sexta-feira, 30 de junho de 2023

Com políticos ignorantes, o Banco Central não pode ter taxas de juro

Os nossos políticos não percebem nada de economia.

Mas os políticos não percebem porque o povo (que é quem os elege) também não percebe nem quer perceber.

Os políticos em democracia são, por natureza, populistas porque querem ter votos o. Só resta aos políticos que querem ter sucesso dizer mentiras (afirmando aquilo em que não acreditam) ou serem ignorantes.

No meu entender, é melhor ter políticos que mentem para convencer o povinho a votar neles (mas que sabem a verdade e, "na escuridão"", vão introduzindo as políticas corretas) do que políticos verdadeiros mas que não percebem nada do assunto.

Vamos então ao sistema monetário.


1 = Os bens têm de ter um preço.

Para termos uma economia complexa, em que há vendas e compras de bens, cada bem tem de ter um preço. 


O PREÇO REAL 

O preço real tem por referência um bem da economia que tem valor e que vai funcionar como unidade de valor. Vamos supor que o "bem de referência" é um quilograma de arroz carolino de marca branca (vou-lhe chamar ACMB). A partir daqui, podemos dizer os preços reais dos bens:

O preço do frango é 1.8 ACMB por quilograma.

O preço de um Tesla modelo 3 é de 41499 ACMB.

Usar o ACMB como moeda é difícil. Imaginar chegar a um stand e entregar 41499 kg de arroz para comprar o tesla. Além da quantidade, o arroz precisa de boas condições de armazenamento e, com o tempo, estraga-se.

Historicamente, o "bem de referência" é o Ouro (e os trocos, a prata). Cada bem tem um preço em gramas de ouro.

O preço do frango é 0,042 g de ouro por kg e o preço do Tesla modelo 3 é 864 g de ouro.


A quantidade de ouro em circulação não é controlável.

A moeda é usada nas transacções mas também como reserva de valor (as pessoas podem guardar moeda debaixo do colchão para usar no futuro).

O que se observa é que, quando a economia cresce, é preciso mais moeda porque há mais transacções. Se, por exemplo, a economia cresce 5%/ano, mantendo tudo o resto constante, será preciso aumentar a quantidade de moeda em circulação em 5%/ano. Isto é verdade mas apenas no longo prazo.

No curto prazo, há flutuações nas necessidades de moeda. Observa que, quando há uma crise, as pessoas guardam muita moeda "debaixo do colchão" e, pelo contrário, quando a crise acaba, as pessoas tiram a moeda e colocam-na em circulação.

O efeito de curto prazo é muito mais forte que o efeito de longo prazo, e a função do Banco Central é manter a quantidade de moeda em circulação na linha de tendência de longo prazo. Assim, tem de meter mais moeda em circulação quando as pessoas a metem debaixo do colchão (durante as crises) e vice-versa.

O problema do ouro é que a "emissão de nova moeda" está dependente da produção das minas que não tem ligação com as necessidades monetárias.


O PREÇO NOMINAL.

Para a quantidade de moeda em circulação ser controlável pelo soberano, é necessário que seja barata de fazer, difícil de falsificar, fácil de transportar e que não se estrague com o tempo.Surgiu então o papel moeda (as notas).

As notas não têm valor intrinco, são apenas papeis cujo valor de troca está apenas baseado na palavra do soberano de que, no longo prazo, não vai imprimir mais notas.

Agora, os preços deixam de ser REAIS, ser denominados em termos de um bem com valor, e passam a ser NOMINAIS, serem apenas denominados em referência a um número, euros, dólares ou pesos.

Os preços denominados em papel são os preços que vemos no supermercado.

Agora, se aumentar a quantidade de papel em circulação, isto é, o soberano imprimir muitas notas, o papel perde valor (se há mais, então, passa a valer menos), isto é, a moeda desvaloriza o que é a contrapartida para os preços nominais aumentarem.

Se ontem um papel permitia comprar um quilograma de carne, como hoje há muito mais papel, este vale menos passando a ser necessário 2 papeis para comprar a mesma quantidade de carne. A inflação foi de 100%.


A importância da promessa do soberano.

É que quando as pessoas guardam notas debaixo do colchão querem que o seu valor perdure no tempo. Se o soberano, de hoje para amanhã, imprime mais notas, as notas guardadas perdem valor.

Ao perderem valor, ninguém quer usar as notas que, rapidamente, perdem o valor e, consequentemente, a inflação dispara.

Fig. 1 = Taxa de inflação no Zimbabwe, 1980-2002 

2 = Vamos ao Banco Central.

O banco central tem por única função manter a quantidade de moeda em circulação constante.

Quando, no princípio das crises, as pessoas metem as notas debaixo do colchão, o banco central lança mais notas na economia. no fim das crises, quando as pessoas começam a tirar as notas do colchão, o banco central tem de retirar notas de circulação.


O banco central  mede se há notas em excesso, observando a taxa de inflação.

Se a taxa de inflação é elevada, então, as notas estão a desvalorizar o que traduz que há notas a mais a circular. Tira notas da economia.

Se a taxa de inflação é baixa (podendo ser negativa), então, as notas estão a valorizar o que traduz que há notas a menos a circular. Mete notas na economia.

Fig. 2 - Taxa de inflação nos USA e na Zona Euro (objectivo nos 2%/ano)


O banco central  deveria ter retirado notas de circulação em 2021.

Quando veio a crise de 2020 (em resposta ao confinamento da pandemia), os bancos centrais injectaram muita moeda nas economia. Essa moeda foi transformada em subsídios por parte dos estados que se traduziu em poupança das famílias que era falsa (aparentemente poupou-se mas foram apenas notas a substituir o que não foi produzido durante o confinamento).

Quando as pessoas começaram a gastar essas notas, não havia bens na economia o que fez com que os preços aumentassem.


Essas notas deveriam ter sido retiradas de circulação quando o confinamento acabou. 

Deveria mas os governos populistas não deixaram.

O discurso foi "Este aumento dos preços é de curto prazo".

Como as notas não foram retiradas de circulação em 2021, foi preciso retira-las em 2022 e 2023.


3 = E como o banco central retira as notas de circulação?

Se o banco central quiser meter mais notas em circulação, o mais intuitivo é "comprar" títulos de dívida pública (que guarda no cofre) com dinheiro novo (que imprime ou que tinha guardado no cofre).

Se o banco central quiser retirar notas de circulação, o mais intuitivo é "vender" os títulos de dívida pública que tem no cofre e destruir o dinheiro arrecadado (metê-lo no cofre à espera da próxima crise).


O banco central também pode obrigar os bancos a guardar notas!

Os bancos aceitam depósitos (de notas) e concedem crédito (em notas). O banco central pode impor aos bancos que X% dos depósitos têm de ser guardados no cofre (são as reservas obrigatórias).

Vamos supor que as reservas obrigatórias são 20% dos depósitos. 

Se o banco central pretender que a quantidade de notas em circulação aumente, diz aos bancos "A partir de hoje, as reservas obrigatórias descem para 19%".

Se o banco central pretender que a quantidade de notas em circulação dimnua, diz aos bancos "A partir de hoje, as reservas obrigatórias descem para 21%".


O banco central não tem nada a ver com taxas de juro!

O banco central compra coisas (lança notas na economia) e vende coisas (retira notas da economia). Depois, se a taxa de juro aumenta ou diminui é um problema do equilíbrio do mercado da poupança.


4 = De onde vem a taxa de juro (taxa de desconto) do banco central?

É que o banco central pode aumentar ou diminuir a quantidade de moeda em circulação concedendo empréstimos ou aceitando depósitos.

Em vez de comprar/vender activos ou impor reservas aos bancos, o banco central vai anunciar uma taxa de juro, por exemplo, 3%/ano e aceita todos os depósitos em notas que o sistema bancário quiser depositas a 2.5%/ano (taxa de desconto passiva) e concede todo o crédito em notas que os bancos queiram pedir (taxa de desconto activa).

A diferença chama-se Janela de Desconto.


Porque se chama taxa de desconto.

Quando uma pessoa pede 100€ durante um ano à taxa de 10%/ano, vai pagar no fim do prazo 110€.

No banco central, a pessoa pede 100€, que vai pagar no fim do ano, mas só vai receber 90,91€. Somando 10% aos 90.91€, teremos de pagar 100€. Como o dinheiro que recebemos tem "um desconto", chama-se  "taxa de desconto" a esta taxa de juro.


A gestão com a taxa de desconto transmite mais informação ao mercado.

A gestão de uma zona monetária usando a janela de desconto permite um comportamento mais suave da economia mas há países que não utilizam este instrumento.

Nesses países em que o povo é ignorante, onde pensam que o EURIBOR sobe por causa da taxa de desconto do banco central subir, o governador do banco central não consegue resistir à pressão política pelo que não concede nem aceita notas (não fixa nenhuma taxa de desconto).


Parece que Portugal está no grupo dos "países ignorantes"

Eu ouço iminentes professores catedráticos, presidente da república, líder da oposição, comentadores de economia e o povo dizer que o BCE tem de parar com os aumentos na taxa de desconto "porque as pessoas estão à rasca com o crédito à habitação".

Mas nada disso é verdade, a intervenção do BCE não é a causa da subida da EURIBOR mas o contrário, a subida da EURIBOR é que obriga o BCE a subir a taxa de desconto.

A EURIBOR é a taxa de juro com que um banco se pode financiar junto de outro banco. Se o BCE emprestar notas a uma taxa de juro menor, isso vai inundar a economia com notas novas.


FINALMENTE = Como se pode resolver o problema dos créditos à habitação.

Os juros que se pagam têm uma parte que é a taxa de juro real e a outra parte é a inflação.

O que o governo pode fazer é obrigar os bancos a retirar a inflação das amortizações.


Vou detalhar.

A taxa de inflação deveria ser de 2%/ano e está em 5.5%/ano. Vamos calcular a diferença, 5.5%-2% = 3.5%.

Agora, vamos à taxa da EURIBOR por exemplo, 4,3%/ano, e retiramos os 3.5%, ficando 0,8%/ano.

A prestação passa a ser calculada com os 0,8%/ano e os 3.5% aumentam o valor em dívida.

Quando a taxa de inflação descer, faz-se a conta em sentido contrário. 

Solução simples, economicamente fundamentada e fácil de implementar.

No Brasil chama-se a isto "correcção monetária".

sexta-feira, 16 de junho de 2023

A produtividade não cresce, os salários não crescem

Veio um estudo dizer que os licenciados ganham cada vez menos.

Este estudo apenas vem dizer o óbvio. Se a economia está estagnada, os licenciados têm um salário superior à média e há cada vez mais licenciados, a simples recomposição do mercado de trabalho obriga a que os salários dos licenciados tenham de diminuir.


A produtividade está em 2023 ligeiramente abaixo de 2013.

A produtividade bruta mede o PIB por cada trabalhador. Chama-se Bruta porque não retira a depreciação do capital. 

Peguei nos dados disponíveis no INE para o PIB a preços constantes e para o número de trabalhadores e dividi o PIB pelos trabalhadores. Depois, escalei os resultados para ter 100 em 2013.

Eu já sabia que a produtividade em 2023 é 99 que compara com 100 em 2013, uma redução. Isto quantifica que, em 2023, um trabalhador produz menos valor do que produzia em 2013!!!!!!!!!!!!

Fig. 1 - Produtividade relativa a 2013 (dados, INE)

Dez anos perdidos.

Já todos sabemos que a nossa economia praticamente não cresce desde 1999. Em termos médios, tem crescido uns ténues 0,9%/ano. Mas, até 2013, como esse pouco crescimento foi acompanhado pela diminuição no número de trabalhadores, a produtividade cresceu um pouco mais, 1,3%/ano.

Mas desde 2013, a produtividade está totalmente estagnada, nos últimos 4 trimestres foi 99 e nos 4 trimestres de 2013 foi 100.


A percentagem de licenciados aumentou.

Há quem defenda que a escolaridade é um forte motor do crescimento económico. E até pode ser verdade e, por causa disso, os governos têm apostado na escolaridade o que leva a que a nossa população empregada tenha cada vez mais escolaridade. Se em 2013 24% dos trabalhadores tinha concluído a licenciatura, em 2023, estamos nos 36%. Isto traduz um aumento relativo de 4,3%/anos.

O problema é que, apesar do constante aumento da percentagem de trabalhadores licenciados, vemos na figura 1 que a produtividade não aumenta!!!!!

Isto traduz que os licenciados estão a substituir nos postos de trabalho os não licenciados mas não conseguem produzir mais valor. Talvez os postos de trabalha sejam os mesmos, tarefas repetitivas e com pouca necessidade de conhecimento.

Talvez o mais provável seja que o que se aprende nas licenciaturas não é produtivo.

 

Fig. 2 - Percentagem de trabalhadores com licenciatura (dados, INE)

Agora, é só dividir o bolo pelos comensais.

Vamos supor que os 100 produzidos em 2013 era dividido por 24 licenciados e 76 não licenciados em que os licenciados ganhavam mais 50% que os não licenciados. Teríamos como salários (números relativos):

Licenciados = 1,34/mês e Não Licenciados = 0,89/mês.

Em 2023 só produzimos 99 que é preciso dividir por 36 licenciados e 64 não licenciados. Se os salários dos não licenciados aumentaram 0,1%/ano para 0,90/mês, os salários dos licenciados tiveram de diminuir para 1,15/mês que corresponde a +27% do que os não licenciados.

Puras contas de somar e subtrair mostra que o salário dos licenciados só poderia descer e que o prémio de ter licenciatura só podia diminuir de 50% para 27%.


O António Costa, enquanto lá esteve o Passos Coelho, só gritava pela produtividade.

E prometeu que iria fazer muito melhor do que o Cavaco Silva e o Passos Coelho.

Era a ferrovia, a TAP, a EFACEC, TGV, a economia do mar, as ligações históricas aos PALOP e Brasil, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá que os governos de direita desaproveitaram e que iriam ser o grande motor do desenvolvimento do Portugal Xoxalista.

Já lá está, mais a cancalhada toda, faz 7 anos e 7 meses, e está tudo uma pasmaceira.


E se as eleições legislativas fossem hoje?

Pegando na duas últimas sondagens ICS-ISCTE para SIC/Expresso, o parlamento iria ter

       PS entre 80 e 94 deputados (tem 120)

       PSD entre 79 e 93 deputados (tem 77)

       CHEGA entre 28 e 39 deputados (tem 12)

       IL entre 3 e 9 (tem 8)

       BE entre 6 e 12 deputados (tem 5)

      CDU entre 6 e 12 (tem 6)


O PS desce mas só o CHEGA cresce significativamente!!!!

Vivemos num pântano onde a esquerda desgoverna e o PSD nada diz.

O PSD já perguntou quantos passageiros são transportados na linha de comboios que liga a Guarda a Castelo Branco e que custou 150 milhões aos contribuintes?

Não.

O PSD já perguntou porque mandaram a GroundForce à falência e meteram centenas de milhões de euros na EFACEC?

Não.


E a alternativa de direita PSD+IL+CDS+PPM+Tino+Bobi+Tareco?

PSD+IL+CDS+PPM+Tino+Bobi+Tareco teria entre 84 e 99 deputados, contra 98 a 112 deputados do PS+BE+PCP. Nem pensar.

PSD+ CHEGA teriam 112 a 127, já dá (mesmo sem a IL que está cada vez mais um partido radical contra CHEGA e sem qualquer ideia viável).

Não há alternativa possível de direita sem o CHEGA.


#Código usado no tratamento das sondagens

n=1516 #soma de todas as sondagens

partido = c("PS","PSD","CHEGA","BE","CDU","IL", "Outros")

populacao =c(458,450,195,75,75,60, 203)


iter=10000

signif=2.5/100*iter

deputados=matrix(rep(0,6*iter),ncol=6,nrow=iter)

for (i in 1:iter)

    {respostas = sample(1:7,n,replace=TRUE,prob=populacao)

     sondagem = table(respostas)

     perc = sondagem[1:6]/ sum(sondagem[1:6])

     total= sum(round(284.39*perc - 6.8194,0))

     deputados[i,] = round((284.39*perc - 6.8194)*230/total,0)

    }

for (i in 1:6)

    {dep=sort(deputados[,i])

     print(c(partido[i],dep[signif],dep[iter-signif]))

    }


esquerda=deputados[,1]+deputados[,4]+deputados[,5]

dep=sort(esquerda)

c(dep[signif],dep[iter-signif])

psd_il=deputados[,2]+deputados[,6]+deputados[,3]

dep=sort(psd_il)

c(dep[signif],dep[iter-signif])

psd_chega=deputados[,2]+deputados[,3]

dep=sort(psd_chega)

c(dep[signif],dep[iter-signif])


segunda-feira, 12 de junho de 2023

Água = Dessalinização ou transvases?

Não há falta de água doce em Portugal.

Muitas pessoas sentem-se intoxicadas pelos nossos desgovernantes no sentido de que Portugal não tem  água potável para matar a sede aos portugueses.

São intoxicadas porque tal está a milhas da verdade.

Em Portugal são captados 27 m3/s e distribuídos 19 M3/s de água pela rede pública para consumo  nas nossas casas, serviços e indústria (Pordata, 2020). Para compararmos, estas captações correspondem a 8% do caudal do Rio Lima, rio que a maior parte dos portugueses nem sabe que existe.

Somando apenas os 5 rios do Norte de Portugal (Minho, Lima, Cávado, Ave e Douro), 27m3/s são menos de 1.8% do caudal médio total de 1520 m3/s que corre desses rios para o Mar.

Essa a água que corre para o Mar pode ser captada sem qualquer custo, à borliex. Tem é de ser transportada (são os famosos transvases).


Quem precisa de água é a agricultura.

Já mostrei que não há falta de água para as nossas casas, serviços ou industria. Estes sectores podem pagar a água a 1.00€/m3. Por exemplo, uma família de 3 pessoas lisboeta (consumo de 21m3/mês) paga 21€/mês pela água (mais umas parcelas).

Mas quem gasta água de forma massiva é a agricultura, para termos couves, frutas, saladas, leite, carnes, vinhaça e essas  coisas todas que metemos pela goela abaixo e que também exportamos para podermos importar o que não produzimos.

Claro que a maior-parte das pessoas pensa que os alimentos são produzidos nos centros de logística dos hipermercados. Entram uns camiões com matérias primas e saem os alimentos. Mas as matérias primas que entram são os próprios alimentos só que não estão embalados. Não é o pacote que produz o leite!

Se queremos comer, é obrigatório que haja agricultura, seja em Portugal ou noutro sítio qualquer. E para haver agricultura, é obrigatório usar água.

O problema da agricultura é que não pode pagar pela água mais do que 0.05€/m3.

Para a agricultura pagar água a 1.00€/m3, a fruta e os legumes passarão a custar 10€/kg e o povo não pode pagar tal preço. 


Qual é o preço da água no Alqueva?

O Rio Guadiana tem um caudal médio de 70 m3/s que é inferior a 5% do caudal médio total dos 5 rios do Norte.

O preço na albufeira do Alqueva é de 0.038€/m3. Um m3 em Lisboa é 25 vezes mais caro do que a água captada na albufeira de Alqueva. bE a agricultura não pode pagar mais.


 Qual é o preço da água do Mar dessalinizada?

Um balúrdio.

O processo mais eficiente de dessalinizar água do mar é a osmose inversa. Com esta tecnologia, é necessária muita energia, cerca de 3kwh/m3 e este custo representa cerca de 1/3 do custo total. Com a electricidade a 0,15€/kwh, estamos a falar um custo total na ordem de 1,50€/m3.

1,50€ é 50% mais do que pagamos nas nossas casas (haverá que lhe somar muitas mais parcelas como o transporte desde o mar até nossas casas) e é "apenas" 40 vezes o preço da água da barragem de Alqueva.



quinta-feira, 1 de junho de 2023

Empresas estratégicas = as diferenças entre a TAP e a TSMC

Por vezes, é necessário haver apoios públicos a empresas nascentes.

Imaginemos que temos uma carruagem (cheia de passageiros) parada na estação e que a queremos juntar  ao comboio que vai passar a 120km/h (sem paragem).

Se deixarmos a carruagem parada no meio da linha, vamos ser trucidados!

A única hipótese de sucesso é pedir ao chefe da estação que nos ajude a ganhar velocidade para, quando o comboio colidir connosco, já estarmos próximos dos 120km/h.

Este é um argumento para haver ajudas de estado ao nascimento e desenvolvimento de empresas consideradas estratégicas. Por exemplo, o mercado dos automóveis é muito competitivo, tecnologicamente avançado e difícil de entrar mas o Cavaco Silva tendo achado que seria estratégico para Portugal produzir automóveis, concedeu apoios de estado para que a Autoeuropa se instalasse em Portugal.


Mas haver apoios do estado não obriga a que a empresa seja de propriedade pública.

Todos os países que apostaram numa economia centrada em empresas públicas empobreceram.

Este empobrecimento acontece por diversas razões sendo a principal a questão dos incentivos. Como o governo é eleito por maioria, não procura a eficiência económica das empresas públicas mas apenas manter-se no poder (agradar à maioria).

Ter mais votos implica sempre atacar poucos (os ricos, o grande capital, os lucros das grandes empresas e os patrões que ganham milhões que paguem a crise) e proteger muitos (os trabalhadores, os reformados, os desempregados, os velhinhos e as criancinhas não contribuíram em nada para a crise).


Vamos ver o que aconteceu com a TSMC.

Até 1987, uma empresa de processadores ou memórias desenhava o chip e, depois, ela própria, produzia esse chip. Era um mercado integrado verticalmente. O mercado era dominado pela Intel nos USA, a Sony no Japão e a Samsung na Koreia do Sul.

Nessa altura apenas a Apple e a AMD não tinham produção de chips, tendo de "pedir ajuda" às empresas concorrentes. 

Em 1987 Morris Chang teve uma ideia de negócio, produzir chips em Taiwan sem os desenhar. A empresa tinha por objectivo "desintegrar" o mercado dos chips, abrindo a possibilidade, por um lado, de aparecerem mais empresas de desenho de chips e, por outro lado, a empresa concentrar-se na eficiência do processo produtivo.


Mas a tecnologia era altamente sofisticada e o mercado muito concorrencial.

Em 1987 o processador topo de gama era o Intel 80386 que tinha 275 mil transístores num chip com 104 mm2 (por comparação, uma moeda de 1 cêntimo tem o dobro desta área).

Não seria possível uma empresa partir do nada e começar a produzir chips tão complexos, havia necessidade de grandes investimentos e de aguentar longos anos de prejuízos.



Fig. 1 - Comparação entre o tamanho da moeda de 1 cêntimo com um processador Intel 80386

Taiwan deu uma "carta de conforto" mas o dono era o Morris Chang.

Inicialmente, a empresa deu muito prejuízo mas nunca Taiwan imaginou uma "operação harmónio" (como o PS fez na TAP) para reduzir a participação do Morris a zero e o Estado ficar com a empresa.

Com muito investimento, dedicação, sagacidade e apoio, hoje a TSMC é líder de mercado na fabricação de chips.

Em 1987 a Intel conseguia meter 275 mil transístores em 104 mm2, hoje a TSMC consegue meter 30 mil milhões no mesmo chip.


O Morris Chang ficou podre de rico mas isso não interessa.

O que interessa é que a TSMC tem 70 mil trabalhadores bem remunerados, o país Taiwan, a reboque da TSMC privada, é o líder mundial na produção de chips sofisticados e é um país mais rico e seguro por essa empresa estar localizada no seu território.

Sempre que a China ameaça invadir Taiwan, logo os principais líder mundiais dizem "Temos de defender Taiwan por causa da TSMC".


Vamos ver o que aconteceu com a TAP.

A TAP não é nada estratégica para Portugal porque não é uma empresa tecnológica (a tecnologia está nos aviões que são importados), as vendas são principalmente importações (de aviões e de combustível) e não tem potencial para criar um ecossistema tecnológico (os bens e serviços adquiridos em Portugal são de baixa intensidade tecnológica).

A incorporação nacional são refeições horríveis feitas "de plástico" e os salários dos pilotos e dos assistentes de bordo que não têm qualquer potencial de desenvolvimento tecnológico. 


Um exemplo do que é estratégico para Portugal?

Temos um importante sector de bicicletas "clássicas", Portugal é mesmo o maior produtor europeu de bicicletas mas a China está a inundar o mercado com soluções tecnologicamente mais avançadas (bicicletas e trotinetes eletrificadas). 

Era aqui que se deviam investir recursos públicos, no aumento da tecnológica incorporada nas bicicletas e a expansão para as trotinetes.


O problema é a inveja esquerdista.

Os esquerdistas não aceitam que haja pessoas ricas, mesmo que essas pessoas ajudem a economia nacional.

Para os esquerdistas, o lucro é um pecado capital e, por isso, tudo o que é lucrativo tem de ser propriedade do Estado, passando a dar prejuízo porque faz "economia social".

Reparem que os esquerdistas nunca justificam a nacionalização da TAP dizendo "os privados iriam enfiar a TAP num buraco de 3200 milhões de euros que os contribuintes seriam chamados a pagar".

Não, o contribuinte meteu 3200 milhões na TAP porque havia o perigo de os privados terem lucro.

Mais vale uma TAP, EFACEC, CP, CARRIS, STCP, whatever, a dar prejuízo ao contribuinte do que ter privados a ganhar dinheiro com o negócio.


Como deveria ter sido gerido o problema da TAP.

Quando a TAP foi privatizada pelo Passos Coelho, devia 2126 milhões €  (o Estado devia pois era o seu proprietário) e o valor líquido foi avaliado em cerca de 600 milhões € NEGATIVOS.

Vamos supor que estes 600 milhões € negativos eram verdadeiros (penso que o buraco era muito maior), este dinheiro tinha de ser metidos pelo Estado porque era a situação negativa no dia da venda.

No entretanto veio a crise e todas as empresas de aviação tiveram prejuízo. 

Vamos supor que a TAP precisava dos 3200 milhões € mesmo se fosse privada. Isso não obrigava a que a TAP passasse a ser de propriedade pública.


O Estado fazia um empréstimo sem ficar proprietário.

O Estado metia na TAP 600 milhões € (para cobrir o buraco) mais um empréstimo de 2600 milhões € à taxa de juro média de remuneração da dívida pública (mais 0.5 pontos percentuais para despesas).

Anualmente, a TAP teria de amortizar o empréstimo num valor igual a 90% do lucro da empresa.


Lembram-se da Ground-Force?

Era uma empresa com problemas mas que era portuguesa, gerida por portugueses e que fazia o seu trabalho. Acontece que os esquerdistas que nos desgovernam decidiram mandar esta empresa à falência o que causou graves prejuízos aos contribuintes (via TAP que perdeu a cota e os créditos que lá tinha). E isto tudo porque o Casimiro tinha lucros e os esquerdistas não aguentam ver povo com lucros.

Tudo, tudo mas lucros não.

Agora, é uma empresa estrangeira, gerida por estrangeiros e o lucro vai para os estrangeiros.

Na mente dos esquerdistas já pode ter lucro porque são estrangeiros e os portugueses ficaram mais pobre.

Fig. 2 - Diz o esquerdista "Olha que lindo, um pobre, uma indignidade. Deita-se a barraca abaixo e dá-se-lhe um subsídio de 60€/mês para ele ter uma casa digna. E, depois, ele vota em nós."


quarta-feira, 31 de maio de 2023

Os drones em Moscovo servem para testar a resposta a um ataque nuclear russo

Os drones ucranianos conseguiram chegar a Moscovo.

A Ucrânia fabrica drones que viajam a 160km/h, carregam 75kg de carga útil e levam combustível para 1000km. Sendo veículos lentos, pouco mais rápidos do que um carro, seria de pensar que os sistemas sofisticados da Rússia os detectassem mal entrassem no espaço aéreo russo e que fossem neutralizados muito antes de chegarem a Moscovo.

Mas a verdade é que não, voaram como uma gaivota no mar, horas e horas sem fim até que chegarem a Moscovo.

Não causaram dano de monta mas chegaram lá sem ser detectados.


Ficou provado que a capacidade russa antiaérea é nula.

A Rússia está sempre a ameaçar que vai usar armas nucleares tácticas (de pequena capacidade), não tendo a Ucrânia nada para se defender.

Mas a guerra nuclear não vive da defesa mas antes da garantia da destruição mútua. 

Se, alegadamente, a Ucrânia enviou 8 drones a partir de um lugar seguro e não detectado do seu território e estes drones chegaram todos a Moscovo, podem então ser usados para enviar uma carga muito mais perigosa.

Como a Ucrânia não tem cães (armas nucleares) tem de caçar com gatos (drones e resíduos nucleares).


Os resíduos nucleares.

Depois de usado, 100kg de combustível nuclear tem  cerca de 0,5kg de Estrôncio-90,  0,5kg de Césio-137 e 0,1kg de Iodo-129. Estes isótopos são difíceis de controlar porque são solúveis na água, são radioactivos durante 100 anos e são mortais porque substituem o Cálcio  nos ossos (o Estrôncio-90), o Potássio nas células (o Césio-137) e o iodo natural na tiróide (Iodo-90).


Central nuclear de Zaporijia


Vamos só imaginar!

Hora 0 = A Rússia rebenta teatros de operações com bombas nucleares tácticas.

Há grande mortandade na Ucrânia.


Hora 1 = A Ucrânia envia 100 drones, cada um com 75kg de resíduos nucleares, para Moscovo (600km de distância) e outros 100 para São Petersburgo (950km de distância).

Nada acontece.

Hora 6 = Os drones chegam a Moscovo, explodem por si ou pelos mísseis de defesa antiaérea, libertando a sua carga radioactiva.

Hora 7 = Os drones chegam a São Petersburgo, explodem por si ou pelos mísseis de defesa antiaérea, libertando a sua carga radioactiva.

No imediato, nada acontece mas logo começa a constar que os níveis de radioactividade estão elevados.


Não morre ninguém mas ...

Estão a imaginar o impacto na Rússia da deslocação dos 12 milhões de habitantes de  Moscovo e dos 5,5 milhões de São Petersburgo para outro lugar, sem poder lá viver ninguém durante 150 anos?

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Os mísseis hipersónicos russos são um flop

Neste post vou explicar porque os mísseis hipersóicos não funcionam.

As economias são atrasadas porque investem, enterram, recursos em tecnologias que não têm pernas para andar.

No nosso Portugal, os comboios, o "hidrogénio verde" ou a dessalinização de água são exemplos claros de enterramento de milhares de milhões de euros em setores que não têm qualquer viabilidade futura.


Não sei porque ninguém fala na linha Guarda-Castelo Branco.

Metemos uns 150 milhões de euros para ter esta linha e não aparece, naturalmente, em lado nenhum quantos passageiros são transportados por ano nesta brincadeira.

Nada, já investiguei o máximo que pude mas não encontrei nada.

O que encontrei é que os passageiros pagam 170M€ e a CP recebe 90M€ de subsídios do estado (não percebo a racionalidade de deitar 90M€ pela janela fora) O preço médio 

Dividindo pelo número de passageiros, cada viagem tem 25km, o bilhete tem um preço de 1,75€ e ainda recebe um subsídio de 0,90€ (mais de 50% do preço do bilhete).

Amortizar 150M€ implicam um custo financeiro de 8 milhões € por ano. Imaginando uma margem das vendas de 50%, obrigaria a ter 8000000/0,5*1,75/365.

 

25000 passageiros por dia

Seriam necessários diariamente 50 comboios de 3 carruagens cheios como uma lata de sardinhas para atingir este número.

Conjecturo que ninguém mostra os números porque não chega sequer a 10% deste número de passageiros.

Mas sou eu que sou um malidecente.


E o TGV ainda vai ser pior.

Não há local nenhum do mundo onde o TGV seja rentável, onde sequer pague os custos de operação. Nada, zero, nicles, e vai ser rentável em Portugal!!!!!!!


Vamos aos mísseis hipersónicos.

Podemos classificar os mísseis em dois tipos, os com asas e os sem asas.

As asas fazem muito atrito com o ar pelo que apenas são usadas nos mísseis lentos (na ordem dos 1000km/h). São uma espécie de "drones kamikase", viajando com velocidade relativamente baixa, o que obriga a que viagem junto ao solo (precisam de ter capacidade para contornar os acidentes orográficos).

Os mísseis rápidos não podem ter asas (hipersónicos), sendo, por isso, difíceis de controlar. Vão numa trajectória o mais recta possível, com mudanças de trajectória causadas por pequenos furos que têm à frente e que "disparam" gás.


O Space Shuttle demorava 15 minutos a chegar a Portugal.

Arrancava em Cabo Canaveral e, passados 15 minutos, já estava a sobrevoar Portugal, Tinha então uma  velocidade de 28000km/h, 12 vezes a velocidade do som.

Mas para isso, usava uma enormidade de combustível, pesava 27,5 ton e gastava logo no arranque 2000 toneladas de combustível.

Sim, por cada kilograma, a nave gastava 73 kg de combustível no arranque.


O que dizem do hipersónico Kinzhal

Dizem que dará os 28000km/h, tem um volume de 8 m3 e pesa 4300kg. 

Se esse peso for apenas o míssil, proporcionalmente, precisa de 300 toneladas de combustível para arrancar viagem (12 camiões TIR carregadinhos).

Se for o peso total, tirando o combustível, ficam apenas 58 kg para o míssil e a ogiva o que é muito pouco, leva uma bombazita de 5 kg!!!!! 


O míssil Patriot viaja, no máximo, a 5000km/h!!!!

Então, pensam os russos e o Agostinho (aquele que comenta na TVI e que não se cansa de dizer " Oh sr.a doutora, a Rússia está a ganhar em toda a frente, quer que lhe mostre umas imagens?") que, se o Kinzhal viaja a 20000km/h e o Patriot a 5000km/h, o Kinzhan é indestrutível.

Sr.a doutora, aqui está a fotografia da arma russa que é um game changer, é o robô Kaga-lume que já vai na versão 2547, é do tamanho de um carro blindado, tem 2 olhos enormes, duas antenas e rasteja pelo solo para não ser detectado. Assim que detecta um ucraniano, frita-o com uma descarga de lume. 
E sr.a doutora, a Rússia tem centenas de Kaga-lumes.


 Parece ter lógica mas não tem.

O problema é que o míssil Patriot não vai perseguir o Kinzhan pelo trazeiro mas vai pegá-lo de frente. E, como o Kinzhal viaja a grande velocidade, não é manobrável e tem de viajar a grande altitude (onde o ar faz menos atrito) o que o torna detectável a centenas de quilómetros do alvo.


O Kinzhan é disparado e vai percorrer 500 km em 65 segundos (a 28000km/h) e ninguém o consegue apanhar.

Mas o Patriot à sua frente e vai percorrer apenas 20km até ao ponto de colisão (em 15 segundos a 5000 km/h).


Tanta tecnologia, e precisam dos drones do Irão e balas da Koreia do Norte.

Afinal investiram recursos numa tecnologia que não tem pernas para voar.

Tem-nos acontecido o mesmo.

Quantos morreram em Ceuta e que lucro tiramos dali?


segunda-feira, 15 de maio de 2023

As sanções e o desenvolvimento da África do Sul

Em 1963 começaram as sanções económicas à África do Sul.
Em 1948 a África do Sul iniciou uma política de separação dos grupos populacionais que ficou conhecido como Apartheid.
Em resposta à segregação, a comunidade internacional impôs sanções ao país com o objectivo dessa política acabar.
Em 1963, o PIB per capita sul africano era 110% da média mundial.

As sanções acabaram por fazer resultado.
O impacto das sanções na economia foram enormes, o PIB per capita caiu dos 110% (da média mundial) em 1963 para 68% em 1990.
Durante estes 27 anos, o nível de vida sul-africano esteve estagnado (cresceu 0,3%/ano) enquanto que, a nível mundial, cresceu 2,0%/ano.
Esse impacto fez com que Mandela fosse libertado, houvesse o fim da política segregacionista e a Africa do Sul passasse a ser uma democracia onde cada pessoa tem um voto.

Tudo bem, mas o que aconteceu à economia?
Os esquerdistas estão a ver o que vou dizer sobre o Apartheid. Era injusto e desumano pelo que tinha de acabar. Da mesma forma tem de acabar a "lei das castas" da Índia.
Tinha de acabar mas havia duas filosofias em discussão.

Havia vozes (mais conotadas com a direita) que defendiam que essa mudança não deveria ser imposta por sanções mas por uma politica de engajamento e de incentivos positivos.
Essas vozes diziam: "As sanções vão ter impactos negativos na economia que nunca mais poderão ser corrigidos. E, no final, os os ricos e os mais escolarizados vão-se embora e ficarão os pobres".

Hvia vozes (mais conotadas com a esquerda) que defendiam que o caminho eram as sanções e que "Assim que o Apartheid acabar, a economia vai recuperar rapidamente."


Decorridos 30 anos, é tempo de ver quem tinha razão.
Tinham razão os que diziam que as perdas económicas nunca mais seriam recuperadas.
Em 1990 o PIB per capita era de 68% da média mundial e em 2021 é de 54%.
Em 60 anos, o nível de desenvolvimento da África do Sul caiu para metade em relação à média mundial, caindo de 110% para 54%.


Fig. 1 - Rácio entre o PIB per capita da África do Sul e do Mundo (dados: WB)

Não estou a dizer que a única razão para o atraso são as sanções.
A África do Sul era vista pelos ocidentais como um bocadinho de economia liberal no meio de África onde só havia ditaduras comunistas.
E havia a ideia de que as suas matérias primas seriam um motor de desenvolvimento.
Com o fim da Guerra Fria em 1990, a AS deixou de ter interesse estratégico, tendo sido abandonada pelo ocidente.
Ainda se juntou aos BRICS, o desenvolvimento cresceu um bocadinho entre 2000 e 2008 mas, depois, voltou à trajectória de queda.

Está como o Brasil
Uma simples análise dos dados mostram que as sanções à AS foram benéficas para o Brasil (em termos de fornecedor substituto de matérias-primas e destino do investimento directo estrangeiro).
Nos anos 1980, o nível de desenvolvimento do Brasil estava acima dos 100% da média mundial. 
Mas também tem estado em queda, chegando a 2021 com 78%.
E a mania de que são a primeira letra dos BRICS não parece ajudar nada.


Fig.2 - O Brasil também se está a afundar desde 1980 (dados: WB)





quinta-feira, 11 de maio de 2023

Em 1974 o nosso nível de vida era 32% dos países mais ricos da Europa.

Usando os 8 países mais ricos da União Europeia.

Calculei o PIB per capita (que representa o nível de vida) dos 8 países mais desenvolvidos do norte da Europa (Áustria, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Luxemburgo, Holanda e Suécia). 

Em 1973, nas vésperas da revolução, Portugal tinha uma economia atrasada, com um nível de vida (medido pelo PIB per capita)  de apenas 32% da média deste 8 países.

A razão para o nosso atraso era a ditadura pelo que, com o seu fim, foi prometido pelos socialistas  que nos iríamos aproximar dessas economias.


Este ano o socialismo fez 49 anos. 

Querem saber como estamos? 

No último ano em que há dados, em 2021 estávamos com 31% do nível de desenvolvimento desses países mais ricos.

Além de estarmos exactamente iguais ao que estávamos em 1973, o mais grave é que, desde 1999, estamos a piorar a uma velocidade 0,23 pontos percentuais por ano.


Evolução do nosso desenvolvimento relativo aos países mais ricos da UE (dados, Banco Mundial)


Não pode ser verdade!!!!

O Banco Mundial deve produzir fake news. 

Como pode o Banco Mundial não ter vergonha de apresentar dados falsos, afirmar sem pudor que estamos cada vez pior relativamente aos nossos parceiros mais desenvolvidos quando os nossos governantes socialistas nos garantem diariamente que estamos a crescer muito mais do que os nossos parceiros da União Europeia?


Faz-me lembrar a historieta do lucro da CP e da TAP.

Se retirarmos da contabilidade das empresas públicas tudo o que dá prejuízo, o que sobra só pode ser lucro.

Também se tirarmos dos dados da nossa economia todos os trimestres em que não há crescimento, só podemos ficar com um crescimento muito acima dos outros.

Cabecinhas pensadoras.


E porque não convergimos com os países mais desenvolvidos?

Parece uma pergunta com resposta difícil mas é fácil: 

1) Porque grande parte da nossa economia é controlada por empresas públicas.

2) Porque os gestores das empresas públicas têm que minimizar o risco de serem despedidos!


Vejamos o exemplo do Metro de Lisboa.

O cais de embarque/desembarque tem extensão para comboios com 6 carruagens e capacidade para 1000 pessoas de pé.

Como o espaçamento entre comboios é, no mínimo, de 3:30 minutos, consegue uma máximo de 17 mil passageiros por hora o que não é suficiente na hora de ponta da Linha Verde (Telheiras/Cais do Sodré).

Os comboios poderiam passar a ter 12 carruagens e parar por duas vezes (parava as primeira 6 carruagens no cais e saiam/entravam os passageiros dessas carruagens / andava mais um pouco e paravam as seguintes 6 carruagens no cais).

Porque é que isto não se faz?

Porque se acontecer alguma acidente, o responsável pela decisão será imediatamente acusado de negligência.

Então, continua-se no mesmo.


Fazendo amanhã tudo igual ao que fazemos hoje, não haverá desenvolvimento.

Para nos desenvolvermos é preciso que cada pessoa produza mais valor por cada hora de trabalho. E parece-me óbvio (mas não o parece às outras pessoas) que apenas o conseguirá se trabalhar de forma diferente.

Os governos apostaram na escolarização e hoje as pessoas são muito mais escolarizadas do que eram há 50 anos mas, como nas escolas se ensina o mesmo que se ensinava há 50 anos, isso não tem sido o grande motor do desenvolvimento que se antecipava.

Cada vez mais licenciados ganham o salário mínimo.


E porque pioramos depois de entrarmos na Zona Euro?

Por causa da "política administrativa de rendimentos do trabalho".

Os governos socialistas têm a mania de que os salários têm de aumentar em termos absolutos e relativamente ao PIB.  

O problema é que os salários nunca são suficientes.

Mas como a nossa economia não cresce e o governo quer mais e mais salários, esse aumento acontece à custa da diminuição da rentabilidade do capital (lucros, rendas e juros).

Diminuindo a remuneração do capital, o investimento diminui o que leva a ainda menor crescimento da economia.


Têm a mania que os direitos dos trabalhadores são centrais no desenvolvimento económico.

O que vou dizer vai chocar pelo que as pessoas mais sensíveis não podem ler mais.

Os trabalhadores são bons a fazer hoje o que fizeram ontem mas isso, por melhor feito que seja, é a estagnação.

Apenas quem pensa novos métodos, novos produtos, novos processos, isto é, quem é empreendedor, é que consegue fazer a economia andar para a frente.


O trabalhador é a roda da economia.

A roda pode ser muito competente, agarrar bem à estrada, não sofrer furos, poupar combustível, afastar a água nas estradas inundadas. 

Mas o empreendedor é a condutor e é quem consegue escolher viagens mais agradáveis.


Em Portugal não compreendemos isto.

Direitos, direitos e mais direitos para os trabalhadores.

A canalhada fecha universidade pelas causas mais mirabolantes, persegue quem pensa diferente e toda a gente aplaude e grita "Abaixo os reaccionários de direita, abaixo o grande capital, abaixo o lucro e abaixo a exploração do trabalhador pelo patrão". 

Depois, não saímos do buraco.


segunda-feira, 8 de maio de 2023

Amiga Margarida, bicicletas e trotinetes não são ideologia de esquerda

A Margarida Bentes Penedo escreveu no Observador.
A tese da Margarida é de que as bicicletas, trotinetes e skates não são meios de transporte de passageiros e, muito menos, são bons para a mobilidade. São muito perigosos mas a comunicação social não fala disso.
Não sendo meios de transporte, assume serem uma ideologia de esquerda woke.
Em alternativa, defende os transportes colectivos principalmente comboios e metropolitano.
Vou mostrar que não pode estar mais errada.


Nem a CMTV usa esse filão.
Eu já tive um acidente de trotinete (porque tirei as mãos do guiador).
Mas vamos supor que era verdade que havia muitos acidentes com cabeças esborrachadas.
A CMTV que passa horas e horas à procura da cabeça da vítima do Cadaval, não iria perder cabeças esborrachadas e corpos desmembrados se os houvesse.
Há uns acidentesitos mas nada de grave, levei 3 pontos no sobrolho e fiquei logo como novo.


Margarida, sabe o que é uma ideologia de esquerda?
Existe um espaço público que que é um recurso escasso que tem de ser  partilhado, em condições de igualdade, por todas as pessoas. 
Todos os portugueses têm direito a utilizar esse espaço público, andem a pé, de carro, bicicleta, trotinete, patins ou skate. 
O problema é que o uso é concorrente, isto é, uma pessoa usá-lo prejudica em parte que outra pessoa o use.

A esquerda proíbe, a direita regula.
A esquerda, proíbe a acção individual com o argumento de que se está a defender o colectivo.
As pessoas que se dizem de direita têm sempre de promover a liberdade individual.
Como o uso do espaço público é concorrente, a direita desenha regras que tornem a utilização eficiência, isto é, que a "qualidade de vida" das pessoas seja o mais elevada possível.
A primeira regra é a divisão entre as estradas (para os veículos com rodas) e os passeios (para os peões). 
A segunda regra é a regulamentação dos veículos (velocidade máxima, locais de estacionamento e regras de convivência) e dos peões (passadeiras).


O objectivo estratégico da direita é maximizar a qualidade de vida das pessoas.
Não nos podemos nunca esquecer disto.


Um carro transporte uma pessoa, uma trotinete transporta uma pessoa.
Se todos os portugueses têm o mesmo direito a usar a estrada, uma pessoa que se desloca num monstruoso Jeep Grand Cherokee  tem o mesmo direito que outra pessoa que circula numa trotinete.
Como o Jeep ocupa 10 m2 e a trotinete apenas 0,5m2, a trotinete traduz um uso vinte vezes mais eficiente do espaço público escasso. 


Serão os transportes colectivos eléctricos mais amigos do ambiente?
A Margarida deveria pegar em valores e fazer umas contas.
O Metropolitano de Lisboa gasta, por quilómetro e passageiro, 10x mais energia do que uma trotinete eléctrica e 20x mais energia do que uma bicicleta elétrica.

O metropolitano de Lisboa gasta 0,12kwh/km/passageiro (em 2018/2019).
Peguei no Relatório e Contas do Metropolitano de Lisboa e fui ver quanta energia gasta por quilometro percorrido por passageiro. 
Como o número de passageiros caiu a metade em 2020/2021, vou usar os valores de 2018/2019. O consumo médio de energia é de 102 milhões de KWh por ano para transportar 176 milhões de passageiros num percurso médio de 4,83km. Dá uma média de 0,12kwh/km por passageiro.
Em 2020/2021 gastou 0,17knh/km/passageiro.

Uma trotinete gasta 0,012Kwh/km/passageiro.
O consumo médio retirado da bateria, a uma velocidade entre os 15km/h e os 20km/h, é de 1kwh/100 km. A este consumo, é preciso somar as perdas no carregador (cerca de 20%).
Temos então um consumo que é 1/10 do consumo do metrolisboa.
E as bicicletas elétricas, por causa do pedalar, gastam metade da trotinete. 

E em termos de eficiência (económica)?
Mais uma vez, a Margarida deveria pegar em valores e fazer umas contas.
O Metropolitano de Lisboa tem um custo por km e passageiro de quase 6x o custo da trotinete eléctrica.

O metropolitano tem um custo de 0,24€/km/passageiro.
Em termos de gastos operacionais, são 0,14€/km/passageiro (120M€/ano) e em termos de custos de capital são mais 0,10€/km/passageiro (90M€/ano).
Isto é muito mais caro do que andar de automóvel.

A trotinete tem um custo de 0,043€/km/passageiro.
Vamos a uma trotinete cara, 500€ e somemos 100 euros para pneus e afinações).
Como a trotinete é capaz de fazer 15 mil km, somando as duas parcelas, dá 0,04€/km por passageiro.
A electricidade são 0,012*0,20 = 0,03€/lm/passageiro.
Somando tudo, dá 0,043€/km/passageiro.


Margarida, deixe de ser esquerdista e afirme-se como direitista.
Os transportes de passageiros colectivos públicos apenas existem porque recebem enormes subsídios públicos.
A Margarida deveria defender que essa mamadeira acabasse.
Depois, se os automóveis causam acidentes nas bicicletas e nas trotinetes, tem de se condicionar a movimentação dos automóveis e não o contrário pois ambos transportam um passageiro.

O futuro são as trotinetes pelo que proponho um algoritmo:
Actualmente, a velocidade máxima dos automóveis dentro das localidades é de 50km/h.

A) Meter radares dentro das cidades.
Não interessa ter um limite de 50km/h que ninguém cumpre. É preciso colocar radares dentro das cidades para multar os excessos de velocidade, doa a quem doer.

B) Sempre que as colisões de carros com trotinetes aumentar, diminui-se a velocidade máxima.
Quando um carro colide com uma trotinete, é um choque entre duas pessoas mas quem sofre é quem não tem chaparia para o defender.
Eu já tive um problema com um condutor de um automóvel que não parou numa passadeira e que me  agrediu (Tentou, saiu do carro, avançou para mim e apliquei-lhe logo um morote gari, deve ter ficado mal do cóccis!).
É preciso combater a cobardia de quem tem chaparia.

Enganei-me na Margarida!


sexta-feira, 28 de abril de 2023

Quando será o nosso computador tão inteligente como nós?

Com o ChatGPT a ficção passou a ser realidade.

O computador no seu fundamento é uma coisa muito simples, com transístores consegue realizar APENAS as operações AND, OR e NOT. As operações AND e OR precisam de 4 transístores e a operação NOT precisa de 2 transístores.

Na figura seguinte represento em hardware a implementação da operação lógica S1 AND S2.


A capacidade dos computadores vem de haver muitos transístores.

Com transístores conseguimos fazer AND, OR e NOT e, com várias destas operações lógicas, conseguimos fazer as operações algébricas (as somas, subtracções, multiplicações e divisões).

Na figura seguinte represento em hardware a implementação do primeiro bit da soma de três números de 1bit (precisa de 24 transístores).

Da mesma forma que os animais mais inteligentes têm mais neurónios, para o computador fazer mais operações por segundo, precisa de ter mais transístores.


A lei de Moore.

Em 1965, Gordon Moore previu que "Nos circuitos integrados, nos próximos 10 anos, o número de transístores por centímetro quadrado vai duplicar a cada 2 anos".

Em 1965 o "transístor planar" só tinha 5 anos pelo que esta previsão não tinha muita sustentação mas, passando a funcionar nas empresas como um objectivo, tem-se mantido verdadeiras até aos dias de hoje.

Por exemplo, em 1971 o processador Intel 4004 tem uma densidade de 188 transístores por mm2 (Node 10000) e, em 2023, o Node N3 consegue meter 300 milhões de transístores por mm2 (duplicou a cada 2,5 anos).


A performance aumenta ainda mais.

Mais transístores faz aumentar o número de operações por segundo mas, além disso, a velocidade do relógio também tem aumentado. Somando os dois efeitos, verifica-se que a capacidade de cálculo (o número de operações que o computador realiza por segundo) tem duplicado a cada 2 anos.

Na figura seguinte represento a evolução ao longo do tempo dos MIPS (milhões de instruções por segundo)  dos processadores 1970-2020 (dados, Wikipédia) onde se vê que duplicam a cada 2 anos. A bolinha representa que em 2050 os processadores terão 10000 vezes a capacidade dos processadores actuais (de 2023).



Será que o crescimento da capacidade do computador se vai manter para sempre?

Aqui é pura futurologia. Se se mantém há mais de 50 anos com uma regularidade impressionante, nada indica que não possa aumentar durante mais 50 anos!!!!!!!!!!!!!


Poderá uma máquina ser inteligente?

O nosso cérebro é totalmente mecânico no sentido de que que obedece às leis da física. Os nossos sentimentos, emoções, pensamentos, dúvidas, paixões, crises, criatividade e falhas resultam de reacções químicas e do movimento de correntes eléctricas. Sendo assim, o nosso cérebro não passa de uma máquina.

Como o cérebro é uma máquina, pode haver outras máquinas igualmente inteligentes, com sentimentos e consciência como a "máquina" humana.

 

O cérebro evolui muito lentamente.

Se compararmos o cérebro de um humano de hoje com o cérebro de um humano de há 10000 anos, o número de neurónios é exactamente o mesmo.

O homem moderno, o homo sapiens, aparecemos há 200000 anos algures na África Austral e nada mostra que o nosso cérebro tenha, no entretanto, aumentado de capacidade.

Se pegarmos em todos os animais que existem na natureza, não há evidência de que esteja para surgir um animal com um cérebro mais capaz do que o cérebro humano.

Em comparação, nos últimos 50 anos, a capacidade dos computadores em termos de cálculo duplicou a cada 2 anos.

Se o cérebro biológico não evolui e a capacidade do computador duplica a cada 2 anos, algures no futuro, o computador será mais inteligente do que o cérebro humano.

A questão não é "Se" mas "Quando".


E quando irá o computador ser mais inteligente que o seu dono?

Vi uma notícia de que o ChatGPT-3 tem 10000 processadores topo de gama (Nvidia A100).

Continuando a capacidade a duplicar a cada 2 anos, em 2050 o nosso computador terá a capacidade desses 10000 processadores. Este ponto é a rodinha a vermelho da figura anterior.

O servidor do ChatGPT-3 serve milhões de clientes em simultâneo e os processadores comunicam por fios. Sendo assim, o nosso computador de 2050 vai ser mais "inteligente" do que o actual ChatGPT-3 (porque terá apenas um cliente e as ligações serão muito mais rápidas porque serão feitas dentro do chip).

Além disso, haverá inovação nos algoritmos e mais dados disponíveis para a "aprendizagem" do sistema.

 

Aponto 2050 como ano provável.

Por volta desse ano, o nosso computador vai ser capaz de fazer coisas extraordinárias, não só consultar milhões de documentos em simultâneo como combinar esses documentos. Nesse ano o computador vai ser capaz de escrever uma tese de mestrado sobre qualquer tema em menos de 1 minuto.

Mas o computador ainda não vai ter sentimentos nem criatividade comparável ao cérebro humano.

A minha previsão é que teremos que esperar apenas mais 30 anos, lá para 2080, quando o nosso computador (eu já estarei morto) terá 300 milhões de vezes a capacidade do computador de hoje. Nesse ano, um computador será capaz de escrever uma tese de doutoramento em menos de 1 minuto.


E como vai ser o ensino/aprendizagem se um computador escreve uma tese em segundos?

Vai ter que sofrer grandes alterações. O problema é que o sistema de ensino enquanto parte da nossa sociedade decadente aposta mais na proibição do que na evolução.

Hoje, nas universidades ensina-se matemática como se ensinava no Século XIX. Proíbem mesmo os alunos de usar máquinas de calcular quanto mais computadores.

Por causa deste atraso na incorporação das inovações é que hoje o nosso PIB per capita é um terço do PIB per capita dos USA, ainda menos do que era no 25 de Abril de 1974 (ver)!!!!!!!!!


Vejam como a ditadura se começa a instalar.

Filmam pessoas na galhofada, Marcelo, Costa e SS, a dizer bacoradas contra os opositores políticos do PS.

A resposta é "matar" quem filmou (tenho a certeza de que vai ser despedido).

Não falta muito para que o SS expulse do parlamento todos os deputados que não sejam "fofinhos para o PS".

Alguém, alguma vez ouviu o Cavaco Silva, o Eanes ou o Passos Coelho a dizer bacoradas?

E o Presidente da República recordou ao estalinezeco que "Os deputados foram eleitos pelo Povo e não cometeram qualquer ilegalidade"?

Nada, tudo uma feira de gado.

Conto pelo menos 12.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Mas o que é a Fronteira Tecnológica?

Existem recursos naturais.

E a fronteira tecnológica é a forma de produzir o máximo valor possível para os consumidores a partir dos recursos naturais existentes.

Se, por exemplo, os recursos naturais são batatas, bacalhau e couves, a fronteira tecnológica é fazer o prato mais saboroso possível (e que, consequentemente, tem o maior valor para os consumidores).

Em termos micro-económicos, a fronteira tecnológica ensina-se com quantidades mas em termos macro-económicos, como o produto é a agregação de bens e serviços diferentes, ensina-se a "preços de mercado".

Em termos micro-económicos, produzem-se toneladas de batatas com terra, trabalho e água enquanto que em termos macro-económicos produzem-se milhões de euros de produtos agrícolas com terra, trabalho e água.

Em termos macro-económicos, a fronteira tecnológica traduz-se pelo nível do PIB per capita. 


Depois, temos os países.

A fronteira tecnológica aumenta ao longo do tempo por causa das descobertas. Quando a fronteira aumenta, o PIB per capita também aumenta. 

Mas as descobertas obrigam a um esforço de investigação pelo que tendem a acontecer nas regiões que estão na fronteira tecnológica. Digamos que é como uma equipa de futebol. Um jogador, mesmo que médio, tem maior probabilidade de ser campeão nacional se jogar no Porto, Benfica ou Sporting do que, mesmo que fosse o Messi ou o Ronaldo, ser campeão nacional no Arouca ou no Rio Ave. 

Até meados do Séc. XX, a fronteira tecnológica estava no Norte da Europa (Reino Unido, França, Holanda, Bélgica, Alemanha). Depois, passou para os USA.


A medição do crescimento do PIB tem "problemas" em apanhar as inovações.

O PIB é medido em quantidades ao preço de mercado pelo que tem dificuldades em incorporar melhoramentos na qualidade dos bens e serviços quando os preços e as quantidades se mantêm. Vamos supor que um computador faz 1000 operações por segundo e tem um preço de 100€. Surgindo outro computador que faz 2000 operações por segundo com o mesmo preço de 100€, o PIB não sofre alterações.

Observa-se que o crescimento americano é estável e próximo de 1,9%/ano.

Fig. 1 - Evolução do PIBpc dos USA a preços de 2015 (dados: Banco Mundial)


A convergência para a fronteira tecnológica.

Quando acontece uma inovação no país da fronteira tecnológica, há dificuldades em que esta seja copiada mas parte dela difunde-se seja nos bens importados (ao comprarmos um computador mais poderoso, incorporamos na nossa economia parte da inovação tecnologia de fabricar computadores) ou nas máquinas (com máquinas mais evoluídas, conseguimos produzir mais mesmo não dominando a tecnologia de fabrico das máquinas).

Com o tempo, a tecnologia acaba por ser copiada mas, nessa altura, o país da fronteira tecnológica já está mais à frente.

Por exemplo, em 2003 as empresas mais avançadas do mundo conseguiram (o que parecia impossível) meter num chip um milhão de transístores por mm2. Actualmente, decorridos 20 anos, qualquer país consegue produzir chips com uma densidade de 1 milhão/mm2 mas a fronteira tecnológica já vai nos 300 milhões/mm2.


Vejamos algumas convergências.

Vou usar a evolução do PIB per capita, a preços constantes, dos USA como medida da fronteira tecnológica e relativizar as outras economias a esta grandeza.
Em termos de economias desenvolvidas, o Reino Unido mantém 80% do nível americano, a Europa (Alemanha, França, Itália e Espanha) convergiu 20 pontos e o Japão convergiu 40 pontos e, desde 1990, estão a divergir (a Europa perdeu 10 pontos).
Digamos que a Europa se está a deixar ficar para trás (os países mais desenvolvidos da Europa já está abaixo de 60% do nível de desenvolvimento dos USA).
A convergência mais notável é a Koreia do Sul que passou de 5% para 53%, aproximando-se do nível do Japão de dos 4 europeus.

Fig. 2 - PIB pc relativo ao americano das maiores economias desenvolvidas (dados, Banco Mundial)


Quem "copia" fica sempre atrás.
Há a impressão de que a Alemanha, o Japão ou a Koreia do Sul estão ao nível dos USA mas não é verdade. Os USA são a locomotiva e os outros são as carruagens, ficando sempre atrás.


Vamos aos países em desenvolvimento.
Os únicos países que mostram convergência é a China e a Turquia.
A Argentina, a África do Sul e o Brasil divergiram rapidamente (caíram para metade) e o México divergiu mas mais lentamente (caiu de 20 para 15 pontos).

Fig. 3 - PIB pc relativo ao americano das maiores economias subdesenvolvidas (dados, Banco Mundial)

Se pegarmos nos países classificados pelo Banco Mundial como "Sub-Saharan Africa", vemos que não só estão muito longe do país mais produtivo mas essa distância está a aumentar.

Fig. 4 - PIB pc relativo ao americano da "Sub-Saharan Africa"(dados, Banco Mundial)



Faz 50 anos do 25 de Abril de 1974.

Dizem os esquerdistas que nos desenvolvimentos muito e não deixa de ser verdade, mas em termos relativos à fronteira tecnológica, estamos mais longe. Aquando da revolução o nosso PIB per capita era 35,5% do PIB per capita dos USA e em 2021 fica pelos 33,7%.

Bem sei que estou a ser invejoso, que o imperialista americano tem todo o direito a crescer mais do que nós, mas fico triste de tantos bombos e foguetório para tão poucochinho. Mas temos de nos habituar a ser pobres.

Afastamo-nos 5 pontos da fronteira tecnológica desde que o Cavaco nos deixou entregues aos esquerdistas!!!!!!!!!

Fig. 5 - PIB pc relativo ao americano de Portugal (dados, Banco Mundial). Comparação entre 2021 e 1974.


Apesar de não haver convergência, a tecnologia favorece todos.
A vida de todos melhora por causa do aumento da qualidade dos produtos. Apesar de nos países menos desenvolvidos não conseguirem produzir computadores, aviões ou telemóveis, importam estes bens de tecnologia elevada a preços relativamente reduzidos.
Também as novas tecnologias estão incluídas nos medicamentos e nas vacinas, produtos acessíveis em todo o mundo.
Por exemplo, o PIB per capita da Guiné-Bissau em 2021 é igual ao que existia em 1970!!!!!!
Parece impossível mas em 1970 a Guiné-Bissau era extremamente pobre, com um PIBpc de 619USD (ainda assim, era mais "rica" do que a China) e em 2021 ainda desceu ligeiramente para 614USD (preços constantes de 2015).
Mas vive-se hoje muito melhor na Guiné-Bissau do que se vivia em 1970 porque há acesso a computadores, telecomunicações, internet, automóveis, bicicletas eléctricas, telemóveis, televisores, geradores de electricidade, medicamentos, vacinas, novas sementes, que não estavam disponíveis em 1970.
Apesar de, em termos de "preços de mercado", o total produzido na Guiné-Bissau ser o mesmo, em termos de qualidade, aumentou sem que o PIB tenha conseguido apanhar esse aumento.

Fig. 6 - PIB pc da Guiné-Bissau (USD de 2015, dados, Banco Mundial). 



Vivemos num mundo cada vez mais perigoso.

Fui classificado como fascista porque mostrei os dados do Banco Mundial que indicam que, relativamente a 1974, a nossa economia divergiu da fronteira tecnológica.

Fui classificado como racista por mostrar os dados do Banco Mundial que indicam que os países africanos são pobres em termos do PIB per capita e não mostram evolução positiva em relação à fronteira tecnológica.

Fui classificado como xenófobo relativamente aos brasileiros por mostrar os dados do Banco Mundial que indicam que a economia brasileira tem um crescimento anémico, divergindo da fronteira tecnológica.

Mas apenas mostrei os dados disponíveis no site do Banco Mundial, não foi nenhuma opinião minha.

E estas classificações tiveram consequências graves já que fui despedido.




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