sábado, 26 de maio de 2012

O quantitive easing do FED

Ontem fui-me deitar e, durante a noite, tomei consciência que não tinha acrescentado nenhuma informação estatística ao meu poste. Então, hoje de manhã já tinha o Sérgio a recordar-me isso. Então, que foi isso do quantitative easing tanto anunciado na nossa comunicação social?
Não foi nada. Foi apenas uma caixa de ressonancia de algo banal: o aumento da liquidez quando se antecipa uma crise.

Vamos ver o que diz a wikipédia sobre quanto tem aumentado cada ano a quantidade de dólares em circulação, Currency.
A moeda em circulação traduz todas as notas que o banco central emitiu para a economia e que não foi aprisionado por bancos centrais de outros países. Como o USD, o dólar americano, é a base do sistema monetário internacional, os bancos centrais de todos os países têm dólares "mortos" nas suas reservas que não contam como "moeda em circulação". O caso mais conhecido é o Banco central da China que tem bilhões, como diz o Berardo.
Os dados indicam que a taxa de crescimento da quantidade de USD em circulação tem diminuído de 8%/ano nos anos 1970 para 5%/ano nos anos 2000.

Fig. 1 - Taxa de crescimento da quantidade de dólares em circulação (fonte, wiki)

A taxa de inflação era maior nos anos 1970 e agora está estável

Fig. 2 - Taxa de crescimento dos preços, USA (fonte: tradingeconomics)

Então, se somarmos a taxa de inflação (2%/ano) com a taxa de crescimento, (também 2%/ano), em termos de tendência, a velocidade de circulação apenas está a diminuir 1%/ano. Isto quer dizer que as pessoas aumentam a quantidade de moeda em 1%/ano.

Fig. 3 - Taxa de crescimento do PIB, USA (fonte: tradingeconomics)

Vamos agora ao último ano.
Quando as pessoas têm contas bancárias à ordem, os bancos têm que constituir reservas.
Assim, quando as pessoas mudam o seu dinheiro de depósitos a prazo para depósitos à ordem, os bancos têm que aumentar a quantidade de notas que têm no cofre.
Como eu já falei noutro poste em Nov2011, na antecipação das crises, o risco aumenta pelo que as pessoas têm tendência a aumentar o liquidez, o saldo das contas à ordem. No último ano, os depósitos à ordem americanos cresceram 18.1% (medido pelo M1). Como resposta , o FED teve que aumentar a quantidade de moeda em circulação em 8.4%.
Mas faz parte da oscilação normal da quantidade de moeda em circulação (ver fig.1).
Mas não é para comprar divida pública nem para ceder liquidez a bancos falidos, tipo os gregos ou os nossos BPP e BPN.

Lembro-me de
O ex-Sr. Ministro das Finanças dizer que "emprestar dinheiro ao BPN é um bom negócio para a CGD". E dizer que "Portugal ganha dinheiro ao emprestar dinheiro à Grécia".

Pedro Cosme Costa Vieira
















sexta-feira, 25 de maio de 2012

O BCE não pode ser "credor de último recurso"

Não vou chamar ignorantes
às pessoas que defendem que o BCE deve salvar os estados europeus falidos comprando a sua dívida pública. Vou antes dizer que neste lote de pessoas enganadas existem indivíduos mais escolarizados como médicos, advogados, engenheiros e economistas e outros menos escolarizados como os 4.a classe e os 12.º das novas oportunidades que se sentem perdidos.
Quando ouço antigos governantes dizerem que "o BCE tem que ser credor de último recurso como o FED americano é, e eu sei do que falo porque ensino esta matéria há muito tempo", compreendo imediatamente porque estamos no fundo.
Ser isso seria emprestar todo o dinheiro que a Grécia, Portugal, a Espanha, etc. quisessem.
Se a coisa nos deu a volta à tripa, está na hora de por aquilo tudo para o esgoto e experimentar outra receita.

Fig. 1 - Irininha, como estás incluída na conta do jantar, hoje vou ser o teu sheik


O FED pode ser mas nunca foi.
O FEB americano faz as vezes do BCE, banco central europeu, e pode ser credor de último recurso mas nunca o foi. Nunca, jamais o foi porque o Estado Americano nunca entrou em banca rota nem nunca usou a inflação para fugir ao pagamento da sua dívida.
O FED pode o ser mas se alguém pensasse que o poderia de facto vir a ser, automaticamente, ninguém mais emprestaria dinheiro denominado em Dólares Americanos. Não só deixavam de emprestar ao estado americano como deixavam de realizar contratos em dólares.
Vamos ver se eu consigo explicar porque o Banco Central não pode ser credor de último recurso.

Vou criar uma Zona Monetária.
Hoje vemos as Zonas Monetárias (a moeda, os bancos centrais, o sistema monetário) como instituições públicas pertencentes a um país. Mas isto apenas acontece porque os governantes querem mandar em tudo o que existe.
De facto, qualquer pessoa pode criar uma Zona Monetária inventar uma moeda, fundando um banco central e promovendo-se a seu governador.


Fig. 2 - Eu não vejo mesmo nada, os óculos devem estar com as persianas fechadas.

A minha moeda denomina-se Conto, Ç.
Vou fazer uma moeda valiosa porque os ignorantes pensam que é "uma moeda forte".
Como não tenho país para medir taxas de inflação, de juro ou crescimento do PIB, vou atribuir à minha moeda um câmbio a um cabaz com moedas do Mundo. Pego numa moeda de cada continente, atribuo uns ponderadores a cada uma e fixo que o cabaz vai ter o valor de 100. A partir daqui determino a taxa de câmbio inicial do Ç contra cada um das moedas. A partir destas moedas, posso determinar a cotação de qualquer moeda.


Moeda

M/EUR
Peso
Calc1
M/Ç
Calc2
DÓLAR, USA
USD
1,256
30%
0,377
6,498
1,949
EURO, Zona Euro
EUR
1,000
20%
0,200
5,175
1,035
IENE, JAPONÊS
JPY
99,750
15%
14,963
516,168
77,425
YUAN, CHINA
CNY
7,954
15%
1,193
41,160
6,174
LIBRA, UK
GBP
0,8010
10%
0,080
4,145
0,414
REAL, BRASIL
BRL
2,557
4%
0,102
13,229
0,529
RAND, ÁFRICA DO SUL
ZAR
10,50
3%
0,315
54,357
1,631
RUPIA, INDIA
INR
69,84
3%
2,095
361,406
10,842




19,325

100,00

E2: =C2*D2     E10: =Sum(E2:E9)     F2: =100 * C2/E$10     G2: =F2*D2     G10: =Sum(G2:G19)  
Quadro 1 - Determinação do valor do Conto (*Banco de Portugal, 24/5/2012)

A minha política enquanto Governador da Zona Monetária.
Agora tenho que publicitar como vou governar a minha Zona Monetária. O mais fácil é observar a cada segundo as cotações das 6 moedas entre si e recalcular a cotação do Ç de forma a dar 100 com o procedimento do quadro 1.

O meu regime é de câmbios fixos. Apesar de a minha regra fazer as cotações individuais das moedas oscilar livremente, globalmente eu mantenho um regime de câmbio fixo ao "valor médio" do cabaz de moedas.

A taxa de inflação da minha zona monetária será a média da taxa de inflação das zonas monetárias que pertencem ao cabaz contra o qual eu vou manter um câmbio fixo.

Se eu quisesse manter a inflação num determinado nível, por exemplo, 2%/ano, teria que calcular a taxa de inflação média dos países do cabaz e corrigir a minha cotação na diferença. Por exemplo, se em média a inflação fosse de 3%/ano então, eu valorizaria a minha moeda em 1% fazendo-a passar de 100 para 101 pontos.

A minha Zona Monetária é estável.
Primeiro, não existindo moeda em circulação, não há a possibilidade de alguém fazer um ataque especulativo tentando trocar massivamente Ç por outra moeda do cabaz.
Segundo, como uso as cotações cruzadas para determinar a cotação do Ç, não há possibilidade de eu ter prejuízo se alguém arbitrar entre as moedas do meu cabaz. Eu vou cobrar, como fazem todos os bancos, 1% de taxa de transacção pelo que, se alguém quiser cambiar moedas, eu ainda ganho a  margem.


Agora vou "vender" a minha Zona Monetária.
Mesmo sem imprimir moeda e sem haver circulação, em qualquer parte do Mundo podem ser feitos contratos com denominação em Contos. E.g., no Chade pode ser feito um contrato de trabalho em que o salário são 10 Ç/mês.
Também podem ser feitos empréstimos e negociadas taxas de juro em qualquer parte do Mundo mesmo sem eu emitir qualquer nota. Pode haver contratos no valor de milhares de milhões de Contos sem existir qualquer nota em circulação.
Se eu quebrar a minha regra, por exemplo, desvalorizando o Conto, isso vai ter impactos tremendos nos contratos que existem por esse mundo fora. Umas pessoas serão beneficiadas (os devedores) e outras prejudicadas (os aforradores).

A Albânia decidiu adoptar a minha moeda.
Então, vou-lhes vender um milhão de Contos em notas. Mando imprimir as notas e vendo-as recebendo outras moedas que façam parte do meu cabaz. 
O valor da venda não será lucro porque tenho que guardar essas divisas para fazer face há a possibilidade de, mais tarde, os albaneses quererem cambiar os Contos nas outras moedas do cabaz (um ataque especulativo contra mim).
Para eu não ter risco, tenho que manter as minhas divisas exactamente na proporção que uso no calculo do cambio da minha moeda. Se alguém cambiar Contos por Euros, tenho que trocar parte dos Euros pelas outras moedas para refazer o mix das minhas divisas.

Fig. 3 - Esta albanesa, a Floriana Garo, dava para um Selo. Dava gosto carimbar.
Até o buço lhe fica a matar.

Eu não tenho lucro.
Para não ter risco de entrar em rotura, não posso assumir risco trocando as minhas divisas por activos que rendam juros. Por isso, ter uma zona monetária não me dá lucro.

Agora vou meter a dívida pública.
Entretanto entraram mais países para a minha Zona Monetária.
O governo grego está à rasca precisando de dinheiro. Dizem os gregos que eu devo ser "credor de último recurso" e que agora os seus bancos estão sem notas pelo que eu tenho que lhes dar mais.
Mas eu vendo notas, não as posso dar porque, senão, vão fazer um ataque contra mim  e eu não tenho divisas para recomprar as notas de Conto.
Dizem os gregos que me dão títulos da dívida pública prometendo uma taxa de juro anual.

Não posso aceitar.
Imaginemos que eu aceito os títulos e a Grécia vai à bancarrota. Nesse caso, os cidadãos que usam a minha moeda podem-me exigir Euros ou outras moedas do cabaz em troca dos Contos e eu não tenho como o fazer.
No caso da bancarrota, vou ter que diluir o calote por todas as pessoas que usam a minha moeda.
Não sou eu que vou ter prejuízo mas todas as pessoas que usam a minha moeda pois eu vou ter que a desvalorizar.

A perda pode ser materializada por um "reforço do capital"
Que reponha as minhas reservas. Se, por exemplo, eu deveria ter 1000Ç em divisas e a Grécia me pregar um calote de 100Ç, as outras pessoas têm que me dar notas no valor de 100Ç.
As perdas reduzem-se a este valor.

A perda pode ser materializada por uma desvalorização
Vou desvalorizar os contos de forma às revisas que cobriam 900Ç passarem a cobrir os 1000Ç que existem em circulação. Então, a minha moeda desvaloriza 10% somando o cabaz do quadro 1, em vez de 100, apenas 90.
Quem tem uma perda imediata são as pessoas que têm as notas de Conto na mão.
Cada nota vai diminuir o seu valor em 10%.

A desvalorização induz perdas nos contratos.
Todos os contratos por esse mundo fora denominados em Contos vão ser, em termos reais, alterados.
Umas pessoas serão prejudicadas e outras beneficiadas. Mas os contratos tomarem valores que não estavam previstos induz perda económica.
Por isso, a desvalorização causa mais prejuízo que a bancarrota.
O dólar americano é usado por esse mundo fora porque a regra de condução da zona monetária, inflação baixa, tem sido cumprida ao longo do tempo.

Concluindo.
Se uma Zona Monetária coincide com um país, se os governantes violarem a regra de governação do Banco Central, são as pessoas de lá que sofrem as consequencias. O Mugabe do Zimbabwe lembrou-se de que poderia fazer quantas notas quisesse, a inflação foi para milhares por mês e o maluco convenceu-se que a coisa não funcionava.
Agora quando a Zona Monetária tem vários países, se um país aceder a crédito do Banco Central sem limite contra títulos da dívida pública que nunca serão pagos, quem vai pagar são as pessoas são as pessoas dos outros países.
É conhecido da Teoria dos Jogos que esta situação é instável: todos os países vão pedir dinheiro sem limite, a inflação é infinita e ninguém usa mais essa moeda.

É como ir a um jantar com 1000 amigos.
Em que a conta é a dividir por todos. Tenho a certeza que o amigo leitor nunca iria a tal jantar.
Naturalmente, cada pessoa iria pedir do mais caro que lá houvesse porque por cada 100€ que comesse, só aumentaria a sua conta em 0.10€. Mas todos pensariam assim pelo que a conta ficaria nos 1000€ por pessoa. Até mandavam vir a Irina incluída na lagosta para jogar cartas, estão-me a perceber, três Irinas Pákova para cada um.
Seria pior que um estágio da selecção.

Não pode ser.
Se o Louçã não compreende isto, o que ensinarão lá faculdade de economia dele?
Se Seguro não compreende isto e gente da laia dele, como podem ter governado e pretenderem governar Portugal?
Já perceberam porque estamos na bancarrota?
Foram gajos destes a governar o nosso triste país.

Não posso esconder que que muitos que lá estiveram ensinam na minha faculdade.
O que me safa é que eles dizem que eu não sei nada de economia.
Graças a Deus. Ao menos sabem isso.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Na 2.a feira, a Grécia já não terá Euros

Estive um mês em silêncio principalmente porque tive a minha cabeça ocupada com pensamentos sobre a energia nuclear. A China e a Índia estão a aumentar rapidamente o consumo de electricidade (de que a China já é o maior consumidor do Mundo) e usam principalmente o carvão na sua produção que emite CO2 para a atmosfera com dano ecológico. Tirando um milagre no campo solar, actualmente apenas a tecnologia nuclear pode ser uma alternativa ao carvão. 
Mas também segui o pedido do Cavaco Silva nas comemorações do 25 de Abril de dissermos que está a correr bem tudo para que tudo fique melhor. Esta era a politica do Sócrates, mentir com os dentes todos, e que não deu resultado positivo. Apesar de eu não acreditaram nesta técnica, aproveitei para pensar em coisas mais importantes.

Fig.1 - Prefiro um mentiroso a dizer que sou rico a um verdadeiro a dizer que estou falido
Entretanto, houve coisas que melhoraram.
O mais importante é que choveu uns dias e depois veio um sol fantástico. Até aproveitei para, entre as 18h e as 20h, ir à praia caminhar. Na quarta-feira contei 100 praistas. A praia é uma coisa barata, faz bem à saúde e temos resmas disso. Se toda a gente gastasse o seu tempo na praia, acabavam-se muitos dos nossos problemas.
Algumas daquelas pessoas estão acampadas por tuta e meia, poupando renda de casa, água, luz, condomínio e IMI. Então, podem passar o dia na praia e serem felizes mesmo na crise.
E a taxa de juro parece ter aliviado ligeiramente. Desde o princípio de 2012, parece que a tendência de subida parou tendo começado uma tendência de descida à velocidade de 0.5 pontos percentuais por mês (ver Fig. 2).

Fig. 2 - Evolução da taxa de juro implícita da dívida pública portuguesa (fonte: bloomberg)
A continuar assim, chegaremos aos 5% em meados de 2013.
Diz o Gaspar, o nosso das finanças, mas a evolução da Irlanda indica que isto é sol de pouca dura.
A taxa da Irlanda caiu rapidamente dos 14%/ano para 7%/ano mas, desde aí, a coisa não tem descido significativamente.
Anulado o alto risco de bancarrota porque aumentou o saldo da balança comercial para 20% do PIB, o Irlanda estabilizou mas numa taxa elevada (está no patamar dos 40% de risco de falência total nos próximos 10 anos).
Os países, independentemente de estarem em crise ou não, têm um determinado risco que depende da vontade do seu povo em pagar as suas dívidas. Por exemplo, a Eslovénia mantém as taxas na casa dos 6%/ano.

Fig. 3 - Comparação na evolução das taxas de juro (dados: BCE)

O Brasil, mesmo dizendo-se que é um colosso com crescimento comparável à China, como já faliu, a taxa de juro não desce do patamar dos 12%/ano que, com inflação de 5%/ano, também traduz um risco de bancarrota de 40% nos próximos 10 anos.  

Fig. 4 - A taxa de juro do Brasil não desce dos 12.5%/ano (fonte: tradingeconomics)

Anulado o pânico, Portugal ficou no patamar de risco dos 60% de probabilidade de falir com perda total nos próximos 10 anos. Agora, não vai descer daí. Estamos estáveis nos 12%/ano, no péssimo, no insustentável. Depois de um período de grande pânico em que a taxa de juro atingiu os 18.3%/ano, voltamos ao nível da segunda metade de 2011.

Fig. 5 - A taxa de juro estará estável no péssimo (fonte: bloomberg)

E o desemprego?
A taxa de desemprego atingiu os 15.3 % que está dentro das minhas previsões que são que a taxa de desemprego vai atingir 19% até ao fim da legislatura. estou a ver que vou errar mas por baixo pois a taxa de desemprego está acelerar, estando muito acima da tendência de 2000-2010.

Fig. 6 - O desemprego está a acelerar (dados: INE)


A taxa de juro alemã não pára de descer.
É um muito mau sinal a taxa de juro a 10 anos alemã estar abaixo da taxa de inflação que o BCE tem mandato para manter, os 2%/ano.


Fig. 7 - A taxa de juro real alemã não pára de descer e está nos -0,56%/ano (fonte: bloomberg)

A rápida descida da taxa de juro alemã é o número mais preocupante porque indica que vai acontecer uma valorização dos contratos firmados sob a lei alemã, i.e., indicia que a Alemanha vai sair do euro a curto prazo.
Este fenómeno acontecia repetidamente no sistema de câmbios fixos do "acordo de Bretton Woods" que vigorou no pós-WWII e que acabou em 1971, praticamente. Neste regime de câmbios fixos, quando se antecipava que uma moeda ia valorizar, a taxa de juro descia persistente para baixo da taxa de inflação esperada (e vice-versa). Os diferenciais nas taxas de juro indicam que a alemanha vai valorizar a sua moeda relativamente aos seus parceiros da Zona Euro.
Mas para haver valorização, a Alemanha tem que sair do Euro.
Vai ficar o Holland como o merkel da Zona Euro e a Sr.a Merkel retoma o caminho no seu Marco Alemão sem mais ninguém para a chatear.

Agora vamos à Grécia.
É sabido que ninguém pode ser meio caloteiro. Uma pessoa que não queira pagar as suas dívidas, arranjará sempre maneira de trafulhar os outros.
Aparentemente seria bom para os devedores se não fosse preciso pagar as dívidas e seria bom para os ladrões se não houvesse polícias, mas assim não é.
As gazelas ao fugirem dos leões estão a garantir que, no longo prazo, haverá sempre alguma comida para os leões. Se não fugissem, os leões matavam-nas hoje todas e, amanhã, morreriam de fome.

Fig. 8 - Qualquer gazelo teria gosto em ser comido por esta leoa.

Com os caloteiros é a mesma coisa. Se todos fossemos caloteiros, deixaria de haver quem emprestasse dinheiro. Não poderia haver poupança (que não em géneros) e o mundo ficaria um lugar muito pior para se viver. Mesmo para os caloteiros. Por isso, temos que fazer todo o esforço para cumprirmos com as nossas obrigações pagando o que devemos.

Os bancos gregos ficaram falidos.
O estado grego, ao dar o calote, deu prejuízo a todos nós mas também levou os bancos gregos à falência. Actualmente, os bancos gregos não têm activos suficientes para pagar  aos depositantes.
É lindo falar no "grande capital" mas isso não existe. ~cada um de nós tem uma pequena poupança que outros administram parecendo que são milionários quando, de facto, apenas tomam conta do nosso pecúlio.
Então, como os bancos gregos não têm como pagar os empréstimos do BCE, deixaram de ter acesso a dinheiro.
O que vão fazer agora?
É a corrida aos bancos, é a ruptura de liquidez, é a bancarrota.

Esta segunda - feira.
Os bancos gregos não vão abrir.
As transferências via internet de euros vão ser interrompidas.
As máquinas multibanco vão ficar sem notas de euros.
A Grécia pode ficar na Zona Euro sem euros mas não vai ser fácil. É possível mas é difícil fazer uma economia funcionar com pouca liquidez.
Vai ser um garrote muito grande pelo que terão que emitir papeis a que vão chamar moeda para auxiliar as transacções.

E nós como ficamos?
Depois da Grécia ficar sem euros, muitos portugas vão levantar, tentar, a sua conta bancária. Se a Sr.a Merkel achar que somos sérios dando-nos camiões de dinheiro, safamo-nos para já, senão também ficamos sem euros.
O BCE já emprestou 55 mil milhões de euros, via bancos, para funcionarmos e terá que emprestar mais 250 mil milhões para os nossos depósitos poderem ser levantados.

E os comunas vão ver como elas doem.
Ao verem a colapso da Grécia vão por as culpas à Sr.a Merkel mas isso pouco interessa.
Quando damos um ponta-pé numa pedra, não interessa saber se a culpa é do pé ou da pedra O que interessa é que nos doí e muito.
Então, a fachada da "sr.a merkel vai ficar a tremer" vai cair por terra.

E se a Sr.a Merkel se zangar?
Não duramos nem uma semana dentro do euro.
Agora vou fazer mais uma caminhada na praia.

Fig.8 - Evolução relativa das taxas de juro entre 15 de Abril e 15 de Maio (fonte: bloomberg)

Pedro Cosme Costa Vieira

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