terça-feira, 17 de abril de 2018

Será que devíamos e podíamos poupar água?

Este postesito tem duas partes mais um. 
A primeira é se devíamos e a segunda como podíamos.
No final, vou falar da desmatação.

Se devíamos poupar água.
A água tem um enorme valor, seja no consumo doméstico, industrial e serviços mas, em volume, principalmente na agricultura.Também tem enorme valor como ecossistema (para os peixes, batráquios e insectos).
O problema da água é que, apesar de ter muito valor, a sua abundância faz com que não estejamos disponíveis para pagar um preço elevado.
Por exemplo, o Rio Amazonas descarrega no mar 2100 vezes o caudal que entra na Barragem de Alqueva, vinda do Guadiana, mas não paga pegar nela e transporta-la até cá.
Por exemplo, um enorme saco de plástico com 1mm de espessura, praticamente à velocidade das correntes, para transportar água de rios caudalosos para zonas mais secas.

Um barco à vela a rebocar uma gigantesco saco plástico com 20 milhões de m3 de água doce.

Mas em Portugal há muita água.
Os nossos rios descarregam muita água no Mar, cerca de 2200 m3/s, colocando-se apenas a questão da economicidade de pegar na água disponível (por exemplo, no Rio Minho) e transporta-la para os campos (por exemplo, de Setúbal).
Por isso, enquanto consumidores domésticos disponíveis para pagar balúrdios todos os meses, não há necessidade de poupar sob o argumento de que é um recurso escasso.

Como podíamos poupar água.
Como penso já ter ficado claro, a questão da água é a questão do preço que estamos disponíveis a pagar por ela (para o transporte).
Vamos imaginar um país em que a água é um bem muito mais caro de obter do que a média, por exemplo, Israel, e que há verdadeiramente necessidade de reduzir o consumo doméstico.
Existe tecnológia que permitiria poupar pelo menos 50% da água que se gasta em casa.

Máquina de lavar roupa.
Uma máquina de lavar roupa gasta relativamente pouca água, cerca de 10 litros por cada quilograma de roupa, 50 litros de água numa máquina de 5kg. 
Mas o consumo é dividido em 4 partes.
A primeira parte é a lavagem na qual, junta-se o detergente, e a máquina roda a roupa durante 1,5 horas.
A água que sai é suja (dependente da roupa) e com detergente pelo que deve ser deitada fora.
A segunda parte já é enxaguamento e ainda sai um bocadinho suja e com detergente mas já pode ser usada para lavar o chão da cozinha.
A terça e quarta partes, são de enxaguamento mais fino, e a água sai praticamente limpa.
Esta água pode ser armazenada para reutilizar na próxima lavagem (para as fases 1 e 2)
Se a máquina tivesse um reservatório onde pudesse guardar esta água (para comodidade), poderia haver uma poupança de 50% na água que gasta.
Passa-se o mesmo com a máquina de lavar louca.

Banhos.
Quando tomamos banho, como é mais um ritual que uma necessidades ...
Dizem que a Rainha de Inglaterra toma banho uma vez por mês, mesmo que não precise.
... a água que sai pelo ralo, poderia ser bombada para um depósito e, depois, utilizada na sanita.
Automaticamente para poupar o incómodo.

O que acontece se pouparmos água?
Segundo dados que recolhi do relatório de contas das Águas do Douro e Paiva, cada m3 de água produzida em alta pressão tem um custo de 0,40€/m3 do qual 80% são custos fixos. Depois, somam-se os custos da distribuição (da responsabilidade das autarquias) e  acabamos a pagar 5,00 €/m3!
O que interessa é que a maior parte do que pagamos são custos fixos o que faz com que, se reduzirmos o nosso consumo, continuaremos a pagar quase a mesma coisa.
Por isso, não vale a pena.

É como a desmatação da floresta.
Parece que, ao obrigar os pobres e desgraçados do itnerior a desmatar os seus terrenozitos, parece que a geringonça está a fazer alguma coisa para acabar com os incêndios florestais e com a desertificação do interior.
Dizem eles que "cria postos de trabalho" mas esquecem-se de dizer "não remunerados porque aquilo não rende um caralho."
Mas o problema dos fogos florestais não está nos fogos mas na ineficácia do combate.
Os nosso bombeiros não conseguem parar o fogo quando ele está mais vulnerável que é quando arde em vegetação rasteira.
E garanto-vos que o fogo arde em terreno desmatado, tecnicamente limpo, e os bombeiros olham e deixam andar porque não sabem o que fazer.
Se os bombeiros não conseguem conter os fogos nas auto-estradas e nos grandes rios, não vejo como desmatando se resolve o problema da incompetência no combate.
Desmatar a floresta (e obrigar a deixar 4 metros entre copas é cortar tudo, até as árvores dos parques das cidades) é como proibir de ter roupa e móveis em casa porque são combustíveis e podem arder.

Estava limpo e ardeu na mesma porque eu não sabia o que fazer.

E o que deveria ser feito?
Deixar a vegetação no mato pois cortá-la é o maior atentando ambiental dos últimos 10000 anos.
Depois, quando houver um incêndio, tem que ser feito contra-fogo sem dó nem piedade.
Tem que ser feita uma "analise de probabilidade" e tudo o que tiver risco de vir a ser atingido pelo fogo, tem que ser rapidamente queimado com um contra-fogo.
Meter nos outros, nas potenciais vítimas, a obrigatoriedade de cuidar delas e dizer "nós é que estamos a fazer coisas para acabar com os incêndios" é o maior golpe de propaganda da história da humanidade.

O Rui Rio não vale nada.
É que estão a obrigar a desmatar em locais de que não há registo histórico de alguma vez ter havido um incêndio florestal.
O PSD está calado e os esquerdistas lá vão fazendo o papel do hermafrodita, são em simultâneo macho e fêmea, governo e oposição.

O mãe, aquela senhora é um homem com mamas ou aquele senhor é uma mulher com pirilau?

3 comentários:

Silva disse...


Caro PCV

O Rui Rio é xuxa.

A floresta para começar a render (para muita gente) só com reformas estruturais (abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos).

A limpeza que os proprietários actualmente fazem não passa dum imposto.

Os consumidores da água têm que pagar o custo real da água.

Anónimo disse...

As lareiras também deviam ser abolidas! Primeiro, emitem Co2 não taxado, segundo, obrigam os proprietários a ter combustíveis dentro de casa...

Anónimo disse...

A Holanda sofre do perigo de enchentes por isso aplicou recursos para prevenir calamidades e tornou-se expert barreiras para tempestades vindas do mar e planos de contingência para evacuar e alagar zonas pouco populosas já pré determinadas se as bombas não derem vazao para tempestades vindas do interiorc, agora tem bons níveis de protecção e ganha dinheiro a exportar esses conhecimentos, enquanto nós por cá é todos os anos no desenrasca e a esbanjar dinheiro estupidamente.

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Best Hostgator Coupon Code