quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A crise não pode justificar não haver eleições

A crise justificar a falta de eleições é um argumento usado pelos maiores ditadores. É preciso eleições quanto antes em que sejam apresentados a sufrágio popular programas eleitorais verdadeiros e para cumprir.

Para que serve a História?
Muitas pessoas acham que o ensino da História é uma perda de tempo. Mas é muito importante na formação das pessoas se as chamar à atenção para os erros cometidos no passado. Não interessa tanto quem foram os governantes mas antes os erros que cometeram para que não se repitam.

Parece lógica a argumentação de que não pode haver dissolução da Assembleia da Republica e marcação de novas eleições legislativas porque Portugal está numa grande crise económica. Mas a História prova que este argumento é um monstruoso erro. Um erro que já foi a base das mais terríveis ditaduras.

Salazar não realizou eleições na década de 1930 porque Portugal estava numa grave crise económica e social e era precisa reconstruir as bases do país. Na década de 1940, porque havia a segunda guerra mundial e a ameaça expansionista soviética. Na década de 1950, porque havia necessidade de reconstruir o império baseado em África e combater o comunismo. Na década de 1960, porque havia a guerra de África. Na década de 1970, porque havia que dar tempo à primavera marcelista ...

Houve o 25 de Abril de 1974 e em 1975 continuou-se a ouvir este mesmo argumento: que tinha que se adiar as eleições de 25 de Abril de 1975 e continuar o PREC porque Portugal estava numa grande crise.

Mesmo Hitler recusou a possibilidade de eleições porque a Alemanha estava em grande crise e em guerra guerra com os vizinhos (que ele criou).

Pelo contrário, os EUA e o Reino Unido não suspenderam as eleições durante a segunda guerra mundial e correu tudo bem.

Pelos factos históricos apresentados, o discurso da crise tem que ser abandonado para bem de Portugal.

O que aconteceu na última campanha eleitoral?
Manuel Ferreira Leite fez uma campanha em que disse ser necessário aumentar os impostos, diminuir o estado social, flexibilizar o mercado de trabalho, congelar os salários e cortar nas obras públicas faraónicas.
José Sócrates fez uma campanha dizendo que a Sr.ª estava caquéctica. Que não era preciso aumentar os impostos, e que ia aumentar o abono de família, as reformas dos velhinhos, o subsídio de desemprego, os ordenados, fazer TGVs, estradas, aeroportos, etc.

Manuela perdeu as eleições e Sócrates ganhou-as (mesmo que por pouco) e ficou caquéctico: fez o que a Manuela disse que ia fazer e pelo qual perdeu as eleições.

E veio com um ataque feroz porque “o PSD quer alterar a constituição para acabar com o estado social e com os direitos dos trabalhadores” e imediatamente reduz os salários em 5%, corta o abono de família, começa os estudos para a alteração laboral, etc.

Isto é a destruição da democracia: para chegar ao poleiro, prometem-se mundos e fundos e depois faz-se exactamente o contrário. Para se manter lá, ataca-se e mente-se à força toda.

Sócrates devia, no mínimo, ter pedido desculpas à Manuela e ao PSD e dizer que ele estava enganado. Que realmente a Sr.ª disse coisas verdadeiras.

Eu sou muito contra o Aberto João Jardim mas, vendo que não podia realizar o prometido na campanha eleitora por questões orçamentais, demitiu-se e apresentou novo programa eleitoral menos ambicioso. Foi politicamente sério.

E depois os que mentem à força toda vêm dizer que “é um facto político o Cavaco ter ganho 150mil € na SLN”. E mentir à força toda não é um facto político?
Notar bem que não existe uma associação entre o PS e a política de mentira porque a grade maioria das pessoas no PS dizem a verdade. E o PSD tem muitas pessoas que mentem.

Que fazer agora?

Agora só sobra marcar novas eleições legislativa quanto antes com programas de governo verdadeiros.
O governo não cai porque, quando a coisa apertar, o BE o a CDU seguram-no. Se o PSD fizer uma moção de censura, o governo não cai. Mas a oposição não podem continuar a pactuar com uma situação saída de umas eleições que foram o maior logro da história da democracia portuguesa.

Pedro Cosme da Costa Vieira

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