quinta-feira, 27 de julho de 2017

O modelo de combate aos fogos florestais está errado

🙏A floresta não rende quase nada.

As estatísticas mostram que a área florestal e de mato ardida tem uma média de 125 000 ha por ano o que representam 1,4% do território nacional (ver).
Estes 1,4% traduzem que um terreno arde a cada 70 anos.
Em termos económicos, se tivermos um pinhal de 10000m2 com 500 árvores com 30 anos avaliados em 4000€ (um rendimento de 133€/ano) e a madeira queimada perder 50% do valor, um seguro contra incêndio custará qualquer coisas como 30€/ano/ha.
Comparando com a despesa de "limpar o mato", é melhor gastar os 30€/ano no seguro pois este dinheiro só dá para 3 horas/ano de limpeza que não dá nem para aquecer a roçadoura.
Resumindo, em termos médios, um hectare de pinhal rende 100€/ano.
Para se ver quão miserável é o rendimento da floresta, para cobrir o meu custo salárial seriam precisos 650 ha de pinhal o que é uma enormidade.
E eu a trabalhar 24h por dia, 7 dias por semana não conseguiria limpar esses 650ha de pinhal de forma a evitar o risco de haver um incêndio florestal!
 
Fig. 1 - O meu custo salarial corresponde a um pinhal do tamanho de grande parte da Cidade do Porto
 
Gastam-se 200 milhões€/ano em combate florestal.
Se a floresta, como dizem, rende 1300 milhões €/ano este custo corresponde a 15% do rendimento da floresta o que traduz que o decisor político pensa que os meios de combate reduzem a área ardida em pelo menos 90%.
Vejamos de onde tirei este número.
Para ser economicamente racional, gastam-se os 200 milhões porque, se não se combatesse os incêndios, o rendimento da floresta seria inferior a 1100 milhões€.
  Rendimento Potencial sem incêndios = 1300/(1-1,4%) = 1320
Daqui tira-se que o risco de incêndio, x, resolve a desigualdade seguinte
  1320*(1-x) < 1100  <=> x > 1100/1320 - 1 =16,7%
A redução terá que ser de pelo menos 16,7%/(16,7%-1,4%) - 1 = 91,5%

Venham mais 4 aviões.
O Costa resolveu a guerra da propaganda encomendando mais 4 aviões com capacidade para combater fogos florestais.
Mas ninguém ainda deu conta que o modelo de combate aos fogos florestais está errado?
Que daqui a nada se gasta mais dinheiro a combater os fogos florestais que todo o prejuizo possível de acontecer?
Se um ha rende 100€/ano, como se pode obrigar os velhinhos do interior a cortar o mato?
E para quê gastar tanto dinheiro se o mato não tem qualquer valor?
 
Ordenar a floresta não é destruir o coberto vegetal.
Ordenar será dividido a zona florestal em favos e desenhadas "faixas de corta-fogo" onde, em caso de incêndio num favo, possa ser garantido que o fogo não sai dessa área.
Se os favos tiverem 1000 ha e a faixa de conta-fogo de 25 metros, teremos um desmatamento de 1,6%.
Naturalmente, o combate ao incêndio seria apenas na faixa de corta-fogo e o corta-fogo feito contra o vento e a subir.
Deixar os bombeiros à espera que a frente de fogo chegue é uma perda de tempo pois vai passar e um perigo de vida.

Fig. 2 - O contra-fogo deve ser feito contra o vento para "cortar" o caminho à frente de fogo.
Os bombeiros garantem com os auto-tanques que o contra-fogo não atravessa a "faixa de contra-fogo" o que é muito mais simples do que enfrentar a frente de fogo.
 


 Fig. 3 - Em terreno inclinado, o contra-fogo deve ser feito a subir (e contra o vento).
É mais fácil um contra-fogo em terreno acidentado (exactamente o mais difícil de apagar com meios convencionais) porque a inclinação ajuda a encaminhar o contra-fogo.
 
Será que alguma vez veremos corta-fogos?
Não acredito nisso.
Claro que deveria ser feito um ensaio de combate com contra-fogo massivo mas não temos governantes com estaleca para isso.
O que veremos é mais e mais aviões, helicópteros, autotanques e bombeiros.
E também veremos mais e mais incêndios florestais porque há cada vez menos pessoas nas zonas florestais e a floresta cada vez rende menos.
 
Fig. 4 - Só vos peço que não pensem mais em fogos e que descansem a mente com um pouco de ioga.
iooooooooooooooooooooooooooo
Que par de pés ;-)

9 comentários:

Silva disse...


"A floresta não rende quase nada."

Caro PCV

A floresta rende milhões às grandes empresas detentoras de negócios bem estruturados, basta verificar o exemplo da Navigator (ex-Portucel) e Altri. Tendencialmente tem maior probabilidade de render mais a quem tem maior área florestal.

O problema a que se refere é aos pequenos proprietários que não têm capacidade de explorar as suas pequenas áreas porque não conseguem sequer pagar os custos "legais" de um simples empregado.

Assim como a floresta, o sector agrícola também não rende quase nada aos pequenos agricultores, mas já rende umas boas massas a agricultores com maior área, mais empreendedores e mecanizados e nem preciso falar do que rendem as grandes herdades de olivais e vinhas ou até da Companhia das Lezírias que mesmo sendo adminstrada pelo Estado rende dividendos.

Como todos sabemos, as actividades do sector Primário não rendem quase nada em todo o Mundo e em particular nos países desenvolvidos, afinal só trabalham nesse sector uns 5% da população activa.

O que volta a estar em causa é o que referi no "post" anterior, são precisas reformas estruturais a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos.

Anónimo disse...

Caros colegas co-pensadores, e co-apoiantes, da utilização das máquinas de arrasto como ferramentas de combate aos “fogos florestais que lavram por todo o país”,

Antes de mais nada, é preciso arrumar as ideias:
As árvores são bens naturais, independentemente de também poderem ser bens transacionáveis ou não transacionáveis. Produzem oxigénio, o que é ótimo para os nossos pulmões, alimentam-se de dióxido de carbono atmosférico, contribuindo assim para reduzir o efeito de estufa, dão-nos a madeira com que podemos fazer boas camas para nelas nos deitarmos, derramam sombras frescas debaixo das suas ramagens rumorejantes em dias tórridos de verão, e, em suma, as suas qualidades são tantas que fazem delas uns seres especiais que criam sempre bom ambiente à sua volta. Lembrem-se que no antigo regime, cada homem tinha a obrigação moral de, pelo menos uma vez na vida, plantar uma árvore.
As árvores são sagradas, é imoral, e impossível, reduzi-las a uma vulgar mercadoria económica, mesmo que se utilizem cálculos matemáticos de enorme complexidade ou fórmulas físico-químicas que jamais conseguirão penetrar, em espírito, as deusas das florestas.
A vida não é feita só de rentabilidade económica. Meus estimados colegas, se eu vos propuser que me comprem uns 10 000 litros de ar, à pressão atmosférica normal e à temperatura de 30 ºC, por 500 000 euros, vocês vão mandar-me,
na melhor das possibilidades, rever a matéria dada, e no entanto, sem a ténue camada gasosa que envolve o nosso planeta azul, nenhum de nós podia estar aqui a discutir economia.
Dito isto, concordo, em termos gerais com o método de combate aos fogos sugerido pelo colega professor de ciências económico-financeiras.

Silva disse...


"http://www.jornaldenegocios.pt/economia/seguranca-social/detalhe/carros-de-25-mil-euros-deixam-de-travar-acesso-ao-rsi?ref=DET_NoticiasRecomendadas"

Caro PCV

Eis mais um exemplo de poluição legislativa, esquerdice e produtividade zero.



Algures em Inglaterra disse...

Parte do problema em Portugal esta no tamanho da propriedade.

A regiao com mais incendios, de longe, em Espanha, e a Galiza. Regiao essa que por acaso e das mais humidas e menos quentes. Parte do problema e explicado pelo Ordenamento galego, que e igual ao que existe a norte do Tejo em Portugal. A floresta em pequena propriedade como se ve no Norte do pais nao e produtiva nem rentavel. Estima-se que so um terco do eucaliptal seja produtivo. Isto significa que poderiamos acabar com mais de metade dos eucaliptos e ainda assim produzir mais madeira de eucalipto! Ora isto so se resolve de uma maneira: obrigar os pequenos produtores a organizar-se em cooperativas, e legalizar apenas as plantacoes com uma determinada area. Em poucos anos o eucalipto desapareceria da paisagem e ficariam apenas as plantacoes que realmente interessam, as que sao produtivas e geram rendimento suficiente para pagar a alguem para vigiar e limpar.

Algures em Inglaterra disse...

Mais um comentario.

Os paises do Sul da Europa que estao integrados na Europa Mediterranica nao tem chuvas no Verao. A maior parte de Portugal faz parte desta regiao, com excepcao do Noroeste ou dos Acores. Portanto mais de dois tercos do pais estao na Europa dita Mediterranica. Alem disso temos vastas regioes no Interior, no Centro ou no Baixo Alentejo e Algarve com serras e montes de xisto. Esta rocha gera solos muitos finos, debeis, que desaparecem rapidamente com a chuva e o vento quando a floresta e arrasada. Parte do territorio, sejamos honestos, nao presta para a agricultura. E isso sucede tambem em Israel, Italia, Grecia, Turquia ou Espanha.

Ora por isso os Fenicios, os Gregos e os Romanos davam tanta importancia ao comercio. Iam buscar os produtos que nao poderiam produzir a outras regioes. E tambem por isso os mouros do Reino de Granada desenvolveram tanta o regadio, para produzirem frutas para exportacao, e seda, pois tinham de comprar o trigo que nao produziam. E o Infante D. Henrique, mais tarde, iniciou as Descobertas.

Contudo no seculo XIX, uns politicos que nao pescavam nada de Historia e de Geografia, decidiram fazer uma coisa que os comunistas ainda hoje sonham para Portugal. Produzir tudo o que precisamos para comer e fechar o pais ao comercio. Foram as Campanhas do Trigo. So que a coisa correu mal, e os solos ficaram estoirados. E nas decadas que a coisa decorreu, em termos relativos o pais ainda ficou mais pobre e atrasado. Mas ficou entranhada a nova ideia, de que tem de estar tudo cultivado, lavrado, com mao humana. E veio entao o eucalipto, substituir a panca dos cereais. As Campanhas do Trigo criaram muito emprego mas o pais ficou ainda mais pobre. O mesmo sucede com o eucaliptal e o pinhal. Uma opcao errada, a meu ver...

Seria mais inteligente, por exemplo, recuperar a agro-pecuaria, e exportar mais enchidos ou queijos... por cabras, ovelhas e porcos a pastar onde ha eucaliptos.

Ah. E acabar de vez com a praga das heranca indivisas.

Anónimo disse...

Caro comentador da Inglaterra,

No âmbito do nosso debate, vir para aqui com o exemplo de Israel só serve para confundir o público.
Tivéramos nós. os portugueses, uma décima milionésima parte da quantidade de dinheiro que está nas mãos dos judeus e o concomitante poder espiritual, económico e político sobre a Administração dos Estados Unidos da América, para que dos nossos campos, agora incultos, brotassem continuamente rios de leite e mel em que não nos afogaríamos porque exportaríamos os excedentes para todo o mundo.
Quanto às áreas florestais, bastava deitar-lhes para cima com muitas notas de dólar, acabadas de imprimir, e não era preciso esperar muito tempo para ouvir o roncar dos motores das máquinas de arrasto a abrirem os aceiros necessários para os carros de bombeiros chegarem rapidamente à frente do fogo e indispensáveis no combate pelo método do contra-fogo, que já é consensual entre todos os especialistas do nosso forum virtual.
Efetivamente, o lastro histórico tem-se revelado muito pesado para quem vai ao leme da barca portuguesa. Hoje, mesmo com a tragédia dos incêndios, não estaríamos tão desesperados se, há algumas décadas atrás, os americanos nos tivessem ajudado na luta contra os terroristas comunistas em Angola. Com Angola, Portugal seria hoje um país independente, rico em matérias primas minerais e agrícolas.

Algures em Inglaterra disse...

Mencionei Israel pelas semelhancas edafo-climaticas. Para o meu ponto de vista nao interessa o dinheiro ou o poder politico. Apenas salientar o facto de termos um relevo dificil em parte do pais, solos de xisto que nao sao aptos para a agricultura e um clima mediterranico com uma estacao seca longa em mais de dois tercos do territorio nacional.

Mas vou aprofundar entao o meu ponto de vista.

Em Espanha ha extensas zonas florestais na Andaluzia onde escasseiam os incendios em termos relativos, se compararmos com a realidade galega. Sucede que quem ja foi as serras que fazem parte da serra Morena ve extensas areas de floresta cerrada, que e floresta nativa. Mas ali tambem ha muito gado, varas de porcos e nao so que limpam os terrenos. Temos uma combinacao de floresta nativa com gado, coisa que nao sucede por exemplo na serra algarvia, que tem o mesmo tipo de clima da serra Morena.

Quanto as terras brotarem leite e mel, pura ilusao. Por um lado, e verdade que o regadio do Alentejo, pensado nos tempos de Salazar, esta por cumprir. Quando aderimos a CEE a Espanha ja tinha um terco da area irrigada na Europa e Portugal nada tinha. Estavamos largas decadas atrasados. Mas por outro lado ha regioes que pura e simplesmente nao prestam nem para regadio. Sao as serranias de xisto do centro e do Algarve, solos de xisto esgotados no Baixo Alentejo, ou serras do Norte, com solos inclinados, rochosos, esgotados, e ainda temos as areias do litoral. A melhor solucao para esses solos, a meu ver, passa pelo floresta nativa (uma rede de floresta publica de carvalhos gerida pelas comunidades, com antigamente geriam os baldios) aproveitada para turismo (coisa que os comunistas odeiam, pois ja se viu que detestam turistas) e recuperacao do pastoreio (que morreu quando acabaram com os baldios). Recuperemos o gado, que criara ate mais emprego que os pinhais e os eucaliptais, e recuperemos os carvalhais. E esta a minha solucao para os solos improdutivos.

Algures em Inglaterra disse...

"Com Angola, Portugal seria hoje um país independente, rico em matérias primas minerais e agrícolas."

Ilusoes. Resta saber se os nativos de Angola queriam la os portugueses, que eram menos de 5% da populacao. Nao me parece, embora tambem ache que se tivessemos feito uma independencia bem pensada hoje teriamos empresas portuguesas por la a explorar as materias-primas, com as industrias de transformacao em Portugal (o valor acrescentado...) e eles estariam felizes e contentes pois seriam independentes e teriam emprego criado pelo investimento portugues, estando menos dependentes do petroleo, e nos seriamos um pais mais rico do que somos. Quem tem a culpa? Os comunas e os xuxinhas do PREC.

Portugal poderia ser hoje muito mais rico que Espanha se nao fosse a tomada do poder pela Esquerda em 1974 e a destruicao do capital e das elites no PREC. E poderiamos ter a nossa moeda e estar no Espaco Economico Europeu com acesso ao mercado unico e a todas as suas vantagens mas fora da UE (como a Noruega ou a Suica) e livres para jogar de outra maneira com os nossos interesses na America Latina, EUA, Africa, Reino Unido ou Macau. E nao precisariamos da pelintrice de ter velhinhos no Norte a plantar couves nos quintais e pes de eucalipto em terrenos minusculos para matarem a fome.

Anónimo disse...

Convém não esquecer que o tema-base em discussão é o combate aos fogos florestais em Portugal. Porém, penso que ninguém de boa-fé pode contestar a influência que a posse do dinheiro tem na difusão dos grandes sistemas filosófico-religiosos do mundo e nas relações de poder político entre os homens e os Estados, sendo que quem tem mais dinheiro fica por cima. Por exemplo, no caso da guerra entre os portugueses e os terroristas, em Angola, a nossa política para essa província ultramarina colidia de frente com a visão judaico-americana de África e, portanto, fomos, pura e simplesmente, escorraçados do sensacional país que vínhamos construindo, com trabalho denodado e sacrifícios inenarráveis, desde há cinco séculos. Dado que a "opinião pública internacional" jamais consentiria uma “independência branca” de Angola, Salazar, que eles tratavam por "maçã podre", sentia-se constrangido e punha muitos entraves a uma saída maciça de portugueses metropolitanos para Angola, tendo assim impedido muita gente boa de participar na alavancagem do grande desenvolvimento socioeconómico que então se verificava naquelas terras tropicais, onde os diamantes brilhavam ao sol! Agora, peço-lhes que façam a comparação com o modo como a “comunidade internacional” tratou os protestantes, holandeses e ingleses, inventores do apartheid, que mantiveram a propriedade das suas fazendas, minas de ouro, instalações industriais, bancos e demais bens móveis e imóveis, quando se deu a “passagem de poder” para a maioria negra na África do Sul.
Se analisarmos, sem filtragens filosófico-religiosas ou de geopolítica mundial, a agricultura e os fogos florestais em Portugal, concordo, em linhas gerais, com a análise económica do comentador de Inglaterra, mas continuo montado no meu cavalo de batalha, lutando até ao fim por uma utilização intensiva das máquinas de arrasto no combate, por contra-fogo, aos incêndios que continuam a lavrar nas florestas em Portugal.

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