independentes já existe um grau razoável de concorrência. 
Com 3 operadores consegue-se metade da concorrência que teríamos com 100 operadores.
Calcolando o equilibrio de Nash-Cournot temos que o porto será gerido de forma a que:
 
   Com 1 operador, teremos Q = 25000 e P = 150,00 €, 100% de exploração do poder de monopólio
   Com 2 operadores, teremos Q = 33333 e P = 116,67 €, 67% de exploração do poder de monopólio
   Com 3 operadores, teremos Q = 37500 e P = 100 €, 50% de exploração do poder de monopólio
   Com 4 operadores, teremos Q = 40000 e P = 90 €, 40% de exploração do poder de monopólio
   Com 5 operadores, teremos Q = 41667 e P = 83,33 €, 33% de exploração do poder de monopólio
   Com 100 operadores, teremos Q = 49505e P = 51,98 €, 2% de exploração do poder de monopólio

Resolução do equilívrio Nash-Cournot com n concorrentes:
{q1: Max((P-C)*q1)}
=> ((250 - (q1+(n-1)*q2)/250-50)*q1)' = 0 =>  (200-(n-1)*q2/250 - q1/125) = 0
Com simetria, q1=q2 => (200-(n+1)*q1/250) = 0 <=> q1 = 200*250 / (n+1)
Resulta Q = n*q1 = 200*250 * n / (n+1)

A gestão conjunta dos portos é um erro terrível.
Sendo que carregar ou descarregar um contentor nos portos portugueses tem um preço na ordem dos 150€ e o custo de transporte entre Sines- Lisboa e Peniche - Lisboa é na ordem dos 150€/contentor, neste momento o Porto de Lisboa ainda tem um bocadinho de concorrência nas distancias entre 50 e 100km.
Mas os esquerdistas, falando na eficiência da operação dos portos, o que pretendem é uma redução ainda maior da pouca concorrência que possa existir em origens que estejam equidistantes dos portos.
A co-gestão serve apenas para piorar o monopólio e, assim, serem extraídos para alguns (os da CGTP) os ganhos potenciais de os portos se concertarem.

Fig. 4 - Nas margens do mercado cativo (vermelho), o Porto de Lisboa ainda tem alguma concorrência de Peniche e de Sines que os defensores da gestão conjunto querem acabar

A morte do gorila foi um crime contra a Natureza.
Como já sabem, uma criancinha caiu num espaço no Zoo de Ciccinati onde vivia o Harambe, um gorila das manotanhas. Como pensaram que o bichinho poderia matar a criancinha, decidiram executar o Harambe a tiro antes mesmo que ele tivesse cometido qualquer crime.

Fig. 5 - Harambe na sua pose imperial parece o General Savimbi.

Matar o bichinho foi um crime contra a Natureza porque é uma espécie à beira da extinção, já só há 700 gorilas da montanha, em que cada um conta muito para que a espécie possa sobreviver.
Por oposição, há  7323800241 humanos.
Assim, por cada gorila de montanha, existem 10,5 milhões de humanos pelo que, mesmo que a criança tivesse morrido às mãos do Harambe, não faria a mesma falta à Natureza como faz o bichinho que mataram.
E quantos africanos já morreram para que os gorilas de montanha, os rinocerontes ou os leões ainda possam viver?


Acho estranho o PAN não dizer nada.
O Partido dos Animais e da Natureza deveria proposto, no mínimo, uma moção de pesar pela morte trágica do Harambe vincando que "é muito discutível se a vida da criança humana tivesse uma superioridade moral face à vida do Harambe, animal que pertence a uma espécie em vias de extinção".
Se face ao risco de perda da vida de uma criança, se mata sem pestanejar um saudável gorila de montanha, que dizer aos milhares e milhares de pessoas africanas que passam fome para deixarem intocáveis os habitates dos gorilas de montanha?

Esta dá que pensar, não dá?

Fig. 6 - Estas crianças não contam talvez porque são pretas

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