sexta-feira, 3 de abril de 2015

A 4.a guerra mundial no Kenya

Há quem diga que não houve 3.a guerra mundial.
E, se não houve a 3.a, muito menos podemos estar a viver a 4.a guerra mundial.
Mas, de facto, a 3.a existiu, combateu-se na Coreia e no Vietname,  África do Sul / Angola / Moçambique, América Central e do Sul, no Afeganistão e mesmo na Europa Central. 
A 3.a guerra mundial começou logo a seguir ao fim da WW2 e, contrariamente a esta, as maiores batalhas foram distantes da Europa. A última grande batalha foi a do Afeganistão e, simbolicamente, acabou com a queda do muro de Berlim e a reunificação alemã.
A União Soviética desmoronou-se, a China manteve-se politicamente comunista mas converteu-se ao capitalismo e, um pouco por todo o Mundo, as ditaduras comunistas ou acabaram ou converteram-se em ditaduras capitalistas (como em Angola e, em menor grau, em Moçambique que se matem como uma meia-democracia).
A Rússia do Putin, a Coreia do Norte, Cuba, Venezuela e mais uns paisécos ainda querem estrebuchar mas não passam dos derrotados da 3.a Guerra Mundial.
A WW3 foi menos intensa que a WW2 e a WW1 mas durou mais anos, foi uma guerra de 40 anos.

A bomba nuclear.
Interessante que, apesar de haver milhares de bombas nucleares, a WW3 foi combatida sem um único tiro nuclear. Talvez tivesse sido a sua existência que fez a WW3 ter sido uma guerra mais de desgaste económico que de confronto militar puro e duro.

Aqui, tenho que ir ao acordo 5+1 com o Irão.
Com o conhecimento actual, é muito fácil produzir uma bomba atómica.
Pode ser de Urânio 235, o que obriga a ter centrifugadoras para separar o U235 do U238 (que forma 99,3% do urânio). São precisos 60 kg de U235 enriquecido a 98% para fazer uma bomba atómico idêntica à lançada em Hiroshima. O Irão, com os seus 3000kg enriquecido a 20%, já podia construir uma bomba atómica tosca. 
Mas o mais fácil é usar Plutónio 239 produzido num reactor de grafite (do tipo do de Chernobil). A grafite faz-se por cozedura a partir de "condensado de refinação" (sem boro) e, depois, o Pu239 obtém-se por reciclagem do combustível em ciclo rápido. A bomba usada em Nagashaqui foi de Pu239.
O problema de usar o PU239 é que os satélites detectam a reciclagem (o processo liberta radiação) pelo que um processo secreto tem que passar pelo U235.

Mas o importante não é a bomba.
Vamos imaginar que o Irão pretendia que os judeus saíssem de Israel. Podia contaminar o território com Cobalto 60.
O Co60 tem a vantagem de ser fácil de produzir (num reactor nuclear) e da radioactividade decair rapidamente. Se, por exemplo, hoje Jerusalém fosse contaminada com um nível de radioactividade 1000 vezes o recomendado à vida humana, a cidade voltaria a ser segura em apenas 53 anos.
E o Co60 poderia ser discretamente usado na contaminação, a partir do Líbano, do Rio Jordão.

Mas se Israel soubesse da contaminação.
Caia em cima deles como, num dia de calor, moscas varejeiras em cima de carne morta.
Estou a imaginar 8 milhões de pessoas a fugir de Israel para os USA e, depois, um bombardeamento nuclear sobre o Irão que não deixaria pedra sobre pedra.
E, depois, ficava mesmo assim.
Por isso, o mais inteligente foi o Irão se ter comprometido a nunca mais tentar fazer uma bomba atómica.
Até porque a Arábia Saudita (sunitas) deu o OK para que os Israelitas sobrevoem o seu território a caminho do Irão (shiitas).

A 4.a guerra mundial. 
Parece ter duas frentes, a guerra entre islâmicos e cristão (e budistas) e outra entre os islâmicos shiitas (do Irão) e islâmicos sunitas (os outros islâmicos todos). 
No Iraque e Síria a guerra é mais shiitas - sunitas (o IS). 
Em África, a guerra é mais islâmicos - cristãos.

Fig. 1 - A frente de batalha Cristãos- Islâmicos em África (a vermelho).

Já vimos guerras destas em Moçambique.
Na década de 1980, na "batalha" de Moçambique também havia mortandades de civis. Mandavam parar um comboio e matavam toda a gente, centenas de uma vez.
Isto acontece porque é muito mais fácil matar 100 civis do que 1 militar. E. como os militares são civis com armas, matando civis, estão a matar sucedâneos de militares.
Na frente africana, seja no Kenya, RCA ou Chade, a táctica militar é matar à força toda.
MAs isto não vai levar a lado nenhum

Vejamos uns números.
No Kenya mais Etiópia há 140 milhões de pessoas enquanto que na Somália só há 11 milhões. Se hoje houvesse uma guerra em que por cada somali morto houvesse 5 etíopes e quenianos mortos, no fim do dia não haverá ninguém na Somália e ainda haveria 85 milhões de pessoas na Etiópia e no Kenya.
Além disso, por cada criança que nasce na Somália, nascem 10 no Kenya e na Etiópia.
Por isso, esta guerra a ser nos tempos medievais, já teria acabado com a aniquilação ou redução à escravatura de todas as pessoas que vivem na Somália.
Mas hoje existem os Direitos Humanos.

Um dia a "maioria" zanga-se.
O problema é que nessa frente de batalha não existe Convenção de Genebra nem Direitos Humanos.
Já vimos uma pequena amostra na República Centro Africana em que, de um dia para o outro, os cristãos começaram a caçar e a matar islâmicos. Também vimos uma amostra na Birmânia onde cidades inteiras desapareceram do mapa.
É que as pessoas vivem com grande carência material. Se em Portugal o salário líquido médio anda nos 800€/mês, nesses países as pessoas têm que viver com muito menos (cálculo em paridade do poder de compra, dados, Banco Mundial):

Portugal => 800€/mês
Kenya   =>    80€/mês
Etiópia   =>   40€/mês
Somália =>    20€/mês

Fig. 2 - Se em Portugal temos 800€/mês, no  Kenya, Etiópia e Somália têm muito menos

Alguém se está a imaginar a viver com um salário de 20€/mês, 40€/mês ou mesmo de 80€/mês?
É muito difícil, têm carências de toda a espécie, vivem em barracas, não têm roupa, comem só farinha  de milho cozida, passam sede, não têm assistência médica nem medicamentosa, não podem ir à escola, trabalham horas infindas. 
Estes "pequenos" massacres não causam dano nenhum na população queniana que, todos os dias, aumenta em 3000 pessoas (seriam precisos 20 destes massacres por dia).
Mas causam a enraivização e desumanização da população. 
De repente, dá-se um massacre como se viu no Ruanda.

É a "pacífica" guerra demográfica.
Apesar de ser pacífica, lentamente torna-se tensa quando a população que vai invadindo tem uma cultura difícil de ser assimilada.
Vamos ver no que dá.

A semana passada não disse nada.
É que na sexta-feira passada foram as eleições lá no meu trabalho, quero antes dizer, emprego, e eu perdi.
Quase que ganhava como CDU na madeira.
Na primeira votação, só me faltaram 8 votos para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
E na segunda votação, só me faltou apenas 1 voto para retirar a maioria absoluta ao vencedor.
É que na primeira votação um candidato teve 11 votos e o outro 28 e na segunda votação, um candidato teve 7 votos e o outro 8.
(Falta dizer um pequeno pormenor: é que em ambas as votações, eu tive zero votos).
Naturalmente, fiquei a pensar na minha quase vitória, foi por um voto que não retirei a maioria absoluta ao que ganhou. 

Tive uma vitória à Álvaro Cunhal.
Eu andei toda a semana a gabar-me da minha grande vitória à Álvaro Cunhal mas uma comuna achou que eu não tinha tido vitória nenhuma "Tanto quanto sei, o Camarada Cunhal nunca teve zero votos."
Mas penso que chegou a ter, lá no tempo do Salazar, e que, mesmo assim, achava-se vitorioso.

Fig. 3 - Toda a semana a comemorar a vitória

Até me subiu a tensão arterial.
Esta semana fui ao médico e ele detectou que eu estava a ver pior e que a minha tensão arterial estava alta. Tinha a mínima a 9.
Imaginem que eu tinha verdadeiramente ganho! O mais certo seria que já estivesse morto.
Além disso, antes da eleição houve uma apresentação seguida de uma sessão de perguntas. Não é que um berdameco insinuou que este meu blog põe em causa o bom nome da instituição onde trabalho? E, ainda para mais, foi um aluno daqueles das associações, os que se dizem todos irreverentes e que querem mudar o mundo para melhor.
Como diz o povo, há males que vêm por bem.
Muita sorte para o verdadeiro vencedor que bem vai precisar dela.

Pedro Cosme Vieira

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Até onde cairá a taxa de juro?

Isso é totalmente imprevisível.
A taxa de juro da dívida pública portuguesa está a bater em baixo recordes históricos.
No período 2006-2009, a 10 anos tínhamos uma taxa de juro média de 4,4%/ano. Hoje a mesma taxa de juro está a esbarrar nos 2,0%/ano.

Lembram-se dos 74 esquerdistas caloteiros?
Que diziam há apenas uns meses de que tínhamos que bancarrotar porque a nossa dívida pública seria insustentável com a então taxas de juro maior do que 3,0%/ano?
Que será que dizem agora?

Vamos a umas contas.
Temos uma dívida pública de 130% do PIB, o que parece muito.
Supondo uma taxa de crescimento do PIB de 1,2%/ano, uma taxa de inflação média de 1,9%/ano, uma taxa de juro de 2,0%/ano.
Com um superávite primário de 1% do PIB, atingimos uma dívida de 60% do PIB em 2050.
Para cumprirmos o acordado com os nossos parceiros europeus (redução de 2% do PIB da dívida pública por ano), só temos que pôr de lado 1% do PIB e não os 6% ou 7% que os esquerdistas anunciavam (que é o orçamento da Saúde).

E se a taxa de juro descer?
Se a taxa de juro descer para 1%/ano, nas mesmas condições, já não precisamos de superávite.
Basta o défice público privado ser equilibrado para que em 2050 já tenhamos pago 70% da nossa dívida pública.

Fig. 1 - Evolução da taxa de juro da dívida pública portuguesa (dados: Investing, "previsão" do autor)


E o acordo da Grécia?
É só fumaça mas, com a redução das taxas de juro (sem risco), é possível que a Grécia "pague" a sua dívida de 180% do PIB de forma muito mais suave que o previsto há 4 anos atrás.
Se com taxas de juro de 4%/ano era preciso que a Grécia apontasse para um superávite primário na ordem dos 4% do PIB (para reduzir por ano à dívida 3% do PIB), com taxas de juro de 2,0%/ano, já só é preciso um superávite primário de 1,5% do PIB.

Mas o Salário Mínimo!
Em teoria até pode haver lá ideias boas, o chavão do combate à evasão fiscal e outras conversas, mas não tenho esperança de que isso funcione.
Mas passar o SMN grego dos 580€/mês, já muito maior que o nosso, para 751€/mês, vai destruir toda e qualquer boa ideia.

Fig. 2 - Podem ser boas mas não tenho esperança de que funcionem.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Livre para ser infeliz

Aqui vai algo que parece nada ter a ver com a economia.
O PS, um amigo, pensando que o texto do Padre Anselmo Borges ("Solidão e ética do cuidado", JN, 21 Fev 2015) lhe era dirigido, pediu-me um comentário.

A Sociedade do Descartável
Em termos estéticos, Borges começa com uma citação que tem extensão exagerada (25% do texto) mais porque apenas quer transmitir a ideia de que, além da Sociedade de Consumo em que as pessoas são felizes se tiverem mais coisas (combatida ferozmente no discurso oficial da Igreja), começa a aparecer a Sociedade do Descartável em que as pessoas são felizes por descartarem as coisas que compraram recentemente e que ainda se mantêm como novas.
Não é um pensamento nada de novo já estando mesmo contido no conceito de "amor platónico": antecipamos que a nossa felicidade vem de possuir algo mas, mal nos apropriamos desse algo, deixamos de lhe dar valor. O valor da coisa perde-se não pela mudança do objecto (do bem, que se mantém tal e qual) mas sim do sujeito (de nós, que ficamos saturados).
Confúcio condensa esta ideia na afirmação de que A nossa felicidade não vem de aquirirmos o que não temos ou de recuperarmos o que já tivemos mas sim de darmos valor ao que temos. 
Eu (e esse amigo) sou um contra-exemplo dessa sociedade do descartável porque uso roupa que comprei há já 25 anos e mesmo outra que me deram (por os donos se terem cansado dela).
Mas Borges tem um pequeno erro de leitura do conceito pois condensa a sociedade do descartável como "a sociedade que quer o permanentemente novo, atirando o velho para fora" quando, nessa sociedade, o deitado fora continua totalmente novo, indistinto do que vai ser comprado para o substituir. 

O descartar das relações e a solidão da rejeição.
Borges, afinal, não quer falar das coisas mas da solidão dos "velhos" (por isso é que usa, erradamente, "o velho" para justificar o descartar). No entanto, a comparação que faz entre os bens e as relações é bastante forçada para não dizer mesmo, errada.

O erro na comparação entre bens e relações é que, por um lado, os bens existem (e podemos comprá-los) enquanto que, por outro lado, as relações se criam e são uma partilha entre pessoa, nós e o outro (ou outros). Assim, não são comparáveis. 
Podemos mandar os bens para o lixo mas nunca as relações pois, uma vez criadas, vão perdurar para todo o sempre nas outras pessoas onde continuaremos presentes em pensamento. Quantas vezes encontramos pessoas de quem não temos a mais pequena recordação mas que, tendo-se cruzado connosco no passado, se lembram de nós como se essa relação nunca tivesse terminado?

O paradoxo é que Borges afirma que o combate da solidão obriga à existência de "solidez de relações e de afectos." Mas se caminhamos para a Sociedade do Descartável, todas as pessoas ficarão mais felizes por as relações e afectos serem descartáveis. Nessa sociedade a solidão combater-se-á exactamente com  encontros de curta duração, as pessoas encontrarão solidariedade na Sociedade do Alterne (pois as pessoas nunca poderão ser descartadas). Será  nos transportes públicos, nos cafés, nos tempos de espera que as pessoas encontrarão as relações (que durarão apenas alguns minutos).
Afinal "velhos" é uma metáfora para aqueles que se mantêm na antiga Sociedade do Permanente e os "outros" é uma metáfora para aqueles que entraram na Sociedade do Descártavel.

A culpa. Prmeiro, Borges pensa que não devem ser os "velhos" a fazer um esforço para combater a sua solidão mas sim os "outros". Isto vem muito da moral cristã (o Messias veio à Terra para nos salvar) mas, porque as relações e os afectos se criam a partir do nada, não podemos pensar assim. Na Sociedade do Descartável em que os "velhos" se sentem perdidos (uma minoria de pessoas desadaptadas), cada "velho" pode combater a sua solidão criando relações e afectos com outros "velhos". Assim, não haverá qualquer necessidade de os "velhos" estarem à espera que os "outros" os salvem. A salvação está entre eles.

A ética. Depois, Borges pensa que os "outros" têm o dever moral de ajudar os "velhos" a vencer a solidão,  quem se tornou "outro" tem a obrigação ética de ajudar quem se quer manter "velho". Mas se o "velho" se quer manter na Sociedade do Permanente por opção própria, se quer ter essa liberdade, então, tem que assumir as suas consequências. 

A maldição. Borges anuncia que aquele que hoje é um "outro", descartando relações e afectos, no futuro será um "velho", vivendo na solidão.
Mas isso obrigaria a imaginar que o que já é "outro", que já vive na Sociedade do Descartável (ou do Alterne), vai querer regredir para a Sociedade do Permanente, procurando exactamente nas relações que descartou (e não noutras quaisquer) a sua companhia. 
E porquê nas relações que descartou e não noutras novas? O que têm de especial as pessoas que conheceu no passado (ou hoje) relativamente às que vai conhecer no futuro?


Isto é um discurso contra a mudança.
A sociedade está em constante mudança, é um constante devir, o que faz com que as gerações mais velhas estejam em constante choque com as gerações mais novas.
Isto é algo que dura há centenas de milhar de anos e que continuará enquanto houver Humanidade.
E Borges já é a geração anterior.
E eu já sou a geração anterior.
Mas a sociedade nunca volta para trás, o progresso é um caminho sem retorno, nunca o que já é "outro" vai querer voltar a ser "velho." 

A Liberdade.
A nossa sociedade evolui no sentido da Sociedade Livre, em que cada um sabe o que é melhor para si e em que apenas as acções declaradamente prejudiciais aos outros (à sociedade) é que são limitadas pela Lei.
Claro que ainda vamos no início do caminho, onde muitas Leis e muitas imposições éticas condicionam o nosso comportamento (e nós o do outro), mas isso vai acabando.
Vemos aproximar o fim da Ética (que não é mais do que a tentativa de uns para condicionar o comportamento dos outros de acordo com as suas convicções de bem e de mal, ideia de Nietzsche), onde cada um é que sabe o que é o bem e o mal (para si) e a Lei trata de lhe lembrar o que é o Mal para os outros.
É a liberdade económica, o famigerado neoliberalismo, de fazermos o que bem nos apetece, trabalhando muito e tendo muitos bens ou não trabalhando e tendo uma vida espartana, despidos dos confortos modernos.
Teremos a liberdade de viver na solidão, na infelicidade ou mesmo de deixar de viver. 
Mas para vivermos de forma livre, sem constrangimentos, teremos que assumir todas as consequências das nossas opções de vida.
Como diz o povo "Quem não trabuca, não manduca."

Pedro Cosme Vieira

domingo, 15 de fevereiro de 2015

A escusa fiscal usando paraisos fiscais

Na última semana surgiu o Swiss Leak.
Uma pessoa qualquer publicou uma lista qualquer de contas num banco qualquer que seriam usadas para fugir ao fisco.
Vamos ver se consigo explicar como funcionam esses paraísos fiscais e de como isso não tem mal nenhum.

A residência do titular do rendimento.
O imposto sobre o rendimento, seja IRS ou IRC, é devido pela pessoa/empresa no país onde tem residência fiscal e sobre todo o seu rendimento, independentemente do local de origem.
Vamos imaginar que ia passar umas férias à Espanha e que fazia um vídeo qualquer. E que depois, fazia o seu upload para o Youtube em meu nome e esse vídeo gerava 1 milhão € na China. Como eu tenho residência fiscal em Portugal, as nossas finanças iriam tributar-me em sede de IRS em 48%.
Reparem que o vídeo foi filmado em Espanha e o rendimento seria gerado na China. Se eu morasse no Mónaco, pagava IRS no Mónaco mas como sou residente em Portugal, teria que o pagar aqui.

A tributação na China.
Teria que ser um imposto indirecto, IVA, Imposto de Selo ou uma taxa ou taxinha qualquer mas não IRS nem IRC.

Não ouço os esquerdistas.
Portugal oferece isenção de IRS aos reformados que recebam a reforma noutros países e que a venham gastar para cá. Isto é uma forma de ajudar os velhotes ingleses, franceses, alemães a fugir ao fisco de forma muito mais agressiva do que faz a Suíça ou o Luxemburgo e não ouço os esquerdistas a gritar que isto é um crime fiscal, que estamos a ajudar ao branqueamento de capitais. A razão é que somos beneficiados com as transferências das pensões e os prejudicados são as finanças dos outros países.
É Deus para nós e o Diabo para os outros.
Por causa disto é que existem os paraísos fiscais e a generalidade dos países ajudam as pessoas dos outros países a fugir ao fisco.

Se eu criasse uma empresa
nas Ilhas Caimão, a Foge ao Fisco SA (da qual eu era o único titular) e vendia os direitos comerciais do vídeo a essa empresa por 1€. Neste caso, seria ela a ser a titular do rendimento gerado na China e pagaria IRC às finanças das Ilhas Caimão (0% de IRC) e não às nossas finanças (os tais 48% de IRS).
Isto é totalmente legal e totalmente lógico, se a empresa é uma entidade per si e se tem sede fiscal num país qualquer, é nesse país que vai pagar IRC.
Se Portugal não quisesse que fosse assim, alterava a lei mas, neste caso, a AutoEuropa não pagaria IRC em Portugal porque os seus donos são residentes na Alemanha.
O problema é que não poderia trazer o dinheiro para Portugal a menos que fosse por empréstimo (não pagaria imposto), doação (pagaria 10% de imposto sucessório e de doações) ou dividendos (pagaria 26,5% de IRS mas se eu fosse uma SGPS não pagaria nada).

Os Estados são monopolistas.
Se as pessoas não tivessem como fugir ao fisco, o Estado passaria a ser monopolista na cobrança de impostos o que faria com que a taxa de imposto aumentasse.
Podemos dizer que o Estado se preocupa com o bem-estar do contribuinte mas a evidência empírica diz que o Estado vai assumindo cada vez mais encargos (com o Estado Social) e, para lhes dar cumprimento, aumenta os impostos até as pessoas não poderem mais.
Por exemplo, na Grécia o primeiro anúncio dos esquerdistas foi contratar mais funcionários públicos, aumentar os seus salários, electricidade gratuita, etc. etc. que traduz despesa pública e "cobrar impostos aos ricos".
O anúncio esquerdista é sempre "cobrar impostos ao grande capital, aos especulares sanguinários e aos ricos" mas acaba em cima de toda a gente porque esse grande capital não existe.

Por exemplo
Nos países nórdicos, nos anos a seguir à Segunda Guerra Mundial aumentaram os impostos "provisoriamente" porque era preciso fazer face à destruição causada pela guerra. O problema é que o "provisoriamente" só acabou passados 50 anos e porque as pessoas começaram a fugir ao fisco.
Se ninguém fugisse, o IRS, o IRC e o IVA iam todos para 80%.

Qual seria o mal de eu fugir com os rendimentos do meu vídeo?
Não haveria mal nenhum e por isso é que os países o permitem.
É que o vídeo iria buscar rendimento à China que de outra forma não viria para cá.
Então, o Governo, periodicamente, dá um perdão fiscal para que as pessoas possam trazer esses rendimentos para cá. Isso já aconteceu com todos os governos fossem do PS, do PSD, do CDS e mesmo do PCP. Já ninguém se lembra mas em 1974/75 quando o PCP estava no Governo, não existia qualquer limitação nem tributação à transferência de dinheiro do exterior para Portugal.
Todos os países procuram captar a repatriamento de capitais sejam os USA, a Inglaterra, a França ou mesmo Cuba.

No que eu trabalhei com uma moça jeitosa.
Podem pensar que foi um treino para fazer criancinhas.
Interessante que fui ver umas estatísticas sobre crianças.
Em 1960 Angola tinha 5,0 milhões e Portugal 8,9 milhões de habitantes.
Agora, por cada 1000 crianças que nascem, em Angola 170 morrem e em Portugal 4 antes de atingirem os 5 anos de idade. Então deveríamos pensar que em Portugal há mais crianças mas não.
Em Angola nascem 960 mil e em Portugal 80 mil por ano crianças  (e em Moçambique mais de 1 milhão por ano).
Dizem que nascem poucas crianças? Juntando apenas Angola e Moçambique nascem 2 milhões de crianças por ano das quais 240 mil morrem antes dos 5 anos de idade.
Morrem muitas crianças mas o importante é quantas escapam de forma que em 1960 estes 2 países que formavam o "nosso império colonial" tinham 12,6 milhões de habitantes (e nós 8,9) e hoje têm 50 milhões (e nós 10,5) e sempre a somar. 

Fig. 1 - Evolução do número de crianças que nascem menso as que morrem antes dos 5 anos de idade, em cada ano (dados, WB)

Foi sobre Investimento Directo Estrangeiro.
Os países menos desenvolvidos têm desvantagens que se traduzem no aumento do custo de produção dos bens. Por exemplo, em Moçambique fica mais caro produzir algodão do que nos USA.
Como o IDE transfere para os países mais atrasados competências, capital e abertura a mercado com poder de compra, os países competem por esse investimento. Como os tratados internacionais não permitem a atribuição de subsídios directos, os países dão incentivos fiscais que, porque têm que ser aplicados a todas as empresas, têm um impacto negativo na receita fiscal. Portugal deu e dá incentivos fiscais (e no preço da electricidade) às fábricas de automóveis e de material electrónico que hoje são a nossa principal exportação.

Fig. 2 - Vamos então trabalhar nisso do IDE

Os preços de transferência.
Se queremos ajudar uma empresa e não podemos dar-lhe subsídios nem reduzir mais o IRC, a solução é permitir que a empresa "importe" das suas sucursais (localizadas em paraísos fiscais", compram bens e serviços a um preço mais elevado que o normalmente cobrado em concorrência).
Por exemplo, se quezessemos atrair a Mercedes para cá, podíamos permitir que a suxursal daqui paguasse  pelo uso da marca 25% do preço de exportação do automóvel (que pertenceria a uma hipotética Mercedes Caimão SA).

Será que isso causaria prejuízo à Alemanha?
Não porque os rendimentos seriam gerados aqui e não seriam gerados de outra forma (para a Alemanha) e robusteceria a empresa o que faria com que o número de empregos bem pagos na Alemanha aumentasse (pessoas a trabalhar no design e desenvolvimento dos mercedes).
além disso, mais cedo ou mais tarde, a hipotética Mercedes Caimão SA iria transferir esses lucros das Ilhas Caimão para a Alemanha.

Todos os países fazem o mesmo.
Todos os países deixam que as suas empresas usem paraísos fiscais para ganhar vantagem contra as empresas dos outros países mas anunciam que são contra isso.
Toda a gente faz isso mas são como o Frei Tomás, faz como ele diz e não como ele faz.

Só aquele deputado ou ministro inglês é que foi honesto.
Disse ele que só não foje ao fisco quando não pode.
O Cadilhe quando era ministro de qualquer coisa, fugiu à SISA, o Sócrates fugiu a uma comissão que recebeu de um negócio na Venezuela e toda a gente foge, só se não puder.

Foi mesmo isso.
O Sócrates negociou junto do Chaves um negócio de prejudicou os Venezuelanos em não sei quantos milhões e favoreceu uma empresa portuguesa também em não sei quantos milhões.Depois, recebeu uma comissão por isso (parece que de 30 milhões de dólares americanos).
Os venezuelanos não se queixaram e andamos nós a chatear o himenzinho.
Foi como a liberalidade de 20 milhões que o Salgado recebeu de um favorzito feito em Angola ou o Melancia os 50 mil contos que recebeu quando esteve em Macau

Será que amanhã a Grécia vai ser expulsa do Euro?
Não há necessidade disso.
O problema da Grécia não é financeiro, não é a dívida à Troika,  mas é económico, as pessoas querem gastar mais do que são capazes de produzir.
As políticas dos esquerdistas passam pelo aumento da despesa pública (sem terem como a pagar)  e pelo aumento dos salários (sem as empresas produzirem para isso). Então, independentemente da moeda que usarem, o Estado vai ter que deixar de pagar as suas contas e as empresas vão ter que despedir os trabalhadores menos produtivos.
E fica logo tudo resolvido, com o estado em bancarrota e elevadas taxas de desemrpego que vai para a economia informal.

MAs vão sair do Euro.
Porque os esquerdistas não vão querer descer os salários em termos nominais e, sem isso, o desemprego irá aumentar cada vez mais. Dizem que em 1991 na Ucrânia chegou aos 95%.
Os esquerdistas vão querer manter o salário minímo nos 751€/mês (melhor dizendo, nos 256 mil Drakmas por mês) e isso é impossível em euros. Mas saindo, o Drakma desvaloriza 50%, metem as culpas aos especuladores sanguinários e ao grande capital e os mesmo 256mil Drakmas ajustam para ficarem a vale 375€/mês.
O governo Grego é que vai pedir para sair do Euro pois é a única forma de não falar com a Troika e de manter as promessas eleitorais quanto ao Salário mínimo, aos salários e contratações dos funcionários públicos, ao amentos das pensões, electricidade grátitis, e tudo o mais .
Mas no fim, em vez de term o poder de compra dos 580€/mês actuais, ainda vão ficar com menos mas todos contentes porque bateram o pé à Alemanha.

Quanto é o salário de um funcionário público em Cuba?
7 USD, 6,15€/mês.
E lá, dizem os esquerdistas, é que existe o verdaeiro Estado Social.

As minhas eleições.
Já entreguei a candidatura e tive que apresentar o meu curriculum vitae onde escrevi, com orgulho:

5 - Bloguista
Sou fundador do blog Economicofinanceiro.blogspot.com onde escrevo regularmente sobre a realidade económica e financeira portuguesa tendo já acumulado quase 850mil visitas. O blog tem 401 fans do Facebook, 95 seguidores do NetworkedBlogs e 101 membros do Google Rede Social. 
Sou, sem dúvida, o bloggista mais lido de entre todos os economistas portugueses.

Obrigado a todos os meus leitores e seguidores.

Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O António Costa está-se a ver grego

As sondagens são-lhe adversas.
Parafraseando o António Costa quando lançou o ataque ao Seguro "é dificil fazer pior do que ter o PS apenas 2 ou 3 pontos percentuais à frente do PSD+CDS que são apenas o governo que, nos últimos 50 anos, mais cortou no bolso das pessoas."
O problema é que é essa a realidade de hoje. Actualmente, o PS tem menos intensões de voto do que tinha há 1 anos atrás, no tal tempo do Seguro (ver).
 
Fig 1 - Afinal, avancei cedo demais. Deveria ter deixado o Seguro a grelhar mais uns meses e ter aparecido apenas na semana anterior às eleições. 
 
E há a questão da Grécia.
No dia das eleições, à meia dúzia de dias, os do PS gritavam de alegria, que "agora é que os gregos vão ensinar à Sr.a Merkel como se bate-o-pé à austeridade".
Era este mesmo o modelo a seguir em Portugal.
Se na Grécia a Austeridade acabou no dia 25 de Janeiro, em Portugal iria acabar com o PS no próximo Setembro.
 
Acabou a auteridade,
Vivas aos aumento das pensões, do salário mínimo e dos funcionários públicos, vivas à readmissão de todos os despedidos, às novas contratações, vivas aos Russos e abaixos aos Alemães.
 
Venham agora os Russos.
A Crimeia é muito parecida geograficamente com a Grécia e, até ser conquistada pelos mongois, fazia parte do seu território.
 
Fig. 2 - Na antiguidade a Crimeia era "irmã" da Peloponesa
 
Então, se os Russos salvaram a Crimeia das garras da Ucrânia que se quer unir à austeridade imposta pela Sr.a Merkel, também podem salvar os Gregos dessas garras alemãs.
Chegaram mesmo a sonhar que iriam passar a viver na opulência que se vive em Cuba (será que estou enganado?) quando passassem a ser a Base Avançada Russa no Mediterrânico.
A Sr.a Merkel só disse "Desejo todas as felicidades ao povo grego"
 
"Abaixo os mercado e os credores."
Mas para acabar com a austeridade é preciso pedir dinheiro emprestado.
E não se pode ir pedir dinheiro emprestado dizendo que quem empresta é especulador e abutre.
Pois assim, já estamo a ver, ninguém empresta.
Há apenas 5 meses atrás a Grécia conseguia endividar-se a 3,2%/ano (prazo a 3 anos). Hoje, se for ao mercado, tem que pagar quase 20%/ano.
 
Fig. 2 - Evolução das taxas de juro da dívida pública grega a 3 anos
 
Será que a Austeridade irá mesmo acabar na Grécia?
Muito antes pelo contrário, agora vai ser à bruta, não há, não se gasta.
Obrigado gregos por estarem a mostrar ao povinho português o que é a "outra política," o que é a tal "politica de crescimento e emprego" e onde leva o anúncio do fim da Austeridade.
Força Costa que o povo está contigo.
 
Pedro Cosme Vieira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A guerra de París e grega

Pronto, agora que mataram os terroristas, está tudo terminado. 
Naturalmente que ninguém acredita nisso.
O que penso é que foi mais uma batalha de uma guerra que não terá mais fim.

Isto é uma guerra étnica milenar.
Primeiro, é a tentativa de acabar com os judeus.
Depois, é a tentativa de islamizar a Europa.
Hoje foram aqueles 3 mas daqui a uns meses serão outros 3. Numa guerra não é o soldado que é culpado do que se está a passar, não é a sua neutralização que termina a guerra, mas sim a neutralização das populações que dão origem àquele soldado e aos soldados que virão no futuro substitui-lo.

Fig. 1 - Haverá alguma lógica em quererem, desde há milhares de anos, acabar com esta cultura?

As pessoas são como o lixo.
Se atiramos pela janela do carro um bocado de lixo, mesmo que cheio de sujidade e de bactérias, começa por se perder na paisagem para depois apodrecer e ser adubo das ervas.
Se cinco ou dez estrangeiros caírem no meio de outra cultura qualquer, dissolvem-se e desaparecem no meio dos locais.

Alguém sabe o que aconteceu aos Arménios do Porto?
Quando em 1453 Constantinópula foi tomada pelos turcos aos gregos, alguns cristão arménios / gregos refugiaram-se no Porto para onde trouxeram a relíquia de S. Pantaleão de Nicodémia que está na Sé. Ficaram a morar encostados à antiga judiaria de Monchico (em Miragaia, atrás do Palácio da Justiça). Hoje, tirando o Santo padroeiro da cidade, não há qualquer vestígio desse grupo étnico, nem sequer um nome de família, nada, foram totalmente absorvido.

E se atirarmos 30 camiões de lixo borda fora?
O vento vai empurrando o lixo um contra o outro formando montes que se perpetuam no tempo. 
Também se caírem milhões de pessoas no meio de outra cultura, formarão um grupo à parte que se vai perpetuar coeso podendo criar atrito com a sociedade dos locais.

Porque será que as pessoas de cada país são tão diferentes?
Nós falamos português mas logo aqui ao lado falam espanhol, mais além falam francês, alemão, inglês, italiano, romeno, húngaro, etc. etc. etc.
A evidência empírica cavada ao longo dos séculos parece querer mostrar que grupos culturais diferentes não podem partilhar o mesmo território.
Claro que podemos dizer que isso é do passado, que hoje estamos muito mais civilizados do que os nossos avós estavam e também que estão noutras geografias como o Médio Oriente ou África mas não nos podemos esquecer que também e mas também tivemos na Europa a Croácia e a Bósnia (violentadas pelos sérvios) e temos agora a Ucrânia (violentada pelos russos) e outras guerras congeladas. De repente, misturas estáveis de grupos étnicos civilizados instabilizam-se e dão origem a guerras étnicas.

Fig. 2 - Ter uma sociedade cosmopolita pode ser bonito mas não é, no longo-prazo, estável.

Porque será instável a paz entre grupos étnicos?
Tem a ver com a nossa mente ter sido moldada pela selecção natural para identificar padrões. Se um bicho  com um peludo, com uma juba e que faz HUARRR matou uma pessoa qualquer, as outras pessoas teriam que passar a tomar cautela de todos os bichos cabeludos com juba.
Depois, a nossa mente também foi moldada para a retaliação. Se o tal animal peludo com juba matou uma pessoas então, iriam matar todos os animais peludos com juba das redondezas.
Ai mas eles não tiveram culpa, foi outro que no entretanto fugiu, coitadinhos, mas pronto, dali já não nasce mais cabelo.

Morrem mais pessoas atropeladas.
Em França morrem num dia mais pessoas atropeladas do que mortas num ano por islâmicos. Mas a nossa mente não consegue formar um padrão do atropelador. A nossa mente vê-o como uma pessoa qualquer, homem, mulher, branco, preto, novo, velho, cristão, ateu, islâmico, sem padrão.
Se não há padrão, não podemos retaliar.
No caso dos grupos étnicos, forma-se um padrão e esse padrão causa medo. Como o medo causa mal-estar, a pessoa acaba por procurar que todas as pessoas do padrão desapareçam de perto.

O que será a integração que tanto se fala?
É a destruição do padrão, é a destruição dos elementos que possam fazer as pessoas parecerem diferentes, é a destruição da cultura (pelo menos em público) das minorias.

Estou muito pessimista.
Vem agora toda a gente dizer que se sentem chocados porque a França é uma grande potência e pode retaliar.
Mas todos os dias 1000 pessoas islâmicas dão às costas europeias.
A prazo, estes incidentes vão aumentar de intensidade, os 500 mil judeus franceses vão sair do país e, daqui a talvez 10 ou 20 anos, teremos a França como temos o Líbano ou Israel, uma estado permanente de guerra civil de baixa intensidade.

E agora um pouquinho sobre a Grécia.
Também foram vítimas de limpeza étnica depois da invasão turca de 1453.
Mas agora é bom para nós portugueses que os esquerdistas ganhem as eleições gregas.
Vamos lá ver como é o tal "outro caminho" que o nosso António Costa diz que, pela sua mão, vai salvar Portugal. Vamos ver o "fim da austeridade", a "política de crescimento e emprego" a "nova economia" mas lá ao longe, sem grandes custos para nós. Depois, ainda temos até Setembro para ver como isso funciona na prática.
Demorou 70 anos a ver que a "Sociedade Perfeita Socialista" era um fracasso mas agora que existe mais informação, 7 meses vão ser suficientes mas vermos que o "outro caminho" é um caminho rumo ao aterro do lixo.

Ainda estou para ver.
Onde os esquerdistas gregos vão buscar dinheiro para descer impostos e aumentar a despesa pública que vai repor o Estado Social quando em meados de Setembro os juros estavam nos 3,3%/ano e já vão nos 14,0%/ano.
Lá vão eles ter que meter o socialismo na gaveta. E os nossos esquerdistas vão carregar na tecla de que a culpa é dos mercados, que é preciso a Grécia pôr os mercados no seu sítio.

Fig. 3 - Evolução da taxa de juro implícita da dívida pública grega a 3 anos

Pedro Cosme Vieira

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A verdadeira razão porque o Sócrates foi detido

Muita gente se pergunta. 
Dizem que, lá em París, o motorista do Sócrates levantava dinheiro e ia-lho entregar. Mas que indícios existiam para justificar que os portugas mandassem  a gendermery perseguir o motorista do Sócrates pelas ruas de Paris?
Como é possível que um movimento bancário de cem ou duzentos mil euros entre a conta de uma mãe e a de um filho possa dar origem à detenção de um ex-primeiro ministro em pleno aeroporto?

Querem saber a verdade?
Tem a ver com as famosas escutas que, por ordem do Supremo, foram destruídas dos CD's.
Quem é que ouviu as escutas?
Toda a gente.
Quem era o juiz que estava a ouvir as escutas do Godinho que foram destruídas?
O Juiz Carlos Alexandre.
Quem mandou fazer as diligências todas que culminaram na detenção do Sócrates no aeroporto?
O Juiz Carlos Alexandre.
Será coincidência?
Não acredito.

Sempre achei interessante.
O que diz nos livros sobre "não se pode fazer cópia seja qual for o meio utilizado". 
Mas memorizar na nossa cabeça é fazer uma cópia. Então, decorar um texto ou aprender uma música viola os direitos de autor.
Ali foi igual. Mandaram destruir os CD.s mas o povo não esqueceu.

O "crime" não tem importâncioa nenhuma.
Iamginem que o Sócrates dizia "os 20 milhões de euros resultam de eu ter roubado um homem que ganhou o euromilhões".
Quem era esse homem? "Não sei pois não cheguei a perguntar-lhe, era um homem."
Como o roubo é um crime particular, precisa de queixa para que avance. Então, já está justificado de onde veio o dinheiro.
Será que estava obrigado a declara-lo ao fisco?
Não porque o dinheiro não é resultado de trabalho, rendimentos de capital, resultado do jogo, doação.
O fisco não tributa os roubos.

Será crime transportar dinheiro roubado?
Já ouviram algum assaltante de um velhte ser acusado de #transpportar o dinheiro que estava dentro da carteira roubada" mas "12 anos de cadeia por ter branqueado o dinheiro que roubou dizendo à mulher que o ganhou à lepra".
São tudo coisas que não fazem qualquer sentido e que servem apenas para, não se apanhando o criminoso com a mão na massa, usa-se um estratagema qualquer.

Fig. 1 - "A menina acredite que eu sou muito rico e tenho cancro terminal, veja estes documentos" (falsos).
Mas, no amor, vale tudo menos tirar olhos.

Dizem os ciganos.
Que o pior em ser cigano é que tem sempre que ter no bolso a factura da carteira, da roupa que traz vestida, dos sapatos, do telemóvel, do corte de cabelo e apenas pode trazer dinheiro no bolso se tiver o talão do multibanco. Se a roupa for de marca, tem ainda que ter um documento qualquer a provar que não é contrafeita.
Se apanham um cigano sem as facturas todas em dia, deixam-no logo em leitão.
Vêm um cigano com um rádio de automóvel na mão. É logo acusado de "branqueamento de capitais e fuga ao fisco" porque não tem porque não tem guia de transporte para o rádio. Depois, ainda o acusam de  "falsificação de documentos" porque a factura dos sapatos obtida na feira foi emitida por um equipamento em que o software não foi verificado pela administração fiscal.
Do rádio, se o roubou ou não, não interessa. Do resto, apanha 12 anos de cadeia.

Faz-me lembrar o Al Capone.
Com isto não estou a comparar o Sócrates com o Al Capone mas apenas o processo.
O Al Capone matou, roubou, espancou, fez milhões de crimes mas nunca foi condenado por nenhum deles.
Foi condenado por "fuga aos impostos".
Porque matava, extorquía, corrompia e roubava, enriqueceu. Um dia chegaram lá os das finanças e meteram-no na cadeia por "não declaração de rendimentos".
Como o O.J. Simpson passou-se o mesmo. 
Mais uma vez, com isto não estou a comparar o Sócrates com o O J Simpson mas apenas o processo.
Escapou de ter alegadamente assassinado a mulher mas foi condenado por arrombar uma porta para "subtrair" um troféu que tinha ganho. 
Outra pessoa qualquer acabava com uma multa, estes acabaram com penas de dezenas de anos.

Fig. 2 - Estou perdido.

Eu odeio o Sócrates.
Mas um Estado de Direito não deveria usar expedientes destes, não deveria usar o princípio de que o fim justifica os meios.
Será que na justiça também vale tudo, menos tirar olhos?

A detenção foi má para o homem mas boa para o país.
Aumenta a probabilidade de o Passos ganhar as legislativas o que tem impacto na evolução das taxas de júros da dívida pública portuguesa pois o António Costa (e todo o PS) tem um discurso de que "gastar é que é bom".

Fig. 3 - As taxas cairam rapidamente para mínimos históricos

Pedro Cosme Vieira.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A nacionalização da banca

Os esquerdistas estão sempre a falar da nacionalizaçãoda banca. 
Não só os comunas como também muitos socialistas continuamente defendem a nacionalização da banca. 
Isto tem fases altas e baixas mas, com a falência do BES, a fase passou a ser alta. 
Vejamos que isto não faz qualquer sentido pois, se nós quisermos, os bancos ficam automaticamente nacionalizados.
Basta mudarmos a nossa conta para a Caixa Geral de Depósitos.
Este caso é que é mesmo uma democracia directa.

O que é a banca?
Há pessoas que poupam parte do seu rendimento para poderem, no futuro, ter um pé-de-meia para fazer face às contingências ou a uma compra mais avolumada.
Por exemplo, algumas pessoas poupam porque querem que os filhos venham a frequentar uma universidade enquanto que outras poupam porque têm medo de virem a ficar desempregadas ou doentes. 
Para fazermos face ao risco de desemprego, doença, divorcio, acidente, etc., os especialistas em previdência dizem que devemos ter poupanças no valor do nosso rendimento anual. Se, por exemplo, uma pessoa ganha 400€/mês deverá ter 4800€ de poupanças e se ganha 2000€/mês deverá ter 24000€ de poupanças.
Imaginando que, em média, temos um azar a cada 10 anos, para fazer face aos azares devemos poupar 10% do nosso rendimento, seja isso pouco ou muito. Uma pessoa que ganhe o SMN deve poupar 45€ por mês.

Mas o que é poupar?
Pode parecer estranho mas poupar nada tem a ver com guardar notas.
Poupar é a pessoa A deixar de consumir bens e serviços no presente para que a pessoa B os possa consumir. 
Depois, no futuro a pessoa B deixa de consumir bens e serviços para que a pessoa A os possa consumir.
Poupar é transferir consumo entre pessoas, o aforrador permite que o devedor consuma e este, mais tardem, permite que o aforrador consuma.

E se eu guardar dinheiro?
Quando eu meto dinheiro debaixo do colchão, de facto estou a emprestar os meus rendimentos poupados ao Banco Central Europeu (a taxa de juro zero) porque este emite novas notas que empresta a outra pessoa. 

E se eu guardar ouro?
Antigamente a moeda era o ouro e o Banco Central não podia imprimir ouro. 
Mas, mesmo neste caso, quando eu guardo ouro estou a emprestar os meus recursos a outras pessoas pelo sistema de preços.
Se eu guardo ouro, os preços (em ouro) vão diminuir (o preço do ouro vai aumentar) de forma a que os recursos que eu não comprei encontrei outro comprador.
A diferença entre o ouro (qualquer sistema em que o Banco Central não controla a inflação) é que, no caso do ouro, eu empresto um bocadinho a cada pessoa que possui ouro.

Quando guardamos notas ou ouro.
Então, quando meto dinheiro debaixo do colchão, estou a emprestar os meus rendimentos poupados ao Banco Central Europeu (a taxa de juro zero) que, emitindo novas notas, os empresta a outra pessoa e, quando guardo ouro colchão a emprestar os meus rendimentos poupados às outras pessoas que têm ouro (porque o seu preço aumenta).
Quando gastarmos as notas ou vendermos o ouro, as outras pessoas deixam de consumir para que nós possamos aumentar o nosso consumo de bens e serviços.

E onde entram os bancos?
Na sua origem, um banco era um sítio onde as pessoas apenas depositavam os valores. Era uma caixa forte que conseguia guardar as nossas notas e ouro de forma mais segura.
Com o passar do tempo, os bancos tornaram-se "agências de casamento". Umas pessoas depositam a parte do seu rendimento que poupam (denominado em euros), e outras pessoas vão aos bancos e pedem esses valores emprestados seja para consumir ou para investir.

Fig. 1 - A Banca é uma intermediaria entre os depositantes (os pescadores) e os devedores (as freguesas). Naturalmente, sem pescadores (sem depositantes), não há banca. 

Mas os bancos têm muito dinheiro.
Isso é totalmente falso. 
Os bancos só têm papeis, têm papeis a dizer que devem dinheiro aos depositantes (a quem chamam passivo) e papeis que dizem que há pessoas que lhes devem dinheiro (a quem chamam activo). 

Lembram-se da Dona Branca?
Um banco é uma empresa especial porque é difícil observar se o activo (quem deve dinheiro aos bancos) é suficiente para pagar o passivo (os nossos depósitos). 
Como o activo são papeis que traduzem devedores do banco, é muito difícil ao comum dos mortais (impossível por causa do sigilo bancário) verificar se os papeis traduzem mesmo activo ou se não são alucinações do tipo daquela casa de "investimento" em selos que avaliava cada selo em centenas de milhar de euros quando não valiam nada.

Os bancos são obrigados a certos rácios.
Para poderem funcionar, os bancos centrais verificam a qualidade dos activos dos bancos e obrigam-nos a respeitar certos rácios.

Primeiro, têm que ter capitais próprios.
O capital próprio são, tal como os depósitos, recursos mas que, em caso de falência, os seus donos perdem-nos. 
Se acontecer um imponderável que leve o banco à falência, da massa falida (o que der o activo) primeiro são pagos os depósitos, depois as obrigações e, só por fim e se sobrar alguma coisa, é que é pago o capital próprio.
Então, os capitais próprios são como um seguro, uma garantia, em como os depositantes vão receber o seu dinheiro de volta.

O Core Tier 1.
O capital próprio dos bancos tem este nome esquisito. 
Actualmente, se um banco tem um activo de 100€, tem que ter 8€ de capital próprio.
Quer isto dizer que, para um banco emprestar 100€ tem que ter pelo menos 8€ próprios e 92€ alheios (dos depositantes e obrigacionistas).
Por exemplo, o Novo Banco precisou de 4900 milhões € por tinha de activo 61250 milhões €.

Segundo, têm que ter depósitos.
Se para emprestar 100€ o Banco precisa de 8€ de capitais próprios, tem que ter 83,33€ de depósitos pelo que só pode ter 8,67€ de outras fontes de financiamento como, por exemplo, empréstimos de outros bancos.

Relação de alavancagem dos depósitos.
Dividindo o activo pelos depósitos, não pode dar um rácio maior que 120%.
Não quer isto dizer que os bancos inventam ou criam crédito.
O que quer dizer é que não basta ter capital próprio para que o banco possa funcionar. Também o banco não pode funcionar pedindo crédito junto dos outros bancos.
O banco é obrigado a ter depósitos.
Mesmo que um banco tenha muito dinheiro dos seus donos, se não tiver depósitos, não pode emprestar dinheiro.

Vamos à nacionalização dos bancos.
Vamos supor que o BXP tem o seguinte balanço (apenas a título ilustrativo)

Activo
Crédito a clientes =>  70000M€

Passivo
  Capitais próprios                     => 5600M€  (8,0% do total)
  Depósitos                               => 58333M€ (83,3% do total)
  Empréstimos de outros bancos => 6067M€ (8,7% do total)
TOTAL               => 70000M€

Vamos supor que eu defendo a nacionalização do BXP.
Então, pego no depósito de 1000€ que tenho no BXP e tranfiro-o para a CGD (que é um banco público).
Neste mesmo momento, o BXP tem que diminuir o seu activo em 1200€ e a CGD pode aumentar o seu activo em 1200€.
Naturalmente, o BXP vai reduzir o seu capital próprio em 96€ e a CGD vai aumentar o capital próprio em 96€.
Se todas as pessoas quiserem que o BXP seja nacionalizado, transferem os seus depósitos para a CGD.
Lentamente, o BXP vai desaparecendo e a CGD vai crescendo até que o BXP desaparece.
O BXP acaba, por decisão democrática dos depositante, por ser nacionalizado (absorvido pela CGD).

Será que os esquerdistas têm os depósitos na CGD?
Se não têm então, são como o Frei Tomás, pregam uma coisa e fazem outra.

A "intervenção" na Portugal Telecom
A brigada do reumático, dos esquerdistas aos direitistas ressabiádos, tem muito medo que a PT "passe a ser estrangeira". Por isso, defendem uma nacionalização da PT.
Bem sei que dizem que defendem "apenas uma intervenção" mas, se somos um estado de direito, para fazer "apenas uma intervenção" o Estado tem que ser dono da Portugal Telecom.
Por isso, "apenas um intervenção" é o mesmo que uma nacionalização.

Argumentam que vamos perder uma das nossas melhores empresas.
A PT foi a vaquinha de leite do regime.
Sempre que era preciso meter um amigo, um filho, um camarada a ganhar bem, metia-se na CGD (lembram-se do Vara?) ou na PT.
Faz-me lembrar o Catroga na EDP.

A PT já é uma empresa estrangeira, é 100% brasileira!
Pertence à Oi a 100%
E foi o governo socialista do Sócrates que manobrou as coisas para que a Oi passasse a ser brasileira.
Foi "uma pequena intervenção" possível porque a PT e o governo socialista era a mesma coisa.

Fig. 2 - A brigada do resgate fala da PT - Portugal Telecom quando a empresa se chama Oi - Brasil Telecom

Agora, o que será melhor?
H0 - O negócio em Portugal da Oi - Brasil Telecom continuar na sua posse.
H1 - Vender esse negócio a uma empresa francesa
H2 - Vender esse negócio a uma empresa que se diz portuguesa quando sabemos que pertence à filha do presidente da República Angolana. 
O que acham que será melhor?
Eu preferia alemães,

E porque não pode a PT ser portuguesa?
Porque não temos poupanças.
Os esquerdistas defendem que o que é bom para a economia é consumo, cada vez mais consumo, então, as nossa empresas vão ter que ser vendidas aos estrangeiros que poupam. 
Um país que gasta o que tem e o que não tem, acaba por ter que vender as suas empresas aos estrangeiros. 

Um ano de silêncio.
Será que o Costa vai aguentar um ano inteirinho de silêncio?
Será que o Passos Coelho vai governar um ano inteirinho com apenas a oposição do PC e do BE?
Eu até chego a pensar que o Costa foi ameaçado de morte pelo regime. Raptaram-lhe a mulher e os filhos e, caso ele diga alguma coisa que desagrade ao Portas, matam-nos logo. 
Olhando bem, realmente ele fala com medo. E engana-se porque o manda fazer assim. Mandam-lhe uma papeizitos cheios de erros que ele tem que ler na televisão para que os entes queridos possam continuar vivos.

Fig. 3 - Se o António Costa disser alguma coisa de jeito, se conseguir articular duas ideias, matem-lhe logo a família.

Quais são as linhas políticas do Costa?
Acabar com a fome e as guerras no mundo.
Também vai acabar com o sofrimento das criancinhas.
E vai fazer isto tudo de forma inteligente, vai baixar impostos (o IRS, o IVA da restauração, a contribuição para a ADSE, o IMI), e vai subir os salários dos funcionários públicos, as pensões dos velhinhos, as transferencias para a educação e para a saúde.
Vai ser um período ainda melhor do que os 6 anos do socratismo.
Como eu anseio por essa vitória do Costa.

Fig. 4 - Também vai fazer com que as mulheres gordas e feias fiquem assim, com aquela mãozinha marota.

O que estará a correr mal no BES?
O Banco Espirito Santo deve falir.
Deve ser organizada uma sessão em bolsa onde sejam transaccionados os activos e passivos do BES.
Anuncia-se aos quatro ventos em que dia vai ser o leilão da venda e os diversos intervenientes no mercado, onde se incluem os actuais accionistas do BES. apresentam propostas.
Se o Banco de Portugal quizer fazer o Novo Banco, compra os activos/passivos que bem entender mas paga-os ao preço de mercado e não ao preço que bem entender.
Fazer como está a ser feito, um burocrata a decidir o que "é bom" e o que "é mau" e a que preço compra, é arriscado e não há necessidade.
A liquidação dos bancos é uma prática corrente nos países desenvolvidos pelo que, se Portugual aspira a pertencer a esse grupo, tem que liquidar o BES quanto antes.
Já o deveria ter feito no BPP, no BPN e, agora, deve ser imediatamente feito com o BES. Não é "rapidamente" mas sim imediatamente, hoje mesmo.

O Lázaro Resuscitou mas voltou a morrer.
Foi um grande milagre ter resuscitado quando já cheirava mal mas, poucos dias depois, voltou a morrer.
E, no entretanto, comeu, bebeu e espalhou mau cheiro e doença lá pela aldeia.
O BES também resuscitou como Novo Banco mas, além de já ter perdido 1/3 dos depósitos, está a oferecer taxas de juro que são proibitivas para que o banco seja rentável.
Mais dia, menos dia vai-se transformar num novo BPN mas 10 vezes maior.

Pedro Cosme Vieira

domingo, 14 de setembro de 2014

A pensão dos homens e das mulheres

Sendo o Portuendes um comentador habitual, tenho que responder à sua questão. 
Sabendo nós que os anos de trabalho e os anos de reforma devem conformar-se com a esperança média de vida , haverá algum dia em que a separação óbvia entre homem e mulher será realizada?

A esperança de vida.
Todos os pares de anos o INE compila a idade das pessoas que morrem na Tabela de Sobrevivência. 
Com os dados é fácil calcular a idade média das pessoas mortas. É este número que se usa como a Esperança Média de Vida à Nascença.

Quem nasce hoje vai viver mais anos.
Porque a idade média usa pessoas que nasceram há muitos anos para trás. como de ano para ano a média da idade dos mortos aumenta, naturalmente quem nasce hoje vai durar muito mais.
Como nos países da OCDE cada ano que passa a idade média de morte avança 0,2 anos, mantendo-se esta regularidade, quem nasce hoje num países desenvolvido vai, em média, morrer aos 96 anos (não vindo a Ébola por aí fora). 

Quem nasce hoje tem que trabalhar mais.
Assumindo que precisamos trabalhar metade da vida, se cada ano as pessoas vivem mais 0,2 anos, é preciso que a idade de reforme também aumente cada ano 0,1 anos.
Alguém que tenha hoje 30 anos, vai ter que trabalhar até aos 65 + 35*0,1 = 68,5 anos de idade.
Alguém que nasça hoje vai ter que trabalhar até aos 65 + 65*0,1 = 71,5 anos de idade.

As mulheres duram mais que os homens.
Sim, é verdade. Nos países da OCDE as mulheres duram mais 6 anos que os homens pelo que, aparentemente, é uma injustiça termos todas a mesma idade de reforma.
Pegando nos dados da tabela de sobrevivencia 2000-2002, os homens deveriam-se reformar 3 anos mais cedo que as mulheres. Os homens deveriam trabalhar até aos 63 anos e as mulheres até aos 65 anos.
Em alternativa, os homens deveriam ter a sua pensão majorada em 25%.


As reformas deveriam sofrer uma reforma.
Deveriam ter uma parte assistencial do tipo do Rendimento Mínimo.
Deveria ter uma parte que resultasse da capitalização dos descontos (da TSU)
Deveria ter uma parte de Seguro de Vida (cobrir o risco de invalidez).
E, sem qualquer dúvida, as mulheres deveriam receber uma pensão menor que os homens (ou trabalhar mais 3 anos).

Pedro Cosme Costa Vieira

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Vem aí mais uma vitória derrotante

As europeias não servem para nada. 
Dizendo-se que o orçamento europeu anual é de 135 mil milhões de euros, parece que a União Europeia é muito importante mas, atendendo a que isso representa apenas 1.05% do PIB, temos que concluir que não tem importância nenhuma. 
Em cada 1000€ de riqueza criada na União Europeia, cerca de 400€ são geridos pelo governo de cada  país e apenas 10€ são geridos pela UE e grande parte dessa verba vai para a agricultura. 
Então, se um voto nas legislativas já vale muito pouco, votar para as europeias vale 40 vezes menos. 

Fig. 1 - Eu não tenho culpa que, procurando "Europeias" nas imagens do Google, apareça o 1.º campeonato nu de futebol. Nestas eleições, eu votava-me em cima da urna.

O que eu quero que aconteça.
Que o Seguro ganhe, por quanto mais melhor pois, desta forma, o PS continua no rame-rame a caminho da grande derrota que irá acontecer em 2015.
Se o Seguro perder, vai aparecer um falhado igual ao Seguro, tipo António Costa, mas, como o nosso povo está sempre à espera de um  dão sebastião que o venha tornar rico sem trabalhar, um euromilhões da governação, se o gajo não se cansar de repetir "nós podemos" e "nós vamos pelo caminho do crescimento", o povinho, tipo as criancinhas que foram atrás da flauta mágica, podem embarcar numa aventura idêntica ao que vivemos com o Guterres e com o Sócrates. 
Discursos bonitos, inflamados e sem conteúdo captam mais votos que discursos de verdade, onde é referido que é preciso cortar despesa e aumentar impostos.
E como eu não quero votar nem fazer campanha pelo bicho, vou faltar à chamada. 

Fig. 2 - Há coisas que não vale a pena fazer. Uma delas é correr na praia atrás das gaja boas e outra é ir votar nas próximas Europeias.

Além do mais, o Rangel, candidato do PSD, só diz barbaridades.
Já ninguém se lembra mas dizer que dizer barbaridades é mau é tão mau como dizer que dizer conversa de preto é mau. Isto porque barbaridades é a conversa dos povos bárbaros que são os do Norte da Europa. Mas vamos esquecer isso.
O Rangel vem com a conversa que "temos um mar enorme e riquíssimo" é conversa para adormecer mortos. Isso é tudo mentira.
Mar riquíssimo tem Angola, cheio de petróleo e a Noruega não só com petróleo e gás mas também com bacalhau.
O nosso mar não presta para nada. Apenas é bom para tomar banho de água muito fria que até parece congelar os tim-tins.
Penso que quem tomar um banho no nosso riquíssimo mar gelado, nos seguinte 5 anos não consegue fazer filhos, nem com uma caixa de 360 pílulas viagras generis a coisa lá vai (a 0.50€/pílula). 
Imagino que até um preto fica com a coisa do tamanho da de um chinesinho de 2 anos.
Coitado do Rangel a quem o Passos não liga patavina e o Portas até pensa que ele não existe. 

Fig. 3 - Terei uma grande vitória se tiver mais de 2 votos (que são o meu e o da minha mulher).

E como vai o nosso portugalzinho?
Tem altos e baixos.
Os baixos é que o governo anunciou que ia avançar com não sei quantas medidas eleitoralistas e as taxas de juro aumentaram enormemente. 
Se no dia 9 de Maio a taxa a 10 anos estava nos 3.50%/ano, no dia 21 de Maio ultrapassou os 4,1%/ano. Não parece nada mas um aumento de 0.6%/ano sobre toda a nossa divida pública representaria 1300 milhões € por ano a mais de despesa pública. 

Fig. 4 - Consegui esta foto do casamento do Paulo Rangel (sim, sim, é com a Ferreira Leite).
Meu Deus afasta de mim este cálice.

Os altos. 
É que o governo teve que rapidamente arrepiar caminho e anunciar que, afinal, vai avançar com a resolução do problema das empresas públicas de transportes.
Penso que o nosso futuro será cada vez mais assim: o governo diz que vai fazer uma maluqueira qualquer e as taxas de juro sinalizam logo que é preciso arrepiar caminho.
E por hoje fico-me por aqui pois tenho que entrar em período de meditação.

Fig. 5 - Com esse par de meditações vais dar cabo das costas. Deverias segurar o peso com os pés.

Pedro Cosme da Costa Vieira

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