Os nosso comentadores não vêem lógica no Trump.
Mas vamos imaginar um problema simples que tem 4 soluções possíveis:
USA\Irão paz guerra
paz (100; 100) (80; 120)
guerra (120; 80) (60; 60)
Até 1979 estávamos na situação paz/paz, os USA estavam em paz e o Irão também estava em paz. Mas esta situação é instável porque se um país entrar em guerra, aumenta o seu ganho de 100 para 120.
Foi isso que aconteceu em 1979, o Irão entrou em guerra com os USA e com Israel. Então, desde essa data, estamos na situação (80; 120). Esta situação, em que o Irão está em constante ataque aos interesses americanos e israelitas é estável pois, se os USA entrarem em guerra, a escala aumenta e passa de 80 para 60.
É este equilíbrio que os nossos comentadores e políticos europeus vêem, estávamos todos melhor se deixássemos o Irão continuar com o patrocínio do terrorismo e a sua política belicista.
Pensam os europeus, mesmo que o Irão desenvolver a bomba nuclear nunca a vai usar porque sofrerá destruição certa.
O problema é que, olhando outra vez para o jogo, se o Irão usar uma bomba nuclear para destruir Israel, os europeus não vão fazer nada e não é racional os americanos fazerem seja o que for porque "o preço da gasolina vai aumentar".
Usando a lógica, um poder racional não tem credibilidade para retaliar.
Quando o Putin disse: "Se os europeus não terminarem imediatamente a ajuda à Ucrânia, nós vamos lançar uma bomba atómica sobre Londres. Se retaliarem, bombardeamos todas as cidades europeias."
O que pensam os europeus?
Primeiro = Os da França e do Reino Unido têm bombas atómicos e prometeram que iriam retaliar.
Segundo = Nós europeus pensamos: "O Putin é racional pelo que não vai lançar uma bomba atómica porque sabe que vamos retaliar".
Terceiro = E continuamos a pensar: "Se o Putin atacar, traduz que não é uma pessoa racional pelo que é provável que destrua mesmo todas as cidades europeias se retaliarmos. Como nós europeus somos racionais, não vamos retaliar."
Conclusão dos Europeus = Temos de 'bater a bola baixinho', deixar a Ucrânia cair e continuar a comprar gás natural e petróleo à Rússia.
Porque a ameaça do Putin não teve esta consequência?
Porque o Trump diz uma coisa e o seu contrário na mesma frase, não sabe o que faz e quem o rodeia ainda é pior. Contradizem-se uns aos outros e contrariam mesmo o Trump.
Contradizem os relatórios da CIA, combatem o Banco Central, são contra a vacinas e são guiadas por pastores evangélicos totalmente alucinados.
A administração americana é governada por 'luzes' que aparecem e desaparecem na cabeça do Trump, sem qualquer racionalidade.
Se o Putin destruir Londres, o lógico é o Trump não fazer nada mas como completamente maluco, vai bombardear as cidades russas "Apenas porque sim", apenas porque "quer ver Roma a arder".
No Irão vai-se passar mesmo isto.
O Trump é maluco e, apenas por isso, decidiu acabar com o Irão como o conhecemos.
A ideia é o 'líder supremo' ser como o nosso cardeal patriarca, uma figura religiosa mas sem intervenção política nem administrativa e o governo fica para o presidente da república como nos USA.
A Síria pós-Al-Sadat, não está em paz com Israel mas fecha os olhos. Israel invade, mata, bombardeia e ninguém diz nada.
A Venezuela continua governada pelos mesmos mas obedece.
As pessoas esquecem-se mas, em 1945, o Japão ficou com o mesmo imperador e na Espanha e em Portugal, mantiveram-se os regimes aliados de Hitler.
O Irão não vai ser derrotado.
Não vai haver invasão, combates terrestres ou rendição como aconteceu com a Alemanha Nazi.
Os governantes vão-se moderando seja pela selecção natural (as execuções selectivas feitas por Israel), seja pela racionalidade de quem fica.
O Irão parece ser muito forte ao fechar o Estreito de Ormuz mas, de facto, está a sofrer um embargo terrível, não consegue importar nada. Digamos que o Trump está a aplicar ao Irão o velhinho cerco que se aplicava às cidades nos tempos antigos até que se rendessem.
E vai chegar um dia em que a ideia "Basta de sofrer, vamos viver em paz" ganha importância dentro do poder iraniano e a guerra acaba.
Os iranianos vão cantar vitória como cantaram em Damasco no dia em que o Al-Assad desapareceu e o mundo ficará melhor.
Reparem que já não se fala da invasão de Taiwan pela China nem do embargo das terras raras.
Pois a China compreendeu que, se mijar fora do penico, o Trump faz-lhes um embargo de petróleo e bloqueia mesmo o Estreito de Malaca por onde passam os barcos chineses.
O Trump é maluco, nunca se sabe a maluqueira que ele vai tirar da cartola.
terça-feira, março 31, 2026



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