sexta-feira, 27 de setembro de 2013

As autárquicas são já no Domingo

Está tudo calmo.

Eu nunca fui muito praticante de eleições e muito menos das autárquicas.
Nas escolas por onde andei, nunca votei. Nas autárquicas, que me lembre, votei uma ou duas vezes mas já nem me lembro quando nem em quem. Nas presidenciais não me lembro de alguma vez ter votado. Votei umas poucas vezes nas legislativas, talvez uma vez no Sócrates e, nas últimas, foi certamente no Passos por me parecer que o nosso país (e eu incluído) estava a ser conduzido para a bancarrota.
Mas a grande diferença relativamente às anteriores eleições autárquicas é que agora tudo está calmo. Tenho presente a tremideira do Guterres que o levou, na noite das eleições, a bater a porta.
Agora já sabemos que na segunda feira o Passos continuará a sua missão faltando apenas saber se o Seguro estará seguro.

Já só faltam 18 meses para as legislaturas.
As sondagens dão vantagem ao PS pelo que, havendo alguém que ambicione a ser primeiro-ministro por essas bandas, está na hora de atacar. Depois das autárquicas já vai ser período pré-eleitoral pelo que, deixando passar este dia, vai ser difícil tirar o Seguro do lugar.

No PS está tudo muito complicado.
O António Costa tem ambição mas iniciar a campanha para primeiro-ministro no mesmo dia em que é eleito presidente da câmara de Lisboa com (previsível) maioria absoluta vai parecer  mal (pelo menos um pouco). Estará o povo de Lisboa a eleger o Fernando Medina para a câmara? Bem sei que o homem estudou na minha escola, já foi eleito deputado e foi secretário de estado do velhote do olhinho fechado mas sempre foi um pau mandado do Sócrates (que, por sua vez, lia discursos que outros lhe escreviam). É um autêntico zero à esquerda.
São pessoas que, sem guião, só sabem dizer "PEC 4".
A vitória (previsível) do Costa coloca problemas ao Seguro pois não vai poder chamar para si o mérito. Vai ser como, numa corrida, um atleta dizer que a grande velocidade de uma bala que lhe vem dirigida à cabeça o vai ajudar a ganhar a corrida. 

Fig. 1 - Lisboa vai ser a bala que vai permitir ao PS ganhar velocidade para as legislativas de 2015.  O problema é que pode acertar-me na cabeça.

O Porto-Gaia está uma confusão.
Porque há muitas guerras dentro do PSD+CDS.
No Porto há um candidato apoiado pelo PSD do Menezes e um independente apoiado pelo  PSD do Rio.
Em Gaia é ao contrário. Há um candidato apoiado pelo PSD do Rio e um independente apoiado pelo PSD do Meneses.
Já se sabe que quem terá maioria será o conjunto destas duas candidaturas faltando apenas saber quem são os presidentes.
Até pode acontecer o PS ganhar a presidência em Gaia mas vai ser com poucochinos votos.
O bom é que o Passos pôs-se fora desta guerra. Ganhe quem ganhar, não interessa a ninguém.
Estas guerras dentro do PSD + CDS não são apenas locais bastando, para ter uma pequena amostra, ouvir a Ferreira Leira para se tomar a temperatura do partido.
O Rio era o António Costa do PSD mas atolou-se de tal forma nos seus medos e compromissos eleitorais autárquicos que perdeu o comboio para o Passos. Claro que ficou danado por o Menesesez ter apoiado o Passos.

E veio o novo chumbo do TC.
Já é constitucional despedir pessoas por extinção do posto de trabalho mas tem que, de entre todos os trabalhadores com capacidades idênticas, tem que ser despedido o trabalhador mais recente. O legislador pensa que os trabalhadores são todos iguais e que o mais antigo, por learning by doing, é mais produtivos. O problema é que nem sempre é assim.
Se uma empresa tem 10 trabalhadores e quer despedir o mais antigo, é obrigada a extinguir todos os postos de trabalho (despedindo os 10). Numa hora cria outra empresa que contrata todos os trabalhadores acabados de despedir menos o tal e que faz um contracto de prestação de serviços.
Isto dá algum trabalho mas vai dar tudo ao mesmo.
Cada vez mais as pessoas estão a trabalhar num sítio, uma fábrica, hotel, ou repartição pública, mas são empregados de outra empresa qualquer, de trabalho temporário ou de prestação de serviços. Como tão bem sabemos, nos nossos hospitais o staff, desde seguranças a médicos passando pelas enfermeiras e senhoras da limpeza, é tudo pessoal de empresas de prestação de serviços contratado à hora ou à peça. 
Essas empresas, tipo Conforlimpa, têm 5000€ de capital social pelo que havendo algum problema, pumba, fecham. 

A Constituição protege os postos de trabalho.
Em teoria. Para proteger mesmo os postos de trabalho, era obrigatório que o Estado pagasse os salários das empresas abrem falência. Era possível mas teria de ser como em Cuba (um salário de 5€/mês mais uns kilos de arroz e farinha).

Fig. 2 - As últimas manifestações contra o governo têm sido tranquilas.

O povo já está convencido.
Berramos, berramos, mas já estamos convencidos que o óleo de fígado de bacalhau faz bem à saúde.
A princípio custa mas ficamos com ossos rijos.
E hoje fico-me por aqui para não vos cansar muito durante o período de reflexão.

Pedro Cosme Costa Vieira

5 comentários:

Diogo disse...

Quanto a eleições já me decidi há muito pela abstenção. Porque já percebi que os «nossos representantes eleitos» são facilmente comprados pelo Grande Dinheiro e estão a soldo deste. Aliás, os «nossos representantes eleitos», à partida, para terem um lugar passível de eleição, significa que já estão comprados.

Os abstencionistas não são, ao contrário do que dizem muitos palermas, uns alheados da política que preferem ir para a praia do que cumprir o seu dever de cidadãos. Uns serão, mas a esmagadora maioria é gente que já não acredita nos políticos nem na «democracia representativa».

Dos que votam, pode-se dizer muita coisa: 1 – Os clubistas, que sempre votaram no partido A e continuarão a votar nesse partido até morrerem. 2 – Os que votam porque lhes foi ensinado que esse é um direito e um dever do cidadão (e, portanto, acefalamente, vão votar). 3 - Os que acreditam ideologicamente nos líderes de determinado partido, embora estes tenham feito o contrário do que afirmaram nas campanhas eleitorais. 4 – Gente que espera ganhar um tacho para ele, para o filho ou para o neto, com a vitória de determinado partido. 5 – Os que votam sempre útil – sempre no PS ou no PSD (porque os outros pequenitos não têm hipótese). Durante quatro anos ficam lixados com o governo PSD e nas eleições seguintes votam PS. E como têm a memória fraca, durante os quatro anos seguintes ficam lixados com o governo PS e nas eleições seguintes votam PSD (e agem assim ad aeternum).

Atenção, eu abstenho-me não porque seja um defensor de um ditadorzeco por contraponto à «democracia representativa». Eu sou um defensor da Democracia Direta – a Internet já o permite, tanto a nível de informação independente como a nível funcional.

Dantes, a informação só chegava às pessoas através dos donos dos Media (leia-se do Grande Dinheiro) – televisões, jornais e rádios. Também, dantes, era impossível ter uma democracia não representativa – a opinião do cidadão não podia ser tecnicamente auscultada. Hoje tudo mudou: com a Internet, os cidadãos podem comunicar uns com os outros e ter acesso a informação mais independente e fidedigna do que a propaganda dos Media com dono. Por outro lado, a Internet permite que um cidadão vote (várias vezes por dia, se necessário) nos assuntos locais, regionais e nacionais.

Não é do meu interesse, como cidadão, votar em «representantes vendidos ao Grande Dinheiro». Enquanto não optarmos pela Democracia Direta não votarei em bandidos a soldo de criminosos.

VidalFerreira disse...

"Cada vez mais as pessoas estão a trabalhar num sítio, uma fábrica, hotel, ou repartição pública, mas são empregados de outra empresa qualquer, de trabalho temporário ou de prestação de serviços. Como tão bem sabemos, nos nossos hospitais o staff, desde seguranças a médicos passando pelas enfermeiras e senhoras da limpeza, é tudo pessoal de empresas de prestação de serviços contratado à hora ou à peça."

Ou seja, uma constituição que tinha precisamente o objetivo de aumentar o rendimento dos assalariados tem como consequência exatamente o oposto, ou seja, leva à existência de empresas de contratação que não seriam necessárias se o mercado fosse completamente flexível, leva ao desperdício de recursos provenientes quer da empresa original quer do trabalhador, certo?

Daniel Tomé disse...

Caro Diogo,

SE a democracia direta fosse possível, pela Internet, as decisões seriam tomadas exatamente pelos cidadãos que o senhor considera, pela sua própria descrição acima, terem pouca inteligência. Algo pouco desejável.

dt

Diogo disse...

Caro Daniel,

Eu não desconsiderei nem convidei estúpidos os que vota. Mas repare: Os «Clubistas» despareciam porque também desaparecem os Partidos-Clubes; os líderes partidários deixavam, por igual motivo, de existir; Os que estavam à espera de tachos, idem, porque os Partidos que os ofereciam evaporavam-se; e o voto útil deixaria de fazer sentido.

Abraço

Diogo disse...

Errata:

Onde se lê:

«Eu não desconsiderei nem convidei estúpidos os que vota»


Deve ler-se:

Eu não desconsiderei nem considerei estúpidos os que votam»

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