segunda-feira, 18 de abril de 2022

A project to increase the throughput of HDDs without increasing the cost of production.

A project to increase the throughput of HDDs without increasing the cost of production.

HDDs, on low-end (a 2TB HDD has a price identical to a 256GB SSD, 40€), have a price 8 times smaller than a SSD but have 30 times less IOPS and 5 times less throughput. As the reading/writing is done on only one side of a platter (1 bit HDD) and it is not possible to increase the rotation speed of the disk or the areal density, bigger HDDs are becoming even slower to backup, for example, for a speed of 100MBps (7200 rpm HDD) it takes 52 hours to backup a disk of 18TB.

To compete with SSDs on server market, HDDs have to increase their capacity to 100 TB by 2030 which, given the difficulty in increasing density, only is possible by increasing the number of platters (or the diameter of each platter). Then, even assuming an expensive 10000 rpm HDD (150MBps), the backup of 100TB HDD will take 200 hours.
Intel Mach 2, by using two independent actuatores, can double the throughput (no so strainforward!) but increases the complexity and price of the HDD (and do not increaseas IOPS).

Imagine that it is necessary to reset the system.
An organization has 10,000 customers and each uses 100GB, for a total of 1000TB.
Then, it uses 2 backup copies on HDD, (a RAID 99 + 1 file servers, 5400 rpm).
In the event of an attack, it will be necessary to restore the system that will take weeks.

Data must be organized "vertically".
My idea is to organize the data “vertically” with all heads being read/written simultaneously with just one actuator. In this way, keeping all the actual mechanics, velocity and density (and the cost, just need to change the data controller), it will be possible to increase the writing and reading throughput proportionally to the number of platters (although not increasing the IOPS).
One could have: 
                                                           7200RPM  / 5400RPM 
     2 bits HDD = 1 platter  -    2TB - 200MBPS  - 150MBPS
     4 bits HDD = 2 platters -   4TB - 400MBPS   - 300MBPS
     8 bits HDD = 4 platters -   8TB - 800MBPS   - 600MBPS
   16 bits HDD = 8 platters - 16TB - 1600MBPS - 1200MBPS

In the future, assuming a 50% increase in density (pitch from 25nm to 20 nm), one can have: 
   32  bits HDD = 16 platters -   50 TB - 3200MBPS - 2400MBPS
   64  bits HDD = 32 platters - 100 TB - 6400MBPS - 4800MBPS
Increasing HDD to 16/32 platters will increase thickness from 26 mm to 40/72 mm.

With the actual density, the first HDD (the 1956 IBM 350 HDD 24 inch with 50 platters) would have 580TB.

Fig. 1 - Schematic of a 16-bits HDD where data is read/writing simultaneously by all 16 heads moving together (i.e., in the same vertical position).


Fig. 2 - To double IOPS with two actuatores, they must be in opposite sides of the platter (wright).


A project to significantly lower the cost of producing of Intel Optane memory chips by verticalization.

(Probably this will not work because or the need for heating!)

Optane memory tecnology has potencial (it is RAM and 10 times faster than NAND memory) but it is is slowly fading out due to high production costs. Each layer require deposition, lithography and etching that is expensive.

My project is transforming Optane from planar to vertical, having just two lithography and etching fases, first, to etch holes (Fig. 1, Section view - 3) and, second, to etch trenches (Fig. 1, Section view - 6). 

The design woud be similar to 3D-NAND (inexpensive).

Fig. 3 - V-Optane construction operations (part 1)


Fig. 4 - V-Optane construction operations (part 2)


Fig. 5 - V-Optane top view


Fig. 6 - Reading/programming a bit

domingo, 17 de abril de 2022

Comprei uma trotineta elétrica!!!!!

Estimados amigos que estão preocupados.

Ontem fui caminhar um bocadinho com o PSAS e ele disse-me que um aluno se mostrou preocupado com a minha situação.

Eu que até já tinha perdido a esperança na humanidade vi que, afinal, há uma pessoa boa e, como afirmou Deus quando destruiu Sodoma e Gomorra (Ge 17), basta que haja um homem bom para que a humanidade seja salva.

Mas não se preocupem que está tudo bem encaminhado, acreditem como eu sempre acreditei na incompetência de quem me persegue. Os maus não podem vencer sempre.

Mas vamos ao que interessa.


Comprei uma trotineta.

Já sou um bocadinho velhote mas, com toda a certeza, amanhã serei ainda mais velhote.

Herdei este pensamento da minha mãe e, por isso, é que fui para o judo quando já tinha 45 anos e nunca mais deixei. No outro dia, umas mães na casa dos 40 que estavam a assistir exclamaram no fim da minha aula de judo,"O Senhor mexe-se bem, chega bem para eles!".

Andei a ver vídeos de trotinetes e, depois, apareceu-me um anúncio de uma AOVOPRO M365 em promoção por 279,99€ na Electric Future (agora está em promoção por 267,23€). É a modernice do "marketing digital" que explora as cookies, se pesquisamos alguma coisa, logo nos aparecem anúncios "seleccionados especialmente para nós".

Comprei a medo pois não sabia se tinha de pagar o IVA ou sequer se alguma vez receberia alguma coisa mas correu tudo bem, ao fim de 9 dias, a 30/03, estava a Tartaruga Veloz à minha porta com uma encomenda vinda da Alemanha.

Interessante que a encomenda foi numa empresa do Reino Unido, Electric Future, que mandou o pedido para Shenzhen - China para, no final, a mercadoria vir da Alemanha.

Uma das principais vantagens da trotinete relativamente à bicicleta é as meninas poderem usar mini-saia (e as madamas poderem usar sapato alto).


A e-scooter AOVOPRO tem alguns problemas.
1 = Na montagem, os parafusos do guiador não encaixaram bem pelo que ficou com alguma folga que vou tentar corrigir (já melhorei quase completamente, tirei o volante, meti um pequeno pano e voltei a aparafusar). Mas é um problema que resulta, penso eu, por o guiador não ser montado na fábrica (para poupar na largura da embalagem).

2 = O conta-quilómetros tem um erro de 23%. Fiz o cálculo várias vezes, comparando a distância registada com a obtida no google-maps e confirmei este erro. Desta forma, numa viagem de 20 km medida no google maps precisa, na aplicação, de 24,6 km.

Também tem um exagero na velocidade mas menor, de 7%. Assim, quando no modo ECO indica 16km/h, vai a 15km/h e quando na velocidade máxima SPORT indica 31km/h, vai a 29km/h.

A velocidade máxima não tem limite (nas descidas), o motor aplicando força até os 60km/h. Sim, é possível atingir 60km/h mas é pior do que andar num caça bombardeiro a 3 vezes a velocidade do som (o máximo que dei foram 45km/h, bom piso e em linha reta e mete mesmo medo).


3 = A autonomia é cerca de metade da anunciada de "30 km a 35km". 
Sem vento, em terreno plano, uma pessoa de 75 km, 
      A uma velocidade entre 13km/h e 15km/h consegui uma autonomia de 20 km (indica 25km).
      A uma velocidade de 30km/h consegui uma autonomia de 15 km  (indica 18km).

Velocidade  (1 bateria)  (2 baterias) 
15km/h           21km           42km
25km/h           18km           35km
30km/h           14km           29km.

4 = O indicador da bateria tem exagero de 20%. Isto é, a bateria morre quando chega a 20%. Isto talvez seja para aumentar a vida da bateria pois ainda indica 34,5Volts (o mínimo poderia ir até 25 Volts).

     As contas da autonomia têm de ser calculadas descontando estes 20% (distâncias da app): 

           Autonomia a 15km/h = 30 x (Carga - 20%).

           Autonomia a 30km/h = 20 x (Carga - 20%).

Por exemplo, quando indica 60% já chegou a metade da autonomia (altura de voltar para casa!) e quando chega aos 30% já só tem energia para 2 ou 3 km.

Atenção que atingindo 20%, a velocidade "morre" para uns 10km/h e já só anda mais 700km.

5 = Nas subidas não é nada parecido com o anunciado, acima de 5%, vai devagarinho e a morrer, parando nas subidas com mais de 10%.A solução é subir aos SSS.


A capacidade da bateria e a potência estão exageradas em 40%.

Diz o vendedor que a bateria é de 10,5Ah mas carrega a 2A em 3,75 horas, o que dá 7,5Ah!!!!

Por isso, a bateria deve ser a normal 7,5Ah (10 x 3 pilhas de 2,5Ah), 270Wh ou ainda menos, de 6,0Ah.

Proporcionalmente, a potência também está exagerada, o motor deve ter 250W.


Fiquei desapontado, queixei-me e responderam-me.

O anúncio diz "30 km/h + velocidade" e é verdade.

Também diz "35 km + alcance" e aqui a realidade fica muito longe do anúncio. Mesmo considerando uma velocidade lenta, a realidade é apenas 60% do prometido.

Por causa da pouca autonomia, mandei um email e responderam-me.


A resposta já veio (20 de Junho).

Mandaram-me uma bateria nova pela Tartaruga Veloz!!!!!!

Estive a ver e estão a vendê-la por 125€ e enviaram-ma de graça, zero, borla e não pediram a outra de volta.

Meti a bateria nova no poste da trotinete (foi o meu irmão que é engenheiro mecânico) em paralelo com a bateria original. Quando fui experimentar, pumba, 

É muito fácil meter uma segunda bateria em paralelo, descarnam-se os fios e estanha-se a derivação, mas a estética ainda precisa ser afinada com uma fita preta!


TIVE UM ACIDENTE 

Sim, estava a experimentar a autonomia com as duas baterias a 20km/h e o meu chapéu voou.

Ato reflexo, tirei a mão direita do guiador para o tentar segurar, e pumba, acidente.

NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.



i) No momento do acidente, ii) em casa depois de lavar, iii) na sala de cirurgia, depois de levar 4 pontos


Já fiz 720km (22 de Junho)!

A quilometragem do computador é de 886 km.

Esta distância é equivalente a 36 carregamentos da bateria (fazendo uma média de 20km/carga completa) e não notei qualquer diminuição na capacidade da bateria. 

Carrego sempre que faço uma viagem pois os técnicos indicam que a bateria dura mais se não deixar a bateria descer abaixo dos 30% de carga.


A evolução da autonomia com os quilómetros percorridos não mostra tendência decrescente (com uma bateria)


Agora que meti a segunda bateria.

Fiz duas viagens longas, mesmo longas, demoraram quase 3 horas, a uma velocidade de 15km/h (parei pelo meio para apreciar a paisagem, tirar fotografias e consultar o GPS pois perco-me com muita facilidade). 

A autonomia com as duas baterias é de 42km (a 15km/h e sem vento).


Já ultrapassei os 2000km (12 de Outubro 2022)!

A quilometragem do computador de bordo é de 2556 km mas, como já referi, há um exagero no conta-quilómetros pelo que devem ser 2077km.

Não tive qualquer problema, os pneus estão óptimos, continua a travar perfeitamente, está tudo a funcionar bem.

O único problema é que parece que a autonomia tenha diminui em 10%. Fiz uma viagem de teste desde a estação de caminhos de ferro de Aveiro e de Ovar e consegui 37,4 km quando já consegui fazer 42 km (a 15km/h). Talvez a velocidade tenha sido 2km/h superior, mas não justifica a diminuição, é mesmo perda de capacidade.

Quando se compra algo sem marca reconhecida há sempre o medo de ser uma banhada. Mas, neste caso, a trotinete funciona bem. 


Perdeu 5% da autonomia ao fim de 60 cargas (01 de Novembro 2022)!

Apesar na viagem de Aveiro a perda parecer ser de 10%, testei a autonomia nas condições iniciais (a 15km/h em percurso plano, sem vento) e, quando já fiz 2266km, cerca de 60 carregamentos, a média de perda é de 0,1% por carga. Inicialmente fiz 42,3km e agora fiz 49,9km.

Se se mantiver esta perda, a bateria vai atingir as 350 cargas, 14000km, com 70% de capacidade. Se a trotinete aguentar os 14000km, o custo, trotinete e electricidade, ficará nos 2,50€/100km.


Andar de trotineta é uma maravilha.

Aprende-se rápido.

Mesmo os mais aselhas, os que nunca aprenderam a andar de bicicleta, conseguem aprender a andar na trotineta em menos de 5 minutos, não tem nada a ver com o skate, é muito mais fácil.

Até a minha amiga a milionária, cheia de salamaleques e finesse, toda "não me toques", a Susaninha (e não a Marta porque é ceguinha, não pode andar de trotinete :-) montou-se na minha trotinete e, ao fim de 5 minutos, já dizia "a trotinete só dá 17km/h" (pois eu tinha limitado a velocidade).


NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.

Seja em que circunstâncias for, não se pode tirar uma mão (e muito menos as duas) do guiador. 

Primeiro, meter a mão no travão, parar, meter o pé no chão, o descanso na trotinete e só depois se pode tirar a mão do guiador.


É rápida e não cansa (muito...).

15km/h pode parecer pouco mas é 4 vezes a velocidade a pé e é ainda mais rápida do que os transportes públicos urbanos.

Percorrer 10 km a pé é desgastante e demora 160 minutos. De trotinete é um passeio que demora 20 minutos. 

Os dados sobre Lisboa indicam que percorrer 7,5 km de transportes públicos demora 45 minutos (750 m para apanhar o transporte, espera 7 minutos na paragem, 6 km de autocarro e, no final, mais 750m para chegar ao destino). De trotinete, a 15km/h, demora 30 minutos.

Faz-se com muita facilidade uma viagem de 20 km em 60 minutos. 

E 20 km são uma enormidade, é a distância entre a Praia de Carcavelos e o centro de Lisboa (Rossio).


É uma sensação maravilhosa para fazer turismo.

Passear com a trotinete é algo de extraordinário porque é como andar a pé mas não nos cansamos e percorremos distâncias muito maiores.

No primeiro dia, fiz uma viagem (com a minha irmã), na cidade do Porto, desde o Passeio Alegre pela marginal junto ao Mar até ao Castelo do Queijo, os dois montados na trotineta!!!!, à velocidade máxima, sempre a gritar. Uma maravilha.

Sim, em plano, dá para duas pessoas (os dois juntos, pesamos 125kg) !!!!!!! Apesar de ser proibido, a polícia não liga, graças a Deus.

Depois, comprei outra trotinete!!!! Para eu ter uma e a minha irmão outra.

Fomos, agora um em cada uma, desde o Passeio Alegre até à Avenida dos Aliados (subimos a Rua da Restauração!) e voltamos pela marginal junto ao rio Douro. Uma maravilha.

Outro dia fomos desde o Passeio Alegre até ao cais de Leixões e voltamos. 

Também fomos ao Parque da Cidade mas não aconselho porque o piso NÃO PRESTA.


É muito segura.

Os travões são excelentes, a coisa pára muito rápido. Além disso, como vamos de pé, é como ir a correr, qualquer problema, metemos o pé no chão e já está (travando sempre). 

Há as ciclovias mas, principalmente, as faixas BUS. 

Quando o trânsito está parado, vamos pelo meio dos carros em total segurança (bem sei que é proibido ...). 

Nos semáforos, pode-se passar no vermelho e pelas passadeiras de vagarinho e a olhar (bem sei que é proibido...) e quando fica verde tem uma aceleração de arranque maior do que os carros, parece um Ferrari.

Quando a coisa complica, vamos pelo passeio devagarinho (bem sei que é proibido ...).

Na estrada os carros são respeitadores e a visibilidade é boa. 

NUNCA SE PODE TIRAR A MÃO DO GUIADOR, NUNCA MESMO.

Este chapéu já não tem risco de fugir com o vento e protege do Sol (Local: edifício no Buçaquino).

Dentro de 5 anos, todas as pessoas vão ter um telemóvel e uma trotineta.

Olhemos para as estatísticas dos transportes públicos em Lisboa (daqui).

Uma viagem tem 7,8km (7,1 km em transporte e 0,7 km a pé) e dura 48 minutos. Sendo assim, a velocidade média é de 10km/h.

Facilmente, a trotineta faz essa mesma viagem em 30 minutos (uma média de 15km/h).


É o futuro.

Aconselho vivamente e sem reservas a todas as pessoas que têm 300€ a comprar uma trotineta elétrica!!!!

A trotineta AOVO PRO m365, mesmo com a publicidade exagerada, atendendo ao preço ser relativamente baixo, é uma muito boa aquisição (pelo menos até agora, com a nova bateria, não encontro nada melhor) mas existem muitas alternativas.

A da minha irmã é a OLSSON SPECTRE 8.5 que adquiriu na Norauto por 250€, em promoção. Apesar de as especificações serem menores, é mais ou menos a mesma coisa (tem um bocadinho mais de aceleração, sobe melhor e tem a mesma autonomia que a AOVO mas a velocidade máxima é um bocadinho menor porque está limitada a 25km/h). Tem a vantagem de ser ligeiramente mais pequena (para transportar nos transportes públicos).

Outra semelhante deve ser a Xiaomi Essential mas que não testei. 

Só tenho pena que não haja locais para carregamento.

Jovens (e menos jovens), está na hora de andar de trotinete.

Para os velhotes é melhor do que muletas!! E a probabilidade de queda é menor do que a andar a pé (penso pela minha experiência, mas já tive um acidente!).

O problema são os empedrados.

Já andei em ciclovias, estradas nacional 109, vias rápidas de acesso à autoestrada, estradas secundárias, passeios e caminhos de terra e o único problema são os empedrados!!!!!!

Tem de se ir com a trotineta à mão e, mesmo assim, treme muito.

Essa doença que atacou os autarcas depois das rotundas é horrível, serve apenas para atirar o "transporte suave" para longe das cidades. 

Basta haver uma faixa lisa com 40cm de largura no centro da via!


Aqui estão dois bons exemplos na cidade do Porto


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

O problema do Putin é o nosso problema: a economia está estagnada.

Não faz qualquer sentido o Putin invadir a Ucrânia.

É um país pobre que sempre deu prejuízo à União Soviética tendo mesmo sido a principal causa para que a Zona Rublo entrasse em colapso (a Ucrânia emitia ordens de pagamentos que eram usadas para comprar bens na Rússia e que não tinham qualquer contrapartida).

A Ucrânia não tem recursos minerais importantes nem nada que seja de interesse. A única coisa que tem em grande quantidade é o potencial de causar prejuízo a quem se meta por lá.

Fazia sentido o Saddam invadir o Kuwait, aquilo é um barril de petróleo e também faz sentido a China querer anexar Taiwan, aquilo é um cofre de tecnologia mas a Ucrânia não tem nada que presta, nada de lá serve para o que quer que seja.

Sendo assim, esta invasão só pode servir como distracção relativamente aos problemas da economia da Rússia.

Fig. 1 - Evolução do PIB per capita russo, 1990-2020 (dados: USD, Banco Mundial)

A economia Russa cresceu muito entre 1998 e 2008 mas depois ...

Quando a URSS acabou, a economia Russa entrou em queda livre, tendência invertida em 1998, ano em que começou a crescer a uma média anual de 7,3%.

A economia a crescer foi uma lufada de vento na presidência do Putin, visto como o salvador da grande Rússia.

O problema é que, em 2008, veio a crise do sub-prime e, desde então, a economia está praticamente estagnada. E 13 anos sem crescimento, naturalmente, faz com que comece a aparecer descontentamento.


O Putin, em vez de investir na economia, investe em distracções militares.

As invasões gastam muitos recursos porque é preciso garantir às pessoas "invadidas" um bom nível de vida. Nos últimos anos, as repúblicazitas ucranianas ocupadas pelo Putin têm gasto enormes recursos à Rússia e, naturalmente, quanto maiores forem as republicazitas, mais recursos serão gasto.

E a economia Russa é muito frágil, muito pequenina, pouco maior que a economia espanhola e apenas 40% da economia alemã pelo que a projecção de força para o exterior vai causar um grande dano no seu desenvolvimento.


Ainda pensei que a Rússia ser iria transformar num país europeu normal.

 Que ia seguir  o caminho da Alemanha de 1945 que, depois de perder a guerra, deitou fora a ideia belicista e se integrou perfeitamente na Europa.

O mesmo se passou com o Japão.

A Rússia tinha (e tem) enormes vantagens em se integrar na Europa e o Trump tentou este caminho mas o Putin é tosco, não tem visão, pensa como pensava o Estaline, uma mente retrógrada e, desta forma, o futuro da Rússia vai ser a continuação da estagnação.


A Europa tem que reabrir as centrais a carvão.

E Alemanha reabrir as centrais nucleares, não há outra forma de substituir o gás natural russo.

As centrais nucleares europeias surgiram nos anos 1970 exactamente para se conseguir a "independência estratégica" .

O carvão e o urânio produzem-se na Austrália que é nosso aliado.

Os "ambientalistas" não vão gostar mas, neste momento, não há outro caminho que não seja regredir um bocadinho nessas coisas.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Os ataques dos vírus informáticos e a liberdade de programação.

No últimos tempos tem havido ataques informáticos de grande impacto.

Desde que há um mês a SIC e o Expresso que ficaram sem acesso aos seus recursos informáticos que o problema dos ataques com vírus informáticos entraram nas preocupações das pessoas. Hoje estamos ainda com problemas na Vodafone (impacto negativo desde as caixas multibanco até à vacinação) e já se fala num ataque a um importante laboratório de análises ao Covid-19. Neste poste vou (tentar) explicar porque é possível haver ataques de vírus e como isso é muito difícil de resolver "para todo o sempre".


As fragilidades que permitem os ataques dos vírus.

Tudo o que nos rodeia é um computador! Bem, "tudo" é um exagero, mas muitas coisas, desde a Smart TV, a boxe do "serviço de TV por cabo", a pendrive, o telemóvel ou a calculadora até ao comando do televisor, a máquina de fazer pão ou a máquina de lavar e secar roupa, são  intrinsecamente computadores iguais aos mais potentes computadores. 

Sendo assim, porque razão é que a nossa máquina de fazer pão nunca foi atacada por um vírus informático? 

Existem três razões, três fragilidades dos sistemas informáticos. A primeira é por não estar ligada a nada que a possa "contaminar", a segunda é que não é programável e a terceira é que não tem retro-compatibilidade com versões antigas.

Vamos ver cada uma destas fragilidades.


1 = Ligação a outros equipamentos.

Os "vírus informáticos" chama-se vírus porque comportam-se como uma doença infecciosa. De facto é um programa informático (um conjunto de instruções) mas com capacidade para entrar numa máquina e tomar conta dela de forma a "obriga-la" a enviar esse mesmo programa para outras máquinas a que esteja ligada. 

Imaginemos um exemplo conceptual simples. Alguém escreve uma mensagem de correio electrónico que contém um ficheiro anexo com um "vírus". Uma vez chegado à nossa caixa de correio, se carregarmos no ficheiro, este "corre" enviando um email a todos os nossos contactos que vai incluir o "vírus" como anexo. Esta "doença" está dependente da acção da pessoa. Vamos supor que, em média, cada pessoa tem contactos e que 2% das pessoas carregam no ficheiro (porque tem um texto mais ou menos apelativo). Neste caso, o vírus vai expandir-se (porque tem um R maior do que um, 100*2% = 2 > 1), nunca mais desaparecendo de circulação. 

Se não houver ligação entre os equipamentos, torna-se impossível a entrada do "programa maldoso". Por exemplo, o computador (é um chip que mede 5x5 mm2) que controla a pendrive corre um programa que foi "injectado" na fábrica e que não pode ser alterado. A pendrive pode ter vírus nos ficheiros mas a própria pendrive enquanto computador nunca pode ser contaminada porque não existe forma de ligar a memória que contém o programa a outros equipamentos. Passa-se o mesmo com a máquina de lavar roupa ou a máquina de fazer pão.


Nos dias de hoje, está tudo ligado a tudo!

Pois!

Já não conseguimos viver sem comunicações e os nossos equipamentos também precisam de estar ligados a outros equipamentos. Ao haver tantas ligações, qualquer vulnerabilidade pode ser explorada. 

Neste momento, o mais vulnerável são as pessoas que, de forma voluntária, fazem coisas que facilitam a acção do vírus, por exemplo, reencaminham mensagens que digam "Partilhe este email porque esta menina com cancro linfático recebe tratamento grátis da TRUFE Hospitais se houver mais de 100 milhões de partilhas". Também existem emails que invocam encomendas retidas na alfândega, problemas tributários, transferências bancários ou prémios de lotaria.

A pessoa carrega e pumba, o programa é executado e toma conta do seu computador que vai usar para nos aborrecer e também para se propagar (enviar-se para os nossos contactos).

 

2 = A revolução dos computadores está dependente da programabilidade.

O computador que está dentro da pendrive executa com mestria o programa que lhe meteram na fábrica, executa qualquer coisas como 800 MIPS, e nós não podemos fazer mais nada com esse computador. Vamos supor que queríamos que esse computador encriptasse (e desencriptasse) os dados que são gravados. O processador tem capacidade para isso mas não somos capazes de introduzir alterações no programa que vem de fábrica, uma vez gravado, nunca mais pode ser alterado (uma memória WORM - Write Once Read Many). Para isso, na fábrica têm que "injectar" outro programa enquanto a memória está "nova" (uma vez gravada, morreu).

Como os mais antigos se lembram, a grande expansão dos computadores não surgiu com a APPLE que, até hoje, produz sistemas "fechados" mas sim com os "computadores abertos" em que se instalava o sistema operativo MS-DOS e, sobre este, o BASIC, tudo "pirata". Se o APPLE era muito bem na gestão de imagens e documentos, o BASIC abriu a computação ao aluno de engenharia, tornando possível e fácil escrever programas personalizados. Se eu quero projectar o betão de uma barragem, as contas que vou realizar são muito diferentes das necessárias para projectar uma rede de abastecimento de água. O BASIC veio tornar possível que um mesmo computador X86 pudesse ser usado para coisas muito distintas. 

Podem dizer "Os computadores APPLE não sofrem ataques de vírus" mas isso tem um custo em perda de liberdade, da impossibilidade do utilizador ajustar o computador Às suas necessidades. Por esta razão, nunca, jamais alguma disciplina de "informação", "computação", "engenharia de dados", "gestão da informação", "análise numérica" ou "data inteligence"  utilizou o computador APPLE como base de trabalho.

A liberdade tem um custo e esse custo é poder haver pessoas que criam programas que tomam conta dos nossos computadores.


 3 = A retra-compatibilidades.

Quando sai um novo protocolo, por exemplo, Pendrives USD 3.0 depois das Pendrives USB 2.0, quando metemos uma pendrive USD 2.0 numa ficha USB 3.0 esta tem que funcionar (e vice versa).

O MS-DOS acabou em 1985 (foi substituído pelo Windows 1.0) mas se hoje, decorridos 37 anos metermos no nosso computador Windows 11 uma diskette com um programa de 1980, este vai correr. Vai ser aberta uma janela e o programa vai correr numa emulação do MS-DOS.

A retro-compatibilidade aplica-se até ao mais pequeno dos componentes, se o processador 80386 (processador de 32 bits de 1986) executava um programa em código máquina, para um processador actual AMD Ryzen 5 poder executar esse mesmo programa, as instruções do 80386 têm que estar ainda incluídas.

O problema é que o "código" do passado incluído para garantir a retro-compatibilidade tem vulnerabilidades que podem ser descobertas e exploradas. Por exemplo, quando ligamos um equipamento ao nosso computador é necessário instalar um programa de controlo, o "driver". Drivers antigos podem ser transformados por programadores "inteligentes" para controlar o computador (alterando o driver, quando a impressor antiga é accionada, este injecta código malicioso na "corrente" do sistema operativo, passando a controla o computador).


E como se resolve o problema dos ataques?

Passa sempre por diminuir a liberdade dos utilizadores!

Quando vamos à caixa Multibanco, as operações que conseguimos fazer são limitadas (temos que meter um cartão, digitar um código secreto e só podemos fazer certas operações). Dadas as limitações, apenas podemos ser roubados se houver uma pessoa que nos obrigue a dar o cartão e o código. Já nas operações pela Internet ou pelo telemóvel, como temos mais liberdade, já há mais possibilidades de sermos defraudados.

Se o email não tivessem ficheiros anexos, 99% dos ataques de vírus acabavam. 

Se os documentos do OFFICE não tivessem macros nem programas em VBA, também muitos problemas acabariam.

Mas a redução da liberdade é uma redução na qualidade do serviço. Será que conseguimos viver sem anexos?

A gestão da segurança informática tem que ponderar, por um lado, o risco de ataque com a perda da qualidade do serviço por diminuição da liberdade.


Agora, um bocadinho de gestão do risco.

Certo dia um TESLA parou no meio da auto-estrada e o condutor telefonou para a assistência que o aconselhou a "fechar as janelas todas, desligar o carro, sair, fechar as porta, contar até 10, abrir o carro, entrar, abrir as janelas todas e tentar ligar o carro".

É isso que fazemos no nosso computador: fechamos tudo, desligamos e voltamos a ligar que o sistema há-de reinicializar ao estado anterior.

Quando há um ataque a uma infraestrutura, a solução é desligar, apagar todos os ficheiros e repor o backup do dia anterior. O problema é que a) é preciso que haja um backup, b) perde-se alguma informação e b) os ficheiros do dia anterior podem já incluir o vírus.

Na nossa vida, podemos fazer um backup diário da nossa pendrive mas isso aborrece. E fazer um backup de toda uma SIC (com milhões de documentos multimédia) ou de toda uma Vodafone (com milhões de chamadas, SMS, etc.) não é uma fácil pelo que as pessoas facilitam.

É como meter o cinto de segurança, quase nunca tem utilidade (há pessoas que conduzem toda a vida sem nunca terem o mais simples dos acidentes) mas quando é preciso, salva-nos a vida.


E o que fazem os antivírus?

Fazem duas coisas. 

A primeira é comparar os bits que existem na memória e no disco com um padrão. Vamos supor que um determinado vírus tem uma "frase" com 100 bits, por exemplo 1101010101100101010100010...101010100101010111110101 algures no seu código. O antivírus vai percorrer tudo à procura desta "frase". Se encontrar esta frase, vai apagar o ficheiro que a contém ou mete-lo em "confinamento" (vai incluir bits no meio da frase que desativam o código).

A segunda é usar "noves fora" para garantir que nada foi acrescentado aos ficheiros executáveis. Se bem se lembram, quando temos o número 563829343, o "noves fora" é o algarismo 7,   5+6+3+8+2+9+3+4+3= 43 e 4+3 = 7. Agora, se houver uma alteração num dígito, temos o 7 como uma forma de controlo. O "noves fora" não controla de forma forte (por exemplo 343928365 também ter 7) mas existem algorítmicos que são muito fortes.

Se temos um programa, por exemplo, o Excel, e sabemos que o número de controlo original deste programa é  a "cinza" de 256 bits F4.5A.36.AF.9C.5E.06.B4.FD.82.B7.78.AB.B4.D3.8B, o antivírus pode em qualquer altura calcular a "cinza" do Excel que está no nosso computador e, se a "cinza" der diferente, identifica um problema (o código foi adulterado), apagando o programa e reinstalando-o "limpo".


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

A morte do PCP-PEV (e do CDS) já estava anunciada há muito

A queda da CDU resulta de um erro estratégico.

Se pegarmos nos 7 resultados eleitorais (legislativas e autárquicas) entre 2005 até 2015, o PCP-PEV manteve-se mais ou menos nos 8% (corrigindo do facto do PCP-PEV ter mais 2,1 pp nas autárquicas).

Era assim e continuaria a ser assim se o Jerónimo de Sousa não decidisse, em 2015, depois de o Passos Coelho ter conseguido quase maioria absoluta, inovar.

Sim, o PCP sempre achou que o PS era um partido de direita igual ao PSD mas, na noite eleitoral de 2015, decidiu que não era bem assim, que seria melhor apoiar o Costa (que tinha perdido forte). Digamos que o pensamento do Jerónimo foi "Vou ser eu quem vai mandar o Passos Coelho borda fora e o povo português vai-me ficar de tal forma agradecido que vou ter maioria absoluta nas próximas eleições ." 

Na altura eu avisei-o mas não me quis dar ouvidos.

Acontece que, desde 2015, cada ano que passou, o PCP-PEV perdeu cota eleitoral. Se em 2015 teve 8,25% e 17 deputados, decorridos menos de 7 anos, ficou reduzida a 4,39% e 6 deputados. Neste pequeno espaço de geringonça perdeu 65% dos deputados.

E esta perda foi contínua e constante, cerca de 0,5 pontos percentuais por ano, sem nada que indicasse há 3 meses (quando o PCP-PEV mandou o PS ao chão) que 2022 diferente:

Fig. 1 - Evolução recente dos resultados eleitorais do PCP-PEV

Se o número de deputados fosse proporcional, o PCP-PEV teria 9 deputados.

Pegando nas eleições anteriores a 2022, existe uma proporção entre a percentagem de votação e  o número de deputados (250 x Votação) mas tem uma parcela que abate (- 4,8). Quer isto dizer que o PCP-PEV tendo 8% teria 20 - 4,8 = 15 deputados mas como teve 4%, teve 10-4,8 = 5 deputados.

Metade dos votos levou a um terço dos deputados. É o "problema" da divisão dos deputados por distritos.

Fig. 2 - Relação entre votação e deputados para o CDS e PCP-PEV (2007-2019)


Ao CDS aconteceram mais oscilações.

Não existe uma tendência de queda tão nítida como no caso do PCP-PEV, até porque apenas existe um resultado entre 2011 e 2022 (o CDS tem, várias vezes, feito coligações com o PSD). 

De qualquer forma, de 11% em 2009 e 2011 (e 22,5 deputados), caiu em 2019 para 4,22% (e 5 deputados). Em termos médios, foi uma queda de 0,85 pontos percentuais por ano que apenas poderia indicar que, em 2022, se ficaria pelos 2,1% e zero deputados.


O que levou o PCP-PEV e o CDS-PP a deixarem o Costa cair?

A esperança de que iriam inverter a tendência.

O Jerónimo demorou 6 anos a concluir que ter apoiado o Costa foi um erro tremendo, que mais vali ter apoiado o Passos Coelho durante 2 anitos e, depois, logo se via.

O CDS, tendo um grupo parlamentar hostil aos órgãos dirigentes (não vou fazer um juízo de valor quanto a quem tinha razão porque não sei), decidiu estar na hora de deitar fora quem estava para tentar meter quem mandava.

Ambos falharam as previsões e de forma bem forte.


Para quem é de Direita, estes resultados são bons ou maus?

Dentro das pessoas que votaram no Rui Rio, não vejo tristeza o que indica que ninguém acreditava que fosse uma boa solução entregar-lhe a governação do nosso pais.

Não sei, mais uma vez, se seria ou não bom primeiro-ministro (não sei mesmo, não faço ideia).

Agora, estranhamente porque o PS ganhou com maioria absoluta, estas eleições foram um caminhar para a direita. O PCP-PEV e o BE (da extrema esquerda) perderam muitos votos, o PS e o PSD mantiveram mais ou menos os resultados (que se definem como o centro) e a IL e o CHEGA (da extrema direita) ganharam muitos votos.


O que o Costa tem feito de mais errado?

Pois o mais errado tem sido a subida do Salário Mínimo Nacional acima do aumento da produtividade.

Pegando no PIB todo a preços de mercado e, dividindo pelo número total de trabalhadores, obtemos a produtividade nominal.

Depois, pegamos no SMN, multiplicamos por 14 meses e 1,2375 de TSU e obtemos o custo para o empregador. dividindo o SMN pela produtividade obtemos uma percentagem que, entre 2005 e 2015 foi de 22%. Desde então, passou para 31%.

Este problema é grave porque vamos perder competitividade face aos nossos parceiros comerciais (os nossos bens ficam mais caros de produzir). No caso de haver uma crise nas contas com o exterior, se tivéssemos o Escudo, o governo corrigia facilmente o problema desvalorizando a moeda. Como pertencemos ao Euro, a correcção terá que ser feita como vimos em 2011-2013, em termos reais.

O Banco de Portugal (governado pela mesma pessoa que subiu o SMN) e o antigo ministro Teixeira dos Santos já vieram dizer "cuidado, estamos a entrar num território perigoso, é preciso pensar melhor" mas o Costa continua, neste ponto, com a vela cheia.

É aqui que vejo o maior problema da governação socialista e o Costa, mesmo querendo e sabendo que é perigoso, não tem hoje força política para parar este escalar.

Fig. 3 - SMN como percentagem da produtividade por trabalhador, com TSU (dados: WB)

E os outros problemas?

É tudo relativamente pequeno.

A TAP são 4000 milhões, 1,8% do PIB a distribuir por vários anos.

Os comboios, são uma coisa para o esquerdista Pedro Nuno Santos brincar, mais agora precisa porque vai ter Costa por muitos e muitos anos. 

Meia dúzia de escolas terem ou não "acordo de associação" e haver uma mão cheia de hospitais que passam a gestão pública (e demais minudências) são, sem duvida,  prejuízo para Portugal mas necessários para manter os esquerdistas desmiolados adormecidos no seu sofá.


Estou moderadamente optimista.

E este pensamento meu mas principalmente de muito mais gente é que fez o António Costa ganhar com maioria absoluta.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

O Rui Rio perdeu porque não se pode ganhar sem pelejar.

O Rui Rio pensava que ganhava sem fazer oposição.

Bastava aguentar firme no sítio certo, vencer as batalhas internas do PSD como se fosse um boneco-sempre-em-pé, para logo o PS perder e a vitória cair no seu regaço caída do Céu. E com a vitória caída do Céu viria o cargo de primeiro ministro de Portugal. 

O desgraçado até já tinha nomes para os ministros. Até tive pena dele e imaginei quanto se riram aqueles que ele, internamente, derrotou. Pensaram para com os seus botões "Fogo, livrei-me de boa! Esta derrota estava reservada para mim. E eu que nem percebo alemão!"

A Aranha lança a teia e espera que o vento a leve até aos pretendidos longínquos lugares.

O Rui Rio até criou o Conselho Estratégico Nacional com pompa e circunstância

Mas nunca o deixou funcionar.

Lembro-me bem dos membros do "CEN - Economia e Empresas" quererem pelejar mas o Rui aplicou-lhes a pena do silêncio e meteu lá outros, bem caladinhos. 

Até tive, agora, curiosidade em ver os nomes que lá estão, Rui Vinhas da Silva, Francisco Catalão e Afonso Oliveira. Têm bom aspecto e são pessoas de muito valor mas nunca os vi na comunicação social. Alguém já ouviu estes senhores dizerem alguma coisa crítica às políticas económicas do Costa? Eu nunca ouvi nada.

Se nunca apareceu ninguém a apontar erros das políticas económicas do Costa, como pode algum eleitor pensar que o Costa estava a fazer um mau trabalho?

O Rio nunca se preocupou em arranjar argumentação. Deixou o Costa fazer o que quis e pôde para acreditar que, no fim, ganharia as eleições com a ajuda do gato.


Vou dar 2 exemplos.

1) O Costa prometeu que vai subir o Salário Mínimo para não sei quanto. O Rio veio dizer outra coisa qualquer. Apareceu alguém ligado ao PSD a explicar porque razão a política do Costa está errada? É que, para a generalidade dos mais pobres, a subida do SMN parece uma boa ideia.

Sem convencer os eleitores de que é uma má ideia subir o SMN, ao dizer "não garanto nada" apenas está a mandar votos pela janela fora.

Se o Rio pensa que a política "subir o salário mínimo 6%/ano" é errada e causa prejuízo às pessoas, tem que estudar uma argumentação capaz de convencer os eleitores disso.

2) O Costa prometeu descer o IRS e, no futuro, o IRC. O Rio prometeu descer o IRC e, no futuro, o IRS. A descida do IRS afecta mais eleitores (foi a promessa da IL em descer o IRS para 15% que lhe deu os 8 deputados) pelo que o Rio teria que convencer os eleitores que a prioridade do Costa estava errada.

Nada fez, apenas repetiu "Comigo será assim ..."


O Costa é "político"

As contrário do Passos Coelho ou do Cavaco Silva que se concentravam no "bem do pais" (fosse lá isso o que fosse), o Costa pensa que "o povo é quem mal ordena" e, por isso, apenas implementa políticas que agradem ao povo. 

Vamos supor que o Costa sabe que subir o salário mínimo 6%/ano é mau para a economia mas não consegue convencer os eleitores disso. Então, vai subir o SMN ao mesmo tempo que faz algo discreto que compense o "prejuízo", por exemplo, vai dar um subsídio aos empregadores.


O Rio errou em não fazer coligações à direita.

Bem, agora é fácil dizer isto mas, como propus, faziam listas juntas (PSD, CDS, CHEGA, IL, PPM e mais quem quisesse) e, no final, distribuía os deputados a partir de uma sondagem à boca das urnas.

O Rio pensava que ia absorver os votos todos da direita dizendo que é da esquerda. Digamos que as pessoas estavam obrigados a votar nele, o discurso foi apenas "Eu ou o Costa" como se isso fosse uma grande ameaça.

Se fosse assim, não havia pessoas adeptas de equipas que perdem sempre! Aquele adepto do Arouca que, ouvindo "Se o Arouca vencer o Porto, o Benfica ganha o campeonato" está-se a borrifar para isso, quer ver é o seu Arouca a ganhar ao Porto.

Quem votou no CHEGA não foi para o André Ventura ganhar, foi porque gosta deste "pequeno clube". 

E algum dos 22553 que votaram no Tino pensou que ele ia ser eleito deputado? Não, gosta dessa personagem.


Em agora, PSD?

O CDS, tenho pena do coitado Xicão porque se esforçou, lutou para, no final, se passar um esquadrão de cavalaria à desfiada na sua cabeça não encontrar um único deputado! Dizer isto ao André Ventura foi baixo já que nunca disse nada parecido aos da extrema esquerda. E logo ao André Ventura que, tal como ele, nunca perde a Santa Missa Dominical.

O PSD, digamos que me posso enganar, mas vai ter tempos difíceis. Que nome tem o PSD para líder? Está tudo morto, o Rio afogou toda a gente.

A menos que venha por ai uma crise grave, vamos ter Costa por muitos e muitos anos.

Sendo assim, só posso desejar ao Costa "Bom trabalho".


Finalmente, o ERRO das sondagens.

As sondagens nunca erram, quem erra são os comentadores.

Perguntam a 150 pessoas em quem vão votar e, a partir dai, passam horas e horas de análise nas televisões. Reparemos bem, havia 9 milhões 298 mil e 390 eleitores dos quais votaram 5 milhões 389 mil e 705 pessoas e discutem-se previsões como se fossem a verdade telefonando a 150 dos 9 milhões. Mesmo que sejam 1200 pessoas inquiridas, cada telefonema vai representar 7750 eleitores!

Alguém no seu juízo perfeito acha que sairá dali uma previsão com um erro tão pequeno que se consigam descortinar os resultados finais?

Nem pensar, qualquer resultado eleitoral é, estatisticamente compatível com as sondagens apresentadas.


Mesmo assim.

Se pegarmos em todas as sondagens entre Outubro de 2019 e meados de Novembro de 2021 (um total de 59636 inquiridos), a diferença entre o PS e o PSD é de 11,9 pp, sendo que o nível de confiança de 95% indica um intervalo entre 6,6 pp e 17,2 pp.

A diferença no resultado final das eleições foi de 13,9 pp, bem dentro do intervalo de confiança.

O problema é que, prevendo o conjunto das sondagens usando 59636 inquiridos um intervalo tão grande, qual o erro de perguntar apenas a 600 pessoas?

E é muito diferente a diferença ser 6,6 pp ou 17,2 pp.


Voltamos aos clubes.

Fala-se nas TVs horas e horas sobre um simples lance de futebol. Naturalmente, também se falam horas e horas sobre uma sondagem que não contém quase nenhuma informação.

Se for barato meter 4 pessoas num estúdio e isso tiver espectadores, avança-se com esse "balde de plástico".


quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

A alegada seca na Barragem de Santa Clara - Odemira

É um discurso recorrente de que há cada vez menos chuva.

Mas não existe evidência de que isto esteja a acontecer.

Por exemplo, peguei na estação de medida de caudais de Ponte da Barca (que mede o caudal do Rio Lima) e vi os dados disponíveis pelo SNIRD desde 1/10/1990 (que é quando começa o ano hidrológico).

Escolhi esta estação porque a água do Rio Lima não é usada a montante de Ponte da Barca para rega.

Estranhamente, considerando apenas os anos em que há dados contínuos (desde 22/01/2003, últimos 6013 dias) o caudal tem aumentado 0,5%/ano, aumento significativo (t = 2,27).

Fig. 1 - Caudal do Rio Lima em Ponte da Barca (dados, SNIRH)

Onde há rega a montante ...

Antigamente não era possível bombear a água. Agora, com a descida do preço das bombas de água e das canalizações, os rios sofrem de "sangria".

Mas não é o caso da Barragem de Santa Clara pois esta encontra-se na montanha. Esta barragem está sempre com níveis relativamente baixos porque é uma barragem muito grande, capaz de armazenar a chuva de vários anos. 

Para ficar com uma ideia, o caudal médio anual do Rio Mira na entrada a albufeira é de 78 milhões m3 por ano e a barragem tem capacidade de armazenamento de 485 milhões de m3, o que traduz que a barragem é capaz de armazenar a água de 6 anos e ainda vai sobrar um bocadinho.

Desta forma, a albufeira estar sistematicamente a 40% (água correspondente a 2,5 anos) é uma gestão óptima pois diminui a evaporação.


Porque será que a barragem de Santa Clara é tão grande?

Porque foi feita no tempo do Salazar e este pensava sempre a muito longo prazo, pensava que Portugal era eterno!

A ideia do Salazar era que os futuros governantes portugueses fossem buscar água mais a jusante, mais próximo da foz do Rio Mira, mais para os lados de Vila Nova de Mil Fontes, e que bombeassem essa água para cima, para a barragem. 

Em termos de engenharia, a sua ideia era fazer um açude na confluência da Ribeira do Torgal com o Rio Mira e bombear essa água para cima, para a albufeira da Barragem de Santa Clara.

Mais tarde, talvez fosse económico bombear água ainda mais abaixo, mais próximo do mar.

Isto até pode parecer uma maluqueira mas é o que fazem na Califórnia!


A água e o crescimento da economia.

Toda a gente diz querer que a economia cresça mas, quando aparecem coisas que a podem fazer  crescer, logo dizem ser contra.

No caso em concreto, a água tem que ser utilizada onde gerar mais valor. Se, por exemplo, regar arroz produz 0,10€/m3 de valor e regar framboesas produz 0,10€/m3 de valor, temos que deixar de utilizar água no arroz (importa-se de países asiáticos) e passar a utilizar a água nas framboesas (que se exportam para o norte da Europa e, com o dinheiro, mais do que pagamos o arroz importado).

Seguindo o mesmo pensamento, se um campo de golfe gera 1,00€/m3 de valor e a agricultura gera 0,50€/m3 de valor, temos que deixar a agricultura e passar para o golfe.

Lutar contra a afectação dos recursos nas actividades que geram mais valor apenas porque não é tradicional ou, alegadamente, inimigo do ambiente, é o que condena a nossa economia à estagnação.

E com economia estagnada, o nível de vida não pode melhorar.


Parece que o povo português está confortável com a actual situação.

Se a economia portuguesa cresceu qualquer coisa a partir do fim de 2012, tal deve-se apenas às reformas impostas pela Troika.

O problema é que logo elegemos um governo porque prometeu anular tudo o que foi feito no tempo da Troika.

Não podemos ter "sol na eira" (salário mínimo como o dos países mais ricos da Europa, contratos de trabalho fortes, manutenção da tradição no uso da terra e da água) e "chuva no nabal" (maior nível de vida, menos impostos).


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O que dizem as sondagens a 4 dias das eleições?

Aproximamo-nos do dia das eleições legislativas e a coisa está por uma unha negra.

A fonte dos meus dados são as sondagens publicadas que, depois, sofreram transformações a meu gosto.

Primeiro, peguei nas 95 sondagens recolhidas pelo site https://sondagens.rr.sapo.pt/, e que totalizam um total de 70736 respostas espalhadas entre 25/10/2019 e 20/01/2022.

Segundo, calculei a média ponderada pela dimensão de cada amostra das sondagens de cada empresa e o desvio dessa média para a média global (de todas as sondagens).

Terceiro, "corrigi" cada uma das sondagens pelo desvio da empresa.

Quarto, calculei a diferença entre o PS e o PSD que lancei num gráfico os dados desde 1/02/2022 onde acrescentei o ajustamento automático pela função X^4.

O que se vê nas sondagens é que 

A) Até ao chumbo do orçamento de estado o PS estava com uma vantagem na ordem dos 13 pontos percentuais

B) Desde o chumbo do OE, a vantagem do PS começou a cair e está, neste momento, próximo dos 4 pontos percentuais, com duas sondagens recentes a indicar ainda menor vantagem.

Fig. 1 - Vantagem do PS relativamente ao PSD

Fig. 2 - Desvio de cada empresa relativamente à média ponderada das sondagens


Agora, vamos aos deputados e aos blocos Direita/Esquerda.

A média PS/PSD é de 34% dos votos o que traduz que teremos PS = 36%  e PSD = 32%. Estes resultados são os mesmos da RR.

Pegando nas estimativas para os outros partidos da RR, ficamos com: 

Fig. 3 - Próxima Assembleia da República atendendo às últimas sondagens


O PS precisa do BE e da CDU!

A Esquerda está com uma vantagem confortável pois a direita tem os resultado de 2015 (quando a PaF teve 108 deputados e não se aguentou).

Ainda é preciso a Direita subir um pouco, mais 7 deputados, para poder formar governo pois tenho a certeza que, por mais que gritem e berrem, nunca o BE e a CDU vão deitar abaixo o Costa estando em jogo a formação, em alternativa, de um governo de Direita.

Esperemos pelo Futuro que está sempre a ser criado.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

A direita precisa do CHEGA porque capta votos na extrema esquerda

Os analistas políticos colocam os eleitores numa linha esquerda-direita.

Essa linha vai da extrema esquerda (onde estão o BE e o PCP) até à extrema direita (onde está o CHEGA).

Pegando então no Modelo de Hotelling na sua forma mais básica (agentes económicos com apenas um estabelecimento), concluem que os eleitores dos partidos dos extremos são totalmente diferentes e que um partido apenas será vencedor se se localizar no centro.

Para ser mais fácil ler o gráfico, consideremos que os partidos são padarias que se encontram num determinado território e que os clientes compram na padaria mais próxima de casa. Se cada padaria estiver no seu sítio, os que estão mais próximas do centro captam mais clientes, acabando todas por se mudar para o centro (é por isso que as cidades têm centro).

Por causa desta análise, todos os partidos se dizem de centro, seja, grandes como o PS ou o PCD ou pequeninos, desde o RIR até a LIVRE passando pelo PAN, que não se cansam de dizer que não são  a esquerda nem a direita, antes o meio que vai fazer a ponte.

Mas este modelo está errado por ser a versão simples (cada padaria só tem um ponto de venda, um estabelecimento).

Fig. 1 - Resulta do modelo base de Hotelling que todos querem estar no centro


Modelo de Hotelling com dois estabelecimentos.

Agora, o estabelecimento "A" vai abrir o estabelecimento "A1" bem na "extrema" de um concorrente. Em termos de partidos, um que se diz do centro vai usar um da extrema com o qual, depois, vai fazer uma coligação (por exemplo, o PS com o BE e o PCP).

O "extrema" vai poder dizer coisas que nem fazem todo o sentido mas também nem todos os eleitores têm um pensamento lúcido.

Fig. 2 - A abertura de um estabelecimento vai permitir a "A" ganhar mercado esmagando o "C"

O resultado do modelo de Hotelling com vários estabelecimentos não é estarem todos no centro mas sim uma dinâmica em que aparecem e desaparecem estabelecimento de forma a dificultar o ajustamento da concorrência.


O BE já foi um estabelecimento novo na extrema esquerda.

Também surgiu o PAN como um estabelecimento da esquerda mas a entrar na moda dos movimentos "verdes".

Agora, apareceram o CHEGA e a IL como estabelecimentos novos da direita.

O CHEGA vai captar os eleitores desmiolados, velhos, pobres, rurais e desdentados que iam para o PCP e algumas franjas esquerdistas do PS.

A IL vai captar os eleitores desmiolados, novos, ricos, urbanos e de dentição branqueada que iam para o BE (a esquerda caviar).

Os dois juntos, esmagam os estabelecimentos da extrema esquerda.


Todos os partidos que tenham votos são utilizáveis.

O PSD ainda não pode dizer que, caso a direita tenha maioria, que vai coligar-se com o CHEGA pois isso retirava-o do centro. Além disso, prejudicava o CHEGA dificultando a captação dos eleitores do PCP.

Mas, no final, e caso o PSD ganhe (o que é altamente improvável em 2022), até a URSS conversava com os USA.


Quanto às sondagens.

O PS ainda tem muita vantagem.

Mas acontecem milagres, o Rio está a fazer uma boa campanha e o Costa já nem fala da BAZUCA, está à defesa.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Será que diminuir os impostos faz a nossa economia crescer?

 Na campanha eleitoral, muito tem se anunciado descidas de impostos.

Dizem todos os candidatos, da esquerda e da direita, que é preciso descer os impostos. Dizem os da esquerda que a descida dos impostos é para aumentar o rendimento das famílias e dizem os da direita que a descida dos impostos é para favorecer o crescimento económico.

No fundo, estão todos errados pois a diminuição dos impostos nem aumenta o rendimento das famílias nem aumenta o crescimento económico!!!!!!!!!


Os impostos financiam a despesa pública.

Se o Estado cobra 100€ de impostos, pode ter uma despesa de 100€. Se o Estado diminui os impostos para 90€, tem que diminuir a despesa pública para 90€.

Simples como a contabilidade de uma mercearia já que o dinheiro não cai do Céu.

Então, quando um político fala em diminuir o IRS em 500 milhões € tem que dizer ao povinho ignorante onde vai cobrir esse buraco, onde vai aumentar os outros impostos em 500 milhões € ou onde vai cortar a despesa pública em 500 milhões €.


Para compreenderem isto imaginem uma família.

Em termos mensais, o homem ganha 1000€ e é-lhe imposto que dê 500€ à mulher. Depois, o homem dá 400€ e a mulher outros 400€para as despesas comuns da família (que somam 800€).

A mulher representa o Estado a quem damos os impostos para ajudar nas despesas em saúde, ensino, segurança, etc.

Agora, vamos diminuir a percentagem que é imposto ao homem, mulher passa a receber menos dinheiro pelo que não pode contribuir de igual forma para as despesas da família. Se o homem dava 500€ à mulher e 400€ para a despesa da família, passará a dar 300€ à mulher e 600€ para as despesas da família.

Fica tudo na mesma.


Vou agora investigar o impacto dos impostos no crescimento económico.

Fui ao Banco Mundial buscar dados sobre a despesa pública e o crescimento económico e calculei a média para a década 2010-2019.

Retirei os países sem dados e fiquei com 75,4% do PIB mundial (preços constantes USD de 2015).

Meti os dados num gráfico e juntei a média exponencial ponderada pelo PIB. Trunquei este gráfico aos países mais semelhantes ao nosso, isto é, aos países que têm despesa pública maior do que 25% do PIB (nós temos 42%). No gráfico não se consegue validar a hipótese de que os países com menos despesa pública (e, consequentemente, menos impostos) crescem mais do que os outros.

Não havendo relação significativa, em linguagem economista, dizemos que existe neutralidade dos impostos no crescimento económico.

Fig. 1 - Relação entre a despesa pública e o crescimento económico.


O que faz sentido é melhorar a eficiência com que é feita a despesa pública.

O anúncio não deveria ser "vamos diminuir os impostos" mas sim, vamos re-estruturar a despesa pública de forma a que a economia funcione de forma mais eficiente.

A IL e o CHEGA não se deveriam concentrar na TAP, CGD ou outra coisa mediática urbana mas nas coisas mais pequenas e que terão mais impacto directo na vida das pessoas. 


Vou dar uns exemplos que tenho repetido sobre a ruralidade.

Porque razão nas aldeias as pessoas não podem fazer uma casinha onde bem precisam e com as condições que podem pagar? Porque razão uns burocratas sentados em Lisboa proíbem que um pobre ou remediado faça uma casinha mesmo que abarracada e de mau gosto mas adequada aos seus rendimentos, perdida algures em Olho do Cú de Judas?

Porque razão nas vilas e localidades suburbanas que serão os locais adequados para as pessoas da classe média/baixa terem a sua casinha, existem tantas limitações à construção de habitação? Porque existe reserva agrícola a meia dúzia de quilómetros do centro de Lisboa ou do Porto, terrenos necessários para habitação, quando há milhares de terrenos agrícolas abandonados  no interior?

Esses burocratas a quem estão a proteger quem?

A ninguém que não a si próprios, para justificarem a sua importância (que, de facto, não é nenhuma) de forma à mamadeira continuar.


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