domingo, 20 de novembro de 2011

A inflação é um fenómeno puramente monetário

A moeda é apenas o lubrificante da economia
As pessoas pensam que ter dinheiro é ter riqueza mas não é assim.
O dinheiro serve apenas para facilitar as trocas por ser um referencial de valor (que permite comparar os preços relativos dos milhares de bens e serviços existentes) e uma reserva de valor que permite "guardar" o valor dos bens e serviços desde a hora que os vendemos até à hora em que compramos outros bens e serviços.

Por exemplo,
Eu trabalho hoje 8 horas e recebo 50€ em dinheiro como um armazenamento do valor do meu trabalho.
Amanhã posso meter 33 litros de gasolina descarregando o valor do meu trabalho (entregando as notas) para o gasolineiro.
Depois, o gasolineiro descarrega o valor do meu trabalho (enviando as notas que lhe dei) na compra de gasolina à Petrogal.
A Petrogal descarrega o valor do meu trabalho para a Arábia Saudita (em troca por petróleo).
A Arábia Saudita descarrega o valor do meu trabalho para a Alemanha (em troca por um Mercedez)
A Alemanha descarrega o valor do meu trabalho para Portugal (em troca de uns sapatos).
O sapateiro descarrega o meu trabalho para os impostos (em troca de o filho estar a estudar).
O Governo já tem outra vez dinheiro para me pagar o dia de amanhã.

Fig. 1 - Guardava o valor do meu trabalho de uma semana numa nota de 500€ que depois usava para a menina guardar o valor do seu trabalhinho de 30 minutos. Ai que dentes lindos.

As notas vão circulando pela economia mas são sempre as mesmas.
As notas são importantes como mecanismo de lubrificação da economia mas não são elas próprias valor. O valor do dinheiro consiste no valor dos bens e serviços que podemos comprar com ele.
Se deixar de haver bens ou serviços (por exemplo, se houver uma guerra) o dinheiro perde valor porque não há o que comprar.
É como o cartão de pontos do Continente: se o supermercado não tiver nada para vender, os pontos não valem nada.

E se não houvesse notas?
Notas e dinheiro não são a mesma coisa. Na teoria económica o dinheiro divide-se em
     Inside money que apenas existe em termos contabilisticos e
     Outside money que são as notas e as moedas.
Por exemplo, em termos de inside money, no fim do meu dia de trabalho, fica registado na contabilidade do meu banco "+50€". Quando eu for meter gasolina, com o cartão multibanco, a contabilidade do meu banco lança na minha conta "-50€" e lança "+50€" na conta do gasolineiro.
E por aí fora.

Funciona tudo na mesma.
Mas as notas são o meio tecnologicamente mais barato de fazer dinheiro. Se imaginarmos o interior de África onde circulam Dólares Americanos (na candonga), vemos que o inside money obriga a uma sociedade mais organizada.
Mas a tendência é a mudança. Com a internet pode existir inside money nesses países esquisitos mas localizado noutro local. Por exemplo, via internet fazem-se transferências no meio de África entre contas bancárias localizadas no Luxemburgo ou no Mónaco.

Já estão a ver a importância de haver offshores?
Permite que pessoas localizadas em países onde nada funcionatenham uma forma segura de ter um pé-de-meia.
No meio da República do Congo, em plena guerra civil, um camponês qualquer pode colocar de lado 50€ numa conta offshore.
Pode vir a ser o finaciamento da educação dos filhos. Ou, depois de ter que abandonar a sua terra, vir a facilitar-lhe o recomeço da vida.

Mas há a história da "circulação da nota" que paga dívidas.
A minha história é inspirada nas da internet em que a nota parece, ao circular, melhorar a economia (paga dívidas).
A conclusão está errada porque não é a nota que circula mas é o valor do meu trabalho que viaja pelo Mundo. Se eu não trabalhasse, se o gasolineiro não tivesse gasolina, se a Petrogal não tivesse petróleo, etc. a nota de 50€ não fazia nada.
Já se imaginaram no meio do deserto, sozinhos, com uma nota de 50€? Para que é que isso serviria?

O Ouro é uma moeda supranacional
Para se sair da economia de sobrevivência foi obrigatório que os agentes económicos aceitassem uma moeda. Como na antiguidade não se sabia nada de Economia e não havia FMI nem bancos centrais, o Ouro surgiu como moeda por evolução natural.
A princípio o Ouro era um bijuteria estranha porque não oxidava e, com o tempo, foi-se tornando unidade de valor, meio de reserva e meio de troca.
O seu valor derivava, pensavam os antigos, de ser um bocadinho do Deus Sol. A Prata era um bocadinho da Deusa Lua.
Ainda hoje o Ouro é aceite por todos os Estados como uma moeda supranacional.
Existem actualmente cerca de 170 mil toneladas de Ouro disponíveis das quais 30500t são reservas dos bancos centrais (fonte: World Gold Council). Sendo a produção de 2350t/ano então, a quantidade de Ouro disponível aumenta cerca de 1.4%/ano.

O Cavaco não sabe nada. 
É incrivel como uma pessoa que se diz economista sabe tão pouco. Mas eu conheço mais professores catedráticos de economia que não sabem nada de economia. Eu sei pouco mas fico boquiaberto.
O Cavaco nem dá conta que está a defender ideias dos equerdistas.
Com tanta ignorância é impossível fazer o povo compreender como se deve governa um país de forma eficiente.
Agora imaginem o que o Passos sabe de economia. Se não fosse ele ler este blog, estavamos pior governados que os da Venezuela.
Eu penso que é culpa dos alemães. Daquele alemão, o dr. Alzheimer.

O valor da moeda é um valor especulativo
Apenas troco o meu trabalho pelas notas porque antecipo que amanhã consigo trocar essas notas por 33 litros de gasolina.
Se eu imaginasse que amanhã eu não conseguia comprar nada com os 50€, eu não aceitava trocar o meu trabalho pelas notas.
Contrariamente ao que anunciam os esquerdistas, a economia existe porque todos nó somos especuladores.
O Duarte Lima especula que, se rezar uma Avé Maria todos os dias, vai para o Céu.
Especulo que, se depositar dinheiro num banco, daqui a 5 anos tenho lá o dinheiro mais os juros.

A velocidade de circulação da moeda.
Vamos imaginar que eu recebo o ordenado ao fim do dia e que o gasto ao longo do dia seguinte seguinte. Então, em média vou ter 25€ no bolso.
Se recebo no fim do mês 1500€ que vou gastando ao longo do mês seguinte, em média terei 750€ no bolso.
A relação entre o PIB do país e a quantidade de moeda em circulação chama-se "velocidade de circulação da moeda".
Comparando o PIB mundial com a quantidade de outro disponível, existem 380$ por cada grama de Ouro. A 55$/g, temos uma velocidade de circulação do Ouro de 7 trocas por ano.

Se o dinheiro fosse inside money, a velocidade de circulação da moeda poderia ser infinita (a soma de todos os saldos ser zero) ou ainda maior! (a soma de todos ser negativo). 

A emissão de moeda
O BCE, o soberano, é monopolista na emissão de notas e moedas.
Emitir notas dá muito lucro. Por exemplo, produzir uma nota de 500€ custa cerca de 20€. Então, "vender" uma nota de 500€ dá um lucro de 480€ ao BCE.
Dos 480€ de lucro, o BCE fica com 8% (38.40€) sobrando 441.60€.
Este dinheiro é entregue, proporcionalmente à dimensão das economias, aos países.
     Portugal recebe 12.01€ (2.50%)
     A Alemanha recebe 129.91€ (27.06%)
     Malta recebe 0.43€
A Alemanha recebe mais dinheiro porque a maior parte das notas são "vendidas" a alemães.

Se a velocidade de circulação da moeda fosse infinita, em toda a Zona Euro apenas haveria em circulação uma moeda de 1 cêntimo.

O que fazem os países com o dinheiro?
O BCE emite cerca de 50 mil milhões € por ano recebendo Portugal recebe cerca de 1.1 mil milhões € por ano.
Os países gastam esse dinheiro pagando salários, pensões e fornecimentos de bens e serviços.

Finalmente, já podemos ir à inflação.
As pessoas têm dificuldade em compreender como a moeda se liga à inflação. Eu posso explicar um pouco como isto funciona porque trabalhei no meu mestrado nisto (com o ex- sr. ministro das finanças) que demorei 6 anos a concluir.
Vou ter que dividir o mecanismo de transmissão em termos microeconómico (expectativas adaptativas) e em termos macroeconómicos (expectativas racionais).

Fig. 2 - A inflação nestas boobies foi um excelente acontecimento

Conversavam dois amigos  
- O meu filho fez o mestrado em Economia em 2 anos e o teu filho anda lá há 6 anos. Deve ser muito burro.
- Não pá, ele já me explicou, ele é muito fino. Quando o meu filho chega a um exame faz o que sabe. Mas, no fim, se não estiver tudo certo desiste para estudar mais. Quando o meu filho vier da FEP vai saber mais que o Cavaco.

A inflação na microeconomia (expectativas adaptativas)
Um industrial de sapatos tem 500 pares à venda numa loja a determinado preço.
O sapateiro repõe 100 pares por semana e o stock mantém-se nos 500. Quer dizer que, em média, as vendas são 100 pares por semana.
De repente, o Estado, com o dinheiro obtido pela emissão de moeda, começa a comprar 10 sapatos por semana. Então, semana após semana, o stock começa a diminuir.
O sapateiro, vendo o stock a diminuir, tem duas hipóteses

H1. Aumenta a produção 10% mantendo o preço.
O aumento da produção implica um aumento dos custos unitários de produção porque os trabalhadores, para fazerem horas extraordinários, querem mais salário.
Os esquerditas, comunas, broquistas, keynesianos acreditam que é isto que vai acontecer.
Mas o aumento da produção vai reduzir o lucro porque. Por um lado, os trabalhadores querem mais salários e, por outro lado, os fornecedores vão querer aumentar os preços.

H2. Aumenta o preço 10% mantendo a produção.
O aumento do preço em resposta a um reforço da procura nunca leva à diminuição do lucro.
Como o nível de produção é o mesmo, é antecipável que os preços das matérias-primas e da mão-de-obra vão-se manter.
Os direitistas, clássicos acreditam que é isto que vai acontecer.

Sob espectativas adaptativas vai haver um período transitório.
Em que os trabalhadores não são conta que os preços estão a subir pelo que mantêm o salário nominal.
Então, o erro leva a que o salário real diminua transitoriamente e que o PIB aumente.

Fig. 3 - Evolução do PIB com expectativas adaptativas

Fig. 4 - Evolução dos preços com expectativas adaptativas

Se as expectativas fossem adaptativas faria sentido usar a emissão de moeda como um intrumento de estabilização da economia ao longo do ciclo económico:
Nas crise o Governo emitia mais moeda como defendem os esquerdistas no qual se inclui o Cavaco.

Fig. 5 - Estabilização económica com emissão de moeda (se as expectativas fossem adaptativas, se)

A inflação na macroeconomia (expectativas racionais)
O efeito transitório acontece porque os agentes económicos estão enganados, principalmente os trabalhadores.
Como à primeira qualquer um cai mas à segunda só cai quem quer, quando os trabalhadores observam uma emissão de moeda, antecipam logo que os preços vão subir pelo que querem um aumento imediato dos salários.
Os fornecedores de bens e serviços igualmente pelo que deixa de haver período transitório.

Emitir de moeda é igual a cobrar um imposto
O governo, ao emitir moeda, adquire bens e serviços. Como a produção não aumenta (porque ninguém se deixa enganar), o povo tem acesso a menor quantidade de bens e serviços.
É o Crowding Out.
Os povos ignorantes não sabem desta equivalência (o Cavaco, o Louçã e milhões de parolos) pelo que preferem o aumento da inflação.
Os povos sábios (como os filandeses e os alemães) sabem desta equivalência e preferem pagar impostos.

É impossível ter povos que preferem inflação a pagar impostos, os latinos, na mesma zona monetária de povos que preferem pagar impostos a ter inflação, os bárbaros.

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 19 de novembro de 2011

A descida dos salários e o Cavaco: cada tiro cada melro

O total da riqueza produzida num país num ano denomina-se por Produto Interno Bruto, o famoso PIB.
Do total produzido, uma parte vai para remunerar o trabalho (principalmente os salários) e outra parte o capital (os juros e os dividendos). Ainda há uma parte que vai para amortizar o capital que se deteriora.
Em termos gerais e num análise de médio prazo, por cada 100€ de PIB, 65€ vão para remunerar o trabalho, 20€ vão para remunerar o capital e 15€ vão para substituir o capital que se deteriorou.

Supondo o PIB constante, se os salários aumentarem, o capital fica com menor remuneração pelo que o investimento diminui o que prejudica o crescimento económico. É um factor de desequilíbrio.
Se os salários diminuírem, o capital fica com maior remuneração pelo que o investimento aumenta o que favorece o crescimento económico. É um factor de equilíbrio.

Como funciona o crescimento económico
Quando o salário diminui, as empresas que existem ficam mais lucrativas (maior percentagem do PIB vai para o lucro das empresas).
Como as empresas maiores capturam uma parte maior do ganho então as empresas investem para aumentarem de dimensão e os seus lucros.
Também aumenta a poupança (maior percentagem do PIB vai para juros)
Por outro lado, mais pessoas querem ser empresários pelo que nascem novas empresas.

Aí o capitalista explorador do trabalhador vai sair beneficiado
Já se experimentou ser a produção feita pelo Estado. Na China, na URSS, na Albânia, em Israel, em Angola, etc.
Esse processo, parecendo que em alguns países começou por dar resultados positivos, a prazo levou ao empobrecimento dos povos. Hoje apenas subsiste com este modelo a Coreia do Norte. Mesmo Cuba já decidiu abandoná-lo.
Mas ainda há muitas pessoas em Portugal que pensar ser este o caminho a seguir.
Outros pensam que o Sporting vai ser Campeão Nacional.
Eu penso que vou arranjar uma Brasileira toda boa.

A produção deve ficar para os privados.
Como em Portugal qualquer pessoa pode ser empresária e qualquer grupo de trabalhadores pode formar uma cooperativa (que tem benefícios que os empresários não têm), o discurso da "exploração do trabalhador" não faz qualquer sentido.
É igual a dizer que o FCP ganha campeonatos porque o Pinto da Costa é o Papa.
     Sem empresários não há economia.
     Sem lucro não há empresários.
     Logo, sem lucro não há economia.

Porque o Cavaco está Ché Ché 
Portugal tem a sua economia totalmente desequilibrada. Isso traduz-se, entre outras coisas, por um desemprego crescente. Cada semana mais 1000 pessoas ficam desempregadas.
Mais 1000 pessoas desempregadas por semana.


Fig. 1 - Eu não sei onde os do FMI foram buscar a ideia. Eu sou professor catedrático de economia.
És mas é um marreta.

Ter vontade de crescer é uma coisa muito fácil.
O Cavaco dizer que a economia portuguesa tem que crescer é muito fácil. Crescer já é outra coisa.


Fig. 2 - Ajoelhar é uma tonteria. Basta eu crescer 10%/ano para podermos fazer amor em 2040.
Espera por mim querida.

Para equilibrar a economia portuguesa era preciso que o PIB crescesse 33% mantendo os custos do trabalho no nível actual.
Peguemos no PIB per capita (pessoas com idade entre 15 anos e 65 anos) e calculemos a tendência de crescimento da economia portuguesa.

Fig. 3 - Crescimento do PIB pc (15-65 anos) (fonte: Banco Mundial)

Antes do 25 de Abril de 1974 a taxa de crescimento foi de 6.3%/ano.
Antes da entrada na Zona Euro foi de 2.3%/ano
Depois do Euro (1999) foi de 0.6%/ano.
O 25 de Abril de 1974 trouxe-nos muitas coisas positivas mas prejudicou o crescimento.
O Euro diminuiu a taxa de juro mas abusamos da sorte.

Pensando que vai tudo continuar como está
Para uma taxa de crescimento de 0.6%/ano, mantendo os salários constantes no níevel actual e pensando que a taxa de inflação na Zona Euro vai ser 2%/ano, vamos conseguir equilibrar a economia em 2022.
O Desemprego estabiliza nos finais de 2022.
Óh Cavaco, quem é que pode esperar por 2022?
Vamos ultrapassar os 25% de taxa de desemprego.

Isto já é ser um  optimista pois os tempos que aí vêm são duros, são tempo de chumbo grosso. Para as taxas de juro de 12%/ano que as empresas têm que pagar, será muito difícil manter os 0.6%/ano de crescimento do PIB.
Para os próximos 10 anos a minha previsão é uma perda média do PIB de 2%/ano.

O Terceiro Segredo de Fátima
Afinal o Terceiro Segredo de Fátima foi mal interpretado. Portugal vai-se safar.
"Vimos um bispo vestido de branco" era o Sócrates.
"subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos" eram as eólicas do socratísmo.
"ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho" eram os credores a perdoar as nossas dívidas.
"Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal" que são o BCE e o FMI a despejar toneladas de dinheiro em Portugal.
Por isso, o segredo quer dizer que nos vão perdoar a dívida que temos, que as eólicas vão dar muito dinheiro e contribuir para que o PIB cresça 10%/ano e o FMI e o BCE vão-nos inundar com todo o dinheiro que queiramos.

Amigo Passos, depois de leres isto vais ter que te desdizer
Querido Passos, fica-te tão bem esse penteado meio despenteado. A tua nova cabeleireira é muito melhor que a antiga. Espero que não seja a do Sócrates pois, se for, daqui a pouco pinta-te o cabelo de branco.
Dizes que não tens nada a ver com os salários dos privados mas a lei proíbe a sua redução.
Tens ou não tens a ver?
E o Salário Mínimo Nacional? São os privados que o decidem ou és tu?
Se não tens nada a ver com o assunto, retira esses artigos da lei e deixa para os privados o que é dos privados.
SMN - Acabou porque o estado não tem nada a ver com os privados
Proibido descer salários - Acabou pelas mesmas razões.

Como diz o Cavaco dos ex-amigos: o que é da lei é com a lei.
Usa esse precedente que o Cavaco já não te vai poder atacar.

Finalmente o BPN
Os meus piores receios estão-se a concretizar: o BIC está a endorecer as negociações e os nossos governantes não têm estaleca para aguentar.
Isto não pode continuar havendo necessidade de avançar rapidamente para a liquidações do BPN que servirá de treino para liquidar o BCP e os restantes bancos portugueses que vão todos falir.

A técnica da "digestão".
Como uma ameba, a CGD engole o BPN mantendo-o num saco digestivo.
Para evitar que Portugal fique rapidamente sem liquidez e haja uma corrida aos bancos, a CGD desmonta os activos financeiros e entrega-os ao Fundo de Resgate Europeu para garantir as cedências de liquidez.
Será preciso assumir um desconto (a negociar com a Troika) que o Estado assume e passa-o para dívida pública.
Fecha todos os balcões do BPN e despede os funcionários redundantes (que são todos).
Como também vai ser preciso liquidar o BCP e depois o BPI, o BES, etc. até não ficar nenhum, a liquidação do BPN vai servir como treino para as equipas de liquidações.
Vai dar uma saga do filme "The Terminator"

"The Bank Terminator 1 - The BPN"
"The Bank Terminator 2 - The BCP"
"The Bank Terminator 3 - The BPI"
Roll on and on and on till the Heaven

O post da inflação está quase pronto. Estou a trabalhar nas perguntas para o meu teste mas ainda vai sair este fim de semana.

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Santo Aleixo vai expulsar os PIIGS

Em 1980, Santo Aleixo do Mendigos era uma pequena aldeia no meio de um grande descampado.
O seu povo era calado e respeitador da paz e silêncio dos vizinhos. Pareciam alemães.
A uns quilómetros da aldeia e no meio do descampado, viviam 5 familias de ciganos denominados por PIIGS (as familias Patruscos, Ionescos, Ilinescos, Garranos e Santaneiros).
Nos acampamentos o povo cantava, os cães ladravam, as crianças gritavam, as mães berravam, os pais davam tiros de caçadeira para o ar. Era barulho dia e noite.
Certo dia o patriarca foi à aldeia e voltou com uma novidade.

 - Estive na aldeia e é um silêncio, uma calma, um respeito pelos vizinhos. É verdadeiramente repousante. Se fossemos viver para lá até ganhávamos saúde.

Cada um disse:

 - Aqui é uma barulheira terrível, uma falta de respeito. Vamos para a aldeia senão, qualquer dia mato estes gajos todos.

Fig. 1 - Tocavam disto dia e noite

O processo de convergência
O patriarca foi falar ao Presidente da Junta e lá lhe contou que estavam fartos de barulho e que se queriam mudar para a aldeia.
Então, pensando que a união ia melhorar o comércio na aldeia, o Junta e os PIIGS assinaram um tratado com 5 condições:
    1.ª condição. Os PIIGS mudam o acampamento 1 km para mais próximo da aldeia.
    2.ª condição. Enquanto se ouvir barulho na aldeia, os PIIGS ficam aí.
    3.ª condição. Quando se deixar de ouvir barulho, os PIIGS avançam mais 1 km. 
    4.ª condição. Quando os PIIGS encostarem à muralha podem passar a viver na aldeia.
    5.ª condição. Uma vez dentro da aldeia, nunca mais precisam sair.

Fig. 2 - Foi assinado um tratado mas que não era para cumprir

A evolução da situação
Os PIIGS foram-se aproximando e em 2000 passaram a viver dentro da aldeia.
A princípio parecia estar tudo a correr bem mas, com o tempo, os PIIGS começaram a pôr a música um pouco mais alta.
O Junta foi falar com o patriarca para ver se ele reduzia de novo a música.

- Vocês estão a querer mandar em nós só porque somos ciganos. A nossa cultura é fazer barulho. Nós não somos alemães.

Retorquiu o Junta:

- Mas homem, vocês vieram para cá para gozar do silêncio e agora estão a perturbar a paz. Vamos ter que um procedimento por incumprimento do tratado.

Veio o procedimento por incumprimento que não deu em nada 
No dia de S.to Aleixo a música tinha tocado até tarde e os PIIGS usaram esse precedente.
Então, o procedimento por incumprimento foi arquivado.
Depois de não dar em nada, os PIIGS compraram cães que começaram a ladrar toda a noite, violas para tocar dia e noite, voltaram aos tiros e a atirar lixo para tudo que era sítio.
E começaram-se a queixar ao Junta do barulho e da desarrumação.
Que a Aldeia tinha que lhes insonorizar as barracas porque não podiam viver assim.

- Mas homem, vocês é que têm que deixar de fazer barulho. Vocês quando vieram para cá disseram que não queriam barulho e não estão a respeitar isso.

- Lá está você, imperialista, explorador sanguinário, mercado sem rosto, está a querer mandar em nós, uma cultura milenar. Nós não somos alemães

Fig. 3 - Podes ser muito boa pessoa mas não aguento mais os teus berros toda a noite.

E agora? 
Não há outra solução que não seja rasgar o artigo 5.º do tratado e expulsar os PIIGS de volta ao descampado.
Como é possível convencer os PIIGS que são eles que fazem o barulho?
Por um lado dizem querer silêncio mas, por outro lado, berram toda a noite.
A única solução é pô-los a andar.

O caso português
Nós entramos na Zona Euro porque queríamos taxas de inflação baixas (para ter juros baixos).
No entretanto subimos os salários como se houvesse inflação e não cumprimos nada a que nos tínhamos comprometido.
Agora que estamos em bancarrota gritamos a pedir taxas de inflação mais altas.
Que os alemães não nos deixam mandar na nossa vidinha. Que nos querem colonizar.

Não há paciência.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estive na Antena 1

Amigos Leitores,
Com a vossa ajuda estive na passada Sexta-Feira, dia 11 de Novembro das 10h-12h na RDP - Antena 1 no programa sobre o Debate sobre o Orçamento do Estado.

O Ricardo Alexandre viu o meu livro e pediu à Carla Pinto que me convidasse. Pedi ao meu colega Jorge para dar a minha aula e lá fui. É o preço da fama.

Falei 8 minutos e 30 segundos:
O Ricardo Alexandre  fez a apresentação                                 1:33  -  1:47
Depois falei sobre o título,                                                        7:00  -  9:17
Defendi a saida de Portugal do Euro,                                      35:10 - 36:50
Apresentei uma estimativa "realista" da queda do PIB,             86:05 - 89:50
E, finalmentem, apresentei como solução a Baixa dos salário, 103:30-104:20

Estive a ouvir a gravação e pareço-me muito com o Vítor Gaspar.
E eu que pensava que ele tinha um falar de lerdo!

Hoje o meu aludo defendeu o seu mestrado.
E correu muito bem. Gabaram muito.
À saída estava lá uma daquelas jovens meio perdidas.
Vi logo que era boazinha e depois informaram-me que é ucraniana.
Como parecia estar perdida, estive ali a tentar saber quais as dificuldades dela.
Puxei um bocado pela conversa pois imaginei que, sendo estrangeira, teria dificuldade em compreender que eu só a queria encaminhar.
Quem estava a ver disse que quem estava perdido era eu.
Sou lerdo como o Gaspar e afinal estou perdido.
Vai-se lá saber o que mais vou descobrir sobre mim.

Fig. 1 - Eu quero muito ajudar a menina que me parece perdida.
E ainda dizem os alentejanos que o Adão deveria ter escolhido a ovelha como sua companheira.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 13 de novembro de 2011

O BCE não pode imprimir notas

Pergunta-me o Passos Coelho.
- O meu país está com elevado desemprego e o Seguro e o Cavaco dizem que o BC deve inundar tudo com notas.
- Será boa ideia eu também defender isto ou fico na fotografia com cara de burro?

A Curva de Phillips
Existe uma observação dos finais dos anos 1950, a Curva de Phillips, de que nos anos em que há maior inflação, a taxa de crescimento do PIB também é maior.
Como o desemprego diminue quando aumenta o PIB então, verifica-se nos anos 1940-1950 que, quando a inflação é maior, a taxa de desemprego é menor (e vice-versa).
Não havia uma teoria forte que justificasse esta relação mas, com o tempo, ela foi-se entranhando nas pessoas.
Nos anos 1960 começaram a aparecer políticos que prometiam usar a inflação para combater o desemprego e, como consequência, a inflação começou a ser usada como um instrumento de política.
A ideia seria aumentar a inflação nos anos de crise e diminuí-la nos anos de expansão económica.
O que aconteceu foi que a inflação foi aumentado e, de repente, explodiu.

Fig. 1 - Evolução da taxa de inflação na OCDE (fonte: Banco Mundial)

Dizem que o salto de 1973 foi por causa da crise do petróleo mas, a  imposição pelos países produtores de petróleo de subidas nos preços, é antes uma resposta ao aumento da inflação dos anos 1960 sem a correspondente correcção dos preços do petróleo.

Como se relaciona o crescimento com a inflação
Se pegarmos nas taxas de inflação e a taxa de crescimento do PIB dos países da OCDE nos anos disponíveis no Banco Mundial e estimarmos a relação entre as duas variáveis vemos que não existe nenhuma relação. O coeficiente de correlação linear é de apenas 0.034.

Fig. 2 - Relação entre a taxa de inflação e de crescimento do PIB na OCDE (fonte: Banco Mundial)

Estimei (WLS usando a população como ponderador) que

      Cresc_PIB = 2.598 + 0.0202Tx.Inf, R2 = 0.12%

A relação é positiva mas muito pequena e não é estatisticamente significativa (P H0 = 24.5%)
Apenas 0.12% da variação do crescimento é explicada pela variação na taxa de inflação.

Se a relação fosse significativa (e não é), para aumentar a taxa de crescimento do PIB de 1% para 3% seria necessário aumentar a taxa de inflação de 2% para 102%/ano!


O Cavaco e o Seguro estão 30 anos desactualizados.
No principio dos anos 1980 concluiu-se que a Curva de Phillips existe mas que não é um instrumento de política.
Se o BC tiver uma política rigorosa de controlo da inflação, nos anos de crise a inflação desce significativamente o que faz com que exista, uma relação positiva entre taxa de inflação e crescimento.
O BC não consegue controlar perfeitamente a inflação quando há crises.

Fig. 4 - Relação entre as crise de 2007 e a quebra na taxa de inflação (fonte: BCE)

Fig. 5 - Curva de Phillips na Zona Euro (fonte: BCE)

No entanto, o BC não pode usar esta relação invertendo a causalidade.
Se emitir moeda nos períodos de crise, isso não tem qualquer efeito no crescimento do PIB ou no combate do desemprego e descontrola a taxa de inflação.

A Hiper-inflação alemã 1914-1923.
É repetidamente dito que a Alemanha não quer inflação porque teve um período de hiperinflação que levou o Hitler ao Poder.
Na minha opinião as razões estão mais próximas, na década de 1970, em que os alemães verificaram que a inflação apenas leva a nada mais inflação e impossibilita a emissão de dívida pública de longo prazo.
Por exemplo, o Japão que hoje tem um objectivo de inflação de 1%/ano, em 1973 tentou responder à estagnação com 23% de inflação e não de em nada.

Pedro Cosme Costa Vieira

domingo, 23 de outubro de 2011

Quem terá razão, o Cavaco ou o Passos?

O Pedro Passos Coelho decidiu baixar os salários da Função Pública dizendo que "ganham mais que a média" e o Cavaco veio dizer que isso violava o Princípio da Equidade.
O Cavaco é professor catedrático de economia e o Passos foi um fracote aluno de economia, pós-laboral e num "curso para adultos". No entanto, neste caso é o Passos que tem razão.
Para vos explicar porque a razão está do lado do Passos, preciso apresentar um dos grandes teoremas da Teoria Económica.

Fig.1 - Nós que vemos, sabemos que este abraço foi pertinente mas quem decide na ignorância corre grande risco de se enganar. Podia estar a abraçar um motoqueiro de bigode.

A Teoria Económica por trás da discussão
A determinação do "preço de venda"
Existem duas formas de determinar o preço de venda de um bem. Por um lado, há o custo médio de produção e, por outro lado, há o preço de mercado.
No caso do trabalho, a análise pelo "custo médio" é difícil. Podemos facilmente determinar o custo necessário para uma pessoa poder trabalhar (transportes, roupa, alimentação, etc.) mas é muito difícil medir o sacrifício de ir trabalhar (levantar-se cedo, deixar de ir para o café todo o dia, estar longe da família, aturar o patrão, etc.).

1. O custo de produção
Os esquerdistas privilegiam o custo médio de produção como forma de determinar o preço de venda. É o principio marxista do "valor trabalho".
Contabilizamos as quantidade de matérias-primas, produtos intermédios, horas de máquinas e ferramentas (bens de capital) e as horas de trabalho usados no fabrico. Depois, multiplicamos as quantidades pelos preços e obtemos o custo de fabrico.
O preço de venda será o custo médio de fabrico.
As empresas, apesar de não saírem de nenhum filme marxista, usam esta técnica para dar um preço aos bens e serviços produzidos internamente. É a Contabilidade de Custos (o mais fino é chamar-lhe Contabilidade Analítica).

2. O preço de mercado
Os direitistas defendem o preço de mercado como forma de determinar o preço de venda. É o principio liberal do "deixar fazer, deixar passar, desenrasca-te". A liberdade de cada um decidir o que produzir e  vender onde bem o entender e pelo preço que puder.
Nós que fornecemos trabalho temos a liberdade de escolher a profissão que quisermos, trabalhar onde quisermos e cobrar o que entendermos.
Na ex-URSS, o Estado tinha um grande peso na tomada de decisão da profissão que as pessoas poderiam exercer. Era como no exército.
Claro que estamos restringidos às decisões dos outros.


No mercado, os compradores encontram-se com vendedores.
Os vendedores procuram o preço máximo e os compradores o preço mínimo.

As diferenças.
Com "preço de mercado", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, terá lucro. Se produzir a um custo acima do preço de mercado, terá prejuízo.
Com o "custo de produção", se um produtor conseguir melhorar o processo produtivo passando a produzir abaixo do preço então, o "regulador" baixa o preço de venda. Se produzir a um custo acima do preço, o "regulador" sobe o preço de venda.
É o que se passa com a água e a electricidade: se custar mais produzir porque eles são ineficientes, sobem-se as tarifas.
O "preço de mercado" incentiva a que o produtor se torne eficiente enquanto que o "custo de produção" não.
Há ainda a dificuldade de avaliar o custo de produção.

Em concorrência perfeita.
Quando temos um mercado em concorrência perfeita (com muitos vendedores e  compradores em que cada agente económico representa uma pequena percentagem desse mercado), em concorrência e equilíbrio de longo prazo o preço de mercado é igual ao custo médio de produção.
Este teorema é um dos mais importantes da teoria económica.
Não é preciso gastar tempo a ver quanto custa produzir maçãs bastando ir ao mercado e ver qual o seu preço.
Não vale a pena grandes auditorias às contas do BCP para ver as imparidades pois basta ir ao mercado e ver que as acções que em termos contabilísticos valem 1€, estão a ser vendidas por 0.16€.

Onde o Pedro tem razão.
O Pedro acha que os salários dos "empregos privados" são determinados num mercado em "concorrência perfeita em equilíbrio de longo prazo" pelo que traduzem o custo médio de produzir trabalho.
Pensa o Pedro que será injusto diminuir esses salários porque já são iguais ao esforço médio de trabalhar.
Por outro lado, pensa que os salários dos "empregos públicos" não foram determinados no mercado. Por os "trabalhadores públicos" terem muito poder reivindicativo e os governos serem fracos, o salário foi determinado fora do mercado estando acima do "custo médio" de produzir trabalho.
Agora que é preciso fazer alguma coisa para cortar na despesa (e também por uma questão de justiça), é necessário fazer os salários dos "empregos públicos" igualar os salários dos "empregos privados".

Fig. 3 - E, para poupar, é preciso cortar em algum lado.
Por exemplo.
O Pedro deu o exemplo dos transportes públicos. Não encontra nenhuma razão lógica para que um motorista de uma empresa pública de transportes tenha um ordenado superior a um motorista de uma empresa de transportes privada. Como ambos fazem exactamente a mesma coisa, o lógico é que ganhem o exactamente o mesmo.
Parece-me certíssimo.

Outro exemplo.
Quando abre um lugar para um "emprego público" candidatam-se centenas de pessoas. Por exemplo, todos os anos candidatam-se dezenas de milhar de pessoas para meia dúzia de lugares de professor. Isto traduz que o salário é superior ao custo de produzir trabalho. Senão, para uma vaga, haveria um ou dois candidatos.

Onde está o erro do Cavaco.
Está em assumir que o mercado dos "empregos públicos" é concorrencial e que está em equilíbrio de longo prazo. Se assim fosse, o Estado deveria aplicar a receita tanto aos "trabalhadores públicos" como aos "trabalhadores privados", por exemplo, via IRS.

Fig. 4 - Não basta saber o que os livros dizem. É preciso pegar neles e propor uma forma de resolver os problemas que enfrentamos.

3. Uma extensão ao "preço de mercado"
O trabalho não é um bem homogéneo.
Do lado do trabalhador há diferenças na escolaridade, experiência profissional, força física, inteligência, jeito, disponibilidade, idade, sexo, etc.
Do lado do emprego há diferenças no horário, dificuldade técnica, perigo, risco dê despedir, etc.
Como não há um mercado para cada situação (por exemplo, um motorista com 55 anos, 9 ano de escolaridade, 12 anos de experiência, etc. que trabalha numa empresa por turnos, fracota, etc.) então, estende-se o mercado a uma equação homogenizadora:

      Salário = f(características do trabalhador, características do emprego) + e

Isto tem que ser quantificado
Por esta razão é que o Carvalho da Silva veio dizer que "os funcionários públicos ganham mais que a média porque têm mais escolaridade que a média".

É preciso urgentemente que o Banco de Portugal ou o INE, que têm lá milhares de pessoas a "trabalhar", pegue nos dados referentes aos 2 milhões de "trabalhadores privados" e determine a "equação dos salários".
Depois, o Passos terá todas a informação e força política para poder aplicar ao "trabalhadores públicos" os resultados obtidos com os "trabalhadores privados".
E dar uma lição de economia ao Cavaco.

Os consultores fazem benchmarking e re-engenharia.
Esta é para os meus brilhantes alunos, futuros gestores de empresas.
As empresas aprendem pelos preços e produtos que vêm no mercado se são, globalmente, mais ou menos eficientes que a concorrência. Pegam em produtos que vêm à venda mais baratos e melhores que os seus, demontam-nos e tentam aprender como se podem tornar mais eficientes. Isto chama-se re-engenharia.
Como podem outros países mais evoluidos que Portugal viver com menos despesa pública?

Mas, no concreto de cada operação, não é possível retirar informação do mercado.
Por exemplo, sei que um concorrente meu vende o par de sapatos a 5€ e eu não consigo produzir a esse preço. Mas não sei se é por as minhas gaspeadeiras serem lentas ou por o spread que o banco me cobra ser mais elevado.
Os consultores, ao trabalharem com várias empresas do ramo, servem para eu identificar a eficiência de cada actividade não sujeita a concorrência do mercado. Isto chama-se benchmarking.
Apesar de parecer que ter um consultor que trabalha com outras empresas vai revelar segredos do meu negócio, de facto, é um pequeno custo que eu tenho que incorrer para poder utilizar informação agregada (também secreta) das empresas minhas concorrentes.
O consultor diz-me: em média, cada gaspeadeira deveria coser 25 gáspeas por dia e, no seu caso, cosem 27. Logo, não é aqui que está o problema.
Qualquer empresa para ter sucesso tem que fazer re-engenharia e ter um consultou que faça benchmarking.
O mercado é muito grande pelo que eu tenho mais a ganhar que a perder.
Como é a gestão dos transportes públicos noutros países da OCDE em que as empresas públicas não são ruinosas?
Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A paranoia americana

Nos últimos 10 anos tive a impressão que o Bush reagiu de forma exagerada aos atentados do dia 11 de Setembro 2001. Está certo que morreram 2996 americanos em resultado dos atentados terroristas e, se pensarmos nos individuais, são 2996 tragédias. No entanto, em termos estatísticos, não aconteceu nada. Em 2001, nos USA, por cada pessoa que morreu nos atentados, morreram 14 pessoas em acidentes de trânsito e não houve uma guerra às estradas.

Do que é que os Americanos têm medo?
Há três factos que, desligados, não fazem sentido mas que, em conjunto, fazem soar os sinais de alarme.
1) O Iraque encomendou 54000 metros de tubos de alumínio com 7.44cm de diâmetro interno.
2) O Iraque comprou 550 t de Urânio.
3) O Iraque tem refinarias de petróleo.
As 550t de Urânio estavam inventariadas e "presas" pela IAEA mas estavam lá e constava que o Iraque procurava comprar secretamente Urânio à Nigéria.
Mas para fazer uma bomba atómica é preciso Urânio enriquecido em U235 superior a 50% que é muito difícil de conseguir, ou de Plutónio que obriga a ter uma central nuclear.
Aí surgiu uma questão na minha mente. 

Será que é possível construir uma bomba atómica com Urânio Natural e sem ter uma central nuclear?

É possível. Não é preciso que seja um engenho explosivo mas apenas ser um mecanismo de contaminação radioactiva.

O reactor.
Tem que se usar um moderador sendo o Coke de Petróleo com baixo teor em boro o eleito.
Este material obtém-se como subproduto no Craking do gasóleo feito nas refinarias de petroléo. Por questões de segurança pode-se converter em grafite (que não arde facilmente) mas não é obrigatório.
Constrói-se um cilindro com 20m de diâmetro e profundidade trespassado por tubos de alumínio e envolto em água (que não permite a fuga de radiação).
Fig. 1 - O núcleo com os tubos e o escudo biológico
Seré uma silo com 8000t de Coke de Petróleo que pode fazer parte de uma instalção industrial  completamente disfarçado.

A carga de combustível.
Transforma-se o oxido de Urânio Natural em varas de metal com 1.5 cm de diametro e enfiam-se dentro de varetas de aluminio estanques que se agrupam em conjuntos de 7 que se colocam dentro dos tubos de alumínio que trespassam o reactor.
Fig. 2 - O tubo e a organização do combustível

Não havendo cálculos pormenorizados das características do reactor, não se sabe quanto combustivel é necessário para "acender" a reacção em cadeia. Para isso colocam-se alguns contadores geiguer na parede do reactor. São baratos e de fácil aquisição. Vai-se preenchendo os tubos, de fora para o centro, com combustível nuclear e vai-se marcando o nível de radioactividade num gráfico. Se não houver uma "fonte de neutrões" esta operação  tem que ser feito de forma lenta, levando meses.


A refrigeração.
A potência do reactor vai ser muito inferior ao usado numa central nuclear comercial que consegue 100MWt por m3. Aqui, não é certo qual o nível de potência mas poderá andar, no centro, num máximo de 2MWt/m3 e na periferia em 1MWt/m3.
A refrigeração será a ar atmosférico, em circuito aberto. Para controlar a reacção, haverá a possibilidade de injectar água, também em circuito aberto, nos tubos do meio.
O Alumínio não pode ultrapassar os 250ºC pelo que, caso o ar saia a um temperatura superior a 200ºC, injecta-se água no tubo até que a temperatura desça abaixo desse valor.

Usam-se varas de prata para controlar em caso de emergência o reactor e para o "desligar".


Quanto custa isto?.
Serão precisas 350t de Urânio que custam 35 milhões €, 8000t de Coke de petróleo que custam 3 milhões € e a infraestura custará  20 milhões €. Totalizará 58 milhões €.

E agora?
Agora vem o Cobalto. Pega-se em Nitrato de Cobalto (por ser solúvel em água) compacta-se nas mesmas varetas usadas para o combustivel e enfiam-se em tubos que ficaram livres no centro de reactor (onde o fluxo de neutrões é maior). Num tubo cabem 50 kg de Nitrato de Cobalto Anidro.
Também se pode colocar Cobalto metálico em esferas pequenas em latas tipo "coca-cola" de aço-inox.
A filosofia é colocar num recipiente que não precise manipulação depois da irradiação porque o material vai ficar muito radioactivo.
Lentamente, algum do Cobalto vai-se transformar em Cobalto 60.
Vamos supor acontece a transformação de 0.1% do cobalto em 3 anos. Serão 50g de material radioactivo.
Cinquenta gramas de Cobalto 60 contaminam 370 km2 durante 16 anos com uma nível de radioactividade superior a 40Ci que é o nível da zona de exclusão absoluta de Chernobyl e demorará 50 anos a atingir um nível de radioactividade aceitável.
Então, pegando nestes 50kg de nitrato de colanto e descarregando-o no Rio Hudson, Nova York deixa de poder ser habitada durante dezenas de anos.
On então, mistura-se o cobalto com um explosivo convencional e faz-se a famosa "bomba suja".

Como nos podemos proteger deste perigo?
Os USA colocaram em órbita satélites que medem o nível de radiação gama emitida pela terra.
O Oxigénio do ar e da água que passa pelo reactor torna-se activo(N16) emitindo radiação gama. Então, sendo usada refrigeração em circuito aberto, é possivel detectar um aumento da radiação gama na zona.
Mas não é certo que consiga ser detectado.
Quanto menor for a potência do reactor, mais dificil será detectá-lo.
Por isso, a paranóia dos americanos, dos israelitas e de outros é ser possível que algures perdido no meio do Irão, da Somália, do Pakistão ou de outro sítio qualquer, alguém tenha um reactor pronto a produzir cobalto 60.

Afinal, o perigo é real.
Existe mas não se pode assustar a população. O povinho acha que é imperialismo os americanos andarem por ai feitos cães danados, mas o perigo de aparecerem atentados radioactivos é muito sério não precisa de nenhuma tecnologia sofisticada.
Americanos, pá, não se destraiam.

Pedro Cosme Costa Vieira

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O problema dos medicamentos a crédito

Os medicamentos são um "Ovo de Colombo": custa muito a descobrir uma molécula com efeitos terapêuticos mas, uma vez descoberta, custa pouco produzir o medicamento.
Por exemplo, supondo que o preço final de venda do medicamento da SIDA é 100€/u. então, 75€/u. vão para o laboratório que descobriu o medicamento, 24€/u. vão para a margem da comercialização (distribuidor e farmácia) e 1€/u. vai para a produção.

Fig. 1 - A suspensão dos pagamento aos fornecedores é o precursor da bancarrota

A concorrência
Se não houvesse patentes que protegessem o investimento feito na investigação então, qualquer um poderia copiar o medicamento. É o que acontece com os genéricos. Desta forma o preço do medicamento ficaria reduzido a 1.25€/u.. Aparentemente seria positivo mas acabava a investigação em novos medicamentos.
Para haver investigação de novos medicamentos a sua descoberta tem que ser lucrativa. Sem patentes, nunca o seria.
Por exemplo, as doenças tropicais, por ocorrem principalmente em países pobres, não têm potencial comercial pelo que a  investigação de novos medicamentos tem que ser subsidiada pela ONU.

A venda a crédito
A estratégia que maximiza o lucro do laboratório é afixar um preço diferente para cada país. Assim, deveria cobrar um preço elevado nos países ricos e um preço baixo nos países pobres que, de outra forma , não compraria o medicamento. Chama-se a isto a "divisão do mercado".
Por exemplo, vendendo o medicamento da SIDA nos países da OCDE a 76€/u. (+24€ para a comercialização), nos países intermédios a 36€/u.(+14€ para a comercialização) e nos países pobres a 5€/u. (+2€ para a comercialização).
Mas é proibido pelo Organização Mundial do Comercio vender a preços diferentes em regiões diferentes. A literatura diz que isso uma prática anti-concorrencial.
Então, uma alternativa permitida é vender a crédito para os países mais pobres sendo os juros imputados ao vendedor.

O preço real de venda
Como os laboratórios não são instituições de crédito, uma vez efectuada a venda, o activo é transaccionado à taxa de juro do mercado.
Por exemplo, o laboratório vende a 100€/u. para a República Centro Africana que só vai pagar daqui a 10 anos. Vamos supor uma taxa de juro de mercado de 35%/ano então, o laboratório vai vender essa divida por 5€ = (1+35%)^-10. Apesar de formalmente vender por 100€, de facto está a vender por 5€.
A República Centro Africana arranja países doadores que comprem os activos ao laboratório pelos 5€/u.
O mais interessante é que o mercado diz automaticamente na taxa de juro quais os países financeiramente mais frágeis e que por isso incorpora automaticamente maior desconto para os mais frágeis.

Esta também é uma das razões para os países venderem bens e serviços que têm no preço final  uma componente fixa muito elevada (por exemplo, aviões comerciais, reactores nucleares, submarinos, etc.): é um desconto no preço real sem o ser no preço nominal.

O problema grego e português.
O medicamento é vendido a 100€/u. dos quais 25€/u. são para a comercialização.
Em Portugal a farmácia recebe 100€/u. a um ano. Então, para uma taxa de juro de 17%/ano (que é quanto está o Risco da República), vai ser equivalente a vender a pronto por 85.5€/u. A farmácia retira  25€/u. e entrega 60.5€/u ao laboratório que paga 1€/u. pela produção. OK, o laboratório teve uma margem de 59.5€/u.
Agora vejamos a Grécia que está a pagar os medicamentos com 3 anos de atraso e com taxas de juro da república na ordem dos 65%/ano.
A farmácia grega vendeu por 100€ mas é equivalente a receber a pronto 22.26€ =  (1+65%)^-3. Descontando os 25€/u. para a comercialização, não fica nada para o laboratório que não consegue pagar os custos de produção.
Naturalmente, o laboratório recusa-se a vender pois, no mínimo dos mínimos, tinha que receber 1€/u.
Acresce ainda o risco de os hospitais gregos começarem a vender os medicamentos, que não pagam, para países terceiros prejudicando as vendas do laboratório.

Será um problema muito grave?
Gravíssimo.
Ai mas as pessoas têm direito a um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade, blá blá blá blá.
Mas porque será que nos países com menor rendimento as pessoas duram menos tempo?

Fig. 1 - Relação entre esperança de vida à nascença e PIB per capital, ppc (fonte: Banco Mundial)

São os direitos abstratos que depois não há como fazer cumprir.
É como o Alberto João que pensa ser justificação para a divida colossal ter feito muitas coisas.
Primeiro, são obras de pequena utilidade. Se assim não fosse, as obras geravam receitas capazes de amortizar o investimento não sendo preciso carregar os cubanos do cont'nente.
Segundo, se os Madeirenses têm direito a viver bem, também  os de Arouca e os de Marrocos e não me consta que façam lá obras escondidas e depois nos venham apresentar a conta.

Escolhe outro, amigo.
Ser pobre custa muito mas quem não pode, não pode. Não vale a pena berrar.

Pedro Cosme Costa Vieira



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A constituição e o limite ao endividamento

Estimado Francisco, obrigado pela questão.
A taxa de juro real de longo prazo exigida a Portugal está acima de 10%/ano. Real quer dizer que se retira da taxa nominal, 12 ponto tal, a taxa de inflação, 2%/ano. Estas taxas de juro levam qualquer país à miséria. São taxas observadas apenas em países em guerra.
A taxa está elevada porque os credores não acreditam que Portugal vá pagar o que deve. Ou vai entrar em bancarrota ou vai abandonar o Euro.
Nunca nenhum país conseguiu manter-se numa zona monetária (i.e., o câmbio fixo) depois de os credores anteciparem que iria sair.

Fig. 1 - Angola, diz a Constituição, é uma Democracia.
Erfuhr von der portugiesischen (este aprendeu com os portugueses)

É uma profecia que se faz auto-concretizar.
Imagine que um barco de recreio que afunda a 10 km da costa e decorrida uma hora chega o pedido de socorro aos helicopteristas. Se estes estão a jogar sueca e dizem "éh pá, o mar está muito bravo, vão morrer todos na mesma, não vale a pena apressarmo-nos", automaticamente que morrem todos.

Será que o Salazar era um froxo?
Nunca mais as taxas de juro vão descer. Isto já aconteceu centenas de vezes e nunca teve solução. É esta a razão porque cada país tem a sua moeda. O Francisco não se recorda, mas nas "províncias ultramarinas" começou por circular o Escudo mas o Salazar teve que criar uma moeda para província. Mesmo dizendo que eram parte integrante de Portugal, não conseguiu manter a províncias ultramarinas integradas na Zona Escudo.
Até o Macauzito teve que ter a Pataca que ainda hoje perdura. A China não integrou Macau na sua Zona Monetária. Serão os chinas nabos e nós os mais finos do Mundo? Mau. Eu sou democrata e 1300 milhões a dizer que não funciona e 10 milhões a dizer que funciona, eu vou pelos 1300 milhões.

Eu andava no Thai Shi
E havia um Grande Mestre Chinês que, uma vez por ano, vinha de Inglaterra dar uma aula. Batia com o pé no chão e o prédio estremecia todo mas eu, está quieto que isto é frágil. "Nau, Nau foot stlong, stlong". Um dia, "stlong, stlong, bummmm, aiiiiiii, xhau xhing stal fui di do". Partiu o tornozelo.

Escrever na Constituição
Portugal assinou tratados com a UE na qual se comprometeu a ter um défice menor que 3% do PIB, tendencialmente 0% e uma dívida pública inferior a 60% do PIB, tendencialmente 30%. Mas nunca cumpriu. E o governo do Guterres, Santana Lopes, Sócrates, Alberto João e grande percentagem da população portuguesa está-se borrifando para isso.
Então, assinar mais papeis não aumenta a nossa credibilidade em nada.
A sr.a Merkel pensou que, se os PIIGS escreverem na Constituição, talvez eu consiga convencer os alemães a ajudá-los.

É perda de tempo.
Vamos supor que se escreve na constituição que a défice tem que ser menor que 3% do PIB. Na lei do orçamento, tudo bem: se estiver lá previsto um défice maior que 3%, a lei de orçamento será inconstitucional.
O problema está na concretização do orçamento. Como se faz quando houver um desvio? o Estado não paga? Os credores perdem o dinheiro? O tribunal de contas tem que dar visto prévio? mas agora já é praticamente assim e ninguém cumpre.

O que está escrito na Constituição
Que toda a pessoa tem direito a constituir família. E as feias e gordas que não arranjam ninguém o que podem fazer? Metém o Estado em tribunal? Pedem ao Tribunal Constitucional que lhes arrange um parceiro? Pedem indemnização ao Estado? Ainda na sexta-feira passada uma veio a minha casa com essa conversa. A Constituição, a Constituição, ... Fui logo consultar um advogado que me disse que todos temos obrigação de promover o cumprimento da Constituição pelo que vou ter que a carimbar. Lá terá que ser por obrigação da Constitucional.
O Afeganistão escreveu na Constituição que é um estado laico e que a pessoa pode ter a religião que quiser. Alguém acredita que vão dar cumprimento a isto?
O Kadaffi também dizia que era um democrata.

Não vale a pena perder tinta com isso.
É como um mulher feia pensar que dizendo trinta vezes seguida que é bonita que melhora. Não vale a pena. Ninguém vai acreditar que, de repente, vamos mudar de caloteiros para cumpridores.
E depois mete-se o Alberto João a Primeiro Ministro.
E é pior escrever pensando que os nossos problemas vão ficar resolvidos, depois constatar que as taxas de juro se mantêm altas, e o povo ver que o Governo não sabe o que anda a fazer.

Temos é que tratar dos nossos problemas.
Cortar salários o que irá reduzir o desemprego, aumentar as exportações e trazer crescimento económico.
Aumentar os impostos e reduzir as reformas, abonos, assistência médica, ensino, para reduzir o endividamento do Estado.
Sair do euro.
Tudo o resto é dar rebuçados benzidos pelo Padre Pio pensando que curam o cancro.

Um abraço,

Pedro Cosme Costa Vieira

sábado, 3 de setembro de 2011

Será que o governo se aguenta até ao Natal?

O Pedro é bom rapaz, o Álvaro é uma jóia, o Gaspar é um castiço sempre a dar sinais de luzes com as mãos. Mas este governo é fracote. Pensam que as coisas se resolvem com falas mansas, com um aumentozito e logo depois um passe social para os coitadinhos. Não vão a lado nenhum  

Fig. 1 - É o bicho, é o bicho vou-tas apalpar.

O PSD e a mamadeira.
As pessoas acreditam em milagres. Os da direitistas acreditam na "Nossa Senhora de Fátima" e no "Valha-me Deus" e os esquerditas na "defesa da classe média", no "ataque aos capitalistas" e na "redução da despesa". Tudo miragens.
Depois vem o concreto.
Na Madeira são 500 milhões nas duas primeira "pinguinhas" pois, como reconheceu o Alberto João, as coisas agora vão vir, virão, às pinguinhas. Eu diria, no fim do virão, serão baldadas.
Temos as empresas públicas controladas pelos PSDezistas e que é preciso liquidar.
Temos as empresas privadas que têm as PPPs, contratos de SCUTS, TGVs, e cancalhada, as éolicas e a co-geração que recebem do PERE e que são geridas por PSDistas.
Ei no que o homem foi mexer.
Até a Ferreira Leite veio a terreiro.

O que é preciso fazer: dizer a verdade.

Fig. 2 - A senhora tem uns olhos bonitos pelo que fazendo umas madeixas, fica perfeita.

1. Portugal está completamente falido.
Fora o dinheiro que a Troika mete cá, o Estado endivida-se 500milhões de € a cada 15 dias a um prazo de 6 meses. Quer dizer que daqui a 6 meses vai ter que pagar estes empréstimos e não tem onde ir buscar dinheiro. Daqui a 6 meses, vai-se endividar 500M€ por semana. É uma loucura total.
Mesmo assim, não consegue pagar aos advogados, os medicamentos dos hospitais, as obras em curso, fornecimentos, está a atrasar todos os pagamentos. É uma falência total.

2. Não é possível cortar a despesa pública.
Como já referi, 2/3 da despesa são transferências da Segurança Social (reformas, RSI, Sub. de  desemprego, abonos, ajuda aos velhinhos dos lares, crianças abandonadas) e salários. Como é possível cortar isto se não se fala em cortar reformas nem salários?
No que sobra, 35% são despesas em saúde que não salários. Como é possível cortar isto se não se fala em renegociar os contratos de fornecimentos de serviços?
É impossível. É uma mentira para anestesiar. Depois vai acontecer como no tempo do Sócrates e na Madeira, nada se concretiza.

Onde estão os instrumentos de política.
Imaginem um carro que gasta 6l/100km e eu anuncio que vou reduzir o consumo como nunca ninguém conseguiu fazer desde 1950. Mas vou reduzir como? Que instrumento é que eu vou utilizar? Fica-se pela minha vontade de entrar no guinness? Eu teria que dizer que "existe um parafuso no carburador que virando para a direita meia volta, o consumo reduz-se e vamos usar esse parafuso".
O governo tinha que dizer os instrumentos de política que vai utilizar.
Como vai reduzir a despesa da S.S.? Vai reduzir as pensões?
Como vai reduzir a despesa no ensino? Vai reduzir os salários?
E na prestação de serviços? Vai fazer uma lei em que os pagamentos nos acordos de PPPs se reduzem em 10%?
Corta na Saúde como? As pessoas vão pagar mais taxas moderadoras? Vai fazer o quê?
Isto é conversa para adormecer as criancinhas e o pisca pisca é para nos hipnotizar.
Eu vou, pisca pisca, cortar, pisca pisca, na despesa, pisca pisca, e vou ajudar, pisca pisca, toda a gente, pisca pisca, a Madeira, pisca pisca, vai assinar, pisca pisca, um acordo, pisca pisca, de estabilização, pisca pisca, a gente entrega-lhe a massa, pisca pisca, e o Alberto João usa o acordo, pisca pisca, para limpar o cu.
O estimado leitor provavelmente não percebeu o fim da frase anterior porque já estava hipnotizado. Volte lá para ver que o governo vai mandar 1000M€ para a Madeira e eles continuam no regabofe.

3. Falar claramente nos impostos.
O Gaspar tem que dizer claramente que os impostos têm que subir 20%. Que o IVA tem que ir para 30%. Que as contribuições para a Segurança Social têm que aumentar 20%. Que os preços dos transportes têm que aumentar mais 20%.

Estamos num manicómio.
Subiram os transportes e quando o povo já estava preparado, voltam atrás ficando as pessoas a pagar ainda menos que pagavam antes dos aumentos. Mas o Estado não vai compensar as Empresas Públicas.
Então quem vai? Vão falir? Conversa fiada.
E os Estaleiros de Viana do Castelo? Mais um adiamento e lá continuam 720 homens ao alto.

Diz o Papa, o Jorge Nuno.
Quando começam a dizer que um jogador ou treinador está a pedra e cal, dura lá pouco.
Quando o Gaspar vem dizer que "não vamos falhar" para depois amenizar "não podemos falhar" e dar logo o dito por não dito "falhar será terrível" quer dizer que não é capaz de levar a nau a bom porto.
Já falhou e será terrível, pisca pisca.

Pedro Cosme Costa Vieira

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