sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Porque será contraproducente aumentar o Salário Mínimo?

O Costa prometeu aumentar por decreto o SMN de 505€/mês para 600€/mês.

O argumento é que, desta forma, vai aumenta o rendimento dos trabalhadores o que vai fazer aumentar a procura interna, a produção das empresas para responder a essa procura acrescida e, finalmente, o emprego. Mas, de facto, nada disto vai acontecer o que se torna obvio fazendo uma simples redução ao absurdo.
Se o aumento por decreto do SMN aumentasse o nível de vida das pessoas e reduzisse o desemprego, todos os países aumentariam o SMN para 10000€ por dia deixando de haver desemprego.
Se isto não parece viável, tenho que explicar o que existe na Economia que evita que funcione este argumento do sábio do PS que agora é Ministro da Economia.

Primeira verdade.
Quando éramos pequeninos, quando nos púnhamos a jogar futebol no recreio da escola, era evidente que uns de nós tínhamos mais jeito para a bola que outros.
Também em termos de capacidade de criar valor numa hora de trabalho, uns de nós geram mais valor e outras geram menos valor.
Se aceitamos que uns têm mais jeito para a bola e outros menos sem isso nos diminuir, também temos que aceitar a verdade económica de que uns geram mais valor e outros menos sem nos sentirmos diminuídos.
Em termos estilizados existe uma distribuição do valor que criamos numa hora de trabalho. 
Sem perda de arranjarem melhores valores, olhando para os dados do INE da produtividade, avanço com uma produtividade média do trabalho de 1000€/mês e um desvio padrão de 500€/mês.

Segunda verdade.
As empresas têm por fim o lucro e, por isso, só empregam uma pessoa se o incremento no lucro for positivo. Então, apenas se uma pessoas tiver uma produtividade superior ao salário corrente na empresa é que irá conseguir emprego.
Se o salário que o FC Porto paga por um avançado é de 50 000€/mês, como a grande maioria de nós não consegue, com uma bola nos pés, gerar este valor, nenhum de nós tem hipóteses de vir a ser empregado do FCP como pontas de lança.
Se uma pessoa gera menos valor que o SMN, então, nunca irá conseguir arranjar emprego, excepto como funcionário público!
 
Terceira verdade.
O SMN não tem qualquer impacto nas pessoas que têm produtividade elevada.

Fig. 1 - Há pessoas com maior e outras com menor produtividade

E quantas pessoas vão perder o seu emprego?
Assumindo uma produtividade com valor médio de 1000€/mês e um desvio padrão de 500€/mês e que a inflação vai ser de 1,6%/ano, então, o aumento do SMN para 600€/mês em 4 anos vai reduzir o nível de emprego em 160 mil postos de trabalho.

Fig. 2 - Será que vou perder o meu empregosinho?

Como fiz a conta.
Passando os 600€/mês a preços de hoje dá 563€/mês
Percentagem de trabalhadores cuja produtividade entá entre 505€/mês e 563€/mês => 3%
População activa (5,3 milhões) vezes 3% dá 156 mil

Pedro Cosme Vieira

4 comentários:

tvranivs nostratorvm disse...

Vc sofisma casta salarial subsidiada com produtividade a serio entao alguem ke chuta uma bola e ganha dezenas de milhares mes é mais util ke alguem ke impede lixo nas ruas?

Portuendes disse...

respondendo à cómica pergunta, mas em tom sério: na equipa do fc porto os faxineiros não tem tido muita procura nos últimos tempos, donde se conclui que a sua utilidade, neste mercado em particular, é reduzida. Num campo de futebol, os lixeiros são muito pouco produtivos.

Para outros requisitos, serão concerteza mais úteis, mas a concorrência (oferta) é elevada e as necessidades em termos de qualificação são baixas.

Até os Marx (o Karl e o Groucho) sabiam responder a estas perguntas!

Judge Dredd disse...

Professor os seus dados estão um pouco incompletos.

Primeiro não contrabalança com a criação de emprego derivado do crescimento(vamos ser modestos e projectar 1,5% ao ano)
Segundo a população activa tem de se retirado os 12% já desempregadoso que prefaz 4,7 milhões que multiplicados pelos 3% darão 141 000 pessoas que perdem o emprego em 4 anos.
Terceiro os aumentos do salario minimo não vão ser lineares(25 eur por ano), 2016 provavelmente apenas vai ser aumento de 15/20 eur e obviamente que terá em conta o crescimento.


Nunca ninguem disse que o caminho é facil mas tambem não pode ser ás custas de (mais) sofrimento das pessoas.

Não atingiremos os pleno emprego em 10 anos, falo emos em 15 anos!A qualquer preço é que não pode ser

Pedro Renner disse...

A cómica pergunta acima aborda uma questão levantada pelo último Nobel de Economia, que refere que “alguns dos mais ricos de hoje nos EUA vêm de actividades cujo valor social é duvidoso, declarando-se ‘preocupado’, uma vez que isso incentiva uma má utilização do talento. A minha preocupação é que as pessoas que estão na zona superior de rendimentos retirem a escada para a ascensão económica, para evitar que os outros a subam, e se dediquem a viver de rendas. Muitas pessoas em Wall Street ou na indústria farmacêutica estão a ganhar muito dinheiro, mas com trabalhos com efeitos duvidosos sobre o resto da sociedade. Não entendo que estejamos numa plutocracia, mas assusta-me que alguns tenham mais influência política, enquanto outros estejam a ser privados de direitos”. (http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/nobel_da_economia_2015_esta_preocupado_com_influencia_do_dinheiro_na_democracia.html)

E ainda: “Let me be clear: there are some reasons to be concerned. What worries me most about income inequality in the United States is that it can turn into political inequality. If the very wealthy use their wealth to influence the political process, then the rest of us suffer. That is the danger. People who are healthy aren't going to undermine the health of the unhealthy. But the super-rich can undermine the political process to their own benefit and harm the rest of us. Studies show that politicians are much more responsive to their rich constituents than their poor constituents.” (http://object.cato.org/sites/cato.org/files/serials/files/policy-report/2014/3/cprv36n1-5.pdf)

Posto assim, a pergunta deixa de ser cómica. Talvez redutora da situação, ou simplista. Mas sem deixar de ter a sua pertinência, agora expressa pelas palavras do laureado. Mas também ao Stiglitz foi atribuído este Nobel, e o prof. Pedro Cosme desmontou-lhe aqui (http://economicofinanceiro.blogspot.pt/2011/07/o-stiglitz-e-premio-nobel-mas-esta.html) algumas de suas argumentações, sem invalidar o motivo da atribuição do referido prêmio - a informação assimétrica na teoria económica.

Mas o motivo para meu comentário tem mais a ver com o seguinte: conforme a primeira notícia, os estudos deste último Nobel de Economia têm-se centrado no relacionamento entre as escolhas individuais e os indicadores agregados, pondo em contacto o mundo da microeconomia com o da macroeconomia. Isto dito assim soa a estabelecer relações entre a física quântica e a teoria da relatividade! Isto é assim ou será poesia do jornalista?

Obrigado. Bom trabalho.

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