sexta-feira, 1 de maio de 2015

As macro-cidades dos países pobres

O intuitivo será pensar que ...

É no tempo das vacas gordas, nas alturas em que os salários são mais elevados e o risco de despedimento é menor (nos trabalhadores), os preços não são esmagados e as encomendas são grandes (nos fornecedores) e existem lucros (nos proprietários) que os diversos agentes com interesses numa empresa se sentem motivados a optimizar os processos de criação de valor.
Mas a realidade é exactamente ao contrário. Tal como os alunos estudam mais quando a crise (os exames) se aproxima e a dificuldade da disciplina (o risco de chumbo) é maior, é no tempo das vacas magras que os agentes económicos optimizam o processo de criação de valor.

Vamos aos Governos.
No tempo de crise toda a gente diz que "a consolidação orçamental deve ser feita nos períodos bons" mas, chegando os períodos bons, aumentam-se pensões, salários de funcionários públicos, RSI, complemento para idosos, abonos de família, subsídio de desemprego, cortes nos impostos e nas contribuições e não só não se consolida nada como ainda se resvala mais.
Basta ver que, estando nós agora com uma "recuperação ténue", já apareceram os 12 sábios (o que me faz lembrar o filme Twelve Monkeys onde o único com juízo estava metido num manicómio) a anunciar que vão lutar pelo resvalar das contas públicas.

E isto vem a propósito das cidades densas.
O senso comum dirá que os países pobres são pouco eficientes, que tudo o que lá existe tem que ser rejeitado mas é exactamente ao contrário. 
Os países pobres são pobres porque não têm recursos (têm baixa intensidade de capital, de escolaridade e de tecnologia) pelo que, à falta de recursos, a sociedade tem que responder organizando-se de uma forma mais eficiente que os países com recursos. Assim, se quisemos que o nosso país evolua no sentido do progresso, temos que ver como as coisas se fazem nesses países pobres. 
Uma característica que observamos é que as cidades desses países desgraçados estão cada vez maiores e com maior densidade populacional. Usando os dados das cidades com mais de 5 milhões de habitantes (densidade média de 9250 pessoas / km2, wiki), as cidades dos países mais ricos em 10% têm uma densidade populacional 7% menor (GDPpc, ppc do BM). 

Fig. 1 - Relação entre o PIB per capita em paridade do poder de compra e a densidade das cidades (75 maiores cidades do mundo, dados: Banco Mundial e Wiki).

As cidades são como um processador.
Quanto mais denso é um processador, mais curta é a distancia média entre os componentes o que faz com que trabalhe mais depressa (quanto menor a distância, menos tempo demora a electricidade a fazer a viagem) e gaste menos energia (quanto menor a distancia, menos resistência tem o condutor).

Qual será a distancia média percorrida numa cidade?
Vamos imaginar que temos 50 milhões de habitantes para meter numa cidade.

Se a densidade for igual à do Distrito de Lisboa (810 hab/km2), serão precisos 61750 km2 (Portugal tem 92000km2) que é um círculo com um diâmetro de 280km. Nesta cidade, uma pessoa que habite no ponto A genérico e precise se deslocar para o ponto B (aleatórios dentro da cidade) terá que se deslocar em média 127 km. Esta distância aplica-se também às canalizações de água, gás, fios eléctricos e de telecomunicações, estradas asfaltadas, linhas de metropolitano, transportes públicos, etc. 

Se a densidade for igual à de Dhaka-Bangladesh (43500 hab/km2), serão precisos 366 km2 que é um círculo com um diâmetro de 38km. Nesta cidade mais densa, uma pessoa que habite no ponto A genérico e precise se deslocar para o ponto B (aleatórios dentro da cidade) terá que se deslocar em média 35 km.

Uma cidade densa como Dhaka tem necessidade de 1/7 da tubaria, fios, transportes públicos e estradas que uma cidade espraiada como o Distrito de Lisboa. 
Se uma em cada 1000 pessoas pratica Judo, à distância de 15 minutos (1,5km) a pé em Dhaka a escola tem 307 alunos enquanto que numa cidade com a densidade do Distrito de Lisboa só tem 6 alunos.

#Código em R utilizado
#o raio da cidade é
   raio=140
#Vai sortear o local de vida e de trabalho de 30000 pessoas
   n=30000
   viveX <- runif(n,-raio,raio); viveY <- runif(n,-raio,raio)
   trabX <- runif(n,-raio,raio); trabY <- runif(n,-raio,raio)
#Selecciona as 20000 pessoas que caiem dentro do circulo da cidade
   vive<-(viveX^2+viveY^2)/raio^2; trab<-(trabX^2+trabY^2)/raio^2
   viveX <- viveX[vive<=1][1:20000]; viveY <- viveY[vive<=1][1:20000]
   trabX <- trabX[trab<=1][1:20000]; trabY <- trabY[trab<=1][1:20000]
#calcula a distancia média entre o local de vida e de trabalho
   distancia <- ((viveX - trabX)^2 + (viveY - trabY)^2)^0.5
   mean(distancia)
   hist(distancia)

Fig. 2 - Frequência das viagens na cidade com 280km de diâmetro (simulação com o código R)

As nossas cidades devem crescer.
A conversa de que temos que desenvolver o interior, que as cidades (do Porto e Lisboa) são grandes de mais, blá, blá, blá, em termos económicos é totalmente errada.
Nós, se queremos ter uma vida melhor temos que concentrar as pessoas, reduzir o nosso querido país a um máximo de duas cidades. 
Temos que concentrar 6 milhões de pessoas em Lisboa e 4 milhões no Porto e deixar o resto do país despovoar-se naturalmente.
Claro que existem recursos naturais ligados ao território que estão fora de Lisboa e Porto (por exemplo, o clima algarvio) mas só deve haver lá pessoas na justa medida do que for necessário para explorar esse recurso natural.
Não deve ser dado nenhum incentivo para que as pessoas vivam fora de Lisboa e Porto. Se os médicos não querem ir para o interior, as pessoas têm que vir para o litoral.

A cidade do Futuro será muito densa.
Uma questão que está na ordem do dia é qual será a densidade que uma cidade poderá vir a ter no Futuro.
Uma cidade densa terá que ser construída em altura pelo que, em termos económicos, terá que ser ponderado, por um lado, quanto aumenta o custo de construção por haver mais pisos e, por outro lado, quanto o aumento da densidade diminui os custos de funcionamento e de deslocação das pessoas e dos bens.
Na minha simulação vou considerar como "célula" um apartamento T3 construído nas últimas décadas nos bairros sociais, 77 m2 com capacidade para 6 pessoas.
Fig. 3 - Planta de um T3 típico de um bairro social
  
Nesta cidade do Futuro o modelo actual dos edifícios (cada apartamento ter que dar para um espaço público aberto) terá que ser abandonado pois obriga à existência de muitas vias de comunicação. Terá antes que adoptar a filosofia dos insectos, ter a forma de um ninho de formigas.
O edifícios massivo vai repetir centenas de vezes a célula que será ligada por corredores (na horizontal) e escadas e elevadores (na vertical). Cada favo distará 6 m entre si para a ventilação natural e a entrada de (alguma) luz natural. Considerando os corredores como área perdida, este edifício terá uma área de implantação na ordem dos 50%. Os corredores terão que ser abertos (na parte livre entre os favos) para permitirem a circulação do ar, será um edifício poroso. 

Fig. 4 - Repetição da célula do edifício massivo.

Agora imaginemos um edifício enorme.
Imaginando um edifício com 1000 metros de comprimento por 1000 metros de largura e com 12 pisos, o edifício terá 75 mil células. Nesse edifício algumas das células serão o local de trabalho e de lazer da maioria das pessoas que lá vivem. Haverá infantários, escolas primárias e secundárias, cabeleireiros, cafés, discotecas, centros de saúde, lares da terceira idade, empresas têxteis e de vestuário, sapatarias, supermercados, etc. 
Supondo que 50% da área será destinada a habitação e metade às industrias e serviços num total de 25 m2 por pessoa, este edifício será capaz de albergar 230 mil pessoas, uma pequena cidade em cada edifício.

Fig. 5 - Uma repetição sem limite até que cada edifício se torne uma pequena cidade.

Quanto será então a densidade da cidade do futuro?
Prevejo que atinja (e talvez ultrapasse) os 200 mil habitantes / km2.
Com estas densidades veremos cidades na Índia, na China e em África com 250 milhões de habitantes.
A densidade será tal que toda a população de Lisboa caberá em 4 edifícios em volta da Avenida da Liberdade. Melhor dizendo, toda a população portuguesa caberá numa cidade onde ir da periferia mais distante ao centro demorará apenas 40 minutos a pé.
Claro que deixará de haver necessidade de transportes públicos, de autoestradas ou de caminhos de ferro.
E entre as cidades que serão países, as pessoas viajarão de avião e as mercadorias de camião e barco.

Para terminar, a verdadeira solução para a pretalhada.
Os esquerdistas falam muito dos afogados e de ser um crime de lesa majestade eu me ter referido aos desgraçados que vêm nos barcos como "a pretalhada".
Mas, interessante, nenhum dos meus leitores de pele escura de Angola, Moçambique ou Brasil disse nada sobre isso. 
Como podem os esquerdistas brancos dizer que é desumano eu chamar-lhes pretalhada quando são eles mesmos os responsáveis pela sua miséria?
Sim, sim, são os esquerdistas brancos os grandes causadores da desgraça dessas pessoas porque são contra a globalização.

Querem saber a melhor forma de solucionar o problema da pretalhada?
Não é mandar aviões da TAP buscá-los, torpedear as suas barcaças precárias e matar a tiro os que souberem nadar nem dar subsídios.
É acabar com as barreiras ao comércio.
Deixar que a pretalhada possa exportar para a Europa o que sabe produzir sem taxas alfandegárias nem entraves quantitativos. 
Deixar importar os bens agrícolas e manufacturados que são produzidos em África. 
Foi a abertura ao comércio com os USA que levou ao desenvolvimento do Japão e da Coreia do Sul e  a nossa abertura dos mercados da EFTA que induziram o nosso rápido desenvolvimento dos anos 1960.

LIVRE COMÉRCIO JÁ
Vamos todos lutar para que a Europa permita que os bens produzidos em África tenham livre entrada no espaço económico europeu.
Vamos lutar pelo aprofundar da globalização e do liberalismo económico, criar um Mundo onde cada um, independente da sua raça, escolaridade ou local de nascimento possa vender livremente em qualquer mercado o resultado do seu trabalho.
Quando isto acontecer, África desenvolver-se-á (como se está a desenvolver, por exemplo, a Etiópia) e mais ninguém quererá deixar a sua terra para vir para a Europa.
E, camaradas cabeças de vento desmioladas, como disse o Bruno Nogueira "cabeças de betão", deixem de ser hipócritas.

Fig. 6 - Vou seguir outro caminho, vou acabar com a fome e com as guerras no Mundo. 
(Dias depois de ser eleita) Para conseguir atingir os meus objectivo, vou começar por afundar os barcos da pretalhada e, depois, lanço bombas atómicas sobre todos os sítios onde haja guerras e onde se passe fome. Vou fazer como os americanos fizeram em 1992-93 quando salvaram a Somália da fome e da guerra (ver, UNOSOM) mas numa escala muito maior.

Quase me esquecia.
Das gajas boas para danar os rabetas de esquerda, desmiolados.

Fig. 7 - Estas mamas não prestam, são desprestigiante para um professor universitario. Prestigiantes são as mamas da Dr.a Manuela Ferreira Leite e da Dr.a Teodora Cardoso. 

Não há quem ponha mão nisto.

Pedro Cosme Vieira.

2 comentários:

Fernando Gonçalves disse...


Caro pedro,construir um país dentro de Portugal não está bem a ver o impato,pois se o Estado arrecadaria receitas de impostos e taxas aos cidadãos,também teria de fornecer bens como educação,saúde,infra-estruturas diversas(tais como estradas,energia,água,telecomunicações),que só um Estado pode fornecer pelas externalidades sociais dos mesmos.Dado a maioria dessas pessoas serem não qualificadas a sua capacidade produtiva seria muito baixa,logo teriam salários muito baixos,e portanto gerariam receitas fiscais muito baixas.Então seria com certeza um país ainda com mais défice que Portugal.Por outro laso,se ao investir na educação e formação profissional deles,quem não garante que quando fossem auto sustentáveis não emigrassem para outro país?Lá se perdia o investimento feito nessas pessoas.A questão é muito complexa,não pode ser abordada com tanta ligeireza.Outra coisa,ninguém quer trabalhadores não qualificados em Portugal pois há muito desemprego não qualificado,é evidente.Se de repente "caiem 1000 pessoas do céu" que vamos supor só sabem fazer os trabalhos NÃO qualificados A,B e C,em relação aos quais já há um desemprego de digamos 5000 pessoas,essas 1000 pessoas numa 1ª fase estarão desempregadas,numa 2ª fase conquistam o trabalho que já pertencia a alguém,que o perde portanto,logo não há criação de riqueza,apenas há uma nova afetação de trabalhadores ao trabalho existente,mas com um nível de desemprego maior que antes.Ou seja, é tudo uma questão de proporções entre aquilo que o mercado procura e aquilo que se oferece;por exemplo Portugal tem falta de pessoas com capacidade para os empregos X e Y,se imigrarem pessoas para suprirem essas falhas,não só não vão retirar emprego a alguém,como dessa forma vão criar riqueza adicional que vai assim gerar a procura de profissionais noutras áreas.

Fernando Gonçalves disse...

Antes de mais o ultimo comentário que fiz neste post não era para este post mais sim para o post cidade franca como se pode aferir pelo conteúdo.Quanto a este post achei-o um tanto ou quanto hilariante mas interessante.Se tal contribuísse para reduzir os custos astronómicos que se suportam para se ter uma casinha numa área central da cidade já valeria a pena de fato.As economias de escala podem explicar muito do dinamismo dos Estados Unidos,em que uma língua comum,assim como uma politica federal para o conjunto do território é catalisador de muita eficiência de fato.Ao pensar nisso só me faz concluir que em muitos setores em Portugal que estão a passar para os Chineses ou outros povos,pelo menos é uma maneira de se acabarem com os tachos nas empresas,em que como o país é pequeno todos se conhecem e todos se favorecem uns aos outros.

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