sexta-feira, 23 de abril de 2021

Corrupção, penas de prisão, RSI, vingança e inveja

Tem-se discutido, a reboque do Sócrates, a criminalização do "enriquecimento não justificado".

Dizem os nosso deputados que, quando não se consegue determinar que uma pessoa cometeu um crime, o simples facto de ser rico sem publicitar a forma, como escreveu o juiz Carlos Alexandre, "não ter cabras e cabritos vender", é um crime.

No meu limitado entendimento, o motor por trás deste movimento legislativo é o espírito mesquinho da inveja e da vingança.

Esta inveja também está contra os "ciganos que recebem 1000€ por mês de RSI sem fazerem nada".


Para que serve a criminalização?

Não é para o criminoso pagar o mal que fez à sociedade (pois não vai pagar nada, apenas dar ainda mais prejuízo) nem castigar os que erram tendo, NA TEORIA, dois objectivos mais humanos: 

1) Dissuadir a pessoa a cometer o crime; 

2) Separar a pessoa da sociedade para não causar prejuízo (prendendo-a, deportando-a ou liquidando-a).

O problema é que as pessoas, além de invejosas, são sanguinárias e pedem vingança.

E os deputados, porque querem ganhar eleições (são todos populistas), respondem a este espírito invejoso e sanguinário.

 

Cada preso custa 59,20€ por dia.

O relatório das prisões diz que, em 2019, o custo das prisões foi de 276,4 milhões de euros e havia 12793 presos. Dividindo o custo pelos presos dá 59,20€/dia por cada preso!!!!!

 

Pensemos em casos concretos.

Caso 1) A criança Joana Cipriano desapareceu no dia a 12 de Setembro de 2004 não se sabendo o que lhe aconteceu já que nunca mais apareceu. No seguimento, duas pessoas, o seu tio João Cipriano e a sua mãe, Leonor Cipriano, foram condenados a 16 anos de prisão. Pensando que cumpririam 5/6 da pena, o desaparecimento de uma criança causou aos contribuintes um prejuízo 577 mil€. Pensando que estas pessoas iriam trabalhar a ganhar meio salário mínimo nacional, temos que acrescentar 248 mil€ de prejuízo para a economia.

Mesmo supondo que a criança foi assassinada por estas pessoas. Será que esta pena (que tem associada um prejuízo para a sociedade 825 mil €), vai dissuadir outros tios e mães de matar os seus filhos?

Será que este tio e esta mãe, se não estivessem presos, iam matar mais crianças?

A criança era muito querida e fofinha e até pode ter sido assassinada mas, em minha opinião, esta pena apenas serviu para alimentar o espírito de vingança que corre na veia de todos nós, incluindo as juízas (uso o feminino para ser integrante).

Caso 2) Hoje, guiar automóvel, é uma necessidade. Acontece que os pobres, com baixa escolaridade, têm muita dificuldade em "passar" na carta. No meio destas pessoas estão os membros das minorias mais desfavorecidas como os ciganos (impossível para os analfabetos).

Um homem de 46 anos foi apanhado 16 vezes a conduzir sem carta. Não consta que tivesse tido acidentes mas, mesmo assim, foi condenado a 23 meses de cadeia efectiva, 600 dias. Se cumprir 5/6 da pena, vai causar um prejuízo aos contribuintes de 30 mil € e ainda o rendimento perdido (talvez uns 20 mil €) necessário à família.

Não seria melhor haver uma escola de condução para as pessoas  com dificuldades sociais e intelectuais?

 

Vamos ao RSI - Rendimento Social de Inserção.

O RSI em 2020 foram 355 milhões € de despesa pública (ver, p.6) a dividir por 212 mil pessoas (uma média de 120€/mês por pessoa, contando 14 meses por ano).

Existem pessoas sem capacidade de trabalho (crianças, velhos e doentes e pessoas que tomam conta das crianças e dos velhos) e pessoas com capacidade física de trabalho.

Ninguém deveria questionar que de deve dar o RSI às pessoas pobres que não têm capacidade de trabalho mas ainda há pessoas que, movidas pela inveja, são contra.

Uma mãe com 6 filhos menores e um marido "sem actividade" receber 1116€/mês, 12 meses por ano (891€ de RSI e 225€ de abono) para pagar todas as despesas não me parece muito (dá os tais 120€/mês por pessoa). Quando era criança, a minha  situação era mais ou menos esta, o meu pai ganhava 1100€/mês a preços de hoje e éramos 8 pessoas a comer à mesa, numa casa coberta com folhetas e as dívidas eram mais do que muitas.

Penso que esta família não deveria despertar a inveja por parte dos outros mas ainda desperta.

 

E as pessoas pobres com capacidade física de trabalho?

Meti a palavra "física" porque a maioria dessas pessoas não tem capacidade laboral seja porque têm ligeiros problemas mentais ou falta de competências profissionais.

Vão fazer cursos de formação profissional mas em coisas totalmente desadequadas às suas capacidades. Tipo, um curso para ciganos de "Recepção Hoteleira" onde tentam ensinar línguas estrangeiras a pessoas quase analfabetas e que nunca na vida terão um emprego num hotel.

Para os homens deveria haver cursos de Ajudante de Pedreiro e de Trolha que são actividades onde qualquer um consegue 40€/dia (um dos sem abrigo que guarda carros em frente ao meu andar está a trabalhar como ajudante de pintor, a 40€/dia) e para as mulheres, tomar conta das crianças e dos mais velhos.

 

Voltando ao crime de Enriquecimento sem Justificação.

Se uma pessoa enriqueceu e não se consegue descobrir o que fez de errado é porque o que fez não causou prejuízo à sociedade!!

Além disso, se o ricasso conseguiu esconder o "crime" também vai conseguir esconder a sua riqueza!!

Depois, vamos cair no que os esquerdistas tanto criticam no Caso Lula. Aconteceu que o Lula não tem nada em nome dele mas como foi ver com a mulher um andar luxuoso, tem que se concluir que o andar lhe pertence.

Quer dizer que eu que fui, uma vez, visitar o Museu do Louvre com a minha mãe e disse "Este quadro ficava melhor daquele lado" ... um juiz vai concluir que acumulei uma enorme fortuna de que o Louvre é apenas a ponta do icebergue (não iria ser dono do Museu do Louvre sem ter um iate, uma ilhar e milhões em offshores)!


No princípio todas as leis criminais parecem boas.

Mas no final, juntando a inveja e a vingança, rapidamente caímos na tirania.

Já notaram como cada vez mais pessoas, porque contaram uma simples anedota em que entra um alentejano, são acusadas de serem "racistas, xenófobos e misóginos"?

Já notaram como cada vez mais pessoas são acusadas dos crimes de "falsificação de documentos, fraude fiscal e branqueamento de capitais" só porque, num contrato de arrendamento escreveram que a renda é de 250€/mês quando é de 350€/mês (porque, num documento anexo, o inquilino tem que entregar 100€/mês para o condomínio)?

 

O Sócrates vive como um milionário.

Deixem-no em paz que o Luís Filipe Vieira causou muito mais prejuízo ao Novo Banco e ninguém quer saber.

Deixem de ser invejosos.

Se o Sócrates fosse para a cadeia só ia causar prejuízo ao país (no caso dele, custaria muito mais que 59€/dia).

Eu faria o mesmo se pudesse e soubesse como!

 

O que é este velhinho esteve a fazer na cadeia? Só deu prejuízo ao país.

 

quinta-feira, 22 de abril de 2021

O "Sistema Capitalista de Produção" é uma invenção de Karl Marx

O ministro Pedro Nuno Santos referiu-se à GroundForce como "capitalismo sem capital".

Acontece que o termo Capitalismo como a organização da sociedade em que os meios de produção são propriedade privada, existe liberdade de decidir o que produzir e como e os preços são determinados no mercado, é uma invenção de Marx (1867) no seu livro O Capital.

Até então, o capitalista era uma pessoa que tinha bens, um rico. Com o desenvolvimento, nos finais da idade média, do comércio, começaram a surgir pessoas do povo com riqueza, os mercadores, que ao viverem na cidade (no burgo) começaram a ser referidos como burgueses. Como o ser humano é intrinsecamente invejoso, o capitalista era tanto mais mal visto quanto mais fosse rico, pelo povo e mesmo pela aristocracia.

Marx designa a economia de mercado como Sistema Capitalista com um objectivo pejorativo.

Por isso, metam no vossa cabeça: o capitalismo não existe, o que existe é a economia de mercado.

 

A Economia de mercado organiza-se em agentes económicos tipificados.

Por um lado, temos os Consumidores e, por outro lado, temos os Empreendedores.

Os Consumidores adquirem bens (pelos quais pagam o preço) mas também fornecem trabalho (pelo qual recebem o salário) e poupam (pelo qual recebem juros, rendas e dividendos).

Os Empreendedores produzem os bens (pelos quais recebem o preço) usando trabalho (pelo qual pagam o salário) e máquinas e instalações (pelas quais pagam juros, rendas e dividendos).

Apesar de o Empreendedor poder ser o dono legal das máquinas e instalações, deve o "dinheiro" aos aforradores, pagando um juro.

 

 Mark (e todos os esquerdistas) confundem capitalista com empreendedor.

O Empreendedor tem a ideia do negócio, montou o processo produtivo de forma eficiente e pediu recursos aos aforradores (pediu crédito). O Empreendedor tem domínio sobre o processo produtivo e vai ter lucro se for capaz de gerar mais valor que a concorrência. 

     Lucro = Venda dos bens produzidos - Salários pagos - Juros, rendas e dividendos pagos.

Assim, o lucro é a margem de optimização que o empreendedor consegue além do que existe.

O capitalista é o dono dos fundos, somos todos nós que temos "dinheiro no banco". Emprestamos esses recursos aos empreendedores mas não temos poder de decisão sobre o processo produtivo.

O Pedro Nuno, porque foi beber a Marx a sua economia, confunde estas duas coisas.


Quanto "capital" meteu o Jeff Bezos na Amazon?

Zero. E tem hoje activos no valor de 195 mil milhões de USD.

Quanto "capital" meteu o Elon Musk na Tesla?

 Zero. E tem hoje activos no valor de 175 mil milhões de USD.

Quanto "capital" meteu o Bill Gates na Microsoft?

Zero. E tem hoje activos no valor de 140 mil milhões de USD.

Quanto "capital" meteu Mark Zuckerberg na Facebook?

Zero.  E tem hoje activos no valor de 110 mil milhões USD.

 

Vamos supor que a TAP era privada.

Vamos supor que era uma empresa estratégia para Portugal como dizem os esquerdistas.

Nesse caso, da mesma forma que o estado cobre o prejuízo da empresa por ser pública, também deveria cobrir o prejuízo na medida em que não fosse por culpa de má gestão do privado.

 

Se o Estado tem uma prisão.

A prisão só dá prejuízo, cerca de 60€ por dia por cada preso, um total de 276 milhões € por ano. Mas, se virmos a "prisão" como estratégica para o país, vemos a prisão como produtor de um serviço (guarda os criminosos) e, por isso, o prejuízo transforma-se em custo de funcionamento.

 Agora, acharíamos aceitável alguém privado receber 40€/dia para guardar os criminosos.

O prejuízo de 1230 milhões € da TAP (e das demais empresas públicas) é visto com os mesmos olhos que as cadeias, "A TAP presta um serviço imprescindível a Portugal" mesmo que ninguém consiga ver que serviçoé esse. 

Mas se o serviço é imprescindível, seria aceitável a TAP ser privada e o Estado dar esses 1230 milhões € como "pagamento do serviço estratégico".

Será que a TAP teve em 2020 menor prejuízo do que teria se se o David Neeleman e o Humberto Pedrosa fossem accionistas maioritários e gerissem a empresa?

Não me acredito mas, neste caso, o comunistazeco ficaria cheio de inveja dos "capitalistas sem capital".

 

O Estado deveria cobrir o prejuízo da Groundforce a fundo perdido.

Há ajudas para toda a gente menos para a Groundforce e o ministro ainda mover os cordelinhos para estrangularem financeiramente a empresa.

O que o comunistazeco quer é a nacionalização de tudo e viu uma forma de o fazer: força as empresas à falência.

 

Quanto nos vão custar as maluqueiras do comunistazeco?

Não é que o fulano que comboio para todas as sedes de distrito!

Que sentido económico faz repor a linha até Bragança!

Nenhum.


O Pedro Nuno Santos é outro Sócrates, megalómano e tresloucado, que nos vai deixar a pedir.


quarta-feira, 21 de abril de 2021

A lenta morte do ciclismo deve-se a UCI não quer evoluir

Nesta semana o presidente do Real Madrid disse que o futebol pode morrer.

Estive a pensar em desportos que já movimentaram multidões e que, ano após ano, tem perdido interesse.

Lembro-me ainda há poucos anos da Volta a França ou o Giro serem transmitidos em horário nobre e de agora, já só dá depois da meia noite ou em canais da cabo que ninguém vê.

 

A morte de um produto é uma coisa natural.

Uns mais rapidamente e outros mais de vagar, todos os produtos têm um ciclo de vida. Aparecem, desenvolvem-se e, depois, morrem. Por causa do ciclo de vida é que as marcas estão sempre a inovar com novos modelos de automóveis, novas cores de roupa, novos penteados.

O desporto não foge da sina do "ciclo de vida" e se neste momento o futebol está num período de expansão,  olhando para outras modalidades que já foram importantes e que estão a agonizar, podemos prever que o futebol um dia também vai morrer.

 

A UCI - União Ciclista Internacional não quer inovar.

O desporto profissional serve para o aparecimento de inovações que sirvam o mudo das pessoas normais. E, realmente,comparando uma bicicleta de hoje com outra de 1950, é muito mais leve e tem melhores travões mas fica-se por ai. 

O que eu propunha é que se introduzisse mais tecnologia na bicicleta, por exemplo, transformá-la num "veículo híbrido".

 

Como era empolgante ver o Lance Armstrong arrancar na montanha e deixar todos para trás.

Dizem que esses arranques se deviam a um motor eléctrico escondido algures na bicicleta :-)

Então, a minha proposta é que as bicicletas de corrida passem a ter motor eléctrico mas a carrida começar com a bateria descarregada.

Nos percursos a descer, o ciclista perde velocidade para carregar a bateria (o que torna a descida menos perigosa). Depois, nas subidas ou nas fugas poderia usar essa energia extra.

Nas transmissões televisiva até poderiam mostrar o estado da carga das baterias de cada bicicleta.

 

O benefício de a bicicleta ter motor e bateria.

A corrida teria muito mais estratégia pois o atleta terá que optimizar o esforço ao longo de toda a corrida. Por exemplo, o ciclista pode esforçar-se numa etapa plana para carregar a bateria que vai usar, numa futura etapa de montanha.

Também as etapas teriam muito mais montanha e etapas muito maiores. Recordo que, actualmente, as provas têm "buracos" em que os ciclistas vão de carro.

Como esta e-bike, até subia a Rampa da Senhora da Graça
 

 Também poderia haver ultra-etapas.

Se existe a ultramaratona badwater-135 que são 217 km que passam por picos com 4450m, 1859m e 2530m num ambiente muito hostil (o record são 21h33m01s, uma média de 10km/h), também poderia haver uma ultra-etapa de bicicleta entre Vinhais e Faro, uns 1000km sempre de seguida.


terça-feira, 20 de abril de 2021

A SuperLiga Europeia é igual ao Troféu dos Cinco Violinos

Os clubes de futebol jogam futebol e muito mais coisas.

Muitos dos clubes de futebol nem sequer têm futebol no nome como, por exemplo, o Sporting Clube de Portugal ou o Atlético Clube de Madrid e, mesmo os que têm, por exemplo, o Futebol Clube do Porto, incluem muitas outras modalidades desportivas, desde a natação ao judo passando pelo ciclismo e pelo hóquei em patins.

Os jogadores de futebol dos grandes clubes são profissionais mas, na generalidade dos clubes, os jogadores têm outras actividades profissionais fora de campo. Mas, mesmo os melhores jogadores do mundo como o Ronaldo ou o Méssi, têm a maior parte dos seus rendimentos de actividades ligadas à publicidade.

 

As equipas de futebol jogam torneios enquadrados na UEFA e na FIFA mas não só.

Todos nós já ouvimos falar do Troféu dos cinco Violinos que é organizado pelo SCP. Este troféu é um jogo que decorre em finais de Julho / princípios de Agosto entre o Sporting e uma equipa convidada. Reparem bem: a equipa é convidada pelo SCP, sem qualquer critério desportivo.

E existem, regularmente, torneios entre os "gigantes europeus" nos USA ou na China para fazer uns cobres. Por exemplo, a International Champions Cup tem jogos nos USA, China, Europa e Austrália e fazem parte desta "brincadeira" 15 equipas nas quais está o Benfica:

América do México, Barcelona, Benfica, Chelsea, Fiorentina, Inter de Milão, Los Angeles Galaxy,  Manchester City, Manchester United, Milan, New York Red Bulls,  Paris Saint-Germains,  Real Madrid, Roma e  San José Earthquakes.

Cai na classe dos "jogos particulares" e os clubes têm total liberdade para fazerem os jogos que quiserem. Inclusive, podem alterar as regras do jogo, por exemplo, fazer 10 substituições ou reduzir o tempo de jogo a apenas 30 minutos.

Tanto quanto sei, a UEFA nem a FIFA disseram nada sobre isto. E os nossos jornalistas desportivos não se indignaram por a pertença a este grupo ser por convite.

 

As equipas querem um modelo semelhante ao do pugilismo.

Os pugilistas não podem ter um combate todas as semanas, o corpo não aguenta.  Por exemplo, o Floyd Mayweather Jnr. realizou 50 combates em 25 anos, o que dá uma média de 2 combates por ano.

Para maximizar o interesse na modalidade (e a capacidade de gerar dinheiro) é os combates serem "desafios" onde o vencedor ganha pontos em função da categoria do adversário. Por exemplo, se A ganha a B que tem 140 pontos (dos últimos 5 anos), vai somar 14 pontos ao seu palmarés (supondo que, em 5 anos, faz 10 combates, cada vitória divide os pontos do derrotado por 10).

Esta metodologia também existe no Golf, Judo e muitos mais desportos em que os torneios são independentes e "privados" mas a "federação" atribui pontos em função da dificuldade do torneio. Por exemplo, o Europeu de Judo dá mais pontos para o ranking do atleta vencedor do que o Judo Grand Prix de Tel Aviv.

 

Imaginemos um campeonato de futebol.

Mesmo que digamos que, em Portugal, os clubes são todos iguais, em termos de geração de receitas televisivas, os jogos entre o Benfica, o Porto e o Sporting geram muito mais receitas.

Para maximizar o negócio do futebol, o campeonato deveria ter "três voltas" entre estas 3 equipas mais a quarta  classificada no ano anterior. Desta forma, haveria 36 jogos entre os "4 grandes" (em vez de 2 jogos, haveria 6 jogos, por exemplo, entre o Porto e o Benfica, três em casa e três fora). Para manter o mesmo número de jogos, os "4 grandes" jogariam apenas um jogo com os últimos classificados do campeonato anterior.

Desta forma, todos os fins de semana haveria um jogo entre duas equipas dos "4 grandes" o que iria gerar muito mais receitas e dar mais emotividade ao campeonato.

 

O futebol não é desporto, é um negócio.

As pessoas confundem actividade física com desporto que é uma actividade realizada para nos divertirmos.

Apesar de jogarmos futebol com os nossos amigos ser um divertimento, aquilo que os jogadores profissionais fazem é trabalho e os clubes profissionais são empresas que procuram o lucro máximo.

Actualmente, nas olimpíadas, já em nenhuma modalidade existem "desportistas" mas apenas trabalhadores que vivem de resultados e de patrocínios públicos e privados.

Não vale a pena vivermos na ilusão de que os grandes clubes de futebol podem pagar milhões de euros a jogadores e treinadores mas que não podem maximizar as suas receitas.

 

A Superliga Europeia é um torneiro particular como outro qualquer.

Não vejo como a lógica ou legalidade de a UEFA proibir os clubes de participar neste torneio.

É que até o mais lógico é os "clubes" utilizarem jogadores diferentes, numa espécie de franchising, apenas com o objectivo de equilibrar as contas.


sábado, 17 de abril de 2021

Biocombustíveis, painéis solares, hidrogénio e máquinas inteligentes

Tudo isto são o anúncio do futuro.

Nós, enquanto máquina, usamos uma potência de 100W, o equivalente a uma lâmpada incandescente.

Por comparação, um automóvel a 100km/h que gaste 5 l/100km de gasolina, usa uma potência térmica de 42000W, o correspondente a 420 humanos.

A pouca potência que usamos tem que ser suficiente para tudo, desde o funcionalmente do coração e dos pulmões até à elaboração do mais estranho pensamento.

O homem "ultrapassou" a natureza quando passou a ter acesso a mais e mais energia. Nos últimos 200 anos a fonte de energia tem sido o carvão, o petróleo, o gás natural e, em menor percentagem, a força dos rios e a energia nuclear. Mas, agora, estamos na fronteira do futuro.


Combustíveis e painéis solares = Poderá o homem superar a Natureza?

Quando se fala de Inteligência Artificial a primeira pergunta que vem à mente é "Será que o homem tecnológico é capaz fazer uma máquina mais inteligente do que o cérebro humano?"

Teremos que ver o que o homem tecnológico já fez para imaginar se o impossível se pode tornar possível.

 

Imaginemos um filme que, em Full HD e com duração de 2h30 (em filme de 35mm). Há apenas 30 anos precisava de cerca de 10 km de fita divididos em bobines e bobines, caríssimas. Por serem tão caras, o filme Branca de Neve só tem som :-)))))

Actualmente, podemos meter 15 filmes numa pendrive de 64GB que tem um preço de 10€.

Conseguimos ter memorias muito mais eficientes do que a fita.


Vamos comparar os biocombustíveis com os painéis solares.

Os europeus , alguns, pensam que podemos aceder a mais energia sem emitir CO2 para a atmosfera queimando matéria orgânica produzida pelas plantas, em particular, fazendo gasóleo a partir de óleo de palma (que é um alimento dos mais pobres).

Vendo que um automóvel usa a potência de 420 humanos, vemos que essa medida vai condenar os pobres à fome e o ambiente natural desses países à destruição para a plantação de culturas produtoras de óleos.

O melhor que se consegue na produção de óleo de palma são 5000kg/ha por ano, 1,4g/m2 por dia que corresponde a 0,015kwh. Como Portugal é atingido com uma média de 4,2kwh/dia de energia solar, temos um aproveitamento de 0,35%.

Se pegarmos em painéis solares, uma configuração economicamente razoável consegue transformar cerca de 10% da energia solar em electricidade, cerca de 0,42kwh por dia. Este valor mostra que o painel solar é 30 vezes mais eficiente do que as palmeiras oleaginosas e é uma "cultura" que não precisa de água! podendo ser "cultivada" em terrenos desérticos.

 

O homem tecnológico consegue extrair 30 vezes mais energia do que a Natureza.

Se pensarmos apenas em energia, um terreno com painéis solares consegue captar 30 vezes mais energia a partir do Sol do que as plantas. 

Mas esta energia não está na mesma forma.

Se quisermos transforma tudo em força motriz, como o rendimento de transformação dos combustíveis de 25% e da electricidade é de 85%, a vantagem do homem tecnológico ainda fica maior, 100 para um.

Já se quisermos produzir alimentos a partir de electricidade, já as plantas têm vantagem pois a produção artificial de matéria organica e virtualmente impossível.

 

Não é ético queimar matéria orgânica porque o homem tecnológico é mais eficiente do que a Natureza.

As pessoas que se preocupam com o ambiente devem defender que não se queime matéria orgânica porque é rara e necessária para os seres vivos.

Os ramos que estão espalhados pelos matos e que há quem defenda a sua "valorização energética", deve ser deixada no terreno para que os fungos e bactérias se possam desenvolver e os insectos os possam ter como alimento (sim, os insectos conseguem digerir a madeira podre).

Muitos insectos nas forma larvar vivem de comer madeira podres e, depois, os animais comem esses insectos.

Queimas a matéria orgânica natural e esmagar os ecossistemas.


Poderá a inteligência artificial suplantar o cérebro humano?

Apesar de o nosso cérebro ter muito volume, é pouco eficiente em termos de volume porque desenvolveu-se de forma a poupar energia. O nosso cérebro tem uma potência de cerca de 20W.

Por comparação, um processador topo de gama gasta cerca de 10 vezes a energia do cérebro e, por isso, pode fazer muitas mais operações por segundo.

Pensando na comparação que fiz entre painéis solares (que produzem electricidade) e palmeiras (que produzem óleo), o que os computadores fazem não é exactamente igual ao que os nossos cérebros fazem mas, em certas métricas, o computador já é mais capaz que um cérebro.

 

Vamos agora até ao Futuro.

No futuro, toda a energia "artificial" será electricidade obtida em painéis solares.

Cada pessoa vai gastar, no seu carro, emprego e casa, cerca de 40 kwh/dia (que é o consumo dos americanos). 

Por exemplo, se cada um dos 5 milhões de automóveis que existem em Portugal fizer 50km/dia, serão precisos 5kwh/dia por pessoa.

Para isso, vão ser necessários 90 m2 de solo ocupado com painéis solares, um total de 900 km2 que representam APENAS 3% da área total do Alentejo. 

Fig. 1 - Disponibilidade de energia eléctrica num dia médio com painéis inclinados a 60.º e 3x de espaço livre.


A sociedade vai ter que se alterar porque a energia nocturna vai ser muito cara.

A luz solar é mais intensa a meio do dia pelo que quanto mais inclinado for o painel, mais uniforme vai ser a disponibilidade eléctrica ao longo do dia mas menor será o aproveitamento do terreno por causa da sombra.

Fig.2 - Quanto mais inclinado for o painel solar (a azul), maior será a produção de manhã e à tarde e menor a meio do dia mas o espaçamento livre tem que ser maior por causa da sombra (a cinzento).
 

A electricidade durante o dia vai ser quase dada.

Nesse tempo, serão carregadas as baterias dos carros, será aquecida água para usar durante a noite, os frigoríficos terão forma de armazenar o frio e as fábricas funcionarão à força toda.

Quando deixar de haver luz solar, terão que ser usadas as baterias e, ai, tudo dependerá de como vão evoluir!


Comparemos apenas estes três números.

O preço da electricidade é de 0,1416€/kwh e o preço do gás natural 0,05650€/kwh (EDP).

O último leilão de electricidade solar foi de 0,012€/kwh (ver), um desconto de mais de 90% relativamente ao mix eléctrico e 80% relativamente ao gás natural que pagamos.

 

Vai ser possível cultivar plantas no deserto sem água!!!!

Imaginem que usamos o deserto para produzir electricidade com painéis solares. Depois, longe dali, vamos fazer estufas com lâmpadas para as plantas, poderem crescer dia e noite.

 

Será que o gás natural moçambicano será rentável?

Se a electricidade solar já está 80% mais barata do que o gás natural, será que daqui a 10 anos ainda se vai usar gás natural?

Talvez para fazer electricidade durante a noite!

terça-feira, 13 de abril de 2021

O Rt já está em 1,20

Hoje, 13 de Abril, foi anunciado um Rt de 1,05 mas já está nos 1,20.

Como já expliquei, o Rt quantifica quantos "filhos" tem o Covid- 19 a cada geração.

Como uma geração de Covid-19 são 5 dias, obtém-se o Rt dividindo o número de novos positivos de hoje pelo número de novos positivos de ontem e potenciado a 5.

R(t) = [NPositivos(t) / NPositivos(t-1)]^5

Mas, como o número de novos positivos varia muito ao longo dos dias da semana tem que se calcular o valor semanalmente, a variação homóloga: o número de positivos de hoje a dividir pelo número de positivos há uma semana potenciado a 5/7 porque a semana dura 7 dias e o ciclo de vida são 5 dias.

Fazendo esta conta e lançando os valores num gráfico vemos que existe uma tendência crescente desde meados de fevereiro. Nessa altura o Rt estava em 0,6 e agora está em 1,2.

Fig. 1 - Evolução do Rt entre 1/1/2021 e 13/4/2021 (dados, DGS)


O que traduz um Rt de 1,2?

Que demora 19 dias a duplicar o número de casos.

Sendo que estamos na zona amarela ( temos Rt maior que 1 e 71 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias temos ), entraremos no quadrante vermelho daqui a 14 dias!!!!

 

Segundo os critérios do governo!

Até podemos discordar nos critérios mas respeitando os critérios, o desconfinamento terá que parar um bocadinho.

Não sei como será possível abrir restaurantes e universidades com o Rt em 1,2.

Para os restaurantes é muito mau mas as universidades estão, genericamente, a funcionar muito bem e já só falta 1 mês de aulas para o semestre terminar.


Também vou falar um bocadinho do Rui Rio.

Parece que o Rui Rio se está a candidatar ao cargo de juíz do Tribunal Criminal Central.

Quando saem dados altamente negativos para o governo em termos de aumento da pobreza e redução nos nascimentos, números com que o Costa massacrou o Passos Coelho e que consegue agora ser ainda pior, o Rio fala do Sócrates.

Do que valem os 34 milhões do Sócrates em comparação com 2 milhões de portugueses em risco de pobreza?

Do que valem os 34 milhões do Sócrates em comparação com uma taxa de natalidade inferior ao pior valor do tempo do Passos Coelho?

Cada vez mais me parece que o Rui Rio é o porta voz do PS para os casos incómodos.

Faz a vez do Jorge Coelho, "...leva".


Também sobre o Coelho.

Não quero mandar a sua alma para o inferno mas o que estaria ele a fazer num apartamento na Figueira da Foz com uma senhora, em período de proibição de abandono do lar excepto para trabalhar, que o levou a ter um ataque cardíaco?

Dá que pensar sobre os tais coágulo de certos medicamentos!

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O investimento em Hidrogénio é deitar dinheiro fora

O uso do hidrogénio é igual ao uso de uma bateria.

Ambos as tecnologias servem para armazenar energia na forma química que, mais tarde, vai ser utilizada. A única diferença está nas reacções químicas usadas. 

 

Numa bateria de Lítio.

Em termos simples, quando a bateria está carregada, o Lítio está na forma sólida. A produção de energia eléctrica acontece durante a dissolução do Lítio:

   Lítio sólido ->  Ião de Lítio dissolvido +  energia

Quando a bateria está descarregada, todo Lítio está dissolvido. A recarga faz o Lítio dissolvido tornar a ficar sólido:

   Ião de Lítio dissolvido +  energia -> Lítio sólido

Para realizar esta reacção electroquímica usa-se também o Carbono (na forma de grafite) e a Cobalto (na forma de óxido). Por isso, em termos técnicos, a bateria é de Lítio, Carbono e Cobalto.

A descarga tem duas reacções (uma em cada eléctrodo)

   CLi -> C + Li+ + e- (pólo negativo)

   CoO2 + Li+ + e- -> LiCoO2 (pólo positivo)

A energia é o electrão que passa pelo circuito eléctrico (exterior à bateria)

A carga inverte esta reacções

   C + Li+ + e-  ->  CLi (passa a pólo positivo)

   LiCoO2 -> CoO2 + Li+ + e- (passa a pólo negativo)

 Agora, é preciso energia para "empurrar" o electrão de volta ao CLi usando-se o mesmo circuito eléctrico (exterior à bateria)mas com polaridade trocada.

Durante o funcionamento da bateria de Lítio (carga e descarga), todos os elementos químicos estão fechados dentro de um reservatório.

Fig.1 - Esquema da descarga e recarga da bateria de Lítio

 

Numa bateria de Hidrogénio.

Em termos simples, quando a bateria está carregada, o Hidrogénio está na forma sólida e a produção de energia eléctrica acontece durante a dissolução do Hidrogénio:

   Hidrogénio gasoso ->  Hidrogénio dissolvido +  energia

Para a bateria se ver livre do Hidrogénio dissolvido, usa oxigénio que o transforma em água (que se deita fora). 

   Hidrogénio gasoso + Oxigénio ->  Água +  energia

A recarga da bateria faz-se fora da bateria, em unidades que vão produzir hidrogénio na forma gasosa a partir de água e de energia:

   Água +  energia -> Hidrogénio gasoso + Oxigénio

 Durante o funcionamento da bateria de Hidrogénio, carrega-se a bateria metendo hidrogénio (que vem da "fábrica de Hidrogénio")e deita-se fora água. Assim, é um sistema aberto.


São tecnologias concorrentes.

Ambas as tecnologias usam energia eléctrica para carregar o sistema e, depois, o sistema produz electricidade de volta.

Ao serem concorrentes e a tecnologia das baterias de Lítio estar em fase "madura" e com custo de produção competitivo, apenas teria racionalidade económica investir na tecnologia das baterias de Hidrogénio se as vantagens fosse muitas, o que não é o caso.

Vantagem da bateria de Hidrogénio.

Como o Hidrogénio é produzido fora da bateria, a "recarga" de um veículo automóvel será muito rápido. É só ligar o tubo e meter o gás num depósito.

Potencialmente, uso menos metais escassos.

Desvantagem da bateria de Hidrogénio.

O Oxigénio necessário ao funcionamento da bateria vai ser captado do ar. Como o ar, além do Azoto, tem muitos contaminantes, a bateria vai ficar rapidamente estragada, entupida. A solução é usar, além de Hidrogénio, também Oxigénio sem contaminantes mas isso duplica o custo do processo.

Vantagem da bateria de Lítio.

Como está tudo dentro de uma cápsula, a bateria dura mais, cerca de 1200 cargas. 

Desvantagem da bateria de Lítio.

A bateria demora muito tempo a ser carregada. Além disso, o Lítio e o Cobalto são matérias primas pouco abundantes.


Porque serão as baterias importantes?

Há quem pense que o problema está no uso de combustíveis fosseis produzirem gases com efeito de estufa, o dióxido de carbono, sendo obrigatório a sua substituição nos veículos automóveis por "energias limpas".

Mas a sua verdadeira importância resulta de a energia eléctrica solar estar cada vez mais barata de produzir e só haver luz solar durante o dia!!!!

 

Vamos fazer uma pequenas comparação.

 Pegando em dados americanos, o custo de produção usando carvão está nos 0,031€/kwh. Esta energia está constantemente disponível 24h/dia o que faz com que nas horas de maior consumo (durante o dia) o preço seja mais elevado e mais baixo durante as horas de menor consumo (durante a noite).

A energia eléctrica usando painéis solares está nos 0,011€/kwh (último leilão) e com tendência de queda. Como a energia eléctrica solar apenas existe durante o dia com um pico por volta do meio dia, no futuro vai ser preciso cobrar um preço mais baixo durante o dia (altura em que vamos carregar as baterias) e muito mais cara durante a noite.


O problema ainda está no custo das baterias mas já é competitivo.

Estimativas indicam que as baterias têm um custo na ordem dos 160€/kwh (fonte)

Tendo a bateria uma vida na ordem das 1200 cargas, 0,13€/kwh.

Somando que na carga se perdem 15% e ainda 0,02€/kwh para a REN (o transporte), o custo total será na ordem dos:

0,011/(1-15%) + 0,02 + 0,13 =  0,16€/kwh.

 

O preço da electricidade solar já começa a ser competitivo!!!!!

Há 10 anos atrás, era impensável algum dia a electricidade solar vir a ser competitiva. Na altura ficaria acima de 1,00€/kwh. Por oturo lado, as baterias também eram caríssimas.

Se a queda foi tão significativa, provavelmente, o futuro vai tornar obrigatório, em termos económicos, que toda a energia seja produzida a partir da luz do sol e o uso de baterias para termos energia nos veículos e durante a noite.


E porque não construir uma rede eléctrica trans-continental?

Tudo dependerá da evolução do preço das baterias.

Está previsto que caia brevemente de 120€/kwh para 85€/kwh mas são apenas previsões.

Num futuro próximo é capaz de fazer sentido económico haver uma ligação eléctrica entre Portugal e a Coreia do Sul ou o Japão, uns pequenos 13600 km.

Entre a Coreia do Sul e o centro da União Europeia existem 8 fusos horários pelo que poderá haver na Europa energia eléctrica solar entre as 2h da manhã e o pôr do Sol e no Oriente entre o nascer do Sol e as 2h da manhã.

Depois, as sociedade adaptam-se à nova energia barata.

Fig. 2 - Futura linha eléctrica que vai ligar campos produtores de energia eléctrica ao longo do paralelo 40 na Euro-Ásia. 


Deixem o Sócrates em paz.

O caso Sócrates não passa de uma novela da CMTV que a TVI e, depois, a SIC e a RTP copiaram.

Tal como ninguém questiona quanto Afonso Henriques roubou, deixemos essa novela para a História julgar.

E a discussão é desonesta pois não ficou provado que o Sócrates foi corrompido pois o despacho de pronuncia não é uma sentença. Apenas existem indícios que justificam haver julgamento.

E uma sentença nunca se deve pronunciar sobre os crimes prescritos porque o  "condenado" não pode apresentar prova sobre crimes prescritos.


sábado, 10 de abril de 2021

Sócrates = Será a corrupção grave para a sociedade?

 Um juiz disse que o José Sócrates foi corrupto enquanto que outro disse que não.

Mas não é sobre isso que quero escrever mas desafiar o leitor a pensar se a corrupção é grave para a sociedade, em particular, para a Economia.

Bem sei que muita gente aparece na TV, professores doutores, a dizer que é grave, que causa um prejuízo no nosso país maior que não sei quantos milhares de milhões por ano mas essas pessoas nunca dizem em que se basearam, que conta fizeram para chegar a esses números.

Mais ainda, assumindo que "toda a gente sabe do que eu estou a falar", não dizem o que é a corrupção e quais são os canais que levam ao prejuízo.

Estes professores doutores tanto são de direita como de esquerda, desde o Chega ao BE passado pelo CDS, PSD e acabando no PS e na CDU. Basta lembrar os nomes Paulo Morais da direita e Ana Gomes da esquerda.


O que é a corrupção?

É a degradação de alguma coisa. A corrupção de um discurso é a retirada ou acrescento de palavras que leva a que a mensagem se altere, deixe de ser compreensiva.

No tempo do Salazar havia um exemplo de corrupção.

Alguém escreveu "Fora com Salazar não é a pessoa certa para salvar Portugal" e foi imediatamente preso pela PIDE.

Levado a julgamento sumário, alegou que foi preso antes de colocar a pontuação. A frase que pretendia escrever era:

"Fora com Salazar? não!!! é a pessoa certa para salvar Portugal."

O sentido da mensagem alterou-se completamente, estava corrompido.


A corrupção não existe sem Lei.

A corrupção refere-se a não respeitar uma lei. Por exemplo, uma pessoa que circula na auto-estrada a 150km/h está a corromper a lei que diz que "o limite máximo de velocidade é de 120km/h".

Logo, numa sociedade sem lei, nunca pode haver corrupção.

Como a sociedade tem, além das leis, agentes que obrigam ao cumprimento da lei, a corrupção acaba por ser um "pagamento" por parte de quem viola a lei ao agente responsável por garantir o cumprimento da lei.

Haja ou não dinheiro em jogo, existe sempre corrupção.

A nossa lei separa o "agente passivo" (o que paga) do "agente activo" (o que recebe).


O que dizem os dados e os estudos.

Os países mais pobres são mais corruptos (medido como a percepção que as pessoas têm) mas a principal razão é os países pobres terem leis erradas (a corrupção é uma forma de lubrificar a engrenagem de uma sociedade mal governada).

É que a corrupção será boa quando as leis forem más e, como na génese da maioria das leis está a tradição e não a procura da eficiência da economia nem a felicidade das pessoas, muitas vezes, principalmente nos países mal governados, a corrupção é a única forma de a sociedade funcionar.

Em termos de impacto no desenvolvimento e crescimento económico, não se observa qualquer impacto, seja positivo ou negativo. ZERO. 

Além disso, o combate à corrupção tem custos e vítimas havendo que ponderar os custos com os benefícios.

Podem ler este estudo que usa toneladas de dados e que não encontra nada.

Para desenvolver o espírito crítico, vou apresentar alguns exemplos de "corrupção positiva".


Os vistos do consolado de Bordeaux.

Durante a 2.a Guerra Mundial, como milhões de pessoas queriam fugir da guerra, foi proibida às embaixadas e consulados portugueses na Europa a concessão de vistos (Circular 14 de 11 de Novembro de 1939).

Essa lei ainda hoje existe e, por isso, é que os do SEF mataram o ucraniano ou a GNR anda a caçar os marroquinos que chegam ao Algarve de barco.

Em o Cônsul Aristides da Sousa Mendes deixou-se corromper e passou milhares de vistos de entrada em Portugal e mesmo passaportes falso. Pode não ter recebido dinheiro mas deixou-se corromper pela pena, chegando mesmo a ser amante da refugiada Andrée Cibial.

Foi demitido por ser corrupto mas a História considera-o um Homem Justo.

 

Vamos a outro exemplo.

Na Koreia do Norte vive-se uma crise terrível, com os seus 26 milhões de habitantes a passar fome.

Imaginem que eu mandava vir 100 mil trabalhadores na KN e arranjava-lhes um trabalho a ganhar 5€/hora na"economia negra" (i.e., nem pagar taxas nem impostos). 

Começava por ser bom para o empregador (o SMN fica a 6,20€/h para o empregador).

Metia-os em barracas, dava-lhes a comer uma coisa qualquer e ainda 1,00€/h para levarem para casa.

Se trabalhassem 12h/dia e eu tivesse um encargo em alimentação e alojamento 3€/dia, ficava com um lucro de 4,50 milhões € por dia.

Pagando a viagem de ida e volta, ao fim de 6 meses tinha 750 milhões €.

Pegava nesse dinheiro, comprava 1750 mil toneladas de arroz no Vietname que exportava para a KN, dava 70 kg para cada pessoa.

Juntamente com as couves que produzem por lá, já dava para tapar a fome.

Mas para isso ser possível, seria necessário corromper muitas leis.

Teria mesmo que corromper as leis da aviação para a viagem ficar barata. Alugava um Boing 747 (desses que estão parados porque têm um problema qualquer não identificado)  e, num avião com 660 lugares sentados, metia outros tantos de pé. Conseguia transportar as 100 mil pessoas com apenas 75 viagens.


Um terceiro exemplo.

Um dia fui visitar um acampamento cigano da minha terra. No meio da conversa o "mais velho"disse-me "O que precisávamos era de um terreno para enterrar os nossos mortos. É que para a nossa etnia, uma vez enterrada a pessoa, não se pode mais mexer."

Fui estudar a legislação.

A Lei diz explicitamente que "A inumação não pode ter lugar fora de cemitério público (...)" (Par. 1.º do Art. 11.º do DL n.º 411/98, de 30 de Dezembro) mas contradiz-se logo na Al. b) do Par. 2.º, dizendo que " São excepcionalmente permitidos (...) A inumação em locais especiais ou reservados a pessoas de determinadas categorias, nomeadamente de certa nacionalidade, confissão ou regra religiosa, para tal autorizados pela câmara municipal respectiva"

Ora, atendendo às crenças dos ciganos, poderiam-se enquadrar na excepção. 

Como vi um mato à venda, barato (só me custou 4500€), longe de estradas e casas, comprei-o. Depois, perguntei às autoridades "Será que os ciganos podem fazer um pequeno cemitério no meu mato?".

As autoridades não disseram nada mas mandaram-me, por linhas travessas, um recado, "A gente não pode dizer que sim nem que não porque até nem sabemos que legislação se aplica mas eles que façam o que quiserem e que não digam nada a ninguém que nós fechamos os olhos. E quando for para enterrar, isso está delegado na  junta e ninguém vai dizer que não."

Respondam-me a isto, qual é o prejuízo de fazer um cemitério no meio de um mato, longe das vistas para lá se enterrar quem quiser?

 Mesmo que corrompa a lei (por omissão), será que os mortos vão fugir?

Se causa benefício a uns e não causa prejuízo a mais ninguém, faça-se.

 

Para a corrupção ser má tem que causar maior prejuízo do que o lucro.

A primeira regra a que devem obedecer as leis é que o lucro que induzem na pessoa que a viola tem que ser menor que o prejuízo nos terceiros mais o custo de a implementar.

 

Vejamos uns exemplos em que é custoso fazer cumprir a lei.

Num casal gay, o João bate muito no Alberto o que é um crime de violência doméstica mas, como se amam muito, querem continuar a viver na mesma casa. Será que deve ser colocado um GNR 24h por dia em casa dos gays (um custo para o contribuinte de mais de 5000€/mês) para que os dois possam viver juntos e sem violação da lei?

Uma pessoa gosta muito de silêncio mas vive num bairro social (de onde não quer sair) com outras 99 famílias que são muito barulhentas. Será que, para se respeitar a lei do ruído, será de "educar à bastonada" as 99 famílias em favor da pessoa que gosta de silêncio?

Uma pessoa tem uma casa cheia de riquezas mas não quer ter fechadura nas portas.  Acontece que, diariamente, entram-lhe em casa os amigos do alheio. Será que para cumprir a lei da propriedade privada se devem meter todos os amigos do alheio na cadeia onde custam 50€/dia ao contribuinte?

 

Se uns ganham outros perdem = É o equilíbrio de Pareto.

A economia tem duas partes, a parte da produção (que acontece nas fábricas, campos, escritórios, etc. mediante capital, trabalho, recursos naturais e conhecimento) e a parte da distribuição (a proporção de divisão da produção pelas pessoas).

No comunicação social fala-se mais da distribuição (se deve haver mais salários e menos lucros) em vez de se falar na produção (quais as barreiras que nos fazem ser menos produtivos que os alemães).

Quando um ganha à custa de outro perder, não existe perda para a sociedade como um todo. 

Se a Maria rouba 100€ à Joana, a Maria fica melhor exactamente como a Joana fica pior mas continua a haver 100€ na sociedade.

Muitas das vezes a corrupção é apenas um problema de distribuição: em vez de ser a Maria que fica com a maça, é o João. Neste caso, o impacto da corrupção na sociedade será nulo.

Diferente será se para a Maria ficar com os 100€, o prejuízo da Joana foi de 500€ (porque caiu e partiu um dedo).


Vejamos um exemplo em que a corrupção é negativa.

As sardinhas andam no mar e para haver peixes no próximo ano, este ano não podemos pescar todas as sardinhas. Vamos supor que estudos indicam que é sustentável pescarem-se 5000 toneladas todos os anos. Se a agente responsável pela pesagem do pescado corromper a balança, este ano até podemos pescar 10 000 toneladas mas, no futuro, as capturas vão ter que diminuir para 1000 toneladas por ano.

Este ano os pescadores vivem melhor e as pessoas podem comer mais sardinhas mas, no futuro, ficam na miséria.

 

A maior parte da corrupção não causa prejuízo à sociedade.

A maior-parte da corrupção é nos direitos de construção.

Existe um PDM que permite construir 4 pisos. Depois, alguém dá um dinheirito e altera-se o PDM para permitir 6 pisos.

Qual é a lógica de o PDM permitir apenas 4 pisos?

Ao passar ilegalmente de 4 para 6 pisos, quem é prejudicado?

Se na Rua do Barredo, no Porto, com 2 m de largura, a cércea é de 5 pisos, porque razão em ruas  largas é de apenas 3 pisos? Talvez porque no passado os do urbanismo eram corruptos!

 

Finalmente, um bocadinho de Sócrates!

Bem sei que dizem que o Sócrates nos levou à falência mas o julgamento não é sobre a governação do pais, é apenas sobre corrupção na Venezuela.

Qual o prejuízo que o Sócrates, mesmo que tenha corrompido a lei (por exemplo, o cargo de primeiro ministro tem que ser exercido em exclusividade e o Sócrates fez negócios na Venezuela durante o seu mandato), causou (além do lucro que teve)?

Quem são os prejudicados?

Onde é que eles estão?

Emprestar uma casa em Paris e fazer um contrato de arrendamento falso (para poder ligar a água e a luz) é um crime suficiente para acusar uma pessoa? Se assim fosse, estava toda a gente na cadeia.

Mas esse crime não foi praticado em França? Terão os nossos tribunais a obrigação de julgar crimes cometidos em França?

E os crimes cometidos na Venezuela por portugueses, o que é que temos a ver com isso? 

Será que todo o emigrante português que comete um crime tem que ser julgado em Portugal?

Não terão mais nada que fazer?

quinta-feira, 8 de abril de 2021

O problema da AstroZeneca pode ser resolvido dando apenas meia dose

 A AstraZeneca decidiu, sem base científica, que a dose normal da vacina deveria ser de 0,5 ml.

Acontece que, durante o ensaio da perigosidade e eficácia (a fase 3),  foi aplicada por engano a um grupo de pessoas apenas meia dose, 0,25 ml e, por estranho que pareça, essas pessoas mostraram ainda maior resistência à doença do que as pessoas que tomaram a dose toda (ver a notícia).

Se a dose toda pode causar uma morte em cada milhão de pessoas, a solução, em vez de "proibir" o seu uso, será experimentar dar apenas 0,25 ml.

Desta forma, cada frasco, em vez de dar para vacinar 10 pessoas, dará para vacinar 20 pessoas!

Acabam-se as mortes e vacinam-se mais pessoas, duplo ganho.

 

Na Coreia do Norte até podem usar uma dose para 100 pessoas.

A vantagem da vacina da AstraZeneca é que é formada por vírus vivos!

Sim, é um vírus transgénico, pegaram num vírus que normalmente causa constipação ou resfriado, um adenovírus, e acrescentaram-lhe um gene do Covid-19.

A vantagem disto é que, uma vez injectado no nosso corpo, o vírus reproduz-se enquanto o sistema imunitário não tiver anticorpos.

 Nos países muito pobres, onde não há vacinas, à falta de melhor, acrescenta-se soro fisiológico ao frasco e divide-se cada dose por 100 pessoas.

Fazer uma fila de povo, pegar num injector sem seringa, "injector a ar", e pumba, pumba, pumba, pumba. E a eficácia será pouco diferente.

Como diz o Costa, o poucochinho é melhor do que nada.


É o medo de inovar e falhar!

Deveria ser administrada meia dose da vacina a todas as pessoas e, só quando todos os portugueses tivessem a primeira meia dose é que deveria ser dada a segunda dose.

Mas os decisores políticos têm medo! 

É que se acertarem, ninguém lhes dá crédito mas, se errarem, a comunicação social e as redes sociais dão cabo deles.

Este problema coloca-se de forma grave nas empresas pois a inovação, apesar de ser o motor do aparecimento de novos produtos com maior valor, tem risco de fracassar. 

Será que os satélites da StarLink vão mesmo ter sucesso? Apesar de haver centenas de milhões de pessoas que vivem longe das cidades e, por isso, sem acesso à internet, tenho muitas dúvidas (direi mesmo que tenho a certeza que vai falhar mas já tinha essa certeza relativamente à Tesla). É que essas pessoas são pobres, não podendo pagar "tecnologia espacial" e a inovação tecnológica vai fazer aparecer novas soluções terrestres, muito mais baratas como, por exemplo, as redes wi-fi ponto a ponto entre telemóveis.

E, pelo menos em Portugal, o fracasso tem muito maior impacto que o sucesso (a quem ninguém dá crédito).


Vejamos um exemplo.

Há muitas empresas farmacêuticas e dezenas delas investiram milhões de euros no desenvolvimento da vacina para o Covid-19.

Muitas dessas empresas não conseguiram nada, foi fracasso total. O prejuízo que tiveram terá que ser suportado pelos seus donos sem ninguém dizer "esse fracasso foi importante porque permitiu eliminar caminhos sem futuro".

Algumas poucas conseguiram ter sucesso.

O que dizem as "grandes individualidades" do nosso pequeno país?

Que são uns exploradores sanguinários, retire-se-lhes as patentes.

Essas as "grandes individualidades" criaram alguma vez alguma coisa?

Nada, são apenas "grandes individualidades".

 

Parece que o Sócrates está acusado de fazer o que eu disse, há 6 anos, que tinha feito.

Foi à Venezuela (como primeiro ministro) e fez negócios com o Chaves (como presidente) que beneficiou empresas portuguesas e a ele próprio e foram ruinosos para a Venezuela (que não se queixou).

E isso é algum crime em Portugal? 

Tivéssemos nós, como os espanhóis, franceses, ingleses, americanos, suecos, ... têm, mais primeiros ministros a roubar por esse mundo fora em benefício de empresas portuguesas.

O bicho deveria era receber uma medalha.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O Prof. Marcelo tem razão pois a Lei Travão é inconstitucional!

O Professor Marcelo promulgou 3 leis.

Essas leis atribuem subsídios a algumas pessoas e, como o governo é contra essas coisass, diz que violam a Lei Travão: 

"Os Deputados (...) não podem apresentar (...) propostas de lei (...) que envolvam, no ano económico em curso, aumento das despesas (...) do Estado previstas no Orçamento." (Par. 2.º, Art. 167.º da Constituição Portuguesa).

E realmente, parece óbvio que o nosso presidente errou ao promulgar essa leis. E é essa a opinião unânime dos constitucionalistas que aparecem na comunicação social mas o Presidente veio logo dizer "A maior-parte desses foram meus alunos e não dei 20 valores a nenhum deles."


A Constituição é incoerente pelo que não pode ser lida artigo a artigo.

Eu sei pouco mas acho estranho pessoas que se dizem professores doutores de direito constitucional virem, para as TVs, fundamentar uma inconstitucionalidade pela simples leitura de um parágrafo da constituição.

Quando vi que  "Todos têm o direito de constituir família e de contrair casamento em condições de plena igualdade" (Par. 1.º do Art.º 36) pensei logo que estava garantido que iria arranjar uma mulher em bom e ter um rebanho de filhinho para receber RSI e abono de família. Meti o requerimento "Arranjem-me uma mulher em bom" na junta de freguesia, na câmara, no padre e no tribunal e nada, ninguém me arranjou fosse o que fosse. O máximo que consegui foi uma boneca insuflável que perde ar, fica logo murcha.

O problema é que o Par. 1.º do Art.º 36 colide com o direito à liberdade (Par. 1.º do Art.º 27).

Também o Guilherme (que vive no acampamento da Marinha) me veio dizer que "Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar." (Par. 1.º do Art.º 27) o problema é que este direito colide com o Direito à Propriedade Privada (Par. 1.º do Art.º 62)


A Lei travão também entra em conflito com a "Separação dos órgãos de soberania".

São órgãos de soberania o Presidente da República, a Assembleia da República, o Governo e os Tribunais (Par. 1.º do Art.º 110.º) e os "Os órgãos de soberania devem observar a separação" (Par. 1.º do Art.º 111.º).

Ora a Lei Travão colide logo com o poder legislativo ("Fazer leis sobre todas as matérias, salvo as reservadas pela Constituição ao Governo"; Al. b do Art.º 161.º).

 

Mas não não estará a Lei Travão prevista no "salvo as reservadas pela Constituição ao Governo"?

Não, porque todas as leis têm impacto na receita ou na despesa, mesmo que pequena.

A menos que seja óbvio que a Lei vai desgovernar o país, por exemplo, o fim do IRS ou a duplicação do valor das pensões, a independência dos órgãos de soberania não permite o governo, em julgamento próprio, decidir as leis que aumentam a despesa e, com isso, condicionar o Presidente não as promulgar.


Então, o que pode fazer o governo quando a Assembleia faz leis contra a sua vontade?

Faz como fizeram o Guterres, o Sócrates ou o Durão Barroso, vão-se embora e dão a vez a outro.


Se a carga é demasiada, o burro arreia


Nota: Quando digo que a Lei Travão é inconstitucional pretendo dizer que o Par. 2.º do Art. 167.º colide com o que é dito noutros artigos.

terça-feira, 6 de abril de 2021

A Inteligência artificial e o Holodomor do camarada Loução

A IA surge porque a capacidade dos computadores tem aumentado constantemente.

Voltemos a 1951 e olhemos para o primeiro computador que existiu, o UNIVAC I.

Foram feitos 46 computadores deste modelo que foram vendidos, a preço de hoje, por 12 milhões de euro cada (e não tinha monitor :-).

Este computador tinha uma capacidade de cálculo de 0,002 milhões de instruções por segundo, MIPS.

Em 2021, um computador de 1000€ é capaz de executar 2,4 milhões de MIPS.

No espaço de 70 anos, a capacidade de cálculo foi multiplicada por 1200 milhões e o preço sofreu um "desconto" de 99,992%.

Combinando o preço com a capacidade, em 70 anos, o cálculo realizado com 1€ de equipamento aumentou 14,4 milhões de milhões de vezes, o que traduz que multiplicou por 75 a cada 10 anos.

Imaginemos uma análise de uma base de dados com milhares de milhões de registos à procura de padrões e que demora um ano inteiro a ser feita. Mantendo-se a tendência dos últimos 70 anos, daqui a 30 anos, um equipamento com o mesmo preço demorará pouco mais de um minuto a fazer a mesma análise.

A capacidade de armazenamento de dados tem crescido na mesma proporção ao ponto de ser possível "meter" um milhão de livros numa pendrive de 5€. 

As comunicações entre máquinas também tem crescido exponencialmente.

Juntando estas tendências, daqui uns 20 anos, um computador de secretária terá a mesma capacidade do nosso cérebro (a estimativa de Moravez é que o cerebro humano tem capacidade de 100 milhões de MIPS).  Mesmo que o cérebro tenha uma capacidade 1000 vezes a estimativa de Moravec, mantendo-se a tendência dos últimos 70 anos, atingiremos essa capacidade muito antes do fim do século.

Fig. 1 - Evolução da capacidade de cálculo dos computadores, 1950-2020 (dados da wiki, cálculos e grafismo do autor)


Vamos ter hardware para fazermos inteligência artificial mas o que é isso?

A inteligência artificial é a tradução de dados em regras que possam ser utilizadas em situações futuras idênticas!

Afinal, é uma coisa simples. Mas se a inteligência fosse algo difícil não poderia ser realizada pelo simples amontoar de células estúpidas (os neurónios).

 Além das regras, também realiza optimizações.


Vamos a um exemplo futurista em que a IA será fundamental.

A produção de energia eléctrica a partir da luz solar com painéis solares usa electrónica como os computadores e, por isso, aproveita a evolução tendência de evolução da electrónica.

Se o preço da energia solar continuar a cair os 22%/ano que se observaram nos últimos 15 anos, no espaço de 20 anos,  o custo vai cai 95%.

A queda no custo vai fazer com que, no futuro, toda energia que vamos utilizar seja electricidade com origem solar.

Fig. 2 - Evolução do preço dos painéis electro-solares (USD/W, dados, iae).

 

Mas a energia solar tem o problema de ser variável com a alteração da luminosidade sem possibilidade de controlo (não se pode aumentar nem diminuir). Assim, quanto mais sol houver, mais electricidade será injectada na rede. Então, os consumos (electricidade, automóvel, etc.) terão que ser inteligentes!!!

 

E como vai ser essa inteligência?

O mercado da electricidade terá produtores (os painéis solares)  e consumidores (os electrodomésticos e a bateria do carro). Da interacção de compradores e vendedores será determinado um preço. Se a produção aumentar (por haver sol), o preço irá descer e os electrodomésticos não prioritários (por exemplo, o cilindro da água quente e a bateria do carro) vão "comprar" electricidade. Quando a produção diminui (por haver menos sol), o preço irá subir e tudo o que não é prioritário irá desconectar-se da rede. De noite, só funcionará o estritamente necessário como o televisor.

Se, em termos tecnológicos se justificar, teremos também uma bateria inteligente que vai comprar electricidade quando ela está mais barata para poder ser usada quando está mais cara (de noite). Esta bateria até pode ser a do carro!

Quanto mais inteligentes forem os equipamentos, relacionando dados do passado, informação meteorológica, necessidades de consumo futuro (por exemplo, do carro), mas baixo será a conta da electricidade que vamos pagar ao fim do mês e melhor será gerida a rede como um todo, sem grandes oscilações de preço porque, havendo um pico de produção, os equipamentos não prioritários entram logo a consumir (e vice versa).


Ainda não falei na substituição dos trabalhadores!!

Podemos imaginar milhares de coisas novas que a IA vai permitir mas os esquerdistas só avançam com o papão da perda de postos de trabalho.

Todos conhecemos o multi-banco, o telemóvel, a internet, o poder ver na nossa televisão programas da última semana mas esses bens apenas existem porque a computação tem avançado muito.

 

Vou falar um bocadinho do Holodomor.

E poderia referir aqui milhares de outros bens que a IA vai permitir e que farão a nossa vida cada vez melhor mas aqueles que só pretendem provar que o Trotsky não era tão sanguinário como o Estaline só se lembram do papão.

 

Fig. 3 - Vem ai o bicho papão, a IA é racista, xenófoba, misógina, de extrema direita e foge aos impostos mas o Estaline não mandou matar ninguém, os ucranianos morreram porque quiseram, usaram da liberdade de o fazer.
 

Não existe nenhum documento, testemunho ou seja o que que diga que o Hitler mandou exterminar os judeus, ciganos ou outros. Depois de aprofundadas investigações levadas a cabo pelos aliados foi encontrado um manado de nada, absolutamente nada que ligasse fosse quem fosse ao Holocausto. Dizem (os revisionistas?) que a morte aconteceu por infelizes coincidências: 

1) Quem enviava as pessoas para os campos de concentração não sabiam que eram tão pequenos;

2) Quem enviava a comida para os prisioneiros não sabiam que havia tantos;

3) Quem tomava conta deles não podia fazer melhor (dada a sobre-população, a fome e a falta de medicamentos, terreno fértil para o tifo, tuberculose e difteria) do que "despachar" os mais doentes da forma a que não contaminassem os outros.

Interessante que os esquerdistas usam esse mesmo argumento para defender o Estaline, de que não existe nada que o ligue ao extermínio de milhões de ucranianos em 1932. Houve fome porque os campos deixaram de produzir e, naturalmente, os ucranianos morreram.

Vejam o Daniel Oliveira a dizer isto mesmo!

Dizer que o Louçã é um bom comunista porque adora o Trotski é como dizer que alguém é um bom nazi porque adora o Coronel Claus von Stauffenberg .

Também os turcos e todos os que cometeram atrocidades dizem que nada liga a morte massiva desses povos com ordens dos seus governantes. 

Os extremos tocam-se.


segunda-feira, 5 de abril de 2021

Crime, castigo e castração quimica

O crime apenas existe porque existe porque alguém escreveu uma lei criminal!

Com esta frase pretendo que compreenda que o Crime não é algo absoluto, é uma acção que a alguém decidir dizer que não se pode fazer, criou a Lei.

A Lei, inicialmente, surge com justificação divina, foi o próprio Deus quem ditou os X Mandamentos a Moisés mas, com o passar do tempo, a revelação divina foi sendo substituída pela eficiência.

 

O pastor ser "rei" de parte do território favorece todos => cria-se a propriedade privada.

A propriedade privada é muito antiga porque, mesmo na sociedade pastoril, aumenta a capacidade de produzir bens num determinado território (que se denomina por produtividade).

Vamos supor que há 100 ha de terra e 100 pastores.

Cada ha de terra produz 100kg/dia de erva.

Cada animal transforma a erva que comer em leite segundo a regra 

   Leite = (Erva comida - 2) ^0,5

 Esta regra traduz que o animal precisa de 2kg/dia apenas para se manter vivo e que o rendimento é decrescente (para produzir o dobro tem que comer quatro vezes mais).

Situação 1 = A terra é privada (cada pastor tem 1ha).

A produção máxima acontece quando há 25 animais por agricultor, sendo a produção de 35,4 litros/dia para cada agricultor.

Situação 2 = A terra é comunitária (os 100 pastores têm 100ha).

Os 100 pastores vão ter um total de 2500 animais que é o valor óptimo mas, individualmente, se um pastor tiver mais um animal, consegue aumentar a produção.

Isto traduz que o óptimo não é um Equilíbrio de Nash (cada indivíduo tem incentivos a mudar a sua acção).

Haver mais um animal faz diminuir o total produzido mas como o pastor tem mais um animal, essa perda só acontece para os outros. Se um pastor pudesse decidir o tamanho do seu rebanho "obrigando" os outros a terem apenas 25 animais, iria ter 1560 animais o que diminuiria o total produzido em 20%.

Se cada pastor puder escolher o tamanho do seu rebanho sem conseguir limitar o tamanho do rebanho dos outros, cada pastor vai ter 50 animais em que a produção total é ZERO.

As sociedades sem propriedade privada desapareceram.

Como não era eficiente a propriedade comunitária da terra, as sociedades que, por acidente, inventaram que "Deus defende a propriedade privada", acabaram por suplantar as sociedades onde "Deus disse que a Terra pertence a todos por igual".

 

O Crime, a lei que proíbe, surge porque aquela acção individual torna a sociedade ineficiente.

Matar os vizinhos até pode, à primeira vista, ser lucrativo para o assassino mas obriga a aplicar recursos na defesa individual (muralhas, sistema de vigilância, treino de defesa pessoal) sem haver, no fim, qualquer ganho.

Por outro lado, se matarmos os nossos vizinhos, quando a nossa aldeia for atacada, não haverá pessoas suficientes para nos defendermos (até posso ficar o proprietário de toda a aldeia mas os da aldeia vizinha vêm e matam-me porque não "temos homens" suficientes para defender a nossa aldeia).


Vamos agora ao castigo.

O problema da Lei é que, para ser cumprida, tem que haver algo que iniba os "criminosos" de actuar.

A inibição pode ser por prevenção (policiamento, câmaras de vigilância, portas blindadas, coletes à prova de bala) e por dissuasão (quem cometer o crime vai sofrer uma pena muito superior ao lucro do crime).

As penas têm custos diferentes e diferentes capacidades de dissuasão.

A mais dispendiosa das penas é a prisão. Em Portugal, uma pessoa presa durante um ano tem um custo para o contribuinte de 20000€. 

Se pensarmos que há pessoas anos presas por conduzirem sem carta, vemos que nem sempre o Estado é racional. Ficaria mais barato ter uma escola especial para estas pessoas.

A eficiência obriga a escolher penas que sejam capazes de dissuadir e que sejam baratas de implementar. 

Nas sociedades mais pobres, temos os trabalhos forçados e, para crimes considerados mais graves, a execução da pessoa. Nas sociedades mais ricas, é possível aplicar prisão perpétua. A "vida" do Renato Seabra na cadeia traduz um encargo de mais de 1 milhão de euros (se fosse na China, tau, 0,45€).

Mas pessoas querem vingança!

A vingança serve apenas para o criminoso saber, antes de cometer o crime, que apesar de ser muito custoso mantê-lo na cadeia,  as pessoas estão disponíveis a pagar esse preço porque querem vingança.

 Outra razão invocadas para as penas é "retirar o perigo da sociedade".

Mas esta razão é falsa e mais uma vez, apenas serve para garantir ao criminoso que, uma vez apanhado, vai cumprir cadeia.


Vamos agora aos químicos.

Vamos supor que uma pessoa matou outra e que, por causa disso, vai cumprir 20 anos e 10 meses de cadeia "para se recuperar para a sociedade". Estamos a falar de um custo para o contribuinte de 375 mil €.

Agora imaginem que, tal como o diabético fica curado se tomar insulina, havia um químico que "recuperava" instantaneamente a pessoa para a sociedade (nalguns países, é "cortar a mão que pecou"), talvez fosse aceitável esquecer a vingança e dar esse medicamento à pessoa que, assim, se tornaria um cidadão normal, sem custos para o contribuinte.


Cai nesta problemática a "castração química".

O esquizofrénico a quem "Deus manda matar" fica curado se tomar uma injecção de Haldol (verificar). Então, se existe a certeza de que a pessoa ataca outras porque é esquizofrénico, será de lhe perguntar "preferes ir para a cadeia ou ir uma vez por mês ao centro de saúde tomar um injecção para essas coisas da cabeça?"

Imaginemos um cigano que rouba electricidade do poste para a sua família. Será melhor metê-lo na cadeia (recordo, onde custa 1500€/mês) ou dizer-lhe "vamos-te ligar a electricidade e tens direito a usar, gratuitamente, 3kwh/dia por cada pessoa que vive no acampamento. Numa barraca com 8 pessoas, seria um custo de apenas 120€/mês e o cigano ainda faz umas feiras para ajudar a sustentar a família?


Vou então falar da "castração química".

A castração quimica é os homens tomarem a pílula!

Não existe evidência mas o imaginário popular quer acreditar que os crimes de natureza sexual são praticados por homens com um nível mais elevado de testosterona. Isto não é verdade mas vamos acreditar que sim.

Então, se diminuíssemos o nível de testosterona das pessoas condenadas por crimes sexuais, estes criminosos ficariam recuperados para a sociedade.

 

A castração química é tomar a pílula sem interrupção (os primeiros 21 comprimidos), estratégia usada pelas mulheres que têm dores menstruais especialmente se tiverem endometriose (acaba com a menstruação)

 

É assim em Israel!

Está identificado que não há terroristas com mais de 50 anos de idade. Então, as penas de prisão perpétua acabam assim que o terrorista faz 50 anos, nessa altura, até conseguem transformar o terrorista num agente duplo. Como que o pensamento das pessoas se altera por volta desta idade, é a crise dos 50!!


O problema do André Ventura é ninguém querer ouvir o que ele diz.

O que o André Ventura quer dizer é que os crimes sexuais não resultam de o individuo ser mau mas apenas de uma hormona que circula no seu corpo (a testosterona).

Se conseguíssemos controlar essa hormona com um comprimido diário e SE O CRIMINOSO O QUISESSE, podíamo-lo mandar em liberdade. Poupava-se dinheiro ao contribuinte e prejuízo ao criminoso.

Essa castração qumica mais não passa do que tomar a normal pílula das mulheres, é tomar hormonas femininas, estrogénios, numa dosagem segura.

O "castigo" problema para o homem seria ficar com menos barba e menos potencial!


Vejamos o caso do Carlos Cruz.

Foi condenado a 7 anos de cadeia por práticas sexuais com uma pessoa de 14 anos e outra de 16 anos.

Mesmo que isso fosse verdade, será que o Carlos Cruz era um perigo para a sociedade ao ponto de o contribuinte ter gasto 115 mil € para o manter na cadeia?

Não seria melhor dar-lhe um comprimido de farinha triga, e dizer ao povo que procura vingança "está impotente porque aceitou ser castrado quimicamente".


A droga é outro escândalo.

Os esquerdistas vêm defender a eutanásia como uma liberdade do individuo a dispor da sua vida.

E tomar drogas, não é uma liberdade do indivíduo?

Liberalizavam essa merda e tiravam esses drogaditos da cadeia.

Um dos sem-abrigo que guardam carros à minha porta e a quem eu, de vez em quando, lavo a roupa, esteve 14 anos preso por tráfico de droga. Um fulano que não faz mal a uma mosca e que custou ao contribuinte quase 300 mil €.


 

 








sábado, 3 de abril de 2021

Se o Canal do Suez fosse assim tão importante, o Egipto seria um país rico.

Como sabem o Canal do Suez esteve uma semanita fechado.

Logo os comentadores não se cansaram de dizer asneiras.

Vou tentar desfazer todas essas verdades falsas.


Porque não cobra o Egipto um preço exorbitante?

O preço que o Egipto cobra é o máximo possível. Se não houvesse alternativa esse preço seria o de monopólio, exorbitante, o que faria o Egipto um país muito rico.

O problema é que cobra apenas cerca de 50USD, 40€ por contentor de 6 metros (contentor de 20 pés, TFU). Cobrará cerca de 1 milhão USD parra a passagem de um porta-contentores de 20000 TFU.

Cobra este preço porque os navios podem, em alternativa, dar a volta pela África do Sul.


1 = É falso que a viagem pelo Sul de África demora mais 15 dias.

O tempo que um navio demora a fazer a viagem Xangai-Roterdão tem a ver com o custo diário do navio e tripulação (quantos menos dias, melhor) e o custo de combustível.

Actualmente, a velocidade média dos navios anda em cerca de 18 km/h, 430 km/dia e, a esta velocidade, o navio gasta cerca de 0,3 litros de combustível por contentor e por 100 km.

A viagem de Xangai (o maior porto do mundo, na China) até Roterdão ou Londres (os maiores portos europeus) pelo Suez, são cerca de 20 mil km, demora 46 dias e gasta 60 litros de combustível por contentor.

A mesma viagem contornando África, como cortam caminho, aumenta a distância a percorrer para  27 mil km. À mesma velocidade, a mesma viagem demorará 62 dias e gastará 80 litros de combustível por contentor.

Mas a comparação tem que ser feita com igual duração.

Para o navio demorar o mesmo tempo, tem que viajar mais rapidamente. Assim, precisa aumentar a velocidade em 35%, de 18km/h para 24 km/h, o que é totalmente possível (a velocidade máxima é de 44km/h) o problema é que gasta mais combustível, aumentando de 0,3 para 0,3*1,35*1,35 = 0,55. A esta velocidade, o gasto de combustível total será de 150 litros por contentor.

Então, a única diferença entre as duas rotas é que a rota pelo Sul gasta mais 90 litros de combustível.

90 litros a 0,50USD/litro dá 45USD por contentor.


Ficaram a perceber porque cruzar o Suez custa 50USD por contentor?

É que se for mais caro, os navios aceleram e vão todos pela rota do Cabo.

Chama-se a isto o "preço limite".

Para os navios do Japão, Coreia do Sul, China, Singapura, Índia para a Europa é mais económico atravessar o canal do Suez se o preço for 50USD/contentor. Para a costa oriental dos USA já dá ela por ela.

Para navios da Austrália ou para a América do Sul, já é mais rentável fazer a viagem pelo Sul.


É falso ser competitivo fazer a viagem de comboio pelo Irão.

O Irão é governado por "padres". Se nós, que somos governados por Economistas, é como é, com ideias faraónicas de "hidrogénio verde", TGV e outras maluqueiras, imaginem que éramos governados por padres.

O problema do comboio é que nunca pode competir com o consumo de 0,3 litros de combustível por contentores por 100km.Também não pode competir com o facto da "linha marítima" (o mar) já estar feita e não tem custos de manutenção enquanto que uma linha de comboios é caríssima e tem muita manutenção (os comboios dão cabo dos carris).

Para termos uma ideia, mandar um contentor de Leixões até Roterdão por comboio ou camião (2000km) custa cerca de 2000€, enquanto que enviar o mesmo contentor de Roterdão para Xangai por barco (uma distância 10 vezes maior) custa cerca de 700€, um terço do preço.

Pode-se dizer que é mais rápido mas, por km, o comboio é 30 vezes mais caro.

E as pessoas não querem saber da velocidade e prova disso é que os navios viajam a 18km/h quando podem viajar a 44km/h.


Os velhos pensam na juventude, quando eram felizes a ver os comboios passar.

Os comboios é uma coisa dos velhos, lembrarem-se das horas passadas a ver os comboios a passar ou das miniaturas que receberam quando eram crianças.

Os transportes dos jovens, dos tempos futuros não serão so comboios mas antes as e-scooters, as e-bikes e as e-skates.

Em vez de enterrar milhares de milhões de euros em TGV, o que é preciso é tirar os empedrados das estradas e fazer vias  especialmente desenhadas para estes novos veículos, longe dos carros.


Este e-skate todo-terreno pesa 13,5 kg, atinge 30km/h, tem autonomia para 25 km e custa 435€

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Uma proposta de algorítmo para registar as pessoas para a vacinação à Covid-19

Não vai ser fácil gerir a segunda fase da vacinação.

Está previsto começar em meados de Abril a inoculação de 100 mil pessoas por dia do "contingente geral". Se pensarmos que existem centenas de centros de saúde e milhões de pessoas, vai ser muito difícil conseguir arranjar as 100 mil pessoas a cada dia sem haver falta de pessoas nem pessoas que se desloquem ao centro de saúde e não tenham vacina.

Mais complexo será se pensarmos que as disponibilidades das pessoas em "idade activa" é bastante menor que as pessoas com mais de 80 anos de idade ou doentes.

Já sabemos que as pessoas se vão inscrever mas não sabemos se a prioridade será dada a quem chegar primeiro ou se haverá algum critério para preferir umas pessoas relativamente às outras. Atendendo a que as pessoas com mais idade têm sintomas mais fortes, terá lógica dar prioridade às pessoas mais idosas. Sendo assim, vou propor que a inscrição contenha um leilão semelhante ao adoptado pelas companhias de aviação low-cost em que o preço é a idade: ter mais idade é equivalente a pagar mais.

O problema em questão é a solução de um "mercado" com quantidade variável de múltiplos produtos em que cada pessoa vai "comprar" duas unidades espaçadas por 3 semanas.


Como é o "mercado" das vacinas.

Existem muitos centros de saúde, cerca de 400, cada um com uma capacidade máxima horária.

O centro de saúde será referido por três grandezas,  i (que vai de 1 a 400); h (que vai das 8:00 até às 20:00 com intervalos de 30 minutos) e d (que vai de 15/abril até 31 de Dezembro).

CS(i, h, d) 

Neste caso, haverá no "mercado" 400 x 24 x 260 = 2496000 "produtos" diferentes em que cada terá uma determinada quantidade máxima disponível, por exemplo, CS(123, 9:30, 15/05/2021) = 100 traduz que nessa meia hora podem ser vacinadas, no máximo, 100 pessoas.

Existe o limite total diário de 100 000 unidades (ou algo semelhante), sendo de prever que a soma de todas as capacidades máximas ultrapasse este limite.


O sistema mais fácil.

As pessoas com mais idade têm prioridade e são divididas em décadas. 

A primeira década será entre 60 e 70 anos. Havendo 1 milhão de pessoas com idade nesta década, os primeiros 10 dias serão para estas pessoas.

As marcações são aceites por ordem e apenas são aceites as pessoas com mais de 60 anos.

Quando a nível nacional for atingido o limite das vacinas disponíveis para esse dia, as marcações encerram.

A marcação para a 1.a dose inclui a marcação apra a 2.a dose.

 

O sistema mais "eficiente"

Por "eficiente" quero dizer que todas as vacinas são utilizadas


As pessoas vão "licitar".

A pessoa  acede ao site e marca uma determinada hora/dia num determinado centro de saúde dizendo a sua idade.

Uma pessoa vai poder marcar muitas hipóteses, por exemplo, usando uma regra "segundas-feiras entre as 8:00 e as 9:30", no mesmo centro de saúde ou em vários podendo atribuir prioridade a cada uma das marcações.


Agora, a dificuldade está em "escolher" as pessoas certas.

Qualquer critério serve mas tem que se procurar um eficiente no sentido em que as pessoas com mais idade têm prioridade mas também que os horários são os escolhidos pelas pessoas.

As companhias de aviação low-cost usam um critério composto: utilizam o preço (quanto mais alto melhor) e o tempo da marcação (quanto mais distante no futuro, melhor).

No nosso caso, será preferível uma pessoa de 75 anos a uma pessoa de 35 anos mas também será melhor uma pessoa que marcou há 30 dias relativamente a uma pessoa que marcou ontem.

Tem então que se criar um critério composto, por exemplo, cada dia corresponde a um ano.

Por exemplo, uma pessoa de 35 anos que marcou há 50 dias fica à frente de outra pessoa de 75 anos que marcou ontem.

 

 Porquê valorizar o tempo de marcação?

Parece lógico que as marcações de última hora devem ser favorecidas se houver vagas. Acontece que este critério faz com que as pessoas deixem as marcações para a última da hora sendo, assim, difícil esgotar todos os "produtos".

Favorecer as marcações há mais tempo, apesar de não parecer lógico, melhora em muito a gestão do sistema. É mesmo este simples critério que faz as empresas low-cost conseguirem preços muito mais baixos que a TAP tendo, mesmo assim, lucros porque conseguem taxas de ocupação muito superiores.

E como resolver o problema das múltiplas marcações?

Agora é que vem o algorítmico do "leilão"!

Em função das marcações, vai ser atribuída uma probabilidade a cada marcação, por exemplo, o António marcou 4 hipóteses:

K  CS   Dia   Hora  Idade  Dias ID  Prob

1   123  21/5  8:00     35       27     72  93%

2   123  21/5  8:30     35       27     72  78%

3   123  20/5  8:00     35       26     71  81%

4   123  20/5  8:30     35       26     71  74%

Estas probabilidade variam ao longo dos dias sendo que são "fechadas" um certo tempo antes da data/hora, por exemplo, 24horas, havendo confirmação de Sim ou de Não.

Ao longo do tempo, a pessoas poderá alterar as suas marcações, anulando umas, alterando as prioridades e fazendo outras.


Mas como é calculada essa probabilidade?

É preciso saber quantas pessoas marcaram cada "produto" o que parece impossível porque cada pessoa faz múltiplas marcações mas esse número será em probabilidade.

Por exemplo, o António está com uma marcação em (123; 21/5; 8:00) com o "preço" 72 mas já só tem (1-0,93) = 0,07 marcações em (123; 21/5; 8:30) com "preço" 72 e (1-0,93)x(1-0,79) = 0,015 marcações em (123; 20/5; 8:00) com "preço" 71.

Havendo o máximo de 100 pessoas e 50 marcações para daqui a 30 dias, o algoritmo baysiano de aprendizagem (digamos que é Inteligência Artificial rudimentar) vai avançar com a probabilidade de uma pessoa com o preço 72 ser uma das escolhidas daqui a 49 dias.

 

O "mercado" fecha, por exemplo, 24 horas antes.

Ao fechar, fica-se a saber quantas vacinas vão ser precisas para cada horário e cada centro de saúde que se compara com as 100 000 existentes para aquele dia.

Se estão marcadas 100x24 no CS 123 mas, o total nacional é de 150 000, vai ser visto onde os "preços" são mais elevados e cortar nas pessoas com "preços" mais baixos (recordo que o preço será a soma da idade com o há quantos dias foi feita a marcação).

Assim que uma pessoa é vacinada, todas as suas outras marcações são anuladas e é feita uma marcação "fixa" para a segunda toma.

 

Mas vai haver sempre quem falte!

Acidente, doença ou outra razão qualquer irá fazer com que algumas pessoas faltem.

Como a vacina da Astrazeneca pode ser facilmente guardada de um dia para o outro, deve haver uma pequena margem com esta vacina para ultrapassar o problema das pessoas que faltam. 

As sobras serão comunicadas ao sistema aumentando o total do dia seguinte.


E está feita a coisa.

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