sexta-feira, 29 de julho de 2016

You are fired

Esta é a frase que imortalizou o Trump. 
O Joe Biden, vice presidente dos USA, fez uma pequena rábula em volta da frase "You are fired" que o Trump usava no seu programa televisivo "O aprendiz." Até tentou imitar a sua voz e expressão facial.
Segundo o Biden, o pior que pode acontecer a uma pessoa é ouvir esta frase, muito mais que "A tua mulher anda-te a encornar" e que, por isso, o seu autor, o Trump, não pode representar os trabalhadores.
Esta rabula é muito importante porque traduz a seguinte questão de investigação.

H0: Quando uma pessoas arranja um emprego, no melhor do seu interesse e da sociedade, deve lá ficar até morrer.
H1: É bom para o trabalhador e para a sociedade haver flexibilidade no mercado de trabalho (i.e., facilidade em despedir).

A resposta a esta questão já deu vários Prémios Nobel da Economia mas vou-me concentrar em apenas dois, o Robert Lucas jnr (propôs que é necessário haver ajustamento entre o trabalhador e posto de trabalho) e o Guerry Becker (propôe que o conhecimento é imperfeito)
Vejamos a sua argumentação contra H0 e a favor de H1 (pela existência dos despedimentos).

Agarram-me que, se chego a presidente, os franceses não entram mais nos USA e a Califórnia vai voltar a fazer Port Wine.


Vamos assumir uma economia simples.
 A Ciência avança com recriações, modelos, da realidade que devem ser o mais simples possível para ser fácil compreendermos como a realidade funciona. Para coisas complexas, já basta a própria realidade.

Esta parte é do Lucas:
A1) A economia é um pomar onde existem muitas macieiras e muitos apanhadores de maçãs.

A2) As árvores e os apanhadores têm altura heterogénea, uns são altos e outros baixos.

A3) Um apanhador alto é mais produtivo se tiver uma árvore alta e um apanhador baixo é mais produtivo se tiver uma árvore baixa. Além disso, também é pior para o trabalhador ter uma árvore inadequada (dores de costas nos altos com árvores baixas e pescoço esticado nos baixos com árvores altas).

A4) A empresa paga de salário 90% da produtividade média sendo os restantes 10% o seu lucro.

A5) Para simplificar as contas, um bom ajustamento P(Alto, Alta) e P(Baixo, Baixa) tem produtividade 1 e um mau ajustamento P(Alto, Baixa) e P(Baixo, Alta) tem produtividade 0.
Chamemos P à produtividade.

A6) Existem 50% de cada altura pelo que é possível o ajustamento perfeito de todos os trabalhadores.

Um trabalhador alto que trabalhe numa árvore pequena produz pouco e fica com dores de costas


Nesta economia existem incentivos para o ajustamento ser perfeito.
Como, por um lado, o lucro da empresa é maior se os trabalhadores forem mais produtivos,  interessará à empresa contratar trabalhadores com uma altura adequada às suas árvores.
Como, por outro lado, a empresa só pode pagar como salário a produtividade média dos seus trabalhadores menos a margem de lucro, ao trabalhador também interessa escolher uma empresa que contrate trabalhadores ajustados à altura das árvores.
Como as alturas são medíveis e é no interesse desde o princípio que a afetação seja boa, quando alguém arranja um emprego, o mesmo será para toda a vida.

A informação imperfeita.
O pressuposto de que as alturas (e, consequentemente, a produtividade do trabalhador) é observável é uma simplificação inadequada para explicar a existência de despedimentos.  Então, é preciso estudar a implicação de relaxarmos esta restrição.

Esta parte é do Becker:
A7) A altura das árvores e dos apanhadores não é observável. Esta "relaxação" chama-se na literatura como "Informação imperfeita".

A8) Sabendo-se a produtividade do trabalhador, sabemos se o ajustamento é bem feito mas existe dificuldade, erro, na medição da produtividade individual.
Vou supor que a produtividade individual medida vem dada por:
    Bom ajustamento = P(Alto,Alta) = P(Baixo, Baixa) = 1 + erro
    Mau ajustamento = P(Alto,Baixa) = P(Baixo, Alta) = 0 + erro
   erro ~ N(0, 1), o erro de medida da produtividade tem distribuição normal com média zero e desvio padrão 1, não correlacionado entre trabalhadores e em termos temporais.

A9) A empresa paga a todos os trabalhador o mesmo salário, 0,8.

Agora vamos às contas.
Num ajustamento aleatório, a produtividade média de um individuo é 0,5 pois temos a média de 4 casos:
    Pmédio = (P(Alto, Alta) + P(Baixo, Baixa) + P(Alto, Baixa) + P(Baixo, Alta))/4
    Pmédio = (1 + N(0, 1) + 1 + N(0, 1) + 0 + N(0, 1)+ 0 + N(0, 1))/4
O que dá
    Pmédio = 0,5 + N(0, 0,5)
Se a empresa tiver muitos trabalhadores, N, ficará
    Pmédio = 0,5 + N(0, 1/N^0,5)

Quando uma empresa contrata um trabalhador, vai-lhe pagar 0,8 quando, em média, este só vai produzir 0,5. Assim, o novo trabalhador vai dar um prejuízo médio de 0,3.
Mas, sendo a produtividade medida semana após semana, por causa do concelamento estatístico dos erros, o desvio padrão vai-se reduzindo à velocidade da raiz quadrada do número de semanas.
Vamos supor que, durante 12 semanas, a produtividade de dois trabalhadores, Trab1 e Trab2, foram as seguinte:

       Trab1     Média1       Trab2     Média2
0,7 0,7 2,5 2,5
-0,3 0,2 0,1 1,3
1,2 0,5 -0,9 0,6
2,3 1,0 -0,8 0,2
2,2 1,2 -0,8 0,0
2,7 1,5 0,1 0,0
-1,2 1,1 0,2 0,1
0,8 1,1 -1,7 -0,2
2,1 1,2 -0,5 -0,2
-0,1 1,0 0 -0,2
0,3 1,0 0,3 -0,1

Olhando para as primeiras duas semanas, o trabalhador 1 parece um mau ajustamento e o trabalhador 2 um bom ajustamento mas, com o passar das semanas, vai-se começando a ver que o trabalhador 2 é ele o mau ajustamento.
Também o Trabalhador 1, nas primeiras semanas tem esforço no posto de trabalho mas, depois, adapta-se bem, acontecendo o contrário com o trabalhador 2.


You are fired.
Ao fim das 12 semanas, não há dúvida que o trabalhador 2 é um mau ajustamento pelo que terá que ser despedido. E isto será para o bem da empresa (pois este diminui o lucro da empresa) e para o bem dos restantes trabalhadores onde se inclui o Trabalhador 1 (porque, sem o trabalhador 2, a empresa fica  capaz de pagar um salário mais próximo de 1).
O trabalhador 1 vai ficar triste porque ganha 0,8 e sabe que, noutro emprego, um ajustamento aleatório só lhe permitirá um salário médio de 0,45. Mas, a prazo, será uma oportunidade para conseguir um bom ajustamento e um salário até maior que 0,8 e com menos esforço.

Afinal, o Biden não percebe nada de economia do trabalho.
Não percebe ele, não percebe a Clinton e não percebem os nossos esquerdistas porque o despedimento dos menos ajustados aumenta a produtividade e os salários e a diminuição do esforço dos trabalhadores que ficam e, a prazo, os despedidos também encontrarão um emprego onde se ajuste melhor.
Pode custar muito mas o que faz os homens não deixarem crescer a barriga e serem, portanto, mais saudáveis, é haver o risco da mulher fugir para os braços do amante. Por isso é que um homem que case com uma mulher bonita é mais saudável!


Custa ser despedido.
Custa ser despedido em Portugal porque as oportunidades são poucas.
Mas numa economia em que todas as pessoas estão sujeitas à medição da produtividade, existem muitas oportunidades para arranjar um novo emprego onde é possível um ajustamento mais próximo da perfeição.
Se eu estou no desemprego mas jogo muito à bola, chegando ao Barcelona e mostrando a minha habilidade, eles encostam logo o Messi e metem-me no lugar dele.
O problema é que no mercado de trabalho português (especialmente na função pública), o mais importante é lamber botas ao chefe e dizer sempre amém.

Evolução do ajustamento médio.
Em termos médios, um ajustamento aleatório permite uma produtividade de 0,5. Então, com tentativa e erro, o ajustamento vai, em termos médios, aproximando-se da perfeição:
  N.Empregos   Um       Dois        Três        Quatro    Cinco
  %                 50,0%    25,0%    12,5%    6,25%    3,125%
  Pmédia         0,50      0,75        0,88       0,94        0,97

Agora, apliquemos o modelo à realidade.
Por uma lado, olhando para o candidato ao emprego, vendo os seus estudos e fazendo uma entrevista, parte do ajustamento pode ser observado antes de contratar o trabalhador pelo que nunca existem ajustamentos verdadeiramente em que a produtividade é zero.
Mas, por outro lado, existem, em vez de duas alturas, milhares de postos de trabalhos diferentes e milhares de competências diferentes pelo que o ajustamento perfeito precisa de várias tentativas.


Por causa da flexibilidade do mercado de trabalho.
É que a economia dos USA é tão dinâmica, recuperando das crises muito mais rapidamente que a União europeia e tendo uma taxa de desemprego mais baixa.
Evolução da taxa de desemprego, 1T2007-2T2016, USA e UE28 desde a crise do sub-prime.


"O teu blog permitiu que a minha cunhada melhorasse muito a sua vida."
Um amigo meu do Judo (onde estou a estudar já para o exame para cinto castanho!), tem uma cunhada que tinha um minimercado. Ia todos os dias às 6 da manhã comprar verduras e peixe frescos, abria o minimercado às 8 horas e estava lá até às 8 horas da noite, seis dias por semana, um total de 84 h de trabalho por semana. Naturalmente, se ganhasse o SMN (5,00€/h), teria que receber ao fim do mês qualquer coisa próxima dos 1800€ mas nem os 300€ ganhava.
"Eu ganhei coragem, ao ler o teu blog, para a convencer a fechar o minimercado e a procurar uma outra atividade."
E a senhora assim o fez. Fechou com muito choro e ranho e foi-se inscrever no Centro de Desemprego.
Para seu espanto, e porque tinha dito que tinha experiência a tratar do pai quando esteve acamado, passados apenas alguns dias teve uma proposta de emprego num lar da 3.a idade a ganhar 505€/mês (ainda não tinha havido o aumento).

Agora, a cunhada está muito mais feliz.
Dorme descansada, trabalha apenas 40 horas por semana, e ganha mais do que quando tinha o minimercado e está numa atividade que gosta mais. Estar no minimercado a olhar para as moscas e a ver a verdura a secar sem clientes e o peixe a estragar-se estava-lhe a destruir a saúde mental.
Além disso, faz horas extraordinárias pelo que tem ganhado sempre mais do dobro do que ganhava no minimercado trabalhando menos.
Talvez por o Trump, no meio de tanta asneirada, dizer coisas com sentido é que, nas sondagens, tendo uma desvantagem de mais de 10 pontos no princípio de Abril, está agora taco a taco com a Clinton.



Sondagens americanas, 1/Jan/2016 até 27/Jul/2016 (realpolitics)


Maria Clara

terça-feira, 26 de julho de 2016

Falar então sobre a execução orçamental

O Emanuel Marques está muito preocupado com a Execução Orçamental.
E, por causa disso, pediu-me que fizesse umas contas.
Eu não gosto de dar reanimação boca-a-boca a pessoas cujos olhos já foram comidos por moscas varejeiras e é como esta execução orçamental do primeiro semestre de 2016, as contas estão todas gatadas pelas próprias contas dos 12 sábios: se com crescimento de 2,5% o défice ia ser de 3,0%, com um crescimento de 0,9% não pode nunca ser menor que 3,7% do PIB.


Vou só fazer umas contas simples a ver se alguém pega nestas inconsistências.
Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2015 sobre a gasolina era de 0,6211€/litro e de 0,4059€/litro no gasóleo ( ver). O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 522,3 mil ton de gasolina e 2258,3 mil ton de gasóleo (ver).
Com esta taxa de imposto e estes consumos, a receita fiscal durante o primeiro semestre de 2015 foi de 1084,7M€.



Imposto sobre os produtos petrolíferos e energéticos (ISP) em 2016 subiu na gasolina para 0,6711€/litro e 0,4559€/litro no gasóleo (ver), um aumento ponderado de 11%.  O consumo no primeiro semestre de 2016 foi de 511 mil ton de gasolina e 2290,0 mil ton de gasóleo.

A taxa de imposto aumentos 11% e o consumo aumento 0,7%.
Multiplicando estas duas taxas de crescimento teríamos um aumento de imposto na ordem dos 12% para 1215M€.
O problema é que a execução orçamental de junho de 2016 diz que a receita fiscal em ISP foi de 1572M€, um desvio positivo de 357 M€.



E temos o tabaco.
O imposto sobre o tabaco aumentou cerca de 0,07€/maço (ver), cerca de 4,5% do imposto.
Não tenho aqui dados sobre a variação do consumo do tabaco mas acho improvável que tenha aumentado. Supondo que se manteve, sabendo que no primeiro semestre de 2015 a receita em IST foi de 425,4 M€, no 1T2016 deveria ser 445 M€ e foi de 650,4 M€.
De onde vem este desvio de 205 M€?


Digam-me Sr.s Esquerdistas de onde vêm estes 
560 milhões de euros de receita adicional de ISP e IST?
É que sem estes 560 M€, o défice do 1S2016 ficou nos 3,7% do PIB!
E mais gatagens existem por lá escondidas e que ninguém parece querer ver.

Rezem o terço e Deus talvez vos indiquem o caminho do crescimento e do emprego.

Maria Clara

Ser bombista suicida, a lógica do ilógico

Todos pensamos que ser bombista suicida é um ato de loucura.
Como pode uma pessoa no seu juízo perfeito, com a mente a trabalhar sem estar sob o efeito de drogas ou alucinado por uma promessa de 72 virgens no paraíso, transformar-se num bombista suicida?
Mais não pode ser que não praticado por um louco e num momento irrefletido.

Nada mais errado.
Para resolvermos este problema, e é o caso de Israel, apenas o conhecimento cientifico nos pode dar uma ajuda. Para isso, temos que começar pelas regularidades estatísticas.
1) Os atentados ocorrem em guerras onde há uma grande desproporção entre forças, sendo o suicida da parte mais fraca.
2) Os bombistas suicidas, BS, são jovens adultos masculinos.

A senhora reconhece o seu filhinho?

A desproporção das forças.
Na guerra, uma coisa certa é que algumas pessoas morrem. Por exemplo, na Segunda Guerra mundial, um em cada doze alemães morreu e na ex-URSS foi um em cada sete.

H1) Vamos supor que as partes A e B estão em conflito por um recurso ou por uma ideia e ainda que:

H2) A parte A é muito mais forte pelo que, se houver um ataque convencional com 1000 elementos de B, conseguem matar  100 elementos inimigos (da parte A) mas à custa de 500 baixas.

H3) Vou supor que se um elemento de B se fizer bombista suicida, consegue matar 10 elementos da parte A.

Vamos ao planeamento do atentado suicida.
Os 1000 elementos de B pensam assim:
"Sendo que pretendemos matar 100 inimigos, tanto 1000 de nós podem fazer um ataque convencional como podemos fazer 10 ataques suicida. Para o mesmo resultado, em qual das situações conseguimos atingir os objetivos com:
1- menor uso de recursos bélicos?
2 - menor probabilidade de cada um de nós morrer?"

Agora a questão matemática.
Se for feito um ataque convencional, a probabilidade individual de morte é de 500/1000 (e serão precisas armas fortes).
Se forem feitos 10 ataques suicidas, a probabilidade individual de morte é de 10/1000, calculada antes do sorteio (bastando uma bomba artesanal, um machado ou uma faca de talhante).

Temos que concluir que o racional é ...
Fazer um sorteio no qual se escolhem 10 pessoas (probabilidade de 1%) que se vão transformar em bombistas suicidas.
Depois, calhando na pessoa concreta (cuja probabilidade de morte passa a ser de 100%), tem que aguentar. Notar que alguns dos escolhidos desanimam, os israelitas têm números sobre isto mas que não divulgam pois, alguns deles, passam-se para o outro lado.

Porque será que os bombistas suicidas são jovens adultos?
Esta evidência vem de Israel e do Japão (WWII). Por esta regularidade é que os terroristas capturados são libertados quando atingem os 50 anos de idade.
Pela mesma razão, nas nossas forças militares existe uma idade máxima de candidatura (por exemplo, até aos 24 anos de idade no caso de praça da Marinha) e o contrato tem a duração máxima de 6 anos. E não pensem que é por causa da capacidade física pois, se fosse assim, faziam renovações condicionadas a testes físicos de aptidão.

Tem a ver com as hormonas.
Isto acontece com todos os mamíferos.
Imaginemos que toda a humanidade ainda é formada por pequenas aldeias espalhadas pelo sul da África. A probabilidade de uma aldeia desaparecer por causa de um ataque de elefantes ou pela seca é muito elevada pelo que a sobrevivência dos seus genes obriga a haver migração de alguns elementos entre aldeias mas não é fácil porque os leões podem comer a pessoa pelo caminho e o ambiente na outra aldeia é diferente.
A evolução das espécies fez com que essa missão ficasse confiada aos humanos masculinos jovens.
Quem controla se um humano é masculino jovem é o nível de testosterona.

O povo diz que ...
"A idade acaba por trazer o carro ao caminho."
Traduz isto que aqueles jovens rebeldes,que dão cabo da cabeça aos pais, acabam por tomar juizo com o tempo (porque as hormonas descem).

Um touro capado é dócil.
Uma das formas de domesticar os animais é capar os machos. 
Também se caparem um potencial terrorista suicida, ele deixará de o ser.

Estimado Reitor!
Bem sei que, por seremos engenheiros, temos dificuldades em compreender as palavras, mas, se fizeres um esforço, como eu costumo fazer, vais compreender que eu não estou a defender que os potenciais terroristas devam ser capados.
Também nunca defendi que se deveria afundar os barcos da pretalhada ou abate-los a tiro, apenas que, em termos científicos, para acabar com os afogamentos, tanto se podem mandar os aviões da TAP como ameaçar que vamos afundar os barcos (pode reler o texto aqui, Vamos resolver o problema dos afogamentos no Mediterraneo).
Agora, também só estou a dizer que, em termos científicos, capando uma pessoa ela perde a vontade de se tornar um bombista suicida, não que eu seja a favor disso.

Por falar dos aviões da TAP.
O que tem o Rui Moreira, o esquerdista do CDS, a dizer sobre a ponte Porto-Lisboa da TAP?
Disse tanto mal e agora está calado porquê?


Um abraço ecuménico e não se esqueçam de rezar o terço antes de deitar.

Maria Clara

segunda-feira, 25 de julho de 2016

O Trunp vai a caminho da vitória

O sistema eleitoral americano é diferente do nosso. 
Como já mostrei num poste em junho (rever), os 51 estados americanos elegem delegados que, por maioria, elegem o presidente. Assim, é um sistema tipo parlamentar mas em que o "parlamento" é eleito apenas para a escolha do presidente da união.
O Trump precisa de 267 delegados e, olhando para as votações do passado, tudo se vai resolver em 4 estados empatados, Florida (29 representantes), Virginia (13), Colorado (9) e Ohio (18), onde Trump precisa de vencer na Florida mais dois.
Como não existem sondagens para estes 4 estados, vou ter que me concentrar nas sondagens globais que têm evoluido a favor do Trump.

Semana         Trump / Clinton / Erro95%
03-19 julho     46,1% / 53,9% / 0,3pp
10- 26 julho    49,0% / 51,0% / 0,3pp
17- 23 julho    50,3% / 49,7% / 0,4%

O Trump ganhou 8 pp em 3 semanas
Quando o Trump anunciou que iria concorrer às primarias do Partido Republicano, parecia que as suas hipóteses eram zero. O certo é que venceu 17 governadores republicanos.
Também em princípios de junho, as sondagens indicavam que a probabilidade de ganhar à Clinton era zero mas, semana a semana está a subir e já está à frente.
Tudo indica que vai ganhar.

A Melani tem cá um par de olhos !!!

Sobre a execução orçamental.
Os números da propaganda que o geringonça manda cá para fora não têm qualquer informação.
O que eu sei é que a minha mãe está à espera faz meses do reembolso do táxi que eu pago para ela ir fazer a hemodiálise ao Hospital de Gaia.
E estes atrasos não aconteciam quando estava lá o Passos Coelho.

Insistem com o aumento nos impostos sobre os combustíveis e o tabaco.
Isso é tudo falso, esse aumento de impostos não existe, é um buraco que vai acabar por aparecer.

Mas a Geringonça o que prometeu foi crescimento económico.
Para termos défice controlado, o Passos Coelho servia muito bem, com mostras dadas.
O que a geringonça nos prometeu foi um crescimento económico muito acima do 1,5% que o Passos Coelho conseguiu em 2015, pelo menos 2,5% para 2016.
O problema é que tudo indica que não só não vai conseguir os 1,5% de 2015 como nem conseguirá os 0,9% de 2014. Talvez ainda acabe nos 0,4%/ano que foi a média que o Sócrates conseguiu nos 6 anos e 3 meses que foi primeiro ministro e com as políticas corretas (na ótica dos esquerdistas desmiolados) e um massivo endividamento público, das famílias, das empresas e externo.

Na frente do terrorismo, as coisas estão a mudar.
quando aconteceu o primeiro atentado em Paris, por franceses que viviam na Bélgica, foram logo acusadas pessoas que vivem (ou viviam pois mataram-nas juntamente com mais uns milhares em bombardeamentos aéreos de que ninguém fala) na Síria.
Agora, o discurso está a mudar, os atentados já não têm nada a ver com os Sírios mesmo que os terroristas digam que sim.

Lembram-se de alguém ter dito que no meio dos refugiados viriam terroristas?
E lembram-se de membros da geringonça e comentadores respeitáveis (de esquerda, naturalmente, porque os outros não lhes dão hipóteses de aparecer) dizerem que isso era uma estupidez do tamanho do mosteiro de Alcobaça?
Agora parece que estão caladinhos, a ver se ninguém se lembra do que disseram.

O Daesh ainda vai ser aliado dos USA.
Na Ásia, atualmente o grande aliado americano é o Vietname!
A minha sobrinha esteve lá de férias e aconselha a todas as pessoas. Um hotel ótimo para duas pessoas custa 7€/dia e uma refeição custa 1,5€. Contratar um Tuk Tuk o dia todo custa 16€.
Também disse que as mulheres bonitas são a pontapé (têm o cozinho magrinho e mamocas secas) e por tuta e meia.
 
Até estou a pensar mandar vir uma vietnamita para o meu sobrinho que, pelo andar da coisa, daqui a nada qinda vira paneleiro, o que será um enorme desprestígio para a Universidade do Porto.

É preciso rebentar com o Assad.
O Daesh é a única força no terreno capaz de dar cabo do assassino Assad que já matou 100 vezes mais pessoas que todos os terroristas juntos.
É preciso dar tempo ao tempo para que o Daesh evolua para uma geringonça, e se foram dadas dezenas de anos aos assassinos, pai e filho, Assad, e à Coreia do Norte que faz mísseis e tem o povo a morrer de fome, também se tem que dar tempo ao Daesh.
 
Eu, Maria Clara, sou morena e uso sempre roupas pretas com uma cruz branca (porque sou muito devota de Deus, Nosso Senhor, Jesus o Cristo).
 
Maria Clara 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O tempo da geringonça está a chegar ao fim

-Preciso falar com os familiares ou amigos do Sr. Geringonça.
Disse a médica na sala das visitas. 
- Mas, Sr. Dr.a, o que se passa com o nosso querido familiar?
-Preparem-se para o pior.
- Mas como é isso possível se o Geringonça não se cansava de anunciar que "estava tudo a correr como o orçamentado"?
- É que o orçamentado não passava da Crônica de uma morte anunciada (no Brasil escreve-se Crônica e eles são a maioria dos falantes de Português pelo que não sei como escrever para não dar mais um erro ortográfico).


Vejamos qual é a doença que está a matar a Geringonça.
É que na campanha eleitoral, o Costa (ver, p. 95) afirma uma política orçamental baseada em taxas de crescimento elevadas e, mesmo assim, com défices públicos elevados. 
Prevê em 2016 um crescimento real do PIB de 2,4% e, para 2017, 3,1%. Crescimento económico implica mais receita fiscal (em IVA, IRS, etc.) e menos despesa pública (em subsídio de desemprego, RSI, etc.). Com este crescimento, o défice previsto é de 3,0% para 2016 e 2,5% para 2017.
Mais ou menos, 1 ponto percentual de taxa de crescimento a mais, reduz o défice em 1100 milhões €.

Depois, veio o Orçamento de Estado de 2016.
Por causa de Bruxelas, teve que ser metido juízo na previsão de crescimento (que passou para 1,8%, p.18) e mais cortes no défice (que passou para 2,2%, p.19), ver o documento.
O crescimento reduziu em 0,6pp e o défice 0,8 pp que, somados, implicariam políticas de contenção orçamental de (0,6*60% + 0,8%)*185 = 2150 milhões €.

Bem, subiu os combustíveis e o tabaco em tuta e meia.
Mas isso, no máximo, representa 350 milhões €.
Assim, mesmo que o aumento dos salários da função pública, o corte de metade da sobretaxa de IRS e o IVA da restauração, já estava na proposta de governo do PS, a proposta de OE2016 tem um buraco de 1800 milhões €.
Acreditando em tudo que estava na proposta de governo do PS, a tal coisa feita pelos 12 macacos, o défice para 2016 iria ser 3,2% = 2,2% + 1,8G€/185G€.

Relativamente à proposta de governo do PS, há no OE2016 um buraco de 1800 milhões € e nada foi dito ou feito para tapar este buraco.
 
E o crescimento veio por ai abaixo.
O Passos Coelho conseguiu 1,5% em 2015 e o costa achou pouco, que ia duplicar este valor com as políticas de emprego e crescimento.
O problema é que em 2016, o crescimento vai ficar, na melhor das hipóteses,  e, 1%. Não que este valor seja uma surpresa pois já há muito tempo que muita gente fala deste número. Este desvio vai acrescentar 0,5pp ao desvio orçamental, (1,8%-1%)*0,6 = 0,5 % do PIB.

Por isso, o défice para 2016 já estava previsto no OE2016 de Março que seria de 3,7% do PIB.

O Costa acreditava que iriam aceitar fosse o que fosse.
Agora dizem que "Dissemos que o défice ia ser de 2,2% mas já será suficiente se acabarmos com 2,99%". De facto sempre foi esta a estratégia, empurrar com a barriga e deixar que o tempo tornasse as coisas irreversíveis, à moda do Sócrates.
E, mesmo apra os 2,99%, nunca jamais o Costa conseguiria poupar 0,7% do PIB que faltampara os 2,99% que agora Marcelo e Costa anunciam, nunca, mas "Vamos indo e vamos vendo pois o caminho faz-se caminhando e enquanto cá estamos, cá estamos". 
Mas Bruxelas não tinha dito que 2,8% nem pensar? Então como poderão aceitar 3,7% ou mesmo 2,99%)
Bruxelas já não tinha dito em finais de 2015 "Menino Costa, não vá por ai que vai levar um puxão de orelhas"? 
Então porque tanta admiração por causa das sanções?
É fazer deles parvos, ser parvo ou fazer dos portugueses parvos.

O ano aproxima-se do fim e o buraco começa-se a ver.
O OE é anual, não é por duodécimos, e, por isso, o dinheiro pode ser gasto todo logo em Janeiro. O problema é que, quando nos aproximamos de dezembro, começa-se a ver que as contas não batem certas, que não há dinheiro para os tempos que ai vêm.

Mas Costa anunciou já em Março de 2016 que não chegaria ao fim do ano.
Quando disse que, em 2016, não faria nenhum orçamento retificativo, estava a anunciar que se iria embora antes do fim do ano.

O professor Augusto Rocha e Silva suicidou-se.
Foi professor do meu sobrinho de Geologia (em 1983) e de Mineralogia e Petrologia (em 1984), era ainda assistente.
O processo dele foi parecido com o do meu sobrinho (desse tempo na Faculdade de Engenharia do Porto) que teve a sorte de ter sido despedido em 2002. Chegado a 2000, deixaram de lhe atribuir serviço letivo, estava o homem para ali encostado. Até chegaram a tirar-lhe o gabinete.
Também é idêntico ao processo do meu sobrinho na Faculdade de Economia do Porto dos últimos anos a quem também já chegaram a não atribuir serviço letivo, há uns anos, mas ele foi mais resistente que o professor pois meteu férias (cortou as silvas do meu mato) e, depois, foi dar outra coisa qualquer, agradeço ao Professor Pavel Brazdil que aceitou eu dar informática. Quando eu lhe fui falar ele disse "Se quiser dar as turmas todas, força que tenho mais coisas para fazer."
No outro dia o Rocha, decorridos 30 anos, foi-o visitar à FEP. Notou que estava afetado porque adorava dar aulas. Na página dele diz apenas "O meu maior interesse: não me aborreçam."

E o que fez o reitor da universidade do porto?
A universidade do porto tem dezenas e dezenas de casos de perseguição de que o Rocha foi apenas mais uma vítima.
E o reitor gasta o seu tempo a perseguir moinhos de vento e a fazer parte dessas perseguições (sim, ele era o diretor da FEUP durante esses anos de chumbo!).
Gente que não presta, FDP.
O que salva o meu sobrinho é ser temente a Deus Nosso Senhor e amante da verdade.

Eu gosto do Trump.
Não me perguntem o porquê, talvez por não gostar na Hillary ou por ser louco mas, como consigo ver valor ao Trump que, aparentemente, não passa de um louco, também os americanos lhe verão valor.
Gostei especialmente do discurso da mulher. Se gostaram do discurso quando a Michelle o disse, porque não gostarãod ele agora?
Adorei o sotaque!


Fazer o muro com o méxico.
As mesmas pessoas que criticam os USA não quererem receber imigrantes, assinaram um acordo com a Turquia para devolverem os imigrantes que entram na Europa, construiram uma vedação com arame farpado em Ceuta e muitas coisas piores.
A única diferença está na verdade do Trump e na hipocrisia dos outros.
Vejam como é o muro em Ceuta, a nossa praça perdida em 1640 para os espanhois:


Esquerdistas!
O vosso problema não é o que eu digo, as contas que eu apresento mas a verdade dos factos. Por isso, não basta eu me calar para que as vossas mentiras se transformem em verdades.
O dia da libertação aproxima-se e, o dia mais feliz de 2016 será nesse dia, quando a geringonça for pelo cano abaixo.

Maria Clara

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O atentado de Nice é apenas uma amostra do que está para vir

OK, em Nice morreram 84 pessoas atropelada.
Os comentadores acham que 84 mortos é muita coisa, e que para matar tantas pessoas, não poderia ser uma pessoa sem treino militar, ligado a um grupo terrorísta. Mas, por um lado, é errado pensar que 84 mortos é muito e, por outro lado, isso apenas traduz que os comentaristas nunca tiveram treino militar.
Para relativizarmos a coisa, em Julho de 1994, no Ruanda foram assassinadas 10000 pessoas por dia, um total de 20% da população desse país africano, e apenas utilizando armas brancas e gasolina.


Como facilmente poderiam ter morrido milhares de pessoas.
O terrorista comprava contentores em plástico para líquidos, daqueles que levam 1000 litros e, lentamente, comprava 10 mil litros de gasolina que carregava no camião. Ia com o seu carro a uma bomba de gasolina, metia 50 litros e, chegando a casa, tirava-a com um tubo para o contentor. Se fizesse 10 abastecimentos por dia, em menos de 30 dias, conseguia a gasolina com um custo de 13000€.

Comprava quatro moto bombas (1000€ cada, novas) que ligava aos contentores com gasolina e instalava umas agulheta para a direita e outras para a esquerda do camião. As moto bombas atirariam 1000 litros/minuto cada pelo que os 10 mil litros dariam para 3 minutos o que dava para 3 km a 60 km/h.


Já imaginaram quantos teriam morrido queimados?
Um atentado com gasolina foi usado em Bagdade há duas semanas, em 3 de Julho, tendo conseguido matar 309 pessoas numa zona altamente militarizada (ver).
Agora, imaginem numa cidade europeia, numa avenida à beira mar, cheia com milhares de pessoas. Haveria muito mais de mil mortos, muito mais, seriam milhares e milhares de mortos.
E, mais cedo do que tarde, vamos assistir a um atentado na Europa com esta magnitude.

É preciso dividir a Síria em duas áreas de influência.
Dizem que, quando uma pessoa com os pais marroquinos ou tunisinos que nasceu na França ou Bélgica e é cidadão europeu comete um atentado na Europa, o problema está na Síria, sendo necessário bombardear Alepo ou outra cidade qualquer e matar milhares de pessoas por lá.
Sim, a NATO e os USA já mataram milhares e milhares de pessoas na Síria sem terem recebido mandato de ninguém, nem da lei dos nossos países nem mandato da ONU.
A solução passa sempre pela auto-determinação dos povos e, no caso da Síria, pela divisão do território em duas zonas, uma sob influência da Rússia/Irão (com capital em Damasco) e outra sob influência da NATO/Arábia Saudita (com capital em Alepo).


Só a divisão em zonas mais homogéneas e o haver tempo para o Daesh amadurecer (como foi dado ao Vietname, Angola ou Moçambique) pode trazer a paz e o fim da destruição ao médio oriente.

Vou passar à clandestinidade porque o Erdogan afirmou que "o bloggista português é o responsável pelo golpe".
Na Turquia houve uma tentativa de golpe militar e foram presos 2800 juízes e 9000 funcionários públicos despedidos!
Penso eu que na Turquia os militar chamam-se juízes e são funcionários públicos!
Mas o mais grave é que existem erdogans um pouco por todo o mundo e um deles é o reitor da universidade do porto. Segundo este, eu sou a causa de todos os males que acontecem um pouco pelo mundo fora, atentados terroristas, sanções de bruxelas, o buraco da CGD, a falência do BES e do BANIF (ou foi a TVI?), barcos que se afundam no Mediterrâneo e por nunca a universidade do porto ter graduado um cigano.
Por causa desses erdogans, vou passar à clandestinidade.
Assim, por um lado, fico a ganhar porque não me aborreço com a PJ atrás de mim, cartas registadas de advogados e, por outro lado, fica a humanidade a ganhar porque o reitor deixa de perder o seu tempo a pedir pareceres à comissão de ética e a gastar dinheiro público em processos disciplinares contra moínhos de vento.
Faz-me lembrar a famosa frase do Cristiano Ronaldo no final do europeu de futebol, "Pá, QSFD".

Será crime ter sonhos eróticos com uma coxa de porca "pata negra"? É que se for, estou FD.

Maria Clara

sexta-feira, 15 de julho de 2016

A minha mulher é uma porca

Um homem vive em união de facto com uma porca.
Acho que foi esta a notícia mais interessante num tempo em que fomos campeões europeus de futebol, a Mamona ganhou medalhas nos mundiais de atletismo, e o EconFin decidiu (por unanimidade) que nos devem ser aplicadas sanções.
Fazer o amor com uma ovelha, já todos nós ouvimos que é prática comum no Alentejo. Quem não se lembra destas graças?
  1) De onde vem a lã virgem? Das velhas que correm mais que o pastor.
  2) Se Adão fosse alentejano, sabendo que a ovelha já tinha sido criada, nunca teria pedido a Eva.
  3) A mulher disse para o marido "As ovelhas disseram-me que andas a fornicar com elas" a que o pastor respondeu "Não acredites que elas são muito mentirosas."



Também tive um vizinho que, um dia, disse que "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata." 
Mas de uma porca, já o tinha sonhado, mas nunca o tinha visto dado às noticias (ver).

"Nós amamo-nos e até já falamos em casar e ter filhos", disse o homem.
Isto das aldeias, cada vez mais é uma imagem muito distante e minoritária pois já quase todos somos urbanos.
Mas, quando eu era pequenino, vivia numa aldeia atrasadas (chamada pelos parolos de "Sã Mecente") e os meus pais tinham, com licença, porcos e porcas.
Sim, o parolo nunca dizia porca, vaca, sangue ou qualquer outra coisa destas sem antes dizer "com licença". 
E, realmente, as bichinhas, talvez por usarem pouca roupa, quando se viravam de costas (melhor dizendo, com os presuntos para trás, eram muito sexys, davam uns passos curtos com o rabiosque e as naturezas a abanar para um lado e para o outro, mesmo a desafiar os seres humanos. Parecia mesmo que estava cheias de malícia, tomadas pelo Belzebu, mandatadas para puxar as almas das crianças inocentes para serem bifanas no infernal churrasco eterno.

É que as, com licença, porcas são quase humanas.
No fundo, uma porca é o mais próximo de uma mulher que uma criança da aldeia pode ver ao vivo. Também havia as cadelas, as gatas e as coelhas mas era tudo mais pequenino. Quando, por exemplo, era preciso separar as gatinhas dos gatinhos (para dar os gatinhos e enterrar as gatinhas) ou as coelhas dos coelhos (para meter em casotas diferentes), era uma dificuldade para ver as naturezas de tão pequenininhas. Tinha que se retirar o pelo com os dedos previamente molhados em saliva para ver a pequena diferença entre um coelhinho (ou um gatinho) e uma coelhinha (ou gatinha).
O porco é o animal geneticamente mais próximo do homem que existe (depois dos macacos e dos lémures que são tipo macacos de Madagáscar), muito mais do que o cão.
Além disso, o porco é muito inteligente, reconhecendo as pessoas não só pelo cheiro como tamném pela voz e pelo nome. Um porco consegue mesmo compreender frases inteiras como aquela que o companheiro lhe mandava:
"Minha Bébé, se encostares aqui as naturezas, vou à loja comprar-te um quilinho de farinha de milho."

Mas não é sobre isso que quero falar, é sobre a questão física.
Na aldeia as pessoas gostam de porcas grandes, sempre acima de 10 arrobas que são 150kg. Ora, além do peso, uma porca é muito mais musculosa que um ser humano, tendo umas pernas fortes que são só febra (quem quiser confirmar, basta ir ver um presunto ao talho).
Quando o bicho enterra os cascos no chão e avança de cabeça, é capaz de rebentar com uma parede e esmagar um humano. Finalmente, quando está zangada, a bichinha ferra de forma desalmada a ponto de ter que ser contada às crianças a história de que "uma porca comeu uma criança nas bandas de além, nem os sapatos ficaram" e berra com tal intensidade que se ouve a centenas de metros.
Juntando tudo com o facto de a bichina ter um corpo roliço sem sítio ou saliência para agarrar, o sexo só pode ter sido consentido.

Outra história que se contava.
Que, há uns 30 anos, nasceram 14 mulatos de porco (meio humanos, meio porcos) ao Sr. Sharabaneco da Silva (que era um desgraçado, cego, que tinha um filho-neto na filha mais nova que também era cega). O Sr. Padre Augusto batizou as criancinhas e, depois, uma senhora caridosa, teve-os em sua casa fechados até que morrerem, com uns 15 anos, gordos, com mais de 200 quilo cada.
Dizia-se ainda que "quem quiser confirmar esta história, os nomes constam no livro de batismos, um era o José Reco da Silva,  outro o António Reco da Silva, tinha ainda a Rosa Reco da Silva e mais 11 de que já não me lembro do nome."


Até havia fotografias dos mulatos de porco, este era o António, o mais parecidinho com o pai.

Mas, afinal, qual é o crime?
Meter-se uma faca no pescoço da porca, corta-la aos bocadinho e fazer dela chouriços, não é crime nenhum. Mas, prometer-lhe 1 kg de farinha em troco de favores sexuais já é um crime contra a dignidade da espécie Sus domesticus.
Mas afinal o crime foi outro, a bichinha era menor de idade. Diziam os denunciadores que "o homem pratica sexo com a Bébé que só tem 12 meses de idade e já faz isso desde que a criatura de Deus tinha 9 meses de vida".

Sim, para piorar a coisa, o nome da porca é Bébé.
Então, a coisa foi adulterada e no auto da notícia, em vez de "com a Bébé" escreveram "com uma bébé":
"Aldeão atrasado mental praticou sexo com uma bébé com apenas 12 meses de idade."

Uma porca com 12 meses na vida já atingiu a maioridade.
Nós, criados na aldeia, sabemos que cada duas semanas de vida de um porco correspondem a um ano humano. Assim, a Bébé já tem 26 anos e, com 9 meses, já teria atingido os 18 anos da maior-idade.
O problema dos intelectuais da cidade, é que não conhecem a Teoria da Relatividade da Vida dos animais onde 12 meses são 26 anos. 

Estamos a regredir a olhos vistos.
As forças mais retrógradas da nossa sociedade elegeram sempre a sexualidade como algo do Demónio. Mas se o Demónio não existe (nem Deus), porque nos arrastam estes novos esquerdistas bacocos (de que o Partido dos Animais e da Natureza é o exemplo acabado) para esta caça às bruxas?
Deixem lá os campónios fornicar com as porcas, ovelhas, galinhas ou patas porque diz a Constituição da República que todos temos direito a constituir família e a ter filhos. Se não arranjam uma mulher para os desgraçados, que tentem fazer filhos nem que seja numa porca.

Já imaginaram um filho feito numa vaca? 
Daria um jogador de basquete ou lutador de sumo.
Já agora, mais tarde atingi o significado de o meu vizinho dizer "Quando a minha mulher se faz de esquisita, vou-me à pata" quando ele comentou a história dos 14 mulatos porcos, "é mais seguro ir-me à pata porque dali não tenho descendência pois, assim que sai um ovo, estrelo-o logo".

Como éramos inocentes.
Nesse tempo, até acreditávamos que o défice de 2016 ia ser de 2,2% do PIB e que o crescimento ia ficar bem acima dos anémicos 1,5% do tempo de 2015, tempo do Passos Coelho.
Se eu soubesse que era mentira a história dos mulatos porcos, talvez tivesse sido mais feliz! 

Olhava para a miss Piggy e lembrava-me das minhas porquinhas, todas nuas.

Já agora.
Se o matarroano passou horas a ver o sapo Cocas apaixonado pela porca Peggy, porque não aceitamos que o humano matarruano possa estar apaixonado pela porca Bébé?
É que genéticamente, o sapo é muito, muito mais distante da porca que o humano.

Maria Clara

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Sanções, défice, Brexit e transportes

OK, Portugal está em défice excessivo há muitos e muitos anos.
Mas porque será que só agora os bruxelenses se preocuparam com isso, agora que estamos quase nos 3%?
Parece que o problema está mo tratado orçamental que foi assinado em finais de 2011 pelo Estado Português e pelo PS e que só tomou efeito em 2012 já nós sob resgate.

O que diz o Tratado Orçamental.
Obriga a que (Art. 3.º) os países da Zona Euro:
A) Deve haver equilíbrio orçamental (e já não défice de 3% do PIB).
B) O défice estrutural não pode ser superior a 0,5% do PIB.

Diz ainda que haverá mecanismos para obrigar os inconseguimentos:
E) Se for constatado um desvio significativo do objetivo de médio prazo ou da respetiva trajetória de ajustamento, é automaticamente acionado um mecanismo de correção. Esse mecanismo compreende a obrigação de a Parte Contratante em causa aplicar medidas para corrigir o desvio dentro de um determinado prazo.

O problema está quando o António Costa afirma "não vamos fazer mais nada" quando está obrigado a "aplicar medidas para corrigir o desvio."

 Lembram-se das palavras do Gasparzinho "será feito o que for preciso fazer"?
Se estivesse lá a Maria Luís, talvez dizendo vamos fazer todos os possíveis", a coisa parasse.
É esta frase que falta ao António Costa. Até, no final, podia a coisa resvalar, mas era preciso pelo menos vontade falsa de fazer alguma coisa, coisa que não existe vontade.

Será que em 2015 inconseguimos apenas 0,2 pp?
Para isso tenho que calcular o défice estrutural e compara-lo com os 0,5% do tratado orçamental que veio substituir a os 3,0% do Tratado de Maastricht.


Quanto terá sido o défice estrutural de 2015?
O défice estrutural é o défice médio ao longo do ciclo económico. Assim, como nos períodos de crise a receita fiscal é menor e a despesa pública maior, quando o PIB contrai, o défice nominal pode ser maior que 0,5%, passando-se o contrário nos períodos de crescimento económico.

Primeiro.
Para calcularmos o défice estrutural começamos por calcular o défice nominal do ano para efeitos do tratado, défice nominal que se obtém retirando do défice nominal em euros as medidas extraordinárias negativas como o BANIF e somando as positivas como privatizações, a dividir pelo PIB. 
Atualmente, existem 3 números encima da mesa para o défice nominal, 2,8%, 3,03% e 3,2%. Vou dar de barato que o valor certo é a média = 3,01% do PIB.

Segundo.
Depois, temos que calcular onde estamos no ciclo económico que passa por calcularmos qual é a taxa de crescimento económico média e o cálculo da diferença para essa média.
Pegando em dados do Banco Mundial, vejo que a taxa de crescimento média (o famoso crescimento estrutural) está em ZERO.
Dito assim, ninguém acredita: a nossa taxa de crescimento económico é zero. O Costa bem pode dizer que os 1,5% de 2015 foram um crescimento débil e que vai conseguir 1,8% em 2016 mas, se conseguir os 0,8% do primeiro trimestre, já se pode dar por contente pois a média está em
ZERO VÍRGULA ZERO POR CENTO POR ANO.
 
 Fig. 1 - Evolução da taxa de crescimento do PIB, 1961-2015, Portugal (dados: Banco Mundial) indica que o futuro é sombrio.

Terceiro.

Agora, obtêm-se o défice estrutural somando ao défice nominal uma percentagem da diferença entre a taxa de crescimento do PIB do ano em estudo e a taxa média de crescimento do PIB.

Vamos então ao cálculo.
Vou considerar como percentagem 60% e usar como crescimento potencial a taxa média nos anos 2000-2015 = 0,42%/ano. Como em 2015 tivemos um crescimento de 1,5%, o défice estrutural de 2015 foi de

Défice Estrutural 2015 = 3,01% + (1,5%-0,42%)*60% =  3,66% do PIB

Tivemos 3,66% e estávamos obrigados a ter um máximo de 0,5%!
Olhando assim, o inconseguimento não foi de 0,2 décimas mas de 31,6 décimas!


Felizmente, ainda estamos sob resgate.
Se não estivéssemos sob resgate, mesmo com um crescimento ténue de 0,8% para 2016, o défice deste ano teria que ser de 0,3% do PIB e não 2,2%(como escreveu o Costa no OE) ou 2,3% (como está a pedir Bruxelas).
         Défice de 2016 = 0,5% - (0,8%-0,42%)*60% =  +0,3%
Permitirem que tenhamos 2,3% do PIB porque tem implícita uma consolidação de 1,3 p.p. entre 2015 e 2016, o que já traduz que estamos a caminho dos 0,5%.

Seria 1,3 pp muito?
Se o défice em 2010 foi de 9,4% (sem BPN) e em 2015 foi de 3,0% (sem BANIF), houve uma melhoria anual de 1,2 pp.
Por isso, passar para 2,3% em 2016 obrigaria a um esforço orçamental semelhante ao que vivemos no período 2011-2015 e não temos vista nada parecido com isso.
Se não temos visto nada parecido com isso, o défice de 2016 não vai ser nada parecido com 2,3% do PIB.

Vou agora falar um bocadinho do Reino Unido.
Todos nos querem fazer crer que o RU vai entrar num período de grande turbulência que vai levar a perdas económicas. Mas eu tenho o mau gosto de ir ver os dados e, o que melhor reflete o que as pessoas informadas pensam sobre o futuro de uma economia é a evolução da taxa de juro das obrigações do tesouro de longo prazo.

Peguei nas obrigações britânicas a 30 anos.
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 30 anos estava em 2,5%/ano e hoje, depois da "turbulência da vitória do Brexit", está em 1,6%/ano.
Uma obrigação a 30 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 130 libras!

Se 30 anos é pouco tempo, peguei nas a 50 anos!
Nos meses janeiro-maio de 2015, a taxa de juro a 50 anos estava em 2,4%/ano e hoje, depois do referendo, está nos 1,4%/ano. 
Uma obrigação a 50 anos que fosse transacionada a 100 libras antes do Brexit, hoje vale 160 libras!

Afinal ...
as pessoas que têm 1,6 milhões de milhões de libras, 1,9 milhões de milhões de euros, 1900 mil milhoes €, 1900000000000€, emprestados ao RU, têm hoje mais confiança que o RU vá pagar a sua dívida pública daqui a 30 ou 50 anos do que tinham antes do referendo ter sido pela saída.
Se calhar, isso de o RU estar muito arrependido e a caminho da desgraça é um exagero do tipo "come a sopa senão vem ai o lobo mau."

Mas, afinal, há problemas para a UE pela saída do RU.
O Rating do RU diminuiu um nível mas o da UE também!
E o maior problema é que o RU gasta anualmente 56 mil milhões USD com a NATO para a defesa da Europa continental (já que o RU não tem fronteira com a Rússia!).
Em oposição, a Alemanha gasta anualmente 38 mil milhões USD, bastante menos quando está lá encostadinha!

Se o RU decidir cortar a sua participação na NATO, os países da Europa Continental vão ter que entrar com essa massa.
Se somarmos a isso que, se o Trump ganhar, os europeus vão ter que contribuir muito mais para a NATO, estou a ver um grave problema para os do continente.


Finalmente, um bocadinho de transportes.
Em termos económicos, os transportes têm um peso muito grande no PIB, superior ao peso da agricultura.
Em Portugal, os transportes são responsáveis por 4,8% do PIB e a crescer 0,07pp/ano e a agricultura 2,35% e a descer 0,07pp/ano.
O contributo para o PIB português dos transportes é de 7500 milhões € por ano, muita massa.
Mas o problema é endereçamento, termos milhões de pessoas que querem receber encomendas de milhões de pessoas e ser preciso uma forma tecnológica de realizar esses milhões de endereçamentos.
Isso é tão importante que a Amazon está a investir dezenas de milhões de euros em desenvolvimento de  veículos e equipamentos que façam esse endereçamento de forma económica e quem está lá a trabalhar é o meu colega ZFG.

Vamos ao problema do endereçamento.
As redes de telemóveis recebem som de milhões de telemóveis (em pequenos pacotes) que endereçam para outros milhões de telemóveis. isso é conseguido pegando no nosso som, dividindo-o em pequenos pacotes com um endereço e o encaminhamento por uma rede de meios desde a nossa máquina até à máquina do destinatário e volta.

1 - Falo para o microfone que transforma o som numa corrente elétrica
2 - A corrente elétrica é digitalizada ficando uma sequência de 0s e 1s
010010101010101010101010101010101010101
3 - O código digitalizado é cortado em pacotes
010010101010    101010101010    101010101010  etc.

4 - É acrescentado o número de destino à frente
01001010101091123456    10101010101091123456    10101010101091123456  etc.
(o número de destino é condensado para ocupar menos espaço).

5 - O nosso telemóvel emite 100 pacotes por segundo que chegam à antena que tem capacidade para receber 1000 telemóveis em simultâneo (100000 pacotes/segundo).
Chegando um pacote, o torre envia-o por cabo para uma central de endereçamento, que o passa a outra central, etc. etc. até chegar à torre que vai emitir o pacote para o telemóvel de destino.

Fig. 2 - Os pacotes em que uma chamada telefónica é dividada, são reencaminhados muitas vezes entre a origem e o destino

6 - Em cada ponto de reencaminhamento chegam em simultâneo milhões de pacotes (que contêm um bocadinho de uma conversa) que são endereçados para outros pontos de reencaminhamento até que chegam ao telemóvel de destino.

7 - Finalmente, os pacotes chegam ao telemóvel de destino que lhe retira o número do endereço, recompõe a mensagem digital que, no auscultador, transforma em som.
Quando um pacote é perdido, "ouvimos" um corte no som.

Um pacote é equivalente a uma palete (ou um contentor num navio) e um cabo (onde cabem milhar de conversações em simultâneo) é equivalente a um camião (ou um navio no transporte marítimo).

A Internet funciona exactamente da mesma forma e foi a tecnologia da Internet (os pacotes com endereço e as centrais de endereçamento) que permitiram o aparecimento dos telemóveis e mesmo da TV cabo digital.

Mas vamos aos transportes de mercadorias.
Viajam milhares e milhares de camiões que têm cargas misturadas que precisam de ser reencaminhadas.
Imaginemos uma central de reencaminhamento algures no centro da Europa onde chegam 1000 camiões carregados com paletes, 33 mil paletes por hora, que precisam ser descarregadas, armazenadas algum tempo, e metidas noutra camião.
Imaginemos um armazém com um milhão de paletes num armazém com um milhão de m2, com 4 mil monta cargas as trabalhar continuamente a carregar e a descarregar camiões que chegam da auto-estrada e volta, passado uma hora para lá já com a carga recombinada. Para minimizar o tempo de paragens dos camiões, teremos um espaço congestionado em que a distância entre dois monta cargas será menor que 15 metros, haverá um camião a chegar e outro a partir a cada 3,6 segundos, dia e noite, todos os dias do ano.
Mas isto apenas será possível com camiões sem condutores e monta cargas que não passam de robots controlados por um supercomputador que otimiza todas as milhares de movimentações que acontecem ao mesmo tempo, de forma semelhante ao que acontece com os pacotes do telemóvel mas, em vez de serem metidos num cabo de fibra ótica, são metidos num camião. 
Estou a ter uma visão apocalítica de um espaço onde nenhum humano pode entrar sob risco de ser atropelado pelos robots, quase sem luz porque os monta cargas usam localização por GPS.
Estou a imaginar o Exterminador Implacável em que os monstros serão monta cargas e camiões que, de repente, ganham inteligência e começam a dominar o mundo.

Fig. 3 - As máquina vão dominar o mundo e a humanidade será escravizada sendo obrigada a enviar cada vez mais encomendas! Nesse tempo até haverá água enchida em França que vai ser bebida no Japão (vai-se chamar Perrier e terá uma garrafa verde)
 
Fig. 4 - Os robots assassinos não passarão de monta cargas sem cabine


Fig. 5 - Será uma mulher a trabalhar ou um robot? 
O importante é que faça o serviço!

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