segunda-feira, 5 de setembro de 2016

A vitória do Trump e a derrota da CGD

Não acham estranho que o presidente mexicano tenha convidado o Trump? 

Sendo certo, segundo os opinion makers, que o Trump vai perder por muitos, para que se deu o Presidente Enrique Peña Nieto ao trabalho de convidar o Trump para uma "visita de estado" com direito a uma conferência de imprensa conjunta?
Será que o Nieto é louco ao ponto de atribuir alguma probabilidade à hipótese estrambólica de o Trump vir a ser o próximo presidente americano?
Para responder a esta questão, fui ao www.realclearpolitics.com ver como andam as sondagens a 2 meses das eleições (que serão no próximo dia 9 de novembro).

Desde março, foram apresentados 179 resultados.
Mas são sondagens muito diferentes. Umas são inquéritos num site, outras são o acompanhamento semanal de uma painel (fixo) enquanto que outras são perguntas feitas pelo telefone. Também umas têm s
o dois candidatos e outras têm 4.
Num primeiro passo, homogeneizei os valores considerando apenas 2 candidatos e dividindo a abstenção e os votos nos outros candidatos proporcionalmente pelos 2 candidatos.
Num segundo passo, fiz uma média móvel ponderada pelo tamanho da amostra (dividi por 10 as sondagens em sites por não terem o mesmo rigor estatístico), considerando o peso de 10% à última sondagem.

O que observo 
é que, desde abril (mês 4), as intenções de voto estão sempre a subir mas que há dois incidentes que causam um trambolhão, o primeiro, em princípios de junho (mês 6) e o segundo em finais de julho (mês 7). Também observo que em meados de julho o Trump ultrapassou ligeira a barreira dos 50%, altura em que o Obama foi dizer numa visita de estado que "o Trump não é adequado para ser presidente da América e é mesmo um perigo para a ordem e paz mundiais."

Fig. 1 - Evolução das sondagens americanas (Trump vs. Clinton, média móvel de 179 valores, realclearpolitics)

Afinal, o Trump pode mesmo ganhar.
Pois se olharmos para as sondagens, em abril a Clinton tinha uma vantagem de quase 10 pp, depois, foi oscilando e agora está com uma vantagem de apenas 2 pontos percentuais, vantagem essa que se está a esfumar muito rapidamente.
Lá para finais de setembro, o Trump vai ultrapassar outra vez a Clinton e, se não houver mais nenhum sobressalto, chegados a novembro, o Trump vai mesmo ganhar e ser o próximo Presidente dos Estados Unidos da América do Norte.

O que eu quero falar sobre a caixa Geral de Depósitos tem a vem com o Slimani.
Como todos sabem, o Slimani é um jogador de futebol que o Sporting "despediu" por 30 milhões €.
Quer isto dizer que, o Sporting para dispensar os serviços do Slimani, o moço teve que pagar 30 milhões €.
Agora, para a CGD dispensar um colaborador tem que lhe pagar, em média, 233mil€ por cabeça.
Sim, diz a comunicação social que estão guardados 700milhões € para despedir 3000 trabalhadores

O que será que vos diz esta comparação?
Que o Slimani produz mais do que o salário que estava a ganhar no Sporting e, pelo contrário, os colaboradores da CGD recebem mais ordenado do que produzem.
Assim, o Slimani era um activo para o seu empregador enquanto que os colaboradores da CGD são um passivo.

Será que a geringonça não tem o dever de proteger os contribuintes?
Fui fazer uma simulação para a indemnização por despedimento colectivo (ver, simulador). 
Um trabalhador que ganhe 3000€/mês e que tenha 20 anos de serviço, tem direito a 48458€.
Se eu fosse despedido (em despedimento colectivo, tenho 27 anos e 4 meses de serviço) teria direito a 88104€.
Sendo assim, que contas está a fazer a geringonça e qual o fundamento legal para, em média, ir entregar 233 mil € a cada cabeça?
Será que a Geringonça é livre de entregar o valor que bem entender a quem bem entender?
Eu penso que não, que tem que se limitar ao que diz a Lei pois, caso contrário, estaremos em presença do esbanjar de recursos públicos que pertencem a todos nós.

Será que eu mereço o ordenado que recebo?
Claro que não e prova disso é que no meu emprego estão mortinhos por me despedir e, mesmo assim, eu não me voluntario a sair dali.
Penso mesmo que, no dia em que eu deixar de lá aparecer, vão mandar foguetes ao ar e estourar garrafas de champanhe. Mas o problema é que se, por um lado, os esquerdistas me odeiam, por outro lado, como sou funcionário público, defendem os meus direitos. E eu tenho direitos.
E qual será o meu futuro?
O mais certo é atribuírem-me cada vez menos trabalho até que fique totalmente sem fazer nada, em casa, a receber o mesmo, incluindo o subsídio de refeição (já estive assim 20 meses). Assim como o meu professor Augusto Rocha e Silva que esteve anos e anos sem nada fazer mas que, infelizmente, acabou por não resistir e "morrer num acidente estúpido" (suicidou-se da mesma forma que o Primo Levi! Não acham muita coincidência ter também caído no vão das escadas?).

Fig. 2 - Primo Levi, à volta de 1950


Finalmente, as prioridades da minha vida.
Quando eu andava pelas igrejas, diziam-me que tinha que fazer um "exame de consciência" para, assim, identificar quais são as prioridades da minha vida.
Depois de muitos anos a pensar, cheguei à conclusão que a minha prioridade é ser feliz.
Não é ter amigos, ser simpático, trabalhar, gostarem de mim como colega de trabalho, ser uma fodilhão de renome, nada disso, é ser feliz, eu próprio.
Vem isto a propósito de uma crónica que li no fim de semana num jornal qualquer (quando eu me lembrar do nome, escrevo-o aqui) que dizia, em resposta a uma leitora, que ter filhos era uma perda de tempo. Imaginei logo que a crónica era uma confissão sobre a sua má qualidade da autora enquanto filha.

A minha mãe disse-me apenas uma vez ...
Meu filho, eu dei-te a vida e criei-te o melhor que pude para que, agora que estou necessitada, trates de mim. Se tiveres que deixar de trabalhar, deixa pois eu estou primeiro porque te dei a vida e esses não te deram nada. Além disso, não te agradecem e eu, além de te agradecer em vida, quando chegar ao Céu, vou pedir a Deu por ti.
E assim eu faço desde há 23 anos, no principio estando ela válida e hoje, acamada e sem dizer coisa com coisa.
Claro que a minha mãe tem mais 5 filhos cuja primeira frase, por unanimidade, foi "mete-a no asilo que já nem sabe onde está".
Mas, se eu disse, "estarei sempre aqui", não é agora que vou abandonar o barco.

A questão que eu coloca.
Mas não terá um filho a obrigação de deixar o seu trabalho e uns anos da sua vida para ser escravo dos pais quando eles disso têm necessidade?

Por oposição, há o filho de uma colega minha.
A mãe está um pouco aflita com falta de dinheiro e o filho, pelo contrário, está médico e a ganhar balurdios, diz ela que mais de 3000€ por mês.
Não é que a mãe, esganada de dinheiro, lhe está a dar 850€/mês para ele pagar a prestação da casa e ele nada mais diz que não seja "preciso de juntar dinheiro para me casa"?
Isto é o que na minha terra se chama um grande filho da puta, não no sentido de que a mãe anda na estrada mas no sentido de que, filhos destes, dá gosto abortar.



Que Deus vos ilumine e guie no caminho da descoberta das prioridades da vossa vida. 
E, depois, cortem a direito com tudo o que se meter no meio do caminho para a felicidade.
Maria Clara

4 comentários:

Dudu disse...

Ou muito me engano ou 700M a dividir por 3000 são maioritariamente para pagar pré-reformas até aos 66 anos e pico. Serão poucos os acordos com a indemnização.

Económico-Financeiro disse...

Pois Dudu,
Mas pagar pré-reformas a pessoas com 20 anos de serviço e 50 anos de idade, porquê a estes e não aos outros todos que perdem os seus empregos? Não traduzirá isto que estas pessoas não são capazes de fazer nada? Entraram lá como amigos de alguém e ficaram com a vida feita.
Um abraço,
pc

Daniel disse...

O Professor é um tesouro nacional. Espero que não pare de escrever. As melhoras da sua mãe.

Gato Gorka disse...

Professor,

Como bancário que sou, não na Caixa mas noutra coisa parecida, sei que as saídas de meus ex-colegas foram-no com condições muito acima do que a lei obriga. Noutros tempos, havia dinheiro a rodos e as condições de saída eram ainda muito mais altas (estupidamente boas). Agora, não são más. Porquê é que os bancos (mesmo sem ser a Caixa que tem o dinheiro de graça) continuam a dar tão razoáveis condições de saída? Não sei bem, mas julgo que, por um lado, fazer despedimentos colectivos é difícil, porque vem logo a geringonça chiar (principalmente o Jerónimo e a Catarina), mesmo sabendo que a opinião pública tem uma má opinião de nós, bancários... por outro, um bancário, velho como eu ou ainda mais velho, fica muito caro, e já trabalha pouco, por isso os bancos devem achar que fica mais barato indemnizar ou pré-reformar com bons valores do que manter alguém que não é preciso...

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