sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Vamos então falar de transvases

Este  ano há seca e a coisa vai piorar. 

Esta afirmação é dos Ecologistas mas não é uma verdade aceite por todos. 
Se há pessoas que dizem que a temperatura está cada vez mais quente (e a chover menos), outras dizem que não, que apenas estão a acontecer flutuações climatológicas que são normais.
De entre as pessoas que acreditam que a temperatura está cada vez mais elevada, umas dizem que tal se deve à emissão de CO2 para a atmosfera (que pode ser combatida evitando a queima de combustíveis fósseis) e outras dizem que é um fenómeno natural (sobre o qual nada podemos fazer, apenas adaptarmo-nos).

Apesar do calor, no sábado passado apanhei tanto frio que até adoeci

Mau seria se estivéssemos a arrefecer.
Apesar de acharmos que o calor é mau, o frio seria muito pior.
Se for verdade que a Terra vai aquecer, as calotes polares vão derreter o que levará à subida do nível do nível do Mar com a consequente inundação dos terrenos e cidades costeiros.
Haverá mais tufões e furacões, talvez mais extremos climáticos e vão-se perder bons terrenos agrícolas mas terrenos de Tundra, no Canada e na Rússia, passarão a ser cultivados. Além disso, uma maior temperatura, apesar de aumentar a evaporação, também aumenta a quantidade de chuva e a produtividade das plantas.
Agora pensemos no arrefecer. O Norte da Europa, a Pradaria Americana e vastas regiões da Rússia, Bielorrússia, Ucrânia deixariam de ser produtivos. Além disso, teríamos Invernos mais rigorosos na maioria das grandes cidades do "ocidente".

Temos então 3 correntes quanto à subida da temperatura.
Negacionistas =  Não existe ou é passageira pelo que não precisamos fazer nada. 
Engenheiros = É natural pelo que temos que nos adaptar.
Ecologistas = É causada pelo Homem pelo que temos que reduzir a emissão de CO2.

Os Ecologistas são contra a adaptação.
Porque, se forem apresentadas formas de nos adaptarmos a um planeta mais quente, a sua luta de "voltar tudo ao antigamente e ficar assim para todo o sempre" perde adeptos.
Os Ecologistas têm que nos fazer crer que, havendo aquecimento global, isso vai ter consequências tão catastróficas que o melhor é morrermos antes disso acontecer.
A luta dos Ecologistas contra os transvases está dentro dessa estratégia, a mesma contida na conhecida frase dos velhotes "No tempo do Salazar podíamos não ter tanta fartura de coisas mas havia respeito e as nossas filhas não o andavam a dar como a canalhada de agora".

Vamos aos transvases.
Se as alterações climatológicas vão mesmo acontecer e se essas alteração vão implicar um Portugal mais quente e seco, o melhor é prendermos a água no interior (com barragens) e fazermos transvases de água do Norte para o Sul (com canais).
Bem sei que os Ecologistas são contra isto tudo, se bem me lembro, também eram contra a Barragem do Alqueva, que a água chegava a Portugal contaminada pelos espanhóis pelo que a albufeira monstruosa se iria transformar numa esterqueira cujo cheiro pestilento chegaria a Lisboa.
O mais interessante da argumentação da notícia é que, por um lado, a água está altamente contaminada mas, por outro lado, é uma atracão turística. Só é pena o Mário Ferreira ainda não ter descoberto o filão das  viagens turísticas às lixeiras e zonas emporcalhadas.
Vejam também aqui que, em Janeiro de 1995, a os ecologistas da Adenex apresentaram uma queixa à União Europeia contra a barragem do Alqueva.

Como se faz um transvase.
Na Península Ibérica, incluindo Portugal, chove muito mais no Norte que no Sul pelo será preciso transportar água dos rios do Norte para Sul.
O que se faz na distribuição da água até às nossas torneiras (bomba-se a água do Rio Douro que, depois se transporta por canos até à nossa torneira) é proibitivamente caro para a agricultura.
Se podemos pagar 5€/m3 na água da torneira, os agricultores vêm-se aflitos para pagar os 0,038€/m3 cobrados na barragem do Alqueva.
Nunca será possível meter água do Rio Douro no Sul por um preço próximo disto (nem será necessário porque temos o Rio Tejo muito mais próximo) mas vamos ver isto apenas como um exercício.

1) O transvase faz-se à mais alta cota possível.
O movimento da água vai perdendo altura pelo que, começando num ponto mais alto, vai ser necessário gastar menos energia em bombagens.
Vamos usar um rio na margem esquerda do Rio Douro, que no caso de o trasnvase ser em Portugal, obriga a usar o Rio Coa. Vai-se usar este rio como canal o que obriga a construir barragens e a bombear a água para que o caudal do rio seja em sentido contrário ao natural. Assim, a água vai ser bombada do Rio Douro a uma cota baixa (assumo 150m) e vai subindo até aos 600m onde vai atravessar a Serra da Estrela num túnel com algumas dezenas de quilómetros até renascer na bacia hidrográfica do Tejo.
A água tem que ser bombeada porque 1) é nas zonas baixas que os rios têm maior caudal e 2) a passagem de uma bacia hidrográfica para outra obriga sempre a atravessar uma zona de cumeada.
Bombear a água 600m tem um custo energético de 2 kwh (com um rendimento de 85%) o que implica um custo na ordem dos 0,10€/m3.
Depois, a ideia é tentar aproveitar 85% desta energia do lado de lá.
Chegado ao Tejo, é preciso fazer a mesma operação para passar a água mais para Sul.


Esquema do transvase do Rio Douro para o Rio Tejo usando o Rio Coa como canal e um túnel por baixo da Serra da Estrela

É melhor pedir ajuda à Espanha.
Atualmente a Espanha faz um transvase de cerca de 20m3/s do Rio Tejo para o Rio Segura que representa menos de 5% do caudal do rio em Lisboa. 
O melhor seria deixar a Espanha tirar mais água do Douro em cota alta (que apenas tem impacto nas nossa produção eléctrica) e pedir à Espanha para mandar 40m3/s do Tejo mais para Sul o que duplicaria o caudal do Rio Guadiana (que será mais ou menos metade do que a Espanha mete no Tejo na fronteira,  2410 hm3/ano).
Mas isto são coisas para o futuro, quando a água for muito mais necessária, pois ficará muito mais caro que o atual preço de 0,038€/m3 cobrado na Barragem do Alqueva.



1 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

Reduzir as emissões de CO2 depende essencialmente da reforma estrutural que seria o pagamento do efectivo custo da energia pelo consumidor.

Rapidamente o consumo de energia eléctrica e de combustíveis fósseis diminuiria substancialmente.

Ora isto aliado às 3 reformas estruturais básicas (abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos) permitiria também o povoamento do interior e a utilização sistemática da biomassa florestal como fonte de energia para assar e grelhar os cabritos e borregos. Plantar árvores e podá-las seria um passatempo de qualquer pessoa ou família.

Outra reforma estrutural seria também o pagamento do efectivo custo da água pelos consumidores que assim consumiriam menos e rapidamente haveria um melhor aproveitamento com "produção" e armazenamento da água.

A necessidade de transvases também seria muito menor.

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